segunda-feira, 30 de março de 2026

EXPOSIÇÃO - JOAQUÍN TORRES GARCIA - 150 ANOS

Performance “Fricções” abre exposição sobre Torres García no CCBB Brasília.

Marionetista Juliana Notari une dança, música e marionete em diálogo com o artista uruguaio, performance une marionete, dança e música em experiência interdisciplinar.  

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília recebe, a partir de 31 de março, a exposição Joaquín Torres García – 150 anos, com curadoria de Saulo di Tarso, em cartaz até 21 de junho. Como parte da programação de abertura, será apresentada a performance “Fricções”, criação da marionetista Juliana Notari, que combina marionete, dança e música em um campo de experimentação entre linguagens. A classificação é livre. 

Juliana é uma marionetista cuja prática, na geração dela, é rara no Brasil. Com vivência em diversos países da América do Sul e da Europa, especialmente Espanha e Itália, ela apresenta e desenvolve regularmente seu trabalho junto a marionetistas internacionais. Estudiosa da obra de Torres García, sua performance ajuda a revelar a dimensão africana do artista. A performance conta, ainda, com a participação do dançarino Ivo Grieco e do músico Heri Brandino, que executa marimba e outros instrumentos de madeira. Inspirada no princípio de que o significado se constrói no atrito entre estruturas, a obra dialoga com o Construtivismo Universal de Torres García, destacando símbolos recorrentes como peixe, coração, sol e lua. 

Segundo o curador Saulo di Tarso, a performance amplia a leitura da exposição ao aproximar o pensamento do artista de práticas contemporâneas. “Celebrar 150 anos de Torres García exige ampliar o percurso histórico e evidenciar como suas reflexões sobre arte e identidade latino-americana permanecem atuais”, afirma. 

A exposição ficará em cartaz na Galeria 5 e Pavilhão de Vidro do CCBB Brasília (SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves, Setor de Clubes Sul). Antes da performance, haverá visita mediada exclusiva para a imprensa, conduzida pelo curador, a partir das 16h do dia 31 de março. 

Selecionada no Edital CCBB 2023-2025, viabilizada através da Lei Rouanet, a exposição é patrocinada pela BB Asset, organizada e produzida pela Cy Museum. 


Serviço - Joaquín Torres García - 150 anos 

Local: CCBB Brasília Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves - Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro 

Data: de 31 de março a 21 de junho 

Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até 20h40) 

Classificação: livre Ingressos em www.bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB Brasília 

Transporte gratuito de quinta a domingo, saindo da Biblioteca Nacional Gratuito 

Programação de abertura  

Local: CCBB Brasília Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves - Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro Data: de 31 de março - Visita mediada exclusiva para a imprensa, conduzida pelo curador Saulo di Tarso, a partir das 16h e performance “Fricções”, criação da marionetista Juliana Notari 

Classificação: livre 

Itinerância: CCBB Brasília (31 de março a 21 de junho de 2026) e CCBB BH (15 de julho a 12 de outubro de 2026).

Ficha técnica  

Realização: Ministério da Cultura 

Patrocínio: BB Asset Organização e Produção: Cy Museum Curadoria: Saulo di Tarso com a colaboração do Museo Torres García 

Apoio Institucional: Museo Torres García Coordenação Geral: Cynthia Taboada Coordenação Editorial e Pesquisa: Helena Eilers, Andrea Sousa e Xênia Bergman. Projeto expográfico: Stella Tennenbaum bb.com.br/cultura instagram.com/ccbbbrasilia | facebook.com/ccbbbrasilia| tiktok.com/@ccbbcultura 


 

sexta-feira, 27 de março de 2026

ELES VÃO TE MATAR (2026) "They Will Kill You" de "Kirill Sokolov"

 


Sangue e loucura! 🩸🩸🩸

   A cada ano, o gênero terror e seus derivados recebem inúmeros títulos com abordagens variadas, transitando entre a originalidade e a previsibilidade. Eles Vão Te Matar situa-se nesse meio-termo. O longa traz o DNA de obras como Casamento Sangrento e outros expoentes do Terror Gore, provando como fórmulas consagradas podem ser bem reaproveitadas quando há espaço para o brilho autoral. Após o sucesso de títulos aclamados como A Substância, Pecadores e A Hora do Mal nas principais premiações do mundo, é nítido que o Terror conquistou uma visibilidade sem precedentes. 

    Eles Vão Te Matar reúne elementos que jogam a seu favor, a começar pela direção dinâmica de Kirill Sokolov e pelo elenco de peso. Além da excelente Zazie Beetz, a produção conta com rostos conhecidos como Heather Graham, Tom Felton e Patricia Arquette, que curiosamente, iniciou sua carreira no terror na franquia A Hora do Pesadelo

    Enquanto alguns filmes apenas flertam com o inesperado, outros o abraçam completamente como acontece em Eles Vão Te Matar, um delírio febril e sangrento movido por instinto e adrenalina. Na trama, membros de um culto desesperado buscam um sacrifício ritualístico em uma paisagem quase surreal. O alvo é Asia Reaves (Zazie Beetz), uma forasteira aparentemente solitária que eles acreditam ser a presa fácil. 

    O longa é indicado para quem já está habituado ao gore, com mortes criativas e cenas viscerais mas pode agradar que gosta de Kill Bill e Jonh Wick. Sokolov constrói a base da história sem grandes inovações, é um roteiro simples e, por vezes, excessivo nas explicações e utilizando um hotel amaldiçoado como cenário quase único. Contudo, o filme ganha pontos por não se levar a sério, entregando sequências hilárias e icônicas, como a saga de um olho decapitado caçando a protagonista.

​    No geral, temos uma trama compacta, personagens carismáticos e uma história insana sobre vingança e forças sobrenaturais. Tudo isso regado a muita violência e impacto, resultando no filme mais divertido do ano até o momento. 

⭐️⭐️⭐️ LEGAL


#elesvãotematarfilme #theywillkillyou #cinema #terror #gore

quarta-feira, 18 de março de 2026

CASAMENTO SANGRENTO - A VIÚVA (2026) de "Matt Bettinelli-Olpin" e "Tyler Gillett"

 

Carnificina Cômica! 🔪🔪😈

   Casamento Sangrento foi uma das surpresas de 2019, um filme lançado quase sem alarde que virou cult, alguns anos depois, principalmente a cena icônica da noiva ensanguentada fumando seu cigarro no ato final do filme. A continuação começa imediatamente após o filme anterior, com Grace ( Samara Weaving ) emergindo dos destroços em chamas da propriedade La Domas e sendo recebida pelos socorristas. Ela acorda no hospital apenas o suficiente para cumprimentar sua irmã distante, Faith ( Kathryn Newton ), e levantar suspeitas antes que ambas as irmãs se vejam envolvidas em uma frenética disputa pelo cargo de presidente do conselho do Sr. Le Bail. 

    As regras permanecem praticamente as mesmas em um jogo de esconde-esconde com apostas ainda maiores: Grace precisa sobreviver até o amanhecer para vencer, enquanto seis famílias do Alto Conselho competem para eliminá-la. O prêmio? Poder absoluto. Há muito terreno a ser explorado na apresentação dos novos clãs satânicos e suas disfunções familiares, o que significa que Casamento Sangrento 2, embora ainda mantenha um ritmo acelerado, demora um pouco para realmente engrenar. São as apresentações que também deixam claro que esta sequência aposta muito mais no humor do que seu antecessor. 

    Os cineastas nunca tratam a carnificina como algo banal, e as mortes e as surras continuam impactantes. A dedicação aos efeitos práticos significa que satanistas explodindo ainda não perderam o encanto, assim como a reação de Weaving a eles. Kathryn Newton demonstra uma química natural com Samara Weaving em cena, trazendo uma energia contagiante e um espírito combativo para Faith, que complementam a exasperação desiludida de Grace. Mas Weaving continua sendo a estrela.

    Uma continuação onde tudo fica maior, um campo de batalha mais amplo, um número de mortes maior (e mais sangrento) e até o dobro de protagonistas. Tudo pensado para proporcionar a máxima diversão ao público. E cumpre esse objetivo com maestria, mesmo que perca um pouco da magia do original no processo. 

  ⭐️⭐️⭐️ BOM


#casamentosangrento #readyornot #terror #slash #cinema

terça-feira, 17 de março de 2026

A Pequena Amélie (2025) de "Maïlys Vallade" e "Liane-Cho Han"


 Uma Lição de Vida 👶🏻👶🏻👶🏻

    A Pequena Amélie pertence àquele grupo de filmes que, embora sejam animações com uma estética aparentemente infantil, revelam-se profundamente maduros. Acompanhamos a perspectiva de uma menina e seu pequeno mundo do início ao fim: seus pais, a avó, a querida babá, os passeios à praia e as brincadeiras na água. Há momentos incrivelmente reflexivos, narrados com uma simplicidade surpreendente, como quando a babá, Nishio-san, explica a Amélie que perdeu toda a sua família na guerra. Apesar da dureza do relato, o filme mantém sua ternura e doçura. É quase impossível não se comover com uma história contada pelo olhar de uma criança de três anos que acredita ser capaz de conquistar tudo o que deseja. 

​   Dirigido pelas estreantes em longas-metragens Maïlys Vallade e Liane-Cho Han, o filme adapta as memórias de Amélie Nothomb descritas em "A Metafísica dos Tubos". Conhecemos Amélie ainda bebê, em um estado de inércia quase vegetativo, até que sua avó lhe oferece um pedaço de chocolate branco. A partir desse despertar sensorial, a menina se conecta com o mundo e, aos três anos, começa a falar. Sua família é belga, mas vive no Japão devido ao trabalho do pai. 

   Além de oferecer diversas lições, A Pequena Amélie possui uma poesia visual que remete às produções do Studio Ghibli, combinando brilhantemente humor e sensibilidade em seus diálogos. Essa sinergia a torna uma das melhores animações de 2025 e, possivelmente, da última década. Ao transmitir emoções complexas através de cores vibrantes e uma narrativa linear, o filme se consolida como uma obra encantadora e repleta de sabedoria. 

    Em apenas 78 minutos, o longa trata a infância com um respeito e carinho raros, fugindo da infantilização excessiva ou da arrogância adulta comum em outras produções. O filme tem a incrível capacidade de adotar a perspectiva de uma menina que se considera uma deusa, mantendo essa coerência narrativa em cada cena. Descobrimos o mundo através de seus olhos, cabendo a nós, como adultos, reinterpretar o que vemos: Amélie pode não ser a divindade que acredita ser, mas possui a onipotência de nos emocionar a cada instante. 

⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO


#apequenaamelie

Queens of the Dead (2025) de "Tina Romero"


 Zumbis Queer 🏳️‍🌈

​    O que seria dos filmes de zumbi sem George Romero? Aclamado como o pai do cinema de zumbi moderno, ele foi o diretor de obras-primas como A Noite dos Mortos-Vivos (1968), Despertar dos Mortos (1978) e Dia dos Mortos (1985). Romero faleceu em 2017, deixando, além de seu vasto legado cinematográfico, sua herdeira Tina Romero. Tendo crescido nos sets de filmagem do pai, Tina buscou honrar esse histórico e agora finalmente estreia no comando de um longa-metragem.

​    Queens of the Dead, seu primeiro filme, estreou no Festival de Cinema de Tribeca em junho de 2025 e chega agora em circuito limitado aos cinemas do Brasil. O longa traz uma abordagem queer ao gênero: ambientado em uma boate drag onde os frequentadores precisam sobreviver a um apocalipse, a estreia de Tina na direção é um festival de zumbis brilhantes, repleto de humor e emoção. O filme prova que há espaço de sobra no gênero para essas "Rainhas dos Mortos". Uma mistura semelhante de luz e escuridão forma a espinha dorsal de Queens of the Dead, uma comédia de terror onde drag queens e jovens queer enfrentam uma horda de zumbis estilosos de pele prateada.

​    A comunidade queer é a protagonista, representando um amplo espectro de identidades e gerações. Temos Dre (Katy O'Brian), uma DJ lésbica com uma esposa grávida; Nico (Tomás Matos), um dançarino não-binário; a drag queen Ginsey Tonic (interpretada por Nina West, ex-participante de RuPaul's Drag Race); a lésbica butch Pops (Margaret Cho); e até mesmo um personagem heterossexual simbólico, o republicano Barry (Quincy Dunn-Baker). O filme apresenta esse grupo heterogêneo de forma concisa antes de lançá-los em um apocalipse que os força a resolver suas diferenças.

​     Acompanhar a estreia promissora de Tina Romero é como revisitar os primeiros filmes de seu pai: baixo orçamento, estilo próprio na caracterização dos mortos-vivos e muita originalidade. Uma leitura divertida, fashion e necessária para o gênero.

⭐️⭐️⭐️ BOM


🏳️‍🌈🏳️‍🌈🏳️‍🌈 #queensofhedead #zumbi #georgeromero #tinaromero #terror

sábado, 7 de março de 2026

HARRY STYLES - KISSCO (Kiss All The Time. Disco, Occasionally.)


Se em seu último álbum Harry’s House era um convite para ficar em casa, KISSCO é um convite para se perder na rua e se divertir. Com sonoridade próxima de LCD Soundsystem e transitando bem no universo Pop e Indie, novo álbum de Harry Styles confirma seu status de reizinho pop após pequeno hiato em sua carreira. Um álbum delicioso do início ao fim. 

🎶 Top 3, favoritas do álbum: Season 2 Weight Loss, Ready, Steady, Go! e Pop. 


🎧 Faixa a Faixa: 

1. Aperture - O primeiro single do álbum é um despertar leve nos sintetizadores e já mostrando essa pegada eletro-chic inspirada em LCD Soundsystem. 

2. American Girls - Evoca o pop/rock de seus trabalhos anteriores, talvez lembre até os tempos de One Direction. 

3. Ready, Steady, Go! - Energética e com uma pegada indie em sua essência. 

4. Are You Listening Yet? - É um pequeno hino sobre conexões modernas com direito a sprechgesang (canto falado) e uma pegada pop. 

5. Taste Back - Uma balada com elementos modernos e cara de hit. 

6. The Waiting Game - Uma canção leve e com boa melodia. 

7. Season 2 Weight Loss - Aqui Harry brinca com Kraftwerk e Drum and bass, em sua música mais experimental do álbum. Minha favorita do álbum. 

8. Coming up Roses -  Uma valsa melancólica que nunca fica cafona. 

9. Pop - Certamente a única carteirada dele no álbum, feita para as rádio FM"s. 

10. Dance no More - Groove oitentista evocando good vibes. 

11. Paint by numbers - Aquela música que anuncia o fim do álbum... toda energia se abaixa quase a um cochilo. 

12. Carla"s Song - Encerramento com pianos ondulantes e sintetizadores agitados. Terminar no auge.


🎶🎶🎶 Good Vibesss ⭐️⭐️⭐️⭐️


#harrystyles #kissco #singer #music #spotify

A NOIVA (2026) "The Bride" de "Maggie Gyllenhaal"


 Uma ode aos desajustados! 👰‍♂️👰‍♂️👰‍♂️

​     A Noiva! é um filme-conceito, uma mistura de gêneros da cineasta Maggie Gyllenhaal, e é nada menos que caótico, às vezes punk, às vezes teatral, mas sempre carregado de violência. Esta reinterpretação do universo de Frankenstein, de Mary Shelley, traz uma fenomenal Jessie Buckley no papel principal, motivada pela premissa de "preferir não" para, no fim, fazer o que bem entender. Ter um Frankenstein cinéfilo e uma Noiva que inicia uma revolução feminista já vale, por si só, o ingresso. 

  Embora o longa comece com um Frankenstein solitário, esta não é a história dele. Nós o acompanhamos em sua viagem para a Chicago dos anos 1930, onde ele busca a ajuda da Dra. Euphronious (Annette Bening, cinco vezes indicada ao Oscar). Desesperado por uma companheira e sem o seu criador original, ele recorre a essa nova "cientista louca" para dar vida ao seu par. Para isso, a escolha recai sobre o corpo de uma jovem assassinada e enterrada em uma vala comum; poucas horas depois, nasce A Noiva (Buckley). 

    Em uma trama secundária que evoca uma paródia grotesca de Bonnie e Clyde, o detetive Jake Wiles (Peter Sarsgaard) e Myrna Mallow (Penélope Cruz) perseguem o casal de fugitivos. Em vez de assaltos a bancos, o par monstruoso percorre teatros do Meio-Oeste e cinemas de Nova York em busca de um glamour passageiro, deixando um rastro de violência por onde passa. 

   O filme é pontuado por interlúdios surreais: números musicais, metalinguagem cinematográfica e sequências em salões de baile com o ídolo de Frankenstein, Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal), evocando a estética de Fred Astaire. Embora visualmente impactantes, essas sequências são narrativamente desvinculadas, o que contribui para uma paisagem tonal fragmentada. 

    De muitas maneiras maravilhosas, A Noiva! se apresenta como um chamado de ação as mulheres. Pode não ser uma obra unânime, mas é revolucionária à sua maneira — mesmo que lhe falte clareza estrutural e lhe sobre excesso estilístico.

⭐️⭐️⭐️ BOM


#thebride #anoiva #jessiebuckley #cinema #filme

quarta-feira, 4 de março de 2026

Cara de um, Focinho do Outro (2026) "Hoppers" de "Daniel Chong"


 Criativo, divertido e um tanto maluco.🦫🦫

   Cara de um, Focinho do Outro marca o retorno triunfal da Pixar à sua essência original. Ao misturar aventura, comédia e emoções genuínas, o filme prova que uma premissa excêntrica pode, sim, caminhar lado a lado com sentimentos profundos. Há uma delicadeza tocante nos momentos mais densos que harmoniza perfeitamente com a natureza maluca do enredo. A animação te conquista no primeiro momento e não te larga mais. 

   A trama acompanha a heroína Mabel que, em uma sacada inspirada em Avatar, transfere sua consciência para um castor artificial na tentativa de guiar um castor real de volta as suas origens. A partir daí, o filme mergulha em uma abordagem inteligente sobre a dicotomia entre natureza e humanidade. É gratificante observar o crescimento em ver Mabel aprender a relaxar, trocando o estresse da vida humana pela liberdade animal. 

  O longa transborda imaginação, explorando reviravoltas de ficção científica enquanto exibe o apuro visual característico dos filmes modernos da Pixar. A trilha sonora é vibrante e as cenas de ação, deliciosas. No fundo, a obra é uma ode ao amor pelos animais e ao respeito pelo equilíbrio ambiental; o que poderia soar como um discurso moralista acaba se tornando apenas bom senso. 

   Cara de um, Focinho do Outro equilibra com maestria o entretenimento familiar com a capacidade da Pixar de criar camadas reflexivas. Com um humor afiado, ótimas referências cinematográficas e uma narrativa envolvente, este é um filme que encanta tanto adultos quanto crianças. 


⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM


#hoppers #caradeumfocinhodooutro #pixar #disney #castor

terça-feira, 3 de março de 2026

KOKUHO (2025) de "Lee Sang-il"


 Um espetáculo! 🎎🪭

    Kokuho, escolhido para representar o Japão no Oscar de Melhor Filme Internacional deste ano  (chegando à lista final) e indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo é uma experiência fascinante, um espetáculo visual que explora pacientemente o preço que os artistas pagam por sua arte, onde é necessário um certo nível de obsessão para se tornar excelente em uma habilidade escolhida, e essa abordagem obstinada é um prato cheio para um grande filme. 

     O épico de três horas do diretor Lee Sang-il, leva essa determinação obsessiva para o palco do kabuki, uma arte japonesa que combina teatro, dança e música (ka-buki: cantar, dançar, habilidade) com maquiagem expressiva (kumadori), figurinos elaborados e atuações exageradas. O resultado é um filme grandioso em todos os aspectos e que transborda arte e beleza. 

    Os atores de Kabuki ocupam um lugar de destaque na cultura oriental. Kokuho enfatiza as intensas crises pessoais e culturais profundas presentes nessa arte e acompanha a vida de um jovem que, após testemunhar o assassinato do pai pela yakuza, é acolhido por um mestre do teatro kabuki. Rebatizado como Toichiro, ele é introduzido em um universo de disciplina extrema e treina ao lado do filho biológico do mestre, desenvolvendo uma relação de afeto e rivalidade. 

   Ao longo de cinquenta anos, através de vidas entrelaçadas, Kikuo e Shunsuke lidam com sua herança, seus diferentes níveis de comprometimento profissional (ou a falta dele) e sua aceitação ou rejeição pelo mundo do Kabuki. Ressentimento, raiva e éticas de trabalho distintas dominam a rivalidade entre Kikuo e Shunsuke. Kikuo demonstra mais talento inato e, mais importante, um interesse apaixonado do que Shunsuke, apesar de não possuir a mesma herança. 

    Kokuho questiona o preço da beleza. Se a dor, a perda e a exaustão que infligimos a nós mesmos em nome da arte valem a pena, ou se há uma irrelevância inerente a uma vida dedicada à busca de um ideal impossível. Embora as três horas de duração possa afastar muitos expectadores, aqueles que se entregarem a Kokuho embarcarão em uma aventura épica que abrange amizade, rivalidade e a nebulosa zona intermediária. 


⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO 


#kokuho

ARCO (2025) de "Ugo Bienvenu"


 Um clássico instantâneo! 🌈🌈🌈

​   Histórias ambientadas em um futuro distante, sejam elas animadas ou não, têm o dom de revelar o preço que acreditamos que o progresso nos custará — seja em termos de meio ambiente, de relacionamentos ou do frágil elo que une ambos. Arco possui o inegável brilho de um clássico instantâneo: uma narrativa calorosa e comovente, sustentada por um visual deslumbrante que amarra tudo de forma mágica. Esta encantadora animação francesa, desenhada à mão, apresenta delicadas lições sociais e ecológicas que ressoam no presente. Arco é uma animação que envolve o expectador em uma fantasia de amadurecimento, entrega imagens marcantes e uma história simples, porém enraizada em emoções genuínas, seja ​da poderosa crítica às mudanças climáticas a sua sensibilidade a temática queer

  Combinando influências que se complementam como as cores de um prisma, o filme se destaca por sua construção de mundo inteligente e personagens adoráveis. A trama acompanha Arco, um menino de 10 anos com habilidades de viagem no tempo que se transporta acidentalmente para 2075. Ele faz amizade com Iris, uma jovem que o protege tanto das duras realidades de sua época quanto de um trio de irmãos atrapalhados. Ambos criam um laço como "excluídos", cientes de que a amizade terá um fim inevitável quando o protagonista encontrar o caminho de volta para casa. 

   Como o segundo longa de animação da Neon (após o aclamado Meu Amigo Robô), Arco brilha por sua atmosfera atemporal. Mesmo sendo inédito, carrega o espírito contemplativo e o calor artesanal de clássicos como O Gigante de Ferro e as primeiras obras do Studio Ghibli, sem soar como uma mera cópia desses gigantes. 

    Embora a mensagem central seja um claro questionamento sobre o futuro da IA e do apocalipse ambiental, o filme evita o tom professoral. Ele não tenta apenas emular a narrativa de um extraterrestre viajante (trocando o alienígena de dedos brilhantes por uma criança de capa colorida); em vez disso, a tempestade emocional que os protagonistas enfrentam é incrivelmente terna, envolvente e silenciosamente esperançosa. 


⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO 



#arco #desenho #anime #neon #queerart