segunda-feira, 14 de setembro de 2026

PEQUENAS TRAGÉDIAS (2026) de "Daniel Nolasco"


 Divertido, triste e surpreendente! 🏳️‍🌈

     Pequenas Tragédias, novo filme do diretor goiano Daniel Nolasco (Vento Seco e Apenas Coisas Boas), foi exibido no 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa é um misto de documentário e ficção que confronta diretamente o conservadorismo do interior do Brasil, mais precisamente a cidade de Catalão (GO) de forma surpreendente. Se em seus trabalhos anteriores o diretor já se destacava no modo de contar histórias da comunidade LGBTQIA+, neste filme ele mergulha com profundidade trabalhando preconceitos, estereótipos, ausências, amizades e memórias da sua própria vivência. 

    ​Em Pequenas Tragédias, a cidade de Catalão, deixa de funcionar apenas como cenário como ocorreu em seus filmes anteriores e passa a ocupar o centro da narrativa. O filme observa aqueles que partiram, mas também aqueles que ficaram, encontrando em suas histórias diferentes formas de viver, desejar e construir vínculos em um lugar que, como diz o próprio lema municipal, afirma ser “bom demais para viver”. 

    Em vez de meramente retomar episódios verídicos que aconteceram consigo e com as demais figuras queer da cidade, o autor os reinventa com bastante criatividade e humor. O fetiche da masculinidade é algo constante na produção. Existe uma dose de exposição muito bem utilizada sob a condição de paródia ou de forma lúdica. Toda a nudez do filme possui uma abordagem artisticamente bonita e em nenhum momento é tratada de forma vulgar, encontrando um equilíbrio muito preciso com a seriedade de todas as histórias.

    ​Pequenas Tragédias é um filme sobre histórias reais em um Brasil que flerta com o conservadorismo, a hipocrisia e o preconceito. Em muitos momentos, a obra emociona justamente por mostrar, com muita sensibilidade, a falta de humanidade e de respeito na trajetória não só de seu diretor, mas de todos que um dia viveram essa opressão, esse medo e essa falta de liberdade de ser quem se é de verdade. Não são personagens: são vidas que, infelizmente, se transformam em pequenas tragédias. Imperdível! 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE


O filme tem previsão de lançamento em 2027 pela Embauba Filmes!


domingo, 13 de setembro de 2026

ANA, EN PASSANT (2026) de "Fernanda Salgado"


 ​Poesia animada! 💧🌀🌊

    ​Exibido pela primeira vez no país na Mostra Competitiva do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Ana, en Passant é um longa-metragem em animação que combina múltiplas técnicas, como stop-motion, rotoscopia e colagens. A obra se destaca pela habilidade de mesclar realismo com uma forte atmosfera de sonho, utilizando texturas e materiais diversificados para gerar "pequenas inquietações visuais" no trajeto de luto da protagonista Ana.

    Na trama, a francesa Ana (Jéssica Pierina) recebe uma chave e a indicação de um apartamento cuja existência ignorava, deixados em uma carta por sua falecida avó. Ao viajar até o imóvel em Belo Horizonte, ela descobre que outra mulher está morando ali. Apesar do estranhamento inicial, Ana decide passar alguns dias com a nova moradora e, nessa convivência, as duas passam a compartilhar suas dores e inseguranças.

   Ana, en Passant mostra uma enorme liberdade criativa. A direção e sua equipe exploram diversos formatos e linguagens com destaque para a animação desenvolvida a partir de captação em live-action. A experiência de acompanhar essa jornada se torna vívida e intensa graças a momentos extremamente criativos repletos de recortes, pinturas e um rico trabalho artesanal. É uma animação potente, que flerta com o tradicional e o inovador para transmitir sua mensagem de forma poética.

     A poesia do filme é vívida, sensível e doce, caminhando contra qualquer pressa. A história flui como a água, elemento central da narrativa, culminando em cenas marcantes, como o momento em que o corpo de uma personagem se funde ao rio. A calmaria da obra reflete com delicadeza a angústia da protagonista em uma Belo Horizonte encantadora, vibrante e repleta de originalidade. Um filme feito para ser apreciado.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)

#anaenpassant #festivaldebrasilia #animação #cinemabrasileiro #desenho @embaubafilmes @festcinebrasilia

DELEGADO (2026) de "Leonardo Lacca" e "Marcelo Lordello"


Bastidores da Polícia 🚨 🚔 🚨 

​    A série “Delegado”, produção do Canal Brasil que retrata os bastidores da Polícia Civil a partir de um olhar recifense, teve sua estreia no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com a exibição de três episódios na Mostra Série no Cinema. Com sete episódios ao todo, a produção é dirigida por Leonardo Lacca e Marcelo Lordello, com produção executiva de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux. A exibição marcou um feito histórico: foi a primeira vez que o festival abriu sua tela principal para a projeção de episódios de uma série de TV. 

​  Ambientada no Recife, “Delegado” acompanha Felipe (Johnny Massaro), um jovem de classe média que entra para a Polícia Civil movido por um ideal de justiça. Ao assumir uma delegacia, no entanto, ele se depara com uma instituição marcada pela precariedade, pela corrupção e pela resistência a mudanças. Enquanto tenta conquistar seu espaço entre os colegas, Felipe precisa lidar com a ascensão de uma nova liderança do tráfico e com conflitos ligados ao passado de seu pai, que ameaçam sua carreira. 

   A obra foge dos clichês de delegacias americanizadas e supertecnológicas para expor as contradições institucionais e a realidade nordestina. Nesses primeiros episódios temos um texto afiado, repleto de críticas ao sistema e atento às nuances da corrupção na instituição. O tom da série é um destaque com uma mistura artística que vai ao foco em detalhes da atmosfera policial com uma estética realista concluindo com o choque de realidade. A trama possui um equilíbrio entre o humor ácido e um elenco de excelente química, a direção consegue ser firme em sua representação. 

    Promissora, a série tem enorme potencial para conquistar o público ao ser intensa e divertida na mesma medida. É muito interessante observar como tudo acontece em um sistema tão restrito. A estreia oficial para o grande público está agendada para o dia 30 de outubro de 2026 no Canal Brasil, chegando ao Globoplay no dia seguinte. Imperdível. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE


#delegado #canalbrasil #série #festivaldebrasilia #globoplay

sábado, 12 de setembro de 2026

A PELE MORTA (2026) de Denise Moraes e Bruno Fatumbi


 Luto, memória e resistência indígena! 🏹🏹


​     O filme brasileiro A Pele Morta (2026) é um drama de estrada dirigido por Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres que marcou a abertura do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A obra acompanha Saulo, um jovem rapper guarani-kaiowá em luto pela morte do irmão, que viaja pelas estradas da América do Sul com o caminhoneiro uruguaio Justo em busca de fretes. No caminho, eles dão carona a Rosario, uma jovem que procura pela irmã desaparecida, transformando a rota em uma jornada, sobretudo, de sobrevivência.

​    A obra não foge do estilo "filme de estrada", muito comum no cinema nacional: é fluida, ainda que imprima o tom realista e quase documental dos acontecimentos. É interessante observar a imprevisibilidade da essência de seus protagonistas, enquanto o drama se desenvolve a partir da convivência e da solidariedade entre os três em direção ao que cada um procura. O tom introspectivo da trama obtém sucesso na abordagem do luto, da identidade, da ancestralidade e das marcas da exploração em comunidades indígenas na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.

   A produção do longa chegou a ser interrompida após a morte do diretor Geraldo da Rocha Moraes, em 2017, aos 78 anos. Como forma de homenagem, sua esposa, Solange Moraes, convidou os filhos do cineasta, Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres, ambos com formação em cinema  para dar continuidade ao trabalho. Mesmo sem seu idealizador principal, é notável como a narrativa manteve a coesão até o fim.

​    A Pele Morta é um filme bonito em diversos aspectos e, principalmente, conecta o Brasil às suas raízes latinas e indígenas, bem como ao processo de enfrentamento ao subdesenvolvimento. A melancolia dos personagens, o peso da realidade e os recursos cinematográficos utilizados tornam a experiência profunda e necessária.

Meu hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#apelemorta #festivaldebrasilia #cinema #filme #indigenas @borboletasfilmes @festcinebrasilia

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro


 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (@festcinebrasilia) começa nesta sexta (11/9) com 71 filmes, 1 série inédita e novas mostras! 

   A mais tradicional e longeva mostra cinematográfica do país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro anuncia a seleção de sua 59ª edição, a ser realizada de 11 a 19 de setembro, no Cine Brasília, exibindo produções marcadas pela diversidade temática, de linguagem e de regiões. 

    Com novas sessões especiais e mostras paralelas, o festival ainda conta com programações formativas, atividades de mercado e ações em outros equipamentos culturais do Distrito Federal. Os ingressos para a Mostra Competitiva Nacional no Cine Brasília estarão à venda a partir desta quinta (10/9), pelo site ingresso.com e na bilheteria do cinema. Todas as demais atividades e mostras, inclusive a reprise da Competitiva Nacional, têm entrada franca, sujeita à lotação. 

     Sob a presidência do secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, com direção geral de Sara Rocha, o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem direção artística do crítico, cineasta e programador Eduardo Valente. A edição apresenta um panorama do mais novo cinema brasileiro, com produções de Norte a Sul do país, além de exibir alguns clássicos e materiais raros históricos. 

    O 59º Festival de Brasília registrou um recorde de inscrições, com quase 2 mil títulos entre curtas e longas, das quais foram selecionados 7 longas-metragens e 12 curtas para a Mostra Competitiva Nacional, além de 4 longas e 8 curtas para a Mostra Brasília. Ao todo, o festival exibe mais de 70 produções, distribuídas em seis outras mostras e nas sessões especiais, incluindo a sessão de abertura, com exibição do curta Brasília Planejamento Urbano (1965) e do longa inédito A Pele Morta, de Denise Moraes e Bruno Torres; e a de encerramento, com Verão da Lata, de Santiago Dellape

   O festival acontece no histórico Cine Brasília, para mais detalhes dos filmes e informações acompanhe no site oficial https://festcinebrasilia.com.br/, estarei na cobertura do evento juntamente com o Meu Hype


#festivaldebrasilia #festbrasilia #cinema #filmes #brasilia

A MARAVILHOSA ÁRVORE ENCANTADA (2026) de "Ben Gregor"


 Desconecte-se e encante-se! ⚜️⚜️⚜️


​     Uma das surpresas do ano, A Maravilhosa Árvore Encantada é um filme aconchegante, cativante e sutilmente inspirador. Combinando personagens peculiares, humor delicado e uma mensagem oportuna sobre a importância de nos desconectarmos, a obra se consolida como uma aventura familiar envolvente. Com semelhanças a clássicos mágicos como Nanny McPhee e Paddington, o longa adiciona um charme lúdico a um cenário cinematográfico. Baseado na série de livros de Enid Blyton, a trama apresenta terras fantásticas que ajudam uma família perdida a se reencontrar.

​     Polly (Claire Foy) e Tim Thompson (Andrew Garfield) levam uma vida urbana convencional com seus três filhos: Fran (Billie Gadsdon), Joe (Phoenix Laroche) e Beth (Delilah Bennett-Cardy). Houve um tempo em que os Thompson aproveitavam bons momentos juntos; ultimamente, porém, cada um parece isolado em sua própria bolha, refletindo a dinâmica de uma família desconectada e sobrecarregada pelo uso excessivo da tecnologia. É a corajosa demissão de Polly que dá o pontapé inicial na história: sem o apartamento da empresa, eles precisam se mudar imediatamente para o campo.

​     A narrativa ganha força ao furar essa bolha e abordar um tema essencial para as novas gerações: o valor de viver momentos divertidos em família sem depender do mundo digital. Embora fique claro desde o início que a tensão se dissipará e o final feliz virá, é encantador ver a família redescobrir o prazer da convivência. O filme sopra vida nova a uma obra da década de 1940, adaptando-a com uma sensibilidade moderna altamente relevante para os pais de hoje.

​     Sem tentar parecer maior do que é, o filme soa pontualmente apressado, com elementos de fantasia que perdem um pouco do impacto emocional durante a exibição, ainda assim A Maravilhosa Árvore Encantada entrega um drama familiar comovente. É um lembrete bem-vindo de que nunca devemos deixar morrer nossa criança interior.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)



quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CÓDIGO VINGANÇA (2026) de "Jean François Richet"

 

O "arroz com feijão" do Statham

​    O astro hollywoodiano Jason Statham pertence a uma geração que ocupou o espaço deixado há tempos por Schwarzenegger, Stallone, Bruce Willis e muitos outros. Seus filmes trazem personagens cuja persona é quase sempre a mesma, e o enredo não foge da tradicional "vingança" ou de algum resgate improvável. Código Vingança tem todos esses elementos e acerta no "menos é mais": poucos cenários e muita pancadaria.

   Assim como acontece com outros protagonistas dessa onda do cinema de ação, como Dwayne Johnson, a presença marcante de Statham é tanto seu ponto forte quanto seu principal limite: seus filmes são, cinematograficamente, sempre parecidos. Statham por muito tempo foi o muso dos policiais britânicos de Guy Ritchie e também de produções de ação sofisticadas, como a franquia Carga Explosiva. De vez em quando, surpreendia como na comédia sutil e autoconsciente em A Espiã Que Sabia de Menos, de Paul Feig.

    Quando Statham se juntou às sagas Os Mercenários e Velozes e Furiosos, ele já havia consolidado sua reputação no gênero, mas ainda não havia encontrado um nicho puramente seu. Tudo isso mudou nos últimos anos, graças a uma sequência notavelmente consistente de lançamentos interpretando homens da classe trabalhadora, sempre obcecados por vingança, detentores de habilidades específicas que se revoltam ao se deparar com uma injustiça. É uma fase que lembra quando Charles Bronson encontrou seu próprio estilo no primeiro Desejo de Matar, ou Liam Neeson em Busca Implacável.

​    Código Vingança finalmente encapsula o que define "um filme de Jason Statham" e, embora possa não ser seu melhor trabalho, parece ser o mais essencial. É uma máquina de pancadaria enxuta e eficiente, sem praticamente nenhum excesso. A abordagem não tenta reinventar a roda; em vez disso, torna as lutas o mais limpas possível, sem deixar de ser dinâmicas. Há uma notável sensação de movimento e direção em cada sequência. Isso significa que, embora não exista nenhum elemento extravagante que impressione o fã de ação mais exigente, sua clareza e intensidade funcionam em perfeita harmonia com o herói implacável. Um bom entretenimento de ação.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM



DA MAGIA A SEDUÇÃO - FEITIÇO DE AMOR (2026) de "Susanne Bier"



Feitiço meio quente, meio morno!

​     Na moda atual de Hollywood, o filme Da Magia à Sedução, uma clássica comédia romântica dos anos 90, retorna em uma continuação que homenageia o original e atualiza a vida das personagens. É reconfortante voltar a esse universo, mas a história "heteronormativa" demais por trás desse retorno quase não se sustenta.

​     As atrizes Sandra Bullock e Nicole Kidman já eram grandes estrelas quando o longa foi lançado nos cinemas, em 1998. Na época, a obra foi uma decepção para o estúdio e gerou prejuízos. No entanto, mesmo com o fracasso de bilheteria, o filme virou cult nas locadoras (ainda vivas na época), nas vendas de DVDs (que viviam o auge antes da transição para o Blu-ray) e na TV por assinatura, com presença maciça na programação da HBO. No Brasil, o longa fazia parte da gigante parceria do SBT com a Warner Bros. e era exaustivamente exibido na rede aberta. Eram outros tempos.

​    Atualmente, existe uma grande carência de dramas familiares e comédias românticas no estilo daquela época. O espaço de Hollywood nessa fatia do gênero foi totalmente engolido pelos streamings e pelas mídias verticais, sejam doramas, novelas turcas ou reels. Esse público se acostumou com histórias muito mais modernas, porém com pouca originalidade e às vezes sem profundidade. Nesse quesito, o novo filme ganha força com uma narrativa mais tradicional, singela e cheia de coração.

     ​Da Magia à Sedução, Feitiço de Amor  é aquela história melosa, bobinha e divertida que certamente passaria na Sessão da Tarde de antigamente (que hoje em dia virou sessão religiosa!). O drama familiar dessas bruxas funciona como um bom passatempo e serve para aquecer o coração de quem viveu o auge desse tipo de cinema nos anos 90.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

IDIOTAS (2026) de "Macon Blair"


 Sem graça! 😒😒😒

    A nova comédia Idiotas é uma espécie de retorno às comédias anárquicas de maconheiros que prosperaram no final dos anos 2000. O filme consegue êxito como uma aventura, mas nunca é caótico o suficiente para fazer jus à sua premissa de humor sem limites. O diretor Macon Blair passa por todos os clichês do gênero: carro quebrado em lugar isolado, motel decadente, "brisa" de drogas, fuga de personagens e por aí vai. 

    Na história, sem sorte e sem van, Davis (O'Shea Jackson Jr.) é demitido do emprego. Tudo o que lhe resta é voltar ao trabalho antigo: dirigir para um serviço de transporte que leva pessoas em situação de vulnerabilidade para clínicas de reabilitação. Em sua primeira missão ao lado do novo parceiro, Mark (Dave Franco), a dupla precisa usar o carro velho de Mark para transportar o adolescente rico e emocionalmente problemático Sheridan Kimberly (Mason Thames) até a reabilitação, a pedido dos pais do jovem.

    A temática do conflito geracional, que sugere que a idiotice destrutiva une homens de todas as faixas etárias é a ideia mais rica de Idiotas. No entanto, ela é prejudicada por um roteiro simplista, que luta para definir os personagens e se esforça para encontrar humor enquanto Mark e Davis tentam concluir o trabalho em uma série de cenários cada vez mais insanos na proposta de um road movie (filme de estrada). O aspecto mais marcante desse trio de protagonistas é a surpreendente falta de energia, fazendo com que as desventuras exageradas se desenrolem de forma lenta e sem graça.

    ​Idiotas raramente faz rir, deixando de lado o humor original e pastelão desse tipo de produção em favor de piadas mecânicas e cansativas, como uma sequência exasperante com Nicholas Braun no papel de um rapper chamado Pricka Bush Da Werewoof. Dave Franco parece pouco inspirado ao interpretar um maconheiro em uma versão preguiçosa do arquétipo que seu irmão mais velho, James Franco, costumava fazer em comédias de sucesso. Em resumo, as fórmulas tradicionais do gênero não funcionam, e Idiotas falha ao se revelar uma comédia sem inspiração.

Meu Hype: ⭐️⭐️ FRACO

#Idiotas #idiots

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O SORVETEIRO (2026) de "Eli Roth"

 

Sorvete Derretido! 🍦🍦🍦 

     O diretor especialista em terror Eli Roth (O Albergue e Feriado Sangrento) erra feio em seu novo filme. Ele confunde excesso autoconsciente com subversão, servindo um festival de sangue sem inspiração, nada assustador e com um roteiro precário que se esconde atrás da carnificina. O certo é que O Sorveteiro falhou em praticamente todos os aspectos criativos a que se propôs, existem vídeos do TikTok com edição, atuação, roteiro, fotografia e direção melhores. Mesmo para os baixos padrões do co-roteirista e diretor, Eli Roth fracassa estrondosamente. 

​   A premissa, isoladamente, é de fato interessante: a pacata cidade de Bayleen Bay recebe a visita de um caminhão de sorvetes conduzido por um vendedor silencioso e misterioso (Ari Millen). As crianças se aglomeram ao redor do veículo e compram guloseimas, apesar de seus nomes claramente assustadores (Redemoinho de Serpente, Mordida de Crocodilo, etc.). Assim começa uma carnificina em que todas as crianças que tomaram o sorvete parecem possuídas por algo profundamente sobrenatural. 

    O aspecto mais estranho de O Sorveteiro é o uso de IA generativa. As mortes são extremamente artificiais, indicando que Roth ou sua equipe perderam o interesse pelo processo criativo ou nunca o valorizaram de verdade. Aplicar essa tecnologia ao terror, um gênero cujas raízes prezam a originalidade e o domínio dos efeitos práticos, é uma traição categórica a tudo o que o meio representa. Não é inovação, é economizar em tudo sob o pretexto de produtividade. 

    A julgar pelos diálogos fracos, pela história inacabada e pelo humor de mau gosto, os efeitos especiais não são a única coisa em que a equipe economizou. Mesmo os fãs do terror "gore" ficarão decepcionados com tamanho desperdício. As leis da probabilidade sugerem que algo deveria ter dado certo, mesmo que por acaso mas não. Vulgar, imaturo e lento, O Sorveteiro fracassa em todas as suas tentativas e atinge o nível de um verdadeiro desastre. Poderia ter sido aquele tipo de "filme ruim que diverte" mas sua execução é vergonhosa. 

​Hype: ⭐️ MUITO RUIM

#osorveteiro #icecreamman #terror #gore #cinema

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

MINHA MELHOR AMIGA (2026) de "Susana Garcia"


 Mais do mesmo! 🫠🫠🫠

    A diretora Susana Garcia assina duas das maiores bilheterias do cinema brasileiro: Minha Vida em Marte e Minha Mãe é uma Peça 3. Seu novo longa, Minha Melhor Amiga, é sem dúvidas uma aposta para que produções nacionais voltem a alcançar sucesso de público, algo que não acontece desde o hit O Agente Secreto. No entanto, juntar duas estrelas da comédia nacional como Mônica Martelli e Ingrid Guimarães merecia um texto mais bem cuidado, que não repetisse fórmulas nem entregasse a mesma piada à exaustão.

​    Com uma proposta bastante conhecida, o filme encontra força principalmente no carisma de suas protagonistas. Na trama, Clara e Júlia são duas amigas de longa data que precisam lidar com o "ninho vazio" após suas filhas, Manu (Giulia Benite) e Isadora (Gabi Amaral), viajarem para Portugal para um intercâmbio. Diante de frustrações profissionais e relacionamentos estagnados, as duas decidem embarcar para a Europa. O que deveria ser apenas um reencontro e uma viagem de lazer acaba se transformando em uma jornada de descobertas, perrengues e revelações que as faz repensar a própria vida e a força da amizade entre elas.

    ​Ingrid e Mônica demonstram muito talento individual para driblar a previsibilidade do roteiro, equilibrando humor e emoção sem deixar que suas personagens se tornem meras caricaturas. Há um cuidado interessante em abordar temas como amor-próprio, amadurecimento, liberdade e a busca pela própria identidade. Em alguns momentos, as situações se desenvolvem bem e geram cenas hilárias. Em outros a trama emperra e precisa de constantes pausas para voltar a fluir. A longa duração também pesa.

​    O saldo final é satisfatório para quem busca apenas uma distração sem compromisso, mas decepcionante para quem esperava um avanço no gênero, seja na narrativa ou em algo original e menos previsível.
Dica: Não saia antes dos créditos, pois há erros de gravação hilários.

Meu Hype: ⭐️⭐️ REGULAR



quarta-feira, 26 de agosto de 2026

PONTO SEM RETORNO (2026) de "Ridley Scott"

 

Ponto Morto! ⚠️⚠️⚠️

​    O aguardado thriller de sobrevivência pós-apocalíptico dirigido por Ridley Scott, baseado no livro homônimo, é o tipo de filme que instiga e faz refletir sobre as relações humanas, mas que, infelizmente, não leva a lugar nenhum. A obra surge como um híbrido estranho de produções como Eu Sou a Lenda, Extermínio e trechos de várias temporadas de The Walking Dead. Em suma: se você já está familiarizado com histórias pós-apocalípticas, esta produção pode soar decepcionante e repleta de clichês.

​    A trama acompanha Hig (Jacob Elordi) dez anos após uma superbactéria ter causado o fim do mundo como o conhecemos. Não há muitas informações além disso, tampouco flashbacks que mostrem a vida antes do colapso, algo que faz muita falta, pois impede o público de conhecer os personagens a fundo e de sentir o peso do que perderam. Hoje, Hig voa em um Cessna para levar suprimentos à fazenda isolada que divide com Bangley (Josh Brolin), um militar especialista em sobrevivência.

   ​Durante um dos voos, Hig capta uma misteriosa transmissão de rádio e decide investigar sua origem, motivado pela esperança de reencontrar a humanidade na qual ainda acredita. Esse desejo o força a sair da zona de conforto para explorar o novo mundo e encarar seus reais perigos. Sem entregar spoilers, a premissa resume-se a isso. Não há surpresas. É impressionante ver um elenco tão talentoso ser subaproveitado, incluindo a personagem de Margaret Qualley, que surge apenas para cumprir o papel de par romântico do protagonista.

​    Em certa medida, Ponto sem Retorno tenta reproduzir os clichês do cinema de sobrevivência hollywoodiano ao mesmo tempo em que busca adaptar o romance de Peter Heller. Fracassa em ambos. São quase duas horas de um roteiro preguiçoso que não sai do lugar onde nem a intensidade das cenas de ação empolga. No fim das contas, o filme é insosso e mostra um diretor talentoso filmando com obstinação, mas sem qualquer brilho. Decepcionante.

Meu Hype: ⭐️⭐️ FRACO



terça-feira, 25 de agosto de 2026

COYOTE VS. ACME (2026) de "Dave Green"

 


Uma dose de anarquia divertida!

​     Três anos após ser engavetada, Coyote vs. Acme, uma comédia dos Looney Tunes, emerge triunfante do cemitério e desafia o sistema chegando aos cinemas. O filme quase foi vítima do hábito da Warner Bros. de produzir e descartar longas-metragens para obter abatimentos fiscais. A paródia de drama judicial de Dave Green coloca um dos Looney Tunes contra uma empresa cujo interesse em desenhos animados se limita à sua margem de lucro.

     O metatexto de Coyote vs. Acme não ofusca a narrativa, mesmo que seu enredo lembre fortemente a apatia corporativa que relegou o próprio filme ao limbo da distribuição. Após falhar novamente em sua luta constante para capturar o Papa-Léguas, Wile E. Coyote percebe que as falhas se devem aos produtos defeituosos vendidos pela corporação Acme. Um comercial de TV oportuno, estrelado pelo advogado Kevin Avery (Will Forte), incentiva o "Sr. Coiote" a processar a empresa, envolvendo ambos em uma conspiração enquanto constroem o caso.

     Essa mistura de conspiração, filme de tribunal e participações especiais funciona muito bem porque o longa mantém um tom sério na maior parte do tempo. Isso se mostra o contraponto perfeito para o Coyote, um personagem quase mudo com um histórico clássico de azarado. Essa bagagem transparece em uma atuação engraçada e até comovente como um perdedor conformado. No polo oposto de Kevin está Buddy Crane, interpretado por John Cena, que se mostra totalmente à vontade no universo dos desenhos ao viver o advogado arrogante da Acme que dispara clichês casualmente.

     ​Graças à boa abordagem, a maioria das piadas é visual, surgindo do atrito entre a confusão dos desenhos e a aridez do mundo real, tornando impossível não lembrar do clássico Uma Cilada para Roger Rabbit (1988). Há pequenos toques gráficos que impedem os personagens de parecerem excessivamente fluidos ou digitais. Por conta desse cuidado e do amor genuíno pela animação, Coyote vs. Acme é mais do que uma história sobre os bastidores da sua própria produção: é uma homenagem encantadora e divertida a um dos maiores "azarados" da história dos desenhos.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM






sexta-feira, 21 de agosto de 2026

SOBRENATURAL: AGORA ENTRE NÓS (2026) de "Jacob Chase"

 

Uma viagem ao Além! 💀💀💀

​    Após o sucesso dos dois primeiros filmes, a franquia Sobrenatural (Insidious) derrapou em continuações pouco inspiradas, parecendo não haver mais nada a dizer ou fazer com seus personagens e com uma premissa praticamente esgotada. Contudo, Sobrenatural: Agora entre nós, sexto filme da franquia, alcança sucesso onde seus antecessores falharam ao explorar novos elementos da mitologia da saga.

    O longa ainda insiste na ideia de que as pessoas conseguem viajar para um reino situado entre o mundo dos vivos e a pós-vida, mas, desta vez, abraça a premissa de forma básica, eficiente e assumidamente absurda.​ A narrativa utiliza os elementos mais clássicos do gênero: a experiência de uma casa assombrada, uma série de sequências de sustos bem bizarras e criaturas assustadoras. 

   O prólogo oferece um vislumbre da infância da protagonista Gemma (Amelia Eve), momento em que algo bizarro acontece e passa a assombrá-la por décadas. ​Hoje mãe solteira, Gemma começa a ter visões e pesadelos bastante lúcidos nos quais se vê fora do próprio corpo, vagando pela casa, presenciando figuras estranhas e descobrindo conexões com sua mãe. Ela consegue viajar para o Além, conceito explicado ainda no primeiro filme por Elise Rainier (Lin Shaye), que retorna mais uma vez para apresentar as regras desse plano a Gemma e impedir a conspiração de um de seus habitantes.

​    Por mais que a premissa soe absurda, ela surge de maneira inspirada. Tudo culmina em um clímax interessante pela forma como incorpora a dinâmica do além para executar um plano multifacetado, ao mesmo tempo em que oferece um desfecho agridoce aos personagens, Sobrenatural: Agora entre nós se consolida como um acerto dentro desse universo. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#sobrenatural #insidious #terror #cinema #blumhouse

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

SÓ POR UMA NOITE (2026) de "Will Gluck"

 

Desligue o cérebro e divirta-se! 🫶🏻😆

​   A comédia romântica Só Por Uma Noite imagina um conceito bizarro e perturbador: o governo dizer às pessoas exatamente quando elas podem transar. Existe uma única noite do ano em que os solteiros podem se divertir, na história conhecemos dois personagens que se encontram sozinhos e desesperados dentro desse universo caótico. É como se Uma Noite de Crime fosse uma comédia romântica. 

​    Callum Turner (marido da estrela pop Dua Lipa) interpreta Owen, dono de uma pizzaria em Nova York. Logo ele cruza o caminho de Allie (Monica Barbaro), uma cantora que sonha em se apresentar para grandes públicos, mas que, por causa de um pavor paralisante de palco, está presa fazendo covers constrangedores de músicas pop para comerciais de remédios, com destaque para a hilária versão de "Brave", de Sara Bareilles. Quando o filme junta os protagonistas, Turner e Barbaro brilham em tela. 

    Allie e Owen passam 12 horas em uma corrida alucinante por Nova York em busca de sexo, enfrentando reviravoltas estranhamente divertidas: de um potencial parceiro que se revela um criminoso a uma busca desesperada por preservativos que termina em caos. O filme ainda conta com um elenco de apoio recheado de participações especiais que tornam a jornada cada vez mais intensa. 

   Apesar de alguns tropeços em sua narrativa sem pé nem cabeça, Só Por Uma Noite entrega uma conclusão doce e genuína. É uma comédia romântica com premissa ousada e assumidamente absurda, que desafia expectativas e conquista o espectador com boas risadas. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#sóporumanoite #onenightonly #comedia #romance #cinema

CORAÇÃO PARTIDO (2026) de "Michael Vaynberg"

 

Repetição de clichês! ❤️‍🔥❤️‍🔥❤️‍🔥

    ​Coração Partido é daqueles romances adolescentes que deixam bem claro, desde os primeiros minutos, onde pretendem chegar. O longa aposta sem muita cerimônia no pacote clássico: a garota nova e reservada, o bullying escolar, o bad boy charmoso e cheio de problemas e, claro, a aproximação inevitável entre duas pessoas que começam se estranhando. 

   ​A produção russa é bem acabada, conta com uma fotografia bonita e sabe aproveitar a luz natural de forma agradável. Contudo, no que diz respeito à narrativa, a sensação é de estar diante de uma reunião de clichês desgastados. Enquanto alguns recursos até funcionam dentro da proposta, outros tornam a experiência mais artificial do que deveria, resultando em algo frustrante.

    A trama chega a introduzir temas sérios como abuso e violência familiar, mas não os aprofunda. Em vez de conflitos genuínos, essas questões acabam servindo apenas como ferramentas para aproximar os protagonistas, Polina e Bars, eles são construídos para conquistar o espectador, mas o excesso de situações constrangedoras e a superficialidade impedem que o romance decole e emocione como deveria. 

    ​O filme sabe exatamente qual público pretende atingir e tende a funcionar melhor para quem ainda se diverte com romance juvenil com o rapaz de motocicleta, o namoro falso e melodramas juvenis relacionados a aceitação e bullying. Para quem já se cansou do formato, dificilmente haverá surpresas e até o final fica em "aberto" para uma possível continuação. Difícil digerir e nada original! 

​Meu Hype: ⭐️ RUIM

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

HONESTINO (2026) de "Aurélio Michiles"



A Urgência da Memória 🫆🫆🫆

    Honestino é uma fusão entre documentário e ficção que reconstitui a trajetória do líder estudantil da geração de 1968, presidente da UNE e aluno da Universidade de Brasília (UnB). Preso cinco vezes por sua militância política, Honestino foi sequestrado pela Ditadura Militar em 1973, aos 26 anos, e nunca mais foi visto. Seu desaparecimento tornou-se um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado durante o regime militar brasileiro.

    O filme se recusa a ser apenas uma cronologia factual da vida de Honestino, o diretor Aurélio Michiles constrói uma estrutura híbrida, onde a sobriedade dos fatos históricos é resgatada por cartas, poemas, arquivos e depoimentos que ganham um contraponto dramático e sensorial.

    ​Essa costura inusitada insere uma dimensão de monólogo interior na narrativa. Em vez de apenas ouvirmos sobre Honestino, a dramaturgia nos força a habitar suas angústias, seu inconformismo e sua solidão. A edição atua aqui como o grande trunfo: ao entrelaçar o registro documental clássico com a performance cênica evocando a verdade humana dessa trajetória.

    Honestino Guimarães é interpretado por Bruno Gagliasso, um papel que se desenha para o ator como um desafio interpretativo multifacetado com entrega na voz, corpo e sentimentos represados. O ator entrega uma interpretação contida e visceral, servindo como o canal pelo qual a poesia e as dores de Honestino chegam ao espectador contemporâneo sem soar artificial ou meramente ilustrativa.

​    Aos que argumentam que o cinema nacional já esgotou as narrativas sobre o período da ditadura militar, o longa responde com contundência. A memória não é um capítulo fechado, mas um exercício contínuo. A coragem e o compromisso ético do jovem líder ganham contornos quase inacreditáveis quando confrontados com o cinismo da política atual. O filme não apenas homenageia um dos maiores símbolos da luta pela democracia no Brasil, mas também renova a própria linguagem do documentário político nacional.

Meu hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#honestino #honestinofilme #cinemabrasileiro #brunogagliasso #ditadura

O FIM DA RUA (2026) de "David Robert Mitchell"

 

Um tributo ao cinema oitentista! 🦖🦖🦖

    ​O subúrbio americano dos anos 1980, com suas ruas tranquilas, casas padronizadas, jardins impecáveis e crianças pedalando em suas bicicletas sempre foi o cenário perfeito para o surgimento do extraordinário no cinema. Em O Fim da Rua, o diretor David Robert Mitchell (Corrente do Mal e O Mistério de Silver Lake) resgata essa estética nostalgica de matinê e a colide frontalmente com uma premissa aterrorizante: a repentina e violenta invasão de dinossauros e criaturas pré-históricas em pleno cotidiano familiar.

    O filme retira os dinossauros de ilhas isoladas ou parques temáticos e os joga no meio da vizinhança pacata, a produção devolve a essas criaturas um senso de perigo real e constante que o gênero não apresentava há tempos. A sensação de vulnerabilidade é palpável; afinal, a ameaça agora espreita no quintal de casa. A direção brilha ao transmitir o desespero e o medo genuíno dos personagens, garantindo uma imersão absoluta e sequências de ação eletrizantes que realmente tiram o fôlego do espectador.

​    No centro dessa caótica aventura familiar, o elenco demonstra excelente sintonia. Ewan McGregor entrega uma atuação leve e divertida (garantindo também o alívio cômico visual), mas é Anne Hathaway quem rouba a cena, consolidando mais um bom momento em sua carreira com uma atuação que equilibra perfeitamente o drama familiar, a garra na ação e o timing cômico.

    ​O Fim da Rua demonstra inteligência ao nunca se levar a sério demais, lembra muito o cinema fantástico da década de 80 e 90. O roteiro amarra tensão, humor e um mistério instigante de forma harmoniosa, mantendo um ritmo ágil e divertido do início ao fim. É inevitável notar como a produção alcança com maestria aquilo que lançamentos recentes de grandes franquias (como Jurassic World) tentaram e falharam em fazer: integrar criaturas pré-históricas ao nosso mundo moderno de forma visceral e crível, mantendo uma identidade própria e autoral. O Fim da Rua se consolida como uma das surpresas da temporada! Divertido!

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM

#ofimdarua #theendofaokstreet #dinossauro #cinema #anos80


terça-feira, 11 de agosto de 2026

A MORTE DE ROBIN HOOD (2026) de "Michael Sarnoski"


Robin Hood melancólico! 🏹🏹🏹 

   ​A lenda de Robin Hood perdura há mais de 600 anos, e o cinema frequentemente se inspira na história do famoso fora da lei, principalmente por estar em domínio público, o que significa que ninguém precisa pagar por seus direitos autorais. Entre as interpretações mais famosas estão a de Errol Flynn no filme de capa e espada As Aventuras de Robin Hood (década de 1930), a do astro Kevin Costner em Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (década de 1990) e a clássica animação lançada pela Walt Disney nos anos 1970. 

    ​A Morte de Robin Hood deixa claro desde o início que esta não será uma aventura sobre um adorável malandro. O filme é uma versão do personagem no autêntico estilo A24 de fazer cinema. Interpretado por Hugh Jackman, este Robin Hood é um monstro autoproclamado que vive isolado em 1247 d.C. Nos primeiros minutos, vemos Robin assassinar brutalmente uma jovem que veio para matá-lo, o que o leva a enterrar o corpo em um campo repleto de outros cadáveres. A mensagem é clara: as pessoas continuam vindo para matá-lo, e ele continua matando-as primeiro. 

​  Embora lendas heroicas tenham se espalhado ao longo dos anos, descobrimos que todas não passam de ficção: o verdadeiro Robin Hood é um assassino e ladrão que não hesita em massacrar qualquer um que cruze seu caminho. Com longos cabelos brancos e uma barba condizente, o Robin de Jackman tem uma aparência assombrada, selvagem e cansada. Ele está exausto de anos de violência e só quer ser deixado em paz. 

    ​À medida que A Morte de Robin Hood caminha para sua inevitável conclusão, somos tomados por uma melancolia crescente. A narrativa é repleta de arrependimento e perda, sentimentos que penetram no peito do personagem e despertam uma vaga sensação de tristeza pensativa. Esse clima é intensificado pela trilha sonora, que mescla canções folclóricas com cordas graves. Nessa desconstrução cheia de remorso que conhecemos o drama humano do personagem oferecendo um olhar diferente e interessante para um filme que, no entanto, não sai muito do lugar. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#robinhood #thedeathofrobinhood #amortederobinhood #a24 #cinema 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

ACAMPAMENTO MIASMA - ADOLESCÊNCIA, SEXO E MORTE de "Jane Schoenbrun"


 ​O filme mais diferente do ano! 🩸🩸🩸

   O que esperar da cineasta visionária Jane Schoenbrun? Em sua estreia, ela já chamou a atenção com "We're All Going to the World's Fair" (disponível na MUBI), uma carta de amor às creepypastas e às histórias de terror da internet. Depois, realizou a comovente e magistral metáfora cinematográfica "I Saw the TV Glow" (Eu Vi o Brilho da TV, disponível no Prime Video), na qual usou a nostalgia da geração millennial para construir um auto-retrato de sua própria disforia de gênero. 

   ​Seu novo filme, Acampamento Miasma (Adolescência, Sexo e Morte), é uma experiência cinematográfica estonteante. Chega a ser difícil classificar do que se trata: se é uma sátira afiada aos filmes de terror slasher, se é um desabafo sobre a sexualidade das sobreviventes desses filmes (as chamadas "final girls") ou simplesmente a obra aberta de uma diretora queer que possui profundo conhecimento do gênero e muita paixão pelo cinema. 

​    Acampamento Miasma transmite múltiplos sentimentos, mas é importante saber que se trata de uma obra abertamente lésbica. O longa surge como uma reflexão sobre o desconforto sexual e a maneira como nos perdemos em nossas próprias mentes, a ponto de o sexo se tornar mais um conceito do que um ato carnal e de entrega. O filme é uma explosão erótica, uma história cerebral e vibrante em que as personagens Kris (Hannah Einbinder, que internalizou o papel de forma maravilhosa) e Billy (Gillian Anderson) revisitam o filme mais importante de suas vidas, o slasher fictício "Camp Miasma" ( Inspirado em Sexta-feira 13) e vivem um misto de desejo, medo e delírio. 

​    Trata-se de um entretenimento envolvente, que demonstra enorme prazer no cuidado com a produção e nos lembra que prazer não é algo para ser intelectualizado em excesso, mas sim sentido no corpo. É um filme sobre filmes de terror, cultura pop, diversão e desejo. Sem dúvidas, o filme mais interessante de 2026! Imperdível!

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE

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