O filme brasileiro A Pele Morta (2026) é um drama de estrada dirigido por Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres que marcou a abertura do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A obra acompanha Saulo, um jovem rapper guarani-kaiowá em luto pela morte do irmão, que viaja pelas estradas da América do Sul com o caminhoneiro uruguaio Justo em busca de fretes. No caminho, eles dão carona a Rosario, uma jovem que procura pela irmã desaparecida, transformando a rota em uma jornada, sobretudo, de sobrevivência.
A obra não foge do estilo "filme de estrada", muito comum no cinema nacional: é fluida, ainda que imprima o tom realista e quase documental dos acontecimentos. É interessante observar a imprevisibilidade da essência de seus protagonistas, enquanto o drama se desenvolve a partir da convivência e da solidariedade entre os três em direção ao que cada um procura. O tom introspectivo da trama obtém sucesso na abordagem do luto, da identidade, da ancestralidade e das marcas da exploração em comunidades indígenas na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.
A produção do longa chegou a ser interrompida após a morte do diretor Geraldo da Rocha Moraes, em 2017, aos 78 anos. Como forma de homenagem, sua esposa, Solange Moraes, convidou os filhos do cineasta, Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres, ambos com formação em cinema para dar continuidade ao trabalho. Mesmo sem seu idealizador principal, é notável como a narrativa manteve a coesão até o fim.
A Pele Morta é um filme bonito em diversos aspectos e, principalmente, conecta o Brasil às suas raízes latinas e indígenas, bem como ao processo de enfrentamento ao subdesenvolvimento. A melancolia dos personagens, o peso da realidade e os recursos cinematográficos utilizados tornam a experiência profunda e necessária.
Meu hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
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