sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

BUGONIA (2025) de "Yorgos Lanthimos"


 Insanidade Cinematográfica!

​  Se existe um diretor que, sem dúvidas, dispensa a terapia, este é Yorgos Lanthimos. Sua filmografia é tão peculiar e instigante que, mesmo quando a mensagem é direta, o resultado é um entretenimento alucinante, sagaz e audacioso. É o caso de Bugonia, sua mais nova investida. Nela, o realizador escala novamente dois artistas no auge de suas carreiras — Emma Stone e Jesse Plemons — para entregar uma obra repleta de elementos das aventuras modernas; uma verdadeira ode à loucura da sociedade contemporânea. Bugonia é hype? Com certeza.

​  Teddy (Jesse Plemons) é o retrato nervoso, superficialmente simpático e, por isso mesmo, cruel de um populista antiglobalista — carregando as conotações antissemitas inerentes ao tipo. Michelle (Emma Stone), por sua vez, personifica a elite corporativa egocêntrica e desdenhosa de forma tensa e igualmente implacável. Lanthimos coloca esses dois arquétipos frente a frente e, com um prazer quase sádico, os lança em uma competição para decidir quem é o mais detestável. Enquanto Teddy submete Michelle a terríveis sessões de eletrochoque divagando sobre invasões alienígenas, ela, ao assumir o controle, vomita um ódio neoliberal ácido, reafirmando que ele sempre será um "perdedor" e ela, a eterna "vencedora".

​  A única alternativa ao vazio ensurdecedor de Teddy ou ao abismo gélido de Michelle é Don (Aldan Deblis), primo de Teddy. Don, que parece estar dentro do espectro autista ou possuir alguma deficiência intelectual, é o único que demonstra preocupação real. Perturbado pela brutalidade do primo, ele tenta convencê-lo a parar ou, em um ato desesperado, tenta interromper a tortura arrancando os aparelhos. Infelizmente, as consequências são duras para todos — afinal, este é o universo de um gênio misantropo do cinema.

  Apesar de toda a ironia e do absurdo, a mensagem de Lanthimos incomoda não por ser insensível, mas por ser desconfortavelmente sincera. Ele nos lembra de que não existem alienígenas para nos destruir ou salvar. O destino das abelhas — e o da humanidade — está em nossas próprias mãos, seja para o bem ou, como o filme sugere, para o mal.

​🌟🌟🌟🌟 MUITO BOM


#bugonia #yorgoslanthimos #cinema

ATO NOTURNO (2025) de "Marcio Reolon" e "Filipe Matzembacher"


 Sexy, elegante e fatal. 

  Ato Noturno, thriller erótico gay dirigido por Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, possui um ritmo crescente, melancólico e repleto de apreensão. O ótimo elenco é elevado por uma cinematografia sombria e uma trilha sonora marcante. O filme é visualmente deslumbrante com as incursões noturnas de Matias e Rafael. O filme é "hype"? Sim, pois entrelaça fetiche, influência e autoridade de maneira literal em um cinema de urgência. 

  Gabriel Faryas assume o papel de Matias, um jovem e ambicioso ator que exala confiança e anseia pelos holofotes. Em suas andanças, Matias conhece um homem discreto com quem compartilha uma noite intensa. Contudo, torna-se evidente que Rafael (Cirillo Luna) tem muito a perder: ele está prestes a se tornar uma figura política poderosa. Ambos descobrem um fetiche mútuo pela adrenalina de serem flagrados em locais públicos. À medida que suas carreiras decolam, esse jogo perverso torna-se cada vez mais perigoso. 

  A obra envolve a tela em uma paisagem noturna peculiar, que oferece libertação das restrições do dia. A temática do cruising — no Brasil carinhosamente apelidado de "pegação" — não é novidade no cinema, tendo rendido obras incríveis como o clássico Parceiros da Noite (anos 80), o emblemático português O Fantasma e o inesquecível francês Um Estranho no Lago. No cenário nacional, o tema já foi explorado pelo brasiliense Floresta dos Sussurros, de Thiago Cazado, e pelo goiano Vento Seco, de Daniel Nolasco.

  Embora o cruising ocorra comumente em contextos de anonimato em locais públicos (parques, banheiros, bares), no filme, cada novo encontro ameaça o status social dos personagens — e é exatamente esse risco que os mantém unidos. 

  Ato Noturno proporciona uma experiência sensorial específica sem cair na armadilha da sexualidade performática; há sutileza e um suspense devastador. O horror contido na obra não reside apenas em sua eficiência clínica como thriller, mas no lembrete brutal de que a tentativa de reconciliar o desejo com as normas vigentes pode gerar ressentimento, confusão e violência. 

🌟🌟🌟🌟 MUITO BOM


#atonoturno #cinemabrasileiro #filme #cinema #vitrinepetrobras #hype #meuhype #LGBTQIA

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

MANAS (2025) de "Marianna Brennand"

 

Comovente e revoltante! 

​  O filme retrata uma comunidade amazônica de maneira realista e autêntica. Manas aborda temas densos vividos sob a perspectiva de uma criança. Embora a obra trate do abuso, este nunca é mostrado em tela e raramente é discutido de forma direta nos diálogos; no entanto, o tema pulsa de forma proeminente em toda a narrativa. É uma corrente subterrânea que começa como um desconforto sutil e se transforma em uma compreensão dolorosa. A dor é sentida pelo espectador, e a obra cresce à medida que ganhamos a certeza do que realmente está acontecendo. O Hype em torno do filme é legítimo e necessário. 

  Manas, de Marianna Brennand, é cru, intimista e destaca com sensibilidade a coragem de uma jovem presa em um ciclo de violência. A câmera, quase nervosa e de natureza claustrofóbica, confere ao filme intimidade e imediatismo. A urgência do assunto não intimida a realizadora a confrontar a engrenagem violenta que rege essa família e as mulheres da comunidade. O longa aborda a natureza do tabu diretamente, usando o olhar da protagonista para examinar uma estrutura rural assolada por ele. 

  Embora a garotinha não seja ingênua, sua aparente maturidade é atenuada pela dedicação de Brennand em garantir que o público nunca se esqueça de sua infância. Quando não está na escola ou ajudando a mãe, ela está brincando com a irmãzinha ou colorindo desenhos. À medida que sua empolgação em passar tempo com o pai diminui, sua vulnerabilidade permanece exposta. É uma representação dilacerante da perda da inocência, que encontra eco nas mulheres ao seu redor. 

  É um filme que não tem medo de ser ousado e chocante, comovente e revoltante na mesma medida. Manas enfatiza a importância de romper o silêncio e quebrar o ciclo, destacando a coragem necessária para fazê-lo através dos olhos de uma criança. 

🌟🌟🌟🌟 ÓTIMO


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SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA (2025) "If a Had Legs Id Kick You" de "Mary Bronstein"


 Rose Byrne em um caos explosivo!

  Imagine se o clássico Réquiem para um Sonho fosse focado na maternidade. É quase o que acontece em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, um filme visceral que deixa o público em estado de choque ao promover uma imersão onírica no estresse parental e todo o seu impacto. Essa força estrondosa emana da atuação corajosa de Rose Byrne e da visão intransigente da diretora Mary Bronstein. O filme é hype? Com certeza.

  A trama mergulha na depressão pós-parto, acompanhando uma terapeuta que tenta conciliar a maternidade de uma filha com transtorno alimentar pediátrico (que depende de sonda) enquanto seu marido, capitão da Marinha, está ausente há meses. Tudo gira em torno do vazio. Bronstein demonstra um ótimo senso de humor e timing, comandando um elenco impecável — especialmente Byrne, que personifica a mulher exausta, cuja vida está em turbilhão, atormentada por dúvidas e culpa a cada segundo. Destaque também para os efeitos visuais e as sequências de alucinação, que elevam a experiência sensorial.

  A narrativa funciona praticamente como um monólogo de decisões desesperadas que apenas agravam o cenário. Frustrada, angustiada e indignada, a protagonista recorre à desonestidade, mas engana apenas a si mesma ao negar constantemente a gravidade de suas emoções e do contexto em que vive.

  Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria é mais um exemplar potente do cinema dirigido por mulheres sobre mulheres à beira de um colapso. É engraçado, mas dói; é real e estressante na mesma medida.

🌟🌟🌟🌟 MUITO BOM


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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

SONHOS DE TREM (2025) "Train Dreams" de "Clint Bentley"


 Uma jornada visceral pela história americana.

​  Inspirado na novela homônima de Denis Johnson (2011), o filme inicia-se com imagens de forte simbolismo: um túnel, botas de couro devoradas por troncos e o ruído de árvores tombando. É neste cenário que conhecemos Robert Grainier — um homem que viveu oito décadas em Bonners Ferry sem jamais ter visto o oceano. Sonhos de Trem foca na trajetória de Grainier até o fim de seus dias. O filme é Hype? Sim, o entusiasmo em torno da obra é plenamente justificado. 

  O longa é uma belíssima reflexão sobre a formação dos Estados Unidos, ancorada por uma das melhores atuações da carreira de Joel Edgerton. Com uma delicadeza melancólica, Edgerton conduz o espectador pela rotina na Ferrovia Nacional de Spokane, onde trabalhadores migrantes formam famílias temporárias em meio ao isolamento. O filme transita habilmente entre o realismo do trabalho bruto e o surrealismo de alucinações do personagem que exploram culpa e destino. 

  Como antecipa o narrador: “Muitos anos depois, uma ponte de concreto e aço seria construída dez milhas rio acima, tornando esta obsoleta”. Grainier viverá o suficiente para testemunhar o progresso, mas, antes disso, será assombrado por visões onde a modernidade surge como uma força inevitável. 

  A narração de Will Patton nos transporta para dentro e para fora da vida do protagonista. Há algo reconfortante no roteiro de Clint Bentley e Greg Kwedar. Sob a direção de Bentley, a beleza reside nos momentos sem diálogos, em que a trilha sonora carrega o peso emocional em conjunto com a cinematografia lírica do brasileiro Adolpho Veloso e a música de Bryce Dessner. Robert Grainier é um personagem admirável.

  Sonhos de Trem alcança proporções míticas sem perder sua essência intimista, oferecendo um testemunho sereno sobre a resiliência, família e o poder da memória. 

🌟🌟🌟🌟 ÓTIMO


📺 Netflix 

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O BEIJO DA MULHER ARANHA (2025) "The Kiss of the Spider Woman" de "Bill Condor"

 

O beijo flopado! 🕸🕷 

​  O Beijo da Mulher Aranha (2025) não é uma adaptação direta do romance de Manuel Puig, nem do filme de 1985 dirigido por Héctor Babenco. Trata-se, na verdade, de uma versão do musical da Broadway dos anos 90. Talvez isso explique o tom teatral da produção, com cenários limitados e números musicais sem muita grandiosidade. Mas o filme tem hype? Infelizmente, não. 

​  O que deveria jogar a favor desta nova versão acaba sendo seu principal problema. Como drama musical, falta-lhe o impacto emocional que o gênero exige; não há sequer uma cena musical memorável. Como drama puro, também não consegue comover. Tudo soa plástico e artificial: os cenários são datados e a tentativa de conexão com o público atual não funciona. Citações a marcas famosas e o figurino pomposo de Jennifer Lopez não escondem o desespero do filme em parecer moderno. 

​  Nesta adaptação, a falta de química entre os protagonistas é notável. Em muitos momentos, a ausência de brilho e entusiasmo deixa a narrativa morna, prejudicando o ritmo da história. A trama não se desenrola com a mesma força do clássico estrelado por William Hurt, Raul Julia e Sonia Braga. A elegância, delicadeza e seriedade do filme de 1985 transformam-se aqui em uma intriga musical visualmente suntuosa, mas vazia, apesar das performances razoáveis de Jennifer Lopez, Tonatiuh e Diego Luna. A ditadura é tratada sem profundidade.

​  Para mim, como fã da obra da década de 80, esta releitura fica muito aquém do potencial da história. Mesmo com um esforço admirável dos protagonistas e a escolha ousada pelo formato musical, o resultado final é uma sensação de desperdício. Fica apenas a lembrança do clássico de Babenco, que permanece insubstituível. 

🌟🌟 REGULAR


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domingo, 11 de janeiro de 2026

AGENTES MUITO ESPECIAIS (2026) de "Pedro Antônio"


 Uma comédia de ação gay! 🏳️‍🌈

​Dirigido por Pedro Antonio (que recentemente assinou o ótimo Evidências do Amor e os sucessos Tô Ryca 1 e 2), o filme nasceu de uma ideia original de Marcus Majella e do eterno Paulo Gustavo. Ao assistirem a Tropa de Elite, eles vislumbraram mostrar dois gays nas forças especiais tão competentes quanto qualquer outro colega, reforçando que competência não é uma questão de gênero ou sexualidade. Existe hype para esse filme? Com certeza.

Agentes Especiais é uma comédia leve, uma sátira dos filmes policiais americanos sobre uma missão repleta de percalços enfrentada pelos agentes Jeff (Marcus Majella) e Johnny (Pedroca Monteiro). A trama vai além do riso ao abordar, com delicadeza, os desafios da comunidade LGBTQIA+ — seja na vida pessoal, onde a autoaceitação é o primeiro passo para o bem-estar, ou na profissional, onde muitas vezes é preciso ser o melhor para se destacar e conquistar o respeito.

A história foca no desejo da dupla em provar que, independentemente da orientação sexual, são extremamente capazes. Desde o treinamento, Jeff e Johnny sofrem com o preconceito e as chacotas; Johnny, inclusive, ainda lida com dúvidas sobre como expressar sua sexualidade. Os dois se tornam o porto seguro um do outro para sobreviver ao ambiente hostil, acreditando que o reconhecimento dos colegas virá apenas com a solução de um grande caso.

A luta LGBTQIA+ começa na coragem de ser quem somos, algo que se fortalece com uma rede de apoio e pessoas que compartilham vivências — o verdadeiro conceito de comunidade. O filme é didático ao explicar esse funcionamento ao espectador "comum", mas faz isso de forma natural, aproveitando o timing para usar as principais "piadas internas" da comunidade em momentos hilários.

Para completar o enredo, temos uma vilã à altura interpretada por Dira Paes e coadjuvantes afiados. Bem produzido e cumprindo o objetivo de ser uma comédia leve e despretensiosa, o longa certamente abre caminho para novas histórias. Divertido e necessário para a comunidade LGBTQIA+!

🌟🌟🌟🌟 - MUITO BOM!


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A EMPREGADA (2025) "The Housemaid" de "Paul Feig"


 O Hit do Verão! ☀️ (Sem Spoilers)

O filme mais comentado da temporada é uma adaptação, assumidamente vulgar, do best-seller de Frieda McFadden, e certamente foi daí que surgiu o enorme boca a boca positivo que transformou o filme em um sucesso inesperado, até entre quem não conhecia o livro e sua história. O hype é real e se sustenta.

​Em uma temporada onde os cinemas são invadidos por filmes infantis devido às férias e dramas pesados e pretensiosos devido à temporada de prêmios, A Empregada surge como um alívio: uma obra pop envolvente e cativante, que certamente encantará tanto os novatos quanto os fãs do livro.

A trama é engenhosa, repleta de intrigas e falsas pistas, com várias reviravoltas que homenageiam aqueles thrillers que fizeram sucesso nos anos 90 — só que desta vez nunca sabemos ao certo quem está no comando. Os personagens brincam com nossa simpatia e ressentimentos de classe o tempo todo, flertando abertamente com o exagero na medida certa. A obra subverte tudo o que havíamos previsto, tornando a história difícil de ser discutida em detalhes com quem não viu. Afinal, qualquer detalhe estraga a experiência!

​O filme é astuto, graças ao seu humor ácido, e vira uma vitrine para Sydney Sweeney e Amanda Seyfried mostrarem seu talento, em contraste ao elenco masculino que esbanja sedução. Tudo isso embalado em uma trilha pop, sendo o equivalente cinematográfico de um livro de leitura leve e viciante. Imperdível! 

🌟🌟🌟🌟 MUITO BOM


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sábado, 10 de janeiro de 2026

HAMNET - A VIDA ANTES DE HAMLET (2025) de "Chloé Zhao"

 

A beleza e o tédio de Hollywood! 💀

  A diretora Chloé Zhao, cineasta responsável por Nomadland e pelo filme da Marvel (Eternos), ganha uma nova  chance de produzir um filme para um grande estúdio (Universal) e conta com a ajuda de Spielberg e Sam Mendes para entregar um drama pretensioso, estrelado por Jessie Buckley e Paul Mescal, sendo o filme o atual queridinho de Hollywood. Mas o hype é real?

  Infelizmente não me conectei com a obra, o inicio muito lento, que por exemplo, em Nomadland era contemplativo, aqui é suficiente para fazer seus olhos lacrimejarem. Não é sobre o estilo de Chloé Zhao, que quem conhece sabe que seus filmes são mais lentos, é a falta de ritmo e impulso para não desgastar o expectador. 

  A história é uma adaptação para o cinema do romance de Maggie O'Farrell, de 2020, sobre o luto de William Shakespeare (Paul Mescal) e sua esposa Agnes Hathaway (Jessie Buckley) pela morte do filho Hamnet e como sua trágica morte inspirou a grande peça do bardo, Hamlet. Sem dúvida, Hamnet é filmado de forma belíssima e com Jessie Buckley entregando uma atuação comovente que lhe renderá o Oscar de Melhor Atriz. Ainda assim tudo é muito arrastado e egocêntrico. 

  Cena após cena, assistimos aos Shakespeares em casa, vivendo suas vidas sem que muita coisa aconteça ao longo de duas horas de tela. Para ser justo, Jacobi Jupe, sósia do Príncipe George, impressiona como o filho moribundo, assim como seu irmão na vida real, Noah Jupe, que interpreta Hamlet no palco no final. Mas tudo é tão prolongado e pretensioso, como se estivesse acenando para o público e dizendo: "Sim, este será um filme vencedor do Oscar, podem ter certeza." 

  O filme será particularmente impactante para pais que sofreram a perda irreparável de um filho. Mas o filme já foi acusado de manipular o público. Talvez. A única coisa da qual certamente se pode dizer – e isso é uma grande façanha considerando o tema – é que ele é um drama belo e entediante. 

    🌟🌟🌟 BOM 



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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

MARTY SUPREME (2025) de "Josh Safdie"


 Uma visão suprema de si mesmo! 🏓

  Marty Supreme dirigido por Josh Safdie, um cineasta bem interessante que dirigiu os ótimos Joias Brutas e Bom Comportamento é um filme que parece ter sido escrito para Timothée Chlamet, quase como um passaporte para o mesmo figurar nas maiores premiações. 

  O ator se entrega em cena para dar vida ao personagem Marty Mauser, um jovem visionário com um sonho que ninguém respeita, que vai ao inferno e volta em busca da grandeza. É suficiente? O Filme sustenta todo hype da crítica mundial? Sim, mas a resposta depende muito do ponto de vista do espectador e da experiência que ele deseja ter com a obra. 

 Marty Supreme mostra um Timothée Chalamet em sua forma mais carismática e contagiante como um "herói" de grandes aspirações mas com uma ambição tóxica, confesso ter em vários momentos torcido contra o protagonista, suas atitudes de caráter duvidoso para atingir seus objetivos ultrapassa aquela linha entre, uma pessoa admirável e uma pessoa que segue impulsiva para alimentar seu ego. Mérito do empenho do ator no filme.

  Analisando como obra cinematográfica a fotografia de época é boa, a ótima trilha sonora é conflitante com o enredo, são hits musicais dos anos 80 que não se conectam com a ambientação, uma história eletrizante e bem dirigida que foca na batalha de seu protagonista deixando seus coadjuvantes brilharem em poucos momentos, a participação de alguns personagens na trama é quase um alívio a massante exposição em tela de Marty Mauser. 

  Marty Supreme tem uma trama esportiva que se torna uma odisséia que atropela qualquer espírito esportivo, onde o protagonista nunca aceita perder mesmo quando ele merece. A reconstrução de Marty após os fracassos são baseados na sua ambição desenfreada e seu egocentrismo, existem batalhas muitos maiores na história que são deixadas de lado para simplismente exaltar seu personagem, por essa ótica o filme se torna conflitante, segue como um bom entretenimento mas longe de ser memorável. 

🌟🌟🌟 BOM 


🎬👀 CINEMA


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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Five Nights at Freddy's 2 de Emma Tammi


Já se passaram dois anos desde que Five Nights at Freddy's chegou aos cinemas assustando a todos, e a sequência finalmente chegou, com a diretora Emma Tammi retornando para expandir o universo assombrado dos animatrônicos. Este novo capítulo eleva a tensão com um novo antagonista animatrônico: o Marionete. 


Os fãs da franquia sairão satisfeitos, mesmo que algumas escolhas na história possam deixar o público confuso. Baseado no videogame homônimo de Scott Cawthon, que conta a história de um guarda de segurança tentando sobreviver aos ataques de animatrônicos assassinos por cinco noites ou fases, Five Nights at Freddy's apresentou Josh Hutcherson como o problemático guarda de segurança, Mike, lutando contra seus demônios pessoais ao lado dos brinquedos alegremente dementes.

O irmão de Mike foi levado quando criança, e Mike se culpa por isso. Ele cuida de sua irmã mais nova, Abby (Piper Rubio), enquanto uma tia interesseira tenta levá-la embora. Depois de ser demitido de todos os empregos, Mike começa a trabalhar como segurança na Freddy Fazbear's Pizza, uma pizzaria abandonada. A sequência, também escrita por Cawthon e dirigida por Tammi, começa um ano após os eventos do primeiro filme.
Mike parece ter exorcizado seus demônios, enquanto Abby também está bem adaptada e frequentando a escola, e suas histórias sobre o que aconteceu na pizzaria no ano anterior parecem ter lhe garantido um lugar na mesa dos populares no almoço. Ela sente falta de seus "amigos" animatrônicos, embora Mike não tenha lhe contado a verdade sobre as criaturas homicidas. Vanessa (Elizabeth Lail), a policial local, sabe muito sobre a Freddy Fazbear's Pizza, pois é filha do dono, o assassino em série William Afton (Matthew Lillard). Vanessa ajudou Mike da primeira vez e é assombrada pelo seu passado. Qualquer informação além disso já estraga a experiência. Houve uma melhora significativa em relação ao primeiro filme.

Os fãs do jogo irão gostar do filme, enquanto aqueles que não estão familiarizados com o jogo podem se divertir um pouco com este filme de terror relativamente leve, com roteiro previsível e aquela sensação de nostalgia com os anos 80. 


 
                        REGULAR ⭐️⭐️

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

O AGENTE SECRETO (2025) "The Secret Agent" de "Kleber Mendonça Filho"


Um thriller visualmente deslumbrante e intrigante. Um deleite para quem ama cinema.

   Nascido no processo de pesquisa para "Retratos Fantasmas", " O Agente Secreto " recria o Recife de 1977 com detalhes ainda mais vívidos do que o documentário de Mendonça, esse é o primeiro filme verdadeiramente de época do diretor e está absolutamente repleto de musicalidade, brasilidade e ruídos da ditadura militar, que marcou o país na época. Mesmo assim o cinema está sempre em evidência na tela, não como uma simples homenagem mas como parte da vivência do povo. 

   Longe de ser um filme de espionagem frenético que o título sugere, "O Agente Secreto" de Mendonça opera no ritmo e no teor de um drama de exílio, ainda que seja permeado pela diversão típica de filmes B, violência gráfica que se mistura com fantasia e as singularidades do Brasil "Brasileiro", do carnaval de rua ao jeitinho brasileiro de lidar com as situações. 

   Uma inspirada veia de absurdo percorre O Agente Secreto , conectada a uma lenda urbana sobre uma "perna peluda" que se move de forma autônoma, causando problemas na capital do nordeste brasileiro, quando o país ainda sofre sob ditadura militar. A brincadeira é lúdica e sensacional rendendo boas risadas.

   A magia do filme é que todos esses elementos incongruentes se encaixam organicamente no quadro geral, sem jamais diluir a tensão ou minar os riscos de vida e morte do personagem central, inicialmente conhecido como Marcelo. Ele é interpretado com um olhar comovente e um manto de melancolia e mágoa por Wagner Moura.

   Animado por uma galeria de personagens coadjuvantes que retratam a realidade e a riqueza regional do Brasil, o filme se deleita com uma inebriante sensação de tempo e lugar que demonstra o intenso amor de Mendonça Filho pelo cenário de sua cidade natal. Dentro de sua filmografia, o filme se destaca com uma evolutiva atmosfera cinematográfica, surpreendente e recheada de camadas. Imperdível!

⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO 


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sexta-feira, 14 de março de 2025

VITÓRIA de Andrucha Waddington


O possível último filme da carreira da atriz Fernanda Montenegro (95 anos) apresenta uma atuação forte e marcante de uma lenda do cinema brasileiro em uma história reflexiva e típica do Brasil, sobre  coragem, força e resiliência.


Vitória é um filme que mergulha na história real de Joana da Paz, uma mulher que desafiou o tráfico de drogas em uma favela do Rio de Janeiro. Aposentada, ela desmontou uma quadrilha carioca de traficantes e policiais a partir de filmagens feitas da janela do seu apartamento. Solitária e aflita com a violência, passa seus dias em busca da paz perdida em sua própria casa, enfrentando constantes tiroteios e criminalidade à beira da sua janela. Essa jornada, que representa a vida de milhares de brasileiros, é retratada nesta obra de forma sensível, sincera e dura.

Fernanda Montenegro é o coração deste filme; ela se entrega com paixão em sua atuação. E, ainda que seja um filme simples, que mostra o poder do cinema em contar histórias de personagens da vida real, muitas camadas desse cenário são deixadas de lado, transformando Vitória apenas em um palco para a personagem principal. Essa escolha artística é um tanto acertada, tendo em vista que outros filmes clássicos do cinema brasileiro focam na história do tráfico no Brasil de forma mais complexa e detalhista. O foco em Vitória está no olhar humano de uma senhora idosa vivendo nesse contexto pesado e, infelizmente, normalizado.

Andrucha Waddington (Eu, Tu, Eles/Sob Pressão) assumiu o posto como realizador do filme após a morte de seu amigo, o diretor Breno Silveira, em 2022. Seu trabalho é bastante satisfatório; é um filme que carrega sua assinatura ao conduzir vidas humanas no caos do cotidiano de uma metrópole. Os atos de coragem de Joana da Paz, que viveu seus últimos dias em um programa de proteção à testemunha, por si só, já são uma narrativa interessante e, com o brilhantismo de Fernanda Montenegro nessa personagem, transformam Vitória em mais um "hit" do cinema brasileiro. Deve dividir opiniões e encantar na mesma medida.


Muito Bom! ⭐️⭐️⭐️⭐️

Em cartaz nos cinemas brasileiros! 

quarta-feira, 12 de março de 2025

BETTER MAN - A HISTÓRIA DE ROBBIE WILLIAMS de "Michael Gracey"

 


A biografia do popstar britânico Robbie Williams é uma produção ousada e criativa que substitui sua estrela principal por uma criação de efeitos visuais: um macaco.

"Better Man" é baseado na história real da ascensão meteórica, da queda dramática e do ressurgimento notável do astro pop britânico Robbie Williams, um dos maiores artistas de todos os tempos. Sob a direção visionária de Michael Gracey (O Rei do Show), o filme é contado exclusivamente da perspectiva de Robbie, capturando sua sagacidade característica e espírito indomável. Ele segue a jornada de Robbie desde a infância até se tornar o membro mais jovem da boyband líder das paradas britânicas, Take That, e suas realizações inigualáveis como um artista solo recordista — ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios que a fama e o sucesso estratosféricos podem trazer.

A superprodução utiliza números musicais de alta performance, com energia e tecnologia de calibre próximo ao trabalho impecável dos filmes recentes da franquia "Planeta dos Macacos", e transforma Williams (Jonno Davies) em um primata crível. O filme, inclusive, foi indicado ao Oscar 2025 na categoria de Efeitos Especiais. Além da qualidade técnica, o roteiro é bem escrito, cheio de vulnerabilidade e verdades desconfortáveis o suficiente sobre o passado de Williams para não parecer um projeto de vaidade total. O filme não é chapa branca em relação aos problemas de Williams, e o popstar não tem problemas em incluir aspectos de seu passado, como seu relacionamento tóxico com rivais, como a banda Oasis, ou mesmo o uso excessivo de drogas e a falta de responsabilidade com os fãs.

A primeira metade do longa é bem divertida e, depois, fica muito centrada nas alucinações do cantor e nos anseios de sucesso. Algumas cenas são surpreendentemente gráficas, mas poderosamente imaginativas, e a maneira como essas versões aparecem realmente incorpora o que é estar em guerra consigo mesmo. Um filmaço!


MUITO BOM ⭐️⭐️⭐️⭐️

Em cartaz nos cinemas do Brasil em 13/03!

terça-feira, 11 de março de 2025

O MELHOR AMIGO de Allan Deberton


O musical LGBTQIA+ é uma divertida comédia onde seus protagonistas precisam encontrar em si mesmos as respostas para seus sentimentos ao som de hits nacionais.


O filme se passa na praia de Canoa Quebrada, quando Lucas e Felipe se reencontram, fazendo acender antigos desejos. Enquanto Lucas se joga neste paraíso solar e musical em busca de uma paixão ardente e incerta, Felipe, com sua presença misteriosa, parece disperso e receoso em relação aos seus sentimentos. Esse enredo bem "água com açúcar" ou, melhor, "água de chuca", rende bons momentos; ainda que apresente muitos estereótipos do gay masculino, quase sempre resumido à busca incessante por sexo e paixões momentâneas com pouca profundidade.

Na história, Lucas (Vinicius Teixeira) é um rapaz tímido e deslocado. Após romper com o namorado e seguir em viagem para o Ceará, o personagem mostra uma certa insegurança em sua decisão e, aos poucos, vai permitindo-se viver outras histórias, seja em aplicativos de encontros ou mesmo acidentalmente encontrando seu amigo das antigas, Felipe (Gabriel Fuentes), que exala sexualidade; ele tanto pode ser sedutor a ponto de ninguém duvidar de suas intenções, como, no instante seguinte, desaparecer e refugiar-se em si mesmo. Essa dinâmica entre os dois é customizada por sentimentos que são expressos em números musicais que servem para a fuga do real.

Nessa jornada, com um dilema que perde intensidade e se torna bobo e pudico, Lucas ainda tem a ajuda de coadjuvantes que servem para confrontar seus medos. Cláudia Ohana, Solange Texeira, Mateus Carrieri e Gretchen, além de alguns outros nomes da comunidade LGBTQIA+, estão presentes. Embora muita expectativa tenha sido gerada em relação ao novo projeto do diretor Allan Deberton, que nos trouxe a obra-prima "Pacarrete" (2019), "O Melhor Amigo" merece destaque pela investida em um musical gay, com números de canto e dança, em moldes raros no cinema brasileiro. Sua atmosfera cafona e com referências acessíveis ao grande público do mundo "queer" são seus pontos fortes. Se a intenção era realizar um exemplar da "sessão da tarde", leve e divertido, sem maiores pretensões, esse objetivo foi alcançado.



BOM ⭐️⭐️⭐️

Em cartaz nos cinemas em 13/03!

quinta-feira, 6 de março de 2025

MICKEY 17 de "Bong Joon-ho"

Bong Joon-ho, um dos melhores cineastas dessa geração está de volta em uma aventura de ficção científica irônica, que beira o genial mas esbarra em inconsistências, fugindo das questões que abrange.

Mickey 17, embora seja um conto de gênero pesado em sátira, não é tão afiado quanto se poderia esperar de um diretor que já entregou filmes geniais como O Hospedeiro (2006) e Parasita (2019). Em uma história que lida com identidade, consciência e o que significa ser humano, esse terreno fértil para uma exploração elevada e instigante se esvazia em meio a uma trama nonsense. Não que seja um grande problema, tudo vai ganhando forma durante o filme mas compromete o resultado final que foge do minimalismo elegante das obras de Bong.

O espetáculo visual da ficção científica é gratificante e coroado com uma atuação muito boa de Robert Pattinson, que interpreta Mickey Barnes, um perdedor que aceita um emprego mal pago em uma missão de colônia interplanetária. Ele é um "dispensável", regularmente jogado em situações perigosas sem se preocupar com seu bem-estar. Cada vez que ele morre, um corpo novo é impresso e infundido com uma gravação de suas memórias. Quando em uma missão ele de forma improvável sobrevive e retorna para sua nave de colônia, ele descobre que já foi substituído: uma duplicata recém-impressa está morando em seus aposentos e dormindo com sua namorada Nasha (Naomi Ackie). Uma situação grave que precisa ser contornada rapidamente.

Em algum lugar depois da primeira hora, Mickey 17 nunca se endireita. Nessa parte da trama existe problemas com alguns personagens, principalmente o interpretado por Mark Ruffalo, entregando uma performance exagerada e desequilibrada e Toni Collette muitas vezes irritante no papel. O aspecto caótico desses personagens existem com muitos malabarismos em tópicos de liberdade, política e religião, embora ofereça bastante espetáculo também.

No geral, o roteiro abandona quase completamente os temas mais inebriantes e se torna totalmente simplista e com soluções fáceis ainda que atrativas, é ambicioso, provocativo e estimulante.

Um bom entretenimento. ⭐️⭐️⭐️


👀 Em cartaz nos Cinemas! 🎬



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

O MACACO (The Monkey) de "Osgood Perkins"


Cruelmente ácido no humor e absolutamente sangrento nas cenas de terror, o conto de Stephen King diverte no pavor psicológico e muitas vezes doentio.

O novo filme de terror do estúdio independente indie Neon chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira (06/03) com sessões antecipadas no Carnaval, o filme é distribuído no Brasil pela Paris Filmes. O Meu Hype assistiu ao filme na Cabine de Imprensa e nossa recepção foi favorável, as decisões aleatórias e malucas da direção no fim das contas compensam nas piadas insanas, na ironia desenfreada e decisões interessantes para fugir do habitual.

Tudo tem início quando os irmãos gêmeos Bill e Hal (Theo James) encontram um misterioso macaco de corda. Após a descoberta, uma série de mortes absurdas destroça a família. Muitos anos depois, o macaco inicia uma nova onda de assassinatos, forçando os irmãos a enfrentar o brinquedo amaldiçoado.

Dentro dessa sinopse relativamente comum de qualquer filme médio de terror, o diferencial desse filme é o interessante diretor "Osgood Perkins", conhecido principalmente pelo sucesso independente "Longless", um dos filmes de terror sensação de 2024. A sua mão pesada traz um reflexo torto nessa história, que por sinal, é um conto do famoso escritor de terror Stephen King, por final, James Wan, famoso pela franquia Invocação do Mal também assina a produção do longa. Resumindo, até quando o filme ameaça derrapar algo segura a onda, seja o humor estranho ou as geniosas mortes causadas pelo macaco.

O filme é o deboche perfeito para o nosso tempo, nos quais nossa perda quase completa de humanidade diante de um ataque implacável de abominações sem consequências é canalizada para um macaco de brinquedo pelo qual dois idiotas lutam pelo direito de assassinar multidões anônimas de estranhos inocentes e satisfazer suas queixas pessoais. Quanto ao porquê de todo mundo morrer e isso ser uma merda, essa resposta o filme entrega claramente.

BOM ⭐️⭐️⭐️

    Onde ver: 👀 Cinema 🎥

                                                                     

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O HOMEM CÃO (Dog Man) de "Peter Hastings"

                                      


Uma comédia familiar simples, adoravelmente absurda e sentimental.

Chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (27) a nova animação dos estúdios Dreamworks, baseado na história de Dav Pilkey, também criador das séries “Capitão Cueca” e “Bebê Fraldinha”, o longa animado surge como uma aventura de um herói, leal como um cachorro e forte como um ser humano.

Quando um cão policial fiel e seu dono um policial humano são feridos juntos no trabalho, é necessário uma cirurgia maluca para salvar suas vidas, a união dos dois corpos surgindo assim o Homem Cão.

Após o ocorrido, Homem-Cão faz um  juramento de proteger e servir os cidadãos, sendo a ameaça mais recente as tramas malignas de um super vilão felino, Petey. O plano mais recente dele é clonar a si mesmo, criando o gatinho Lil Petey, para dobrar sua capacidade de fazer coisas criminosas. As coisas se complicam, no entanto, quando Lil Petey cria um vínculo inesperado com o Homem-Cão.

No processo, eles descobrem o poder da família (e dos gatinhos!) para unir até os inimigos mais hostis. O Homem-Cão aprende sobre o mundo humano sem perder sua essência animal. Por isso, ele continua capaz de combater o crime ao mesmo tempo que ama perseguir esquilos. A produção tem uma sinopse um tanto peculiar, mas é uma ótima pedida para a criançada. Homem-Cão é rápido e objetivo, tem uma animação bastante rústica e a partir da transformação do personagem a trama engrena e começa a construir sua narrativa eletrizante. BOM ⭐️⭐️⭐️


                                                                          

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

UM COMPLETO DESCONHECIDO (A Complete Unknown) de "James Mangold"

                                            


Um retrato de parte da história de um ícone brilhante e misterioso que abre mão da pessoa e se transforma num show "cover" do cantor.

Chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (27) a nova biografia sobre o astro Bob Dylan, um dos longas que, ao lado de Ainda Estou Aqui, concorre ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Além disso, ele também é um forte concorrente à estatueta na categoria Melhor Ator, onde Timothée Chlamet concorre ao prêmio por sua atuação acima da média de Bob Dylan.

A cinebiografia retrata o início da carreira do Bob Dylan, passando por momentos fundamentais que mudaram a história da música. Em Nova York, 1961, contra o pano de fundo de uma cena musical vibrante e uma convulsão cultural tumultuada, um enigmático jovem de 19 anos de Minnesota chega com sua guitarra e talento revolucionário, destinado a mudar o curso da música americana. Ele cria relacionamentos íntimos com ícones musicais do momento em sua ascensão meteórica, culminando em uma performance inovadora e controversa que reverbera em todo o mundo.

Como já dizia Todd Haynes, que dirigiu o cativante e quase definitivo  "I'm Not There" (Não Estou Lá) de 2007, uma fábula não linear que explora as muitas identidades de Dylan como um ícone cultural por meio de seis atores diferentes, certamente já se sabia um pouco sobre o quão desafiador é definir o músico. “Existem muitos Bob Dylans, sempre há espaço para mais”, disse ele.

Portanto, não é nenhuma surpresa que James Mangold, que nos trouxe o famoso filme biográfico de Johnny Cash de 2005 "Walk the Line" (Jonnhy & June) , estaria interessado em abordar outro aspecto da persona complicada de Bob Dylan. Um Completo Desconhecido é a visão de Mangold sobre o início de Dylan na década de 1960, que culminou em uma controvérsia mudança musical de instrumentos acústicos para elétricos, é uma história interessante, embora um tanto abafada, desse homem aparentemente desconhecido.

Um dos acertos do filme está na escolha de focar nas pecularidades de Bob Dylan sem se inclinar para sua mente e pensamento. Revive nostalgicamente uma Nova York de vagabundos e boêmios, nos lembrando dos muitos jovens idealistas que se levantaram contra a opressão sistêmica por meio da arte. Os números musicais são cativantes e a performance de Chlamet encanta, seu Dylan é afiado como uma navalha, distante e zeloso, as vezes descontraído e terrivelmente carente como ser humano.

Como um filme biográfico e um olhar para a psique de um sujeito, "Um Completo Desconhecido" deixa muito a desejar, não nos aproximando do "grande" Bob Dylan. Como entretenimento funciona bem celebrando o significado cultural de seu protagonista. BOM ⭐️⭐️⭐️


                                                                          

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

FLOW 🐱 de "Gints Zilbalodis"

                                       


Muito mais que uma história sobre um gato solitário, uma mensagem sobre união e esperança em meio as adversidades. 

Chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (20) a animação Flow, que, ao lado de Ainda Estou Aqui, concorre ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Além disso, ele também é um forte concorrente à estatueta na categoria Melhor Animação. 

Muito além de uma animação fofa sobre um gato solitário, Flow mostra que pequenos estúdios também podem fazer grandes histórias, mesmo com softwares gratuitos e baixo orçamento. "Flow" virou um fenômeno, é o primeiro longa da Letônia a ser indicado ao Oscar. O filme venceu o Globo de Ouro e o troféu virou patrimônio nacional, sendo exposto no Museu Nacional de Arte da Letônia, o governo local ergueu uma estátua do gatinho em Riga, a capital do país. Além disso, artistas passaram a espalhar a arte pelas ruas com desenhos do personagem. 

Não há voz humana no longa apenas sons de animais proporcionando uma imersão ainda maior a história, sobre um gato que ao ter seu lar é devastado por uma grande inundação encontra refúgio em um barco povoado por várias espécies, e tem que se unir a elas apesar de suas diferenças. Um dos grandes acertos do filme está na escolha de não humanizar os animais protagonistas. Além disso, a animação se esforça para ser fiel ao comportamento real dos animais, como o gato que derruba objetos de propósito quando está irritado. Esses detalhes tornam a experiência mais autêntica e envolvente. 

Flow representa plenamente o fluir, no começo, quando o gato tem muito medo dos outros animais, a água parece muito assustadora e agressiva. Mais tarde, quando o gato e os outros animais aprendem a trabalhar juntos, a água se torna mais tranquila e pacífica, uma simples e bela metáfora sobre a vida e sobre escolher a empatia na luta pela sobrevivência. ÓTIMO ⭐️⭐️⭐️⭐️