quarta-feira, 24 de junho de 2026

SUPERGIRL (2026) de "Craig Gillespie"


 Uma heroína caótica! ♀️♀️♀️

​     Supergirl traz de volta aos cinemas a DC Studios que no ano passado, apresentou um novo Superman interpretado por David Corenswet e uma nova perspectiva para o universo da DC Comics nas telonas. A heroína, interpretada pela ótima Milly Alcock, tenta repetir o sucesso da personagem nos quadrinhos clássicos e em suas várias adaptações. Em sua incursão recente mais marcante na televisão, a série Supergirl construiu uma base sólida e fiel de fãs que acompanharam Kara Zor-El durante seis anos dentro do chamado “Arrowverse”.

​    A principal distinção da Supergirl em relação ao Superman é o seu histórico emocional. Por ter presenciado a destruição de seu planeta e de sua cultura de forma consciente, a personagem é frequentemente retratada com sentimentos complexos, como o luto e o trauma, lidando diretamente com o peso do passado. Ao longo das diferentes eras da DC, a origem de Kara foi adaptada, mas a essência de ser uma sobrevivente consciente de Krypton continua sendo sua marca registrada.

​    Esse diferencial fica bastante evidente na direção escolhida para este longa. Seu caminho é bem diferente do trilhado pelo Superman de 2025: o filme se passa longe da Terra, cercado por novas criaturas, em uma jornada inconstante e pouco segura. Uma simples comemoração de aniversário, o envenenamento do querido Krypto (o fiel companheiro de Kara) e o encontro com uma garota com sede de vingança são elementos suficientes para dar partida a uma grande aventura.

​    Supergirl é um filme simples e bastante efetivo. Ele sobrevive de suas maiores inseguranças ao inserir um senso de perigo real em um norte previsível. Assim, a produção ganha fôlego em meio à atual decadência dos filmes de super-heróis, marcada pela queda de qualidade técnica e criativa e pela repetição cansativa das mesmas fórmulas narrativas.

​    O maior mérito deste Supergirl é fazer o básico e, ainda assim, entregar elementos que se destacam, como a participação do personagem Lobo (interpretado por Jason Momoa), impor uma estética suja e alternativa embalada por uma trilha sonora descolada, e uma heroína extremamente cativante.

​       Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ Divertido

#supergirl #dccomics

terça-feira, 23 de junho de 2026

APENAS COISAS BOAS (2026) de "Daniel Nolasco"


 ​Um conto gay! 🏳️‍🌈🏳️‍🌈

    ​Apenas Coisas Boas é o segundo longa-metragem do diretor Daniel Nolasco, que desta vez aposta em um "conto" misterioso sobre dois rapazes apaixonados em uma área rural, um pai homofóbico e uma narrativa não linear. Se em Vento Seco, o diretor já apresentava personagens misteriosos, sexo semi explícito e a exploração da subcultura gay, em Apenas Coisas Boas tudo fica ainda mais complexo e, por vezes, confuso também. 

​   O filme conta com uma fotografia belíssima, tudo acontece no interior de Goiás, na cidade de Catalão, na década de oitenta, acompanhando Marcelo (Liev Carlos), um rapaz que viaja de moto. Ele sofre um acidente e é encontrado por Antônio (Lucas Drummond), um solitário fazendeiro que o leva para sua casa. Os dois iniciam um caso apaixonado até que as coisas tomam um rumo trágico. 

​    No que certamente é o grande trunfo de Nolasco, a narrativa assume um tom enigmático em que o espectador não sabe exatamente o que aconteceu. A história muda de tom e também de personagens: o que era uma trama rural bem ao estilo "Brokeback Mountain" se transforma em uma história urbana, cheia de pontas soltas sobre o que realmente está acontecendo. 

​    O longa foge da urgência do trabalho anterior do diretor usando a poesia e a melancolia da vivência sexual masculina, sem medir o quanto a masculinidade tóxica enraizada, no filme representada pelo pai do personagem principal, pode afetar o fluxo de uma vida inteira de um homem. O simples ato de estar junto a outro homem pode representar tanto um perigo quanto um tesão em uma sociedade onde o homem é quase obrigado a satisfazer seus desejos de maneira clandestina. 

    Por ser uma obra que dificulta uma conexão imediata, ou mesmo o apego aos personagens devido à sua narrativa misteriosa, Apenas Coisas Boas se mostra um exercício cinematográfico importante, principalmente para quem está acostumado a ter todas as respostas sem necessidade de pensar. Essa história combina muito bem com a comunidade LGBTQIAPN+, que sempre tem seus caminhos cruzados com o perigo do preconceito e da aceitação alheia.

Meu Hype: ⭐️⭐⭐️ - BOM


#apenascoisasboas

quarta-feira, 17 de junho de 2026

QUINZE DIAS (2026) de "Daniel Lieff"

 

Ser um adolescente Gay! 🏳️‍🌈🏳️‍🌈🏳️‍🌈

   O livro best seller "15 dias" de Vitor Martins ganha vida nas telas de cinema e se tem uma frase presente no livro que marca qualquer trajetória de vida de um LGBTQIAPN+ é: “quando se trata de socializar na vida real, sou um grande fracassado”. A história de Felipe e suas vivências escolares, inseguranças e incertezas fazem parte do pacote de situações vividas por qualquer adolescente e acaba sendo muito mais intenso em alguém da comunidade LGBTQIAPN+

   O filme consegue com méritos retratar isso com a ajuda de um elenco muito conectado e desenvolvido além de momentos cômicos e dramáticos que envolvem o espectador em cada cena. Apesar da trama narrativa ter momentos engraçados, é muito fácil o reconhecimento pessoal nos dramas vividos, a história trata de algumas questões bem sérias, especialmente homofobia, gordofobia e bullying. A jornada de Felipe é tão sensível e preciosa que pode ajudar outros jovens.

   Felipe, de 17 anos precisa dividir o quarto com o vizinho Caio enquanto os pais deste estão viajando. O problema é que Caio é o seu crush e antigo amigo de infância. Ao longo de 15 dias, Felipe é obrigado a confrontar suas inseguranças e se abrir para que o constrangimento inicial entre eles dê espaço a uma troca de ideias, opiniões e sentimentos que vai mudar o modo como ele se sente em relação a si mesmo. A chegada de Caio faz Felipe questionar muito do que achava ser verdade sobre si mesmo. 

   O filme segue um caminho bastante confortável para o público, algo como acompanhar uma novela romântica ou um k-drama, essa leveza é conquistada pelo carisma das atuações do elenco e de uma história que mesmo suavizada não deixa de ser dolorida.

    Algo importante não só em 15 dias como na vida real é entender que ser LGBTQIAPN+ é ser resistência, é enfrentar duras batalhas que muitas vezes começam na infância e adolescência e são levadas por toda vida, o que fazem de histórias como essa serem tão relevantes e necessárias.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO 


#15dias #vitormartins #LGBTQIAPN #orgulho #cinema @conspiracaofilmes @manequimfilmes

terça-feira, 16 de junho de 2026

TOY STORY 5 (2026) por "Andrew Stanton"

 

Síndrome de Peter Pan! 🧸🧸🧸

    Toy Story chega ao seu quinto filme reforçando como os grandes estúdios apostam na nostalgia de personagens e franquias conhecidas para sobreviver em meio à crise intelectual. Se já era absurdo imaginar essa saga indo além da trilogia inicial, aqui recebemos uma "atualização" na história com a chegada das telas e do digital ao mundo dos brinquedos. Os personagens vivem uma espécie de "síndrome de Peter Pan" ou um loop em mais uma jornada contra o abandono. Parece que já vimos esse filme. 

     A história levanta um interessante conflito contemporâneo sobre a era digital; a trama central surge de uma premissa formalmente convincente e com claro potencial sociológico. A introdução do Lilypad, um tablet interativo projetado em torno da lógica da conectividade remota, visa articular uma crítica direta às práticas parentais atuais, à dependência de telas como substitutas do cuidado materno/paterno e ao consequente isolamento de crianças hiperconectadas. 

     No entanto, esse argumento interessante esvazia-se quando segue o caminho seguro e emotivo que já se espera. O que poderia ter sido um ensaio cinematográfico incisivo sobre a alienação tecnológica acaba se dissolvendo em uma resolução simplista e divertida, sem aproveitar sua real profundidade. O filme recicla dilemas existenciais sobre desuso, abandono e o propósito dos brinquedos, atualizando-os para a "geração iPad". É um tema que cai como uma luva nesta nova etapa de Toy Story, mas falta brilho à história: tirando a protagonista Jessie, os demais personagens possuem tramas aquém do esperado. 

     A chegada de Toy Story 5 (2026), dirigido por Andrew Stanton, confirma o diagnóstico cinematográfico de que esses personagens seguirão em novas produções, em um exercício constante de "novas" aventuras. O filme sobrevive pelo forte sentimento afetivo de sua narrativa, mas mostra-se questionável na inércia de uma franquia que se recusa a morrer porque, simplesmente, é lucrativa demais. 

  Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#toystory5 #pixar

quarta-feira, 10 de junho de 2026

DIA D (2026) de Steven Spielberg


 Nasce um novo clássico de Spielberg! 👽👽👽


​    Steven Spielberg dispensa apresentações. Seu nome é sinônimo da história do cinema desde sua estreia em 1971, e até hoje ele continua brilhante na compreensão da sétima arte como um espetáculo que vai muito além dos efeitos especiais. Em Dia D o diretor examina temas complexos como fé, obsessão, comunicação, transcendência e o lugar da humanidade no universo. 

​   Embora a história seja repleta de explicações, o roteirista David Koepp encontra maneiras elegantes de transmitir grandes quantidades de informação. Dia D  entrega emoção, suspense, perigo, ousadia e o coração pulsante de uma história bastante sensível. A grande questão do filme é o motivo de os alienígenas estarem aqui, e isso é respondido de forma satisfatória por meio de uma narrativa que, em última análise, é sobre a compreensão de um mundo cada vez mais dividido. 

   Não é difícil extrapolar a ideia de alienígenas vivendo entre nós para a nossa própria atualidade. Em certo momento, dois personagens debatem "valores" de uma forma que parece saída diretamente de programas de debate político. Para Spielberg, no entanto, esse não é um embate a ser travado. Empatia, ciência e fé, juntas, devem enriquecer nossas vidas, e não nos dividir, por mais que outras forças desejem o contrário. 

   Merece destaque também a atuação de Emily Blunt como uma mulher que recebeu um dom para o qual não está preparada. Seu poder reside em enxergar profundamente o coração das pessoas e a bondade que habita em cada um de nós. Blunt tem uma maneira única de nos desarmar e nos ensinar ao mesmo tempo: ela é engraçada, forte e apaixonada, e o filme simplesmente não funcionaria sem ela. 

    Spielberg já nos presenteou com grandes blockbusters antes, mas Dia D é um espetáculo essencialmente humano, é a humanidade que nos impede de recorrer à destruição e à violência física. É a empatia que nos faz ouvir, nos conecta e nos aproxima. No fim, fica a certeza de que Spielberg acredita na vida em outros mundos e nos entrega o filme evento para o dia da revelação. 

 Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO 



#disclosureday #diad #spielberg #scifi #alien

BACKROOMS - UM NÃO LUGAR (2026) de Kane Parsons

 


Um pesadelo imersivo! 🚪🚪🚪

​    Sabe aqueles filmes que se tornam clássicos instantâneos? Backrooms: Um Não-Lugar tem essa aura. Após assisti-lo, considero que seu impacto nesta nova geração seja próximo ao que foi o fenômeno de A Bruxa de Blair no final dos anos 90. Tudo isso acontece de forma quase orgânica; o filme não tem a prepotência de se forçar como cult, mas tudo se encaixa para que ele atinja esse status.

   Quando uma obra de terror consegue transformar o medo em imersão e torna a experiência crível, real e palpável, fica claro que seu objetivo foi alcançado: o espectador não sai o mesmo após a sessão. O diretor Kane Parsons explora meticulosamente o conceito para criar o horror liminar definitivo, expandindo sua série de vídeos virais do YouTube baseada na infame creepypasta homônima da internet. 

    O longa nos imerge perfeitamente em uma dimensão alternativa de escritórios labirínticos e assustadoramente vazios. À medida que seus loops desconcertantes surgem, com uma arquitetura contorcida em tons de sépia e móveis com falhas que se sobrepõem lentamente, o filme se manifesta como um banquete abstrato de design de som, visual e de produção.

    Sem ser prejudicado por uma ocasional propensão a sustos mais tradicionais e seguros, o que, ironicamente, ressalta a originalidade do conjunto, temos a ambientação anos 90 na história de Clark (Chiwetel Ejiofor) e a Dra. Mary Kline (Renate Reinsve) que atravessam a parede de uma loja para uma dimensão alternativa definida por um labirinto surreal e aparentemente infinito de escritórios vazios.

    Aliado a uma trilha sonora fantasmagórica que evoca Silent Hill, com sons industriais distorcidos e zumbidos eletrônicos ásperos, o filme entrega uma experiência fascinante por seus espaços liminares literais quanto pelos implacáveis espaços mentais. Embora o recurso de filmagem estilo "found footage" já esteja um pouco saturado no terror e o final se torne ligeiramente anticlimático, certamente pode-se dizer que Kane Parsons é uma uma nova e empolgante voz no cinema de gênero, e que Backrooms tem força para se tornar uma grande franquia.

Meu hype: ​⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM


#backrooms #lançamento #terror #cinema #arquitetura