Meu Hype
Hype"s!
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
PONTO SEM RETORNO (2026) de "Ridley Scott"
terça-feira, 25 de agosto de 2026
COYOTE VS. ACME (2026) de "Dave Green"
O metatexto de Coyote vs. Acme não ofusca a narrativa, mesmo que seu enredo lembre fortemente a apatia corporativa que relegou o próprio filme ao limbo da distribuição. Após falhar novamente em sua luta constante para capturar o Papa-Léguas, Wile E. Coyote percebe que as falhas se devem aos produtos defeituosos vendidos pela corporação Acme. Um comercial de TV oportuno, estrelado pelo advogado Kevin Avery (Will Forte), incentiva o "Sr. Coiote" a processar a empresa, envolvendo ambos em uma conspiração enquanto constroem o caso.
Essa mistura de conspiração, filme de tribunal e participações especiais funciona muito bem porque o longa mantém um tom sério na maior parte do tempo. Isso se mostra o contraponto perfeito para o Coyote, um personagem quase mudo com um histórico clássico de azarado. Essa bagagem transparece em uma atuação engraçada e até comovente como um perdedor conformado. No polo oposto de Kevin está Buddy Crane, interpretado por John Cena, que se mostra totalmente à vontade no universo dos desenhos ao viver o advogado arrogante da Acme que dispara clichês casualmente.
Graças à boa abordagem, a maioria das piadas é visual, surgindo do atrito entre a confusão dos desenhos e a aridez do mundo real, tornando impossível não lembrar do clássico Uma Cilada para Roger Rabbit (1988). Há pequenos toques gráficos que impedem os personagens de parecerem excessivamente fluidos ou digitais. Por conta desse cuidado e do amor genuíno pela animação, Coyote vs. Acme é mais do que uma história sobre os bastidores da sua própria produção: é uma homenagem encantadora e divertida a um dos maiores "azarados" da história dos desenhos.
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
SOBRENATURAL: AGORA ENTRE NÓS (2026) de "Jacob Chase"
Uma viagem ao Além! 💀💀💀
Após o sucesso dos dois primeiros filmes, a franquia Sobrenatural (Insidious) derrapou em continuações pouco inspiradas, parecendo não haver mais nada a dizer ou fazer com seus personagens e com uma premissa praticamente esgotada. Contudo, Sobrenatural: Agora entre nós, sexto filme da franquia, alcança sucesso onde seus antecessores falharam ao explorar novos elementos da mitologia da saga.
O longa ainda insiste na ideia de que as pessoas conseguem viajar para um reino situado entre o mundo dos vivos e a pós-vida, mas, desta vez, abraça a premissa de forma básica, eficiente e assumidamente absurda. A narrativa utiliza os elementos mais clássicos do gênero: a experiência de uma casa assombrada, uma série de sequências de sustos bem bizarras e criaturas assustadoras.
O prólogo oferece um vislumbre da infância da protagonista Gemma (Amelia Eve), momento em que algo bizarro acontece e passa a assombrá-la por décadas. Hoje mãe solteira, Gemma começa a ter visões e pesadelos bastante lúcidos nos quais se vê fora do próprio corpo, vagando pela casa, presenciando figuras estranhas e descobrindo conexões com sua mãe. Ela consegue viajar para o Além, conceito explicado ainda no primeiro filme por Elise Rainier (Lin Shaye), que retorna mais uma vez para apresentar as regras desse plano a Gemma e impedir a conspiração de um de seus habitantes.
Por mais que a premissa soe absurda, ela surge de maneira inspirada. Tudo culmina em um clímax interessante pela forma como incorpora a dinâmica do além para executar um plano multifacetado, ao mesmo tempo em que oferece um desfecho agridoce aos personagens, Sobrenatural: Agora entre nós se consolida como um acerto dentro desse universo.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
#sobrenatural #insidious #terror #cinema #blumhouse
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
SÓ POR UMA NOITE (2026) de "Will Gluck"
Desligue o cérebro e divirta-se! 🫶🏻😆
A comédia romântica Só Por Uma Noite imagina um conceito bizarro e perturbador: o governo dizer às pessoas exatamente quando elas podem transar. Existe uma única noite do ano em que os solteiros podem se divertir, na história conhecemos dois personagens que se encontram sozinhos e desesperados dentro desse universo caótico. É como se Uma Noite de Crime fosse uma comédia romântica.
Callum Turner (marido da estrela pop Dua Lipa) interpreta Owen, dono de uma pizzaria em Nova York. Logo ele cruza o caminho de Allie (Monica Barbaro), uma cantora que sonha em se apresentar para grandes públicos, mas que, por causa de um pavor paralisante de palco, está presa fazendo covers constrangedores de músicas pop para comerciais de remédios, com destaque para a hilária versão de "Brave", de Sara Bareilles. Quando o filme junta os protagonistas, Turner e Barbaro brilham em tela.
Allie e Owen passam 12 horas em uma corrida alucinante por Nova York em busca de sexo, enfrentando reviravoltas estranhamente divertidas: de um potencial parceiro que se revela um criminoso a uma busca desesperada por preservativos que termina em caos. O filme ainda conta com um elenco de apoio recheado de participações especiais que tornam a jornada cada vez mais intensa.
Apesar de alguns tropeços em sua narrativa sem pé nem cabeça, Só Por Uma Noite entrega uma conclusão doce e genuína. É uma comédia romântica com premissa ousada e assumidamente absurda, que desafia expectativas e conquista o espectador com boas risadas.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
#sóporumanoite #onenightonly #comedia #romance #cinema
CORAÇÃO PARTIDO (2026) de "Michael Vaynberg"
Repetição de clichês! ❤️🔥❤️🔥❤️🔥
Coração Partido é daqueles romances adolescentes que deixam bem claro, desde os primeiros minutos, onde pretendem chegar. O longa aposta sem muita cerimônia no pacote clássico: a garota nova e reservada, o bullying escolar, o bad boy charmoso e cheio de problemas e, claro, a aproximação inevitável entre duas pessoas que começam se estranhando.
A produção russa é bem acabada, conta com uma fotografia bonita e sabe aproveitar a luz natural de forma agradável. Contudo, no que diz respeito à narrativa, a sensação é de estar diante de uma reunião de clichês desgastados. Enquanto alguns recursos até funcionam dentro da proposta, outros tornam a experiência mais artificial do que deveria, resultando em algo frustrante.
A trama chega a introduzir temas sérios como abuso e violência familiar, mas não os aprofunda. Em vez de conflitos genuínos, essas questões acabam servindo apenas como ferramentas para aproximar os protagonistas, Polina e Bars, eles são construídos para conquistar o espectador, mas o excesso de situações constrangedoras e a superficialidade impedem que o romance decole e emocione como deveria.
O filme sabe exatamente qual público pretende atingir e tende a funcionar melhor para quem ainda se diverte com romance juvenil com o rapaz de motocicleta, o namoro falso e melodramas juvenis relacionados a aceitação e bullying. Para quem já se cansou do formato, dificilmente haverá surpresas e até o final fica em "aberto" para uma possível continuação. Difícil digerir e nada original!
Meu Hype: ⭐️ RUIM
#coraçãopartido #romancebooks #romance #jovem #cinema
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
HONESTINO (2026) de "Aurélio Michiles"
O filme se recusa a ser apenas uma cronologia factual da vida de Honestino, o diretor Aurélio Michiles constrói uma estrutura híbrida, onde a sobriedade dos fatos históricos é resgatada por cartas, poemas, arquivos e depoimentos que ganham um contraponto dramático e sensorial.
Essa costura inusitada insere uma dimensão de monólogo interior na narrativa. Em vez de apenas ouvirmos sobre Honestino, a dramaturgia nos força a habitar suas angústias, seu inconformismo e sua solidão. A edição atua aqui como o grande trunfo: ao entrelaçar o registro documental clássico com a performance cênica evocando a verdade humana dessa trajetória.
Honestino Guimarães é interpretado por Bruno Gagliasso, um papel que se desenha para o ator como um desafio interpretativo multifacetado com entrega na voz, corpo e sentimentos represados. O ator entrega uma interpretação contida e visceral, servindo como o canal pelo qual a poesia e as dores de Honestino chegam ao espectador contemporâneo sem soar artificial ou meramente ilustrativa.
Aos que argumentam que o cinema nacional já esgotou as narrativas sobre o período da ditadura militar, o longa responde com contundência. A memória não é um capítulo fechado, mas um exercício contínuo. A coragem e o compromisso ético do jovem líder ganham contornos quase inacreditáveis quando confrontados com o cinismo da política atual. O filme não apenas homenageia um dos maiores símbolos da luta pela democracia no Brasil, mas também renova a própria linguagem do documentário político nacional.
O FIM DA RUA (2026) de "David Robert Mitchell"
Um tributo ao cinema oitentista! 🦖🦖🦖
O subúrbio americano dos anos 1980, com suas ruas tranquilas, casas padronizadas, jardins impecáveis e crianças pedalando em suas bicicletas sempre foi o cenário perfeito para o surgimento do extraordinário no cinema. Em O Fim da Rua, o diretor David Robert Mitchell (Corrente do Mal e O Mistério de Silver Lake) resgata essa estética nostalgica de matinê e a colide frontalmente com uma premissa aterrorizante: a repentina e violenta invasão de dinossauros e criaturas pré-históricas em pleno cotidiano familiar.
O filme retira os dinossauros de ilhas isoladas ou parques temáticos e os joga no meio da vizinhança pacata, a produção devolve a essas criaturas um senso de perigo real e constante que o gênero não apresentava há tempos. A sensação de vulnerabilidade é palpável; afinal, a ameaça agora espreita no quintal de casa. A direção brilha ao transmitir o desespero e o medo genuíno dos personagens, garantindo uma imersão absoluta e sequências de ação eletrizantes que realmente tiram o fôlego do espectador.
No centro dessa caótica aventura familiar, o elenco demonstra excelente sintonia. Ewan McGregor entrega uma atuação leve e divertida (garantindo também o alívio cômico visual), mas é Anne Hathaway quem rouba a cena, consolidando mais um bom momento em sua carreira com uma atuação que equilibra perfeitamente o drama familiar, a garra na ação e o timing cômico.
O Fim da Rua demonstra inteligência ao nunca se levar a sério demais, lembra muito o cinema fantástico da década de 80 e 90. O roteiro amarra tensão, humor e um mistério instigante de forma harmoniosa, mantendo um ritmo ágil e divertido do início ao fim. É inevitável notar como a produção alcança com maestria aquilo que lançamentos recentes de grandes franquias (como Jurassic World) tentaram e falharam em fazer: integrar criaturas pré-históricas ao nosso mundo moderno de forma visceral e crível, mantendo uma identidade própria e autoral. O Fim da Rua se consolida como uma das surpresas da temporada! Divertido!
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM
#ofimdarua #theendofaokstreet #dinossauro #cinema #anos80
terça-feira, 11 de agosto de 2026
A MORTE DE ROBIN HOOD (2026) de "Michael Sarnoski"
Robin Hood melancólico! 🏹🏹🏹
A lenda de Robin Hood perdura há mais de 600 anos, e o cinema frequentemente se inspira na história do famoso fora da lei, principalmente por estar em domínio público, o que significa que ninguém precisa pagar por seus direitos autorais. Entre as interpretações mais famosas estão a de Errol Flynn no filme de capa e espada As Aventuras de Robin Hood (década de 1930), a do astro Kevin Costner em Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (década de 1990) e a clássica animação lançada pela Walt Disney nos anos 1970.
A Morte de Robin Hood deixa claro desde o início que esta não será uma aventura sobre um adorável malandro. O filme é uma versão do personagem no autêntico estilo A24 de fazer cinema. Interpretado por Hugh Jackman, este Robin Hood é um monstro autoproclamado que vive isolado em 1247 d.C. Nos primeiros minutos, vemos Robin assassinar brutalmente uma jovem que veio para matá-lo, o que o leva a enterrar o corpo em um campo repleto de outros cadáveres. A mensagem é clara: as pessoas continuam vindo para matá-lo, e ele continua matando-as primeiro.
Embora lendas heroicas tenham se espalhado ao longo dos anos, descobrimos que todas não passam de ficção: o verdadeiro Robin Hood é um assassino e ladrão que não hesita em massacrar qualquer um que cruze seu caminho. Com longos cabelos brancos e uma barba condizente, o Robin de Jackman tem uma aparência assombrada, selvagem e cansada. Ele está exausto de anos de violência e só quer ser deixado em paz.
À medida que A Morte de Robin Hood caminha para sua inevitável conclusão, somos tomados por uma melancolia crescente. A narrativa é repleta de arrependimento e perda, sentimentos que penetram no peito do personagem e despertam uma vaga sensação de tristeza pensativa. Esse clima é intensificado pela trilha sonora, que mescla canções folclóricas com cordas graves. Nessa desconstrução cheia de remorso que conhecemos o drama humano do personagem oferecendo um olhar diferente e interessante para um filme que, no entanto, não sai muito do lugar.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
#robinhood #thedeathofrobinhood #amortederobinhood #a24 #cinema
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
ACAMPAMENTO MIASMA - ADOLESCÊNCIA, SEXO E MORTE de "Jane Schoenbrun"
O que esperar da cineasta visionária Jane Schoenbrun? Em sua estreia, ela já chamou a atenção com "We're All Going to the World's Fair" (disponível na MUBI), uma carta de amor às creepypastas e às histórias de terror da internet. Depois, realizou a comovente e magistral metáfora cinematográfica "I Saw the TV Glow" (Eu Vi o Brilho da TV, disponível no Prime Video), na qual usou a nostalgia da geração millennial para construir um auto-retrato de sua própria disforia de gênero.
Seu novo filme, Acampamento Miasma (Adolescência, Sexo e Morte), é uma experiência cinematográfica estonteante. Chega a ser difícil classificar do que se trata: se é uma sátira afiada aos filmes de terror slasher, se é um desabafo sobre a sexualidade das sobreviventes desses filmes (as chamadas "final girls") ou simplesmente a obra aberta de uma diretora queer que possui profundo conhecimento do gênero e muita paixão pelo cinema.
Acampamento Miasma transmite múltiplos sentimentos, mas é importante saber que se trata de uma obra abertamente lésbica. O longa surge como uma reflexão sobre o desconforto sexual e a maneira como nos perdemos em nossas próprias mentes, a ponto de o sexo se tornar mais um conceito do que um ato carnal e de entrega. O filme é uma explosão erótica, uma história cerebral e vibrante em que as personagens Kris (Hannah Einbinder, que internalizou o papel de forma maravilhosa) e Billy (Gillian Anderson) revisitam o filme mais importante de suas vidas, o slasher fictício "Camp Miasma" ( Inspirado em Sexta-feira 13) e vivem um misto de desejo, medo e delírio.
Trata-se de um entretenimento envolvente, que demonstra enorme prazer no cuidado com a produção e nos lembra que prazer não é algo para ser intelectualizado em excesso, mas sim sentido no corpo. É um filme sobre filmes de terror, cultura pop, diversão e desejo. Sem dúvidas, o filme mais interessante de 2026! Imperdível!
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE
#campmiasma #acampamentomiasma #camp #slasher #terror @retratofilmesbr @mubibrasil
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
A ÚLTIMA CASA (2026) de "Louis Leterrier"
Sobreviver é uma arte! 🏡🏡🏡
Nova aposta da Netflix, A Última Casa entrega o pacote completo de um suspense de sobrevivência dinâmico e envolvente. Na trama, Greta Lee e Wagner Moura vivem um casal com dois filhos que retorna às pressas para casa em meio a um forte temporal em sua cidade litorânea. Após trocarem as roupas molhadas, não dão maior importância à tempestade até tentarem sair e perceberem que estão inexplicavelmente trancados.
Sem internet ou sinal de celular, descobrem que toda a vizinhança enfrenta o mesmo impasse e tentam manter a rotina até que o problema seja resolvido. Contudo, a tensão escala quando compreendem que a força por trás do confinamento possui contornos sobrenaturais.
O longa funciona como um exercício claustrofóbico sobre o isolamento compulsório. Embora o conceito perca parte do ineditismo no contexto pós-pandêmico, o diretor Louis Leterrier (O Incrível Hulk, Velozes e Furiosos X ) estrutura um cenário de escalada extrema, adensando o mistério e introduzindo ameaças físicas pelo caminho.
O filme se destaca ao imergir o espectador na rotina confinada da família. O roteiro parte com firmeza do trauma residual do isolamento para, gradativamente, abraçar a ação convencional com uma atmosfera extrema à medida que o mistério cresce e ameaças selvagens surgem.
Ainda que o motor criativo perca algum fôlego na reta final, a sensação de constante perigo se mantém intacta. Sem grandes pretensões de profundidade, o longa se estabelece como uma experiência divertida, bem executada e valorizada pela evidente entrega de seu casal protagonista. Divertido!
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
#aúltimacasa #thelasthouse #netflix #dicasnetflix #wagnermoura
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
INSACIÁVEL (2026) de "Natalie Erika James"
Uma aterrorizante surpresa! 🍽 🍽 🍽
Insaciável é mais um hype apresentado no Festival de Sundance deste ano. O filme acompanha uma mulher que recorre a medidas desesperadas para alcançar o corpo dos seus sonhos, apenas para descobrir que a perfeição tem um preço aterrador.
O tema se assemelha ao recente A Substância e marca o retorno da cineasta nipo-australiana Natalie Erika James às temáticas da identidade feminina e do trauma familiar, abordadas em sua aclamada estreia Relic (2020). Desta vez, porém, a diretora opta pelo body horror visceral em vez do suspense psicológico crescente. O resultado é uma combinação eficaz de cenas chocantes e comentários perspicazes sobre os perigos insidiosos do condicionamento cultural.
A atriz Midori Francis brilha no papel principal como Hana, uma estudante de medicina que se submete a limites radicais para alcançar o corpo considerado ideal. Hana está presa em um ciclo de compulsão alimentar, vergonha, arrependimento e obstinação, incapaz de aceitar o próprio peso que, em sua visão, lança uma sombra sobre sua vida. Vale ressaltar que a personagem tem um corpo de tamanho médio.
O filme não busca ambiguidades narrativas: o público acompanha Hana desde o momento em que ela começa a ver reflexos em seu apartamento de uma entidade assustadora, Bertha, e entra em estados catatônicos nos quais devora tudo o que encontra pela frente. A trama não questiona a sanidade da protagonista; ainda que Bertha possa ser lida como uma metáfora, ela é inegavelmente real. A verdadeira questão gira em torno dos motivos que a levam a ir a tamanhos extremos para se conformar a um padrão de beleza imposto.
Os elementos técnicos de Insaciável são excepcionais com uma paleta de cores sombrias para sugerir uma vida vivida às sombras, o visual é atmosférico, arrepiante e não recomendado para os mais sensíveis. O design de som é visceral e constrói uma paisagem sonora evocativa. Tudo culmina em um clímax frenético e assustador sobre ganância, desejo e excessos desenfreados, atacando com ferocidade a obsessão tóxica da sociedade pelos corpos femininos.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
sexta-feira, 31 de julho de 2026
LEVITICUS (2026) de "Adrian Chiarella"
Leviticus é mais um filme LGBTQIAPN+ que não chega aos cinemas brasileiros, ficando restrito às plataformas digitais. O terror ganhou hype no Festival de Sundance neste ano e, com o selo da NEON, era um dos lançamentos de terror mais aguardados da temporada. Na história, após um exorcismo destinado a "curar" sua homossexualidade, dois garotos suburbanos australianos são perseguidos por uma presença que assume a forma um do outro. O suspense psicológico é uma mistura de Corrente do Mal com Rivalidade Ardente.
A história de amor adolescente de Naim (Joe Bird) e Ryan (Stacy Clausen) ganha um rumo complicado pelo fato de os rapazes viverem em uma comunidade religiosa excepcionalmente repressiva. Logo descobrimos que a mãe solteira de Naim (Mia Wasikowska), devastada pela dor, levou o filho para a cidade para se juntar à paróquia cristã local, um grupo conservador, quase sectário, ao qual Ryan e sua família também pertencem. Fica claro que nesse mundo social fechado, a homossexualidade é considerada um pecado.
Em uma referência direta ao Livro de Levítico, o terceiro livro do Antigo Testamento, no qual rituais são realizados para restabelecer a "pureza" de pessoas consideradas impuras, os jovens são submetidos a um ritual conduzido por um pastor/curandeiro. Invocando noções de luxúria, desejo e indecência, os meninos passam por uma espécie de exorcismo. A partir daí, quem passa pela cerimônia de libertação passa a ser assombrado por uma ameaça metamorfa, invisível para todos, exceto para a vítima, tomando a forma da pessoa amada.
O filme ancora seu clima de terror em um sofrimento real e muito presente na comunidade LGBTQIAPN+: A aceitação por parte da família e meio social, o terror psicológico ganha ares realistas em um contexto adolescente. Leviticus, assim como outros filmes de terror independente deste ano (como Obsessão e Backrooms), mostra-se uma história sombria, divertida e com momentos genuinamente perturbadores.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM
quinta-feira, 30 de julho de 2026
HOMEM ARANHA - UM NOVO DIA (2026) de "Destin Daniel Cretton"
Nem tão novo assim! 🕷🕸 SEM SPOILERS
O Homem-Aranha é um personagem da Marvel muito querido pelo público e seus filmes estão entre os mais bem-sucedidos desse universo, seja pelas boas histórias ou pela narrativa jovem e divertida. Incrivelmente, neste novo filme, o personagem muda de tom e se torna mais maduro. Aquela aventura tradicional se transforma em um drama ocasional, e o Homem-Aranha ganha um recomeço após o fim trágico do último longa.
Como não existe ponto final em uma franquia milionária de Hollywood, logo surge uma nova ameaça no caminho do herói. Não há nada de muito novo ou diferente por aqui; ainda que abandone o tom colegial para mostrar um risco maior, Homem-Aranha: Um Novo Dia parece aquele mesmo filme de sempre. A cena pós-créditos mostra o desinteresse em trazer algo novo além do próprio protagonista.
Enquanto grande parte do mundo se esqueceu de Peter Parker (Tom Holland), o vigilante continua a combater a injustiça como o super-herói mascarado. Quando uma estranha entidade começa a controlar alvos aleatórios para cumprir suas ordens, Peter precisa recorrer a amigos, novos e antigos, para salvar tanto as pessoas que ama quanto a cidade que jurou proteger.
O longa praticamente gira em torno do autoconhecimento de Peter e da sua reaproximação com antigos amigos, além de estabelecer pontes com outros personagens do Universo Marvel. Tudo isso vem acompanhado de uma tonelada de elementos sobrenaturais que interferem na coerência da trama, já que apelam frequentemente para situações aleatórias com soluções convenientes. Há também momentos de ação carregados, que, embora contem com boas cenas, se repetem em um fluxo pouco memorável.
Embora surjam surpresas, principalmente na revelação da grande ameaça da vez, a obviedade da premissa principal é notável, evidenciando a clara preparação para os próximos capítulos do Universo Cinematográfico da Marvel. Ainda assim, Homem-Aranha: Um novo dia cumpre sua missão de entreter sendo eficaz e suficiente para garantir uma divertida sessão de cinema pipoca.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
#homemaranha #spiderman #marvel #cinema #hq
terça-feira, 28 de julho de 2026
EQUILIBRIVM II (2026) de Anitta
Equilibrium II (estilizado como EQUILIBRIVM II) é o nono álbum de estúdio da cantora brasileira Anitta e a segunda metade de um projeto de duas partes, complementando o oitavo álbum de estúdio da artista, Equilibrivm (2026).
Anitta sem dúvidas é a artista brasileira que mais se transformou nesses últimos anos, ela começou no funk, foi para o pop, para a música latina, criou um funk internacional e agora entrega um álbum com ritmos brasileiros. A verdade é que essa versatilidade da cantora nunca atrapalhou sua estética, linguagem e produção. Nessse novo trabalho podemos ouvir nossos ritmos de maneira poética e apreciar um álbum marcante.
Anitta celebra os tambores do Brasil, abarcando os tambores do samba e os tambores dos terreiros que ecoam da Bahia ancestral para todo o país. A narrativa é bem estruturada, o álbum reflete os passos de Anitta nessa caminhada pessoal em busca de paz e saúde mental, ela constrói uma experiência musical inteira que conversa com a música brasileira num todo, da mpb ao reggae, do funk ao forró. Só isso já vale a audição.
Junto desta segunda parte, Anitta lançou um curta de 35 minutos, que rendeu um merecido burburinho: é uma belíssima colagem de recursos, participações e referências, explorando a relação da artista com ela mesma, a carreira, a imagem e a fé. Segue sendo admirável ver uma artista deste porte ostentando sua relação com o candomblé, evocando Carmen Miranda e citando “Taí” de Joubert de Carvalho.
O projeto EQUILIBRIVM de Annita mostra sua maturidade criativa como artista e destaca sua ousadia de valorizar a fé e as raízes afro-brasileiras, saindo da música comercial e mergulhando em uma identidade cultural mais profunda. "Equilibrivm", partes um e dois, formam o projeto mais raro de Anitta.
Destaques: Sal Grosso, Oke, Não me cutuca, Não sou Santa e Ogum me Rodeia.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM
#anitta #equilibrium #fé #mpb #musica
sexta-feira, 24 de julho de 2026
MUSIC, FASHION, FILM (2026) de Charli XCX
Referencial e despretensioso! 🎙🎙🎙
Charli XCX encerra a era BRAT com o novo álbum conceitual Music, Fashion, Film, onde já na capa temos três lendas, o músico John Cale, o estilista Marc Jacobs e o cineasta Martin Scorsese. BRAT, último álbum da cantora, foi um fenômeno pop desde o seu lançamento, e logo em seguida ela emendou músicas para a trilha sonora do filme Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes).
Neste trabalho no qual a própria cantora interrompe o clima e o ritmo pop da era BRAT com músicas mais conceituais e ainda assim elegantes, ela acerta em cheio. O pop com guitarra e sintetizadores que brinca de ser rock é a maior sacada deste álbum, trazendo canções que facilmente estariam na discografia de alguma banda indie. Não há dúvidas de que a produção musical está impecável a cargo de A. G. Cook e Finn Keane e por incrível que pareça, mesmo as letras mais simplistas funcionam bem nas faixas e no conceito.
Se a faixa "Rock Music", primeiro single do projeto, já mostrava a atitude rock da cantora, essa vibe percorre por todo o álbum. A estética rock traz um contexto novo para a parceria com Cook e Keane, soar coesa em seu ritmo vibrante e em melodias brilhantes, porém ácidas. É um rock descolado e desleixado no qual Charli reflete sobre a inautenticidade das estrelas pop e o apocalipse.
O ápice do trabalho é a faixa final: uma citação do diretor de cinema David Cronenberg, “Eles estão mortos, eles se foram, ninguém dura para sempre”, ecoa morbidamente na saideira, “No One Lasts Forever”. Você pode interpretá-la literalmente: a grande arte sobrevive aos seus criadores. Charli XCX sobrevive em uma era onde ser popstar é não durar para sempre, é um momento.
Destaques: "Rock Music", "SS26", "I Am Afraid", "Yeah" e "No One Lasts Forever".
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)
#charlixcx #musicfashionfilm #spotify #musica #pop
quinta-feira, 23 de julho de 2026
PEQUENAS CRIATURAS (2026) de "Anne Pinheiro Guimarães"
Ambientado na década de 80, Pequenas Criaturas traz o reflexo de pessoas perdidas em uma Brasília que ainda tentava se estabelecer. O filme retrata uma família recém-chegada tentando reconstruir a própria vida em uma cidade com ares futuristas, mas também estranhamente vazia e indiferente. Carolina Dieckmann interpreta uma mãe abandonada pelo marido que precisa lidar com conflitos enquanto seus filhos amadurecem, enfrentando medos e descobertas. O drama transforma a arquitetura da capital no espelho da solidão, do abandono, do não pertencimento e da dificuldade de comunicação familiar.
Dirigido pela brasiliense Anne Pinheiro Guimarães, que cresceu na cidade, o longa traduz essa ambiguidade de forma envolvente ao traçar paralelos humanos em uma capital criada para ser política. O foco está nas pessoas comuns, em seus dilemas e angústias, o que dialoga perfeitamente com a "indiferença" arquitetônica de Brasília. Sem qualquer rede de apoio, os personagens enfrentam dificuldades, cada um à sua maneira, para se adaptar à nova realidade. Assim, a melancolia se torna o elemento central da narrativa.
A beleza do filme está em sua montagem delicada e paciente, atenta às esperanças e capaz de dosar a calmaria dos espaços vazios com a urgência do viver e do se relacionar. Além do trio protagonista, a produção conta com dois "coadjuvantes de luxo", Letícia Sabatella e Caco Ciocler. No geral, todo o elenco entrega atuações consistentes e de altíssimo nível.
Pequenas Criaturas se alinha à tendência atual do cinema brasileiro de suavizar o realismo áspero com toques de fantasia, além de brincar com referências icônicas da cidade como o rock na trilha sonora e menções a OVNIs. Trata-se de um filme sensível e otimista sobre pertencimento.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
#pequenascriaturas #cinemabrasileiro #cinebrasilia #carolinadieckmann #annepinheiroguimaraes
terça-feira, 21 de julho de 2026
MARSUPILAMI (2026) de "Phillipe Lacheau"
Fofinho e engraçado! 🐱🐱🐱
O Marsupilami, personagem superfamoso na Europa, foi criado em 1952 pelo quadrinista belga André Franquin. Por aqui, ele marcou gerações de brasileiros, principalmente no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. A série animada foi exibida com grande sucesso no país pelo Disney Club (que depois virou o saudoso Disney CRUJ), no SBT, além de ter renderizado bons jogos de videogame na época.
Esta nova produção belga/francesa, que chega aos cinemas brasileiros pela Paris Filmes, é realizada pelo mesmo estúdio da franquia Asterix e Obelix. O longa conta com um elenco repleto de figurinhas carimbadas da comédia francesa, o que reforça o humor pastelão da obra. A bagunça é tão divertida que o filme arranca boas risadas já na primeira meia hora, mesmo antes de o bichinho fofo que dá nome à história dar as caras!
O roteiro opta por se distanciar dos quadrinhos ao não adaptar nenhum álbum específico e nem resgatar seus personagens clássicos. O próprio Marsupilami tem uma presença mínima em cena e quase não há espaço para desenvolver sua mitologia. Embora isso não estrague a experiência, pode decepcionar quem esperava ver mais do protagonista em ação.
O verdadeiro ponto forte está no elenco, que demonstra uma química genuína e dá vida a uma enxurrada de piadas. O filme ainda abre espaço para comediantes populares como Didier Bourdon e Gérard Jugnot, mesmo que em participações pontuais e discretas. A trama serve apenas como um pano de fundo despretensioso para piadas sem fim e uma abordagem um tanto datada das realidades políticas e sociais.
No fim das contas, Marsupilami: Confusão a Bordo é uma opção leve e divertida para assistir em família, aquele perfeito passatempo estilo Sessão da Tarde.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
#marsupilami #comedia #cinema #filme #disneyclubquinta-feira, 16 de julho de 2026
A ODISSÉIA (2026) de "Christopher Nolan"
O espetáculo de Nolan! ⚔️⚔️⚔️
A Odisseia, nova obra cinematográfica do hypado diretor Christopher Nolan, é um deleite para qualquer pessoa que ama o cinema em sua melhor vertente. A epopeia, atribuída ao poeta grego Homero, é estruturada em múltiplos flashbacks, tramas paralelas e contos dentro da própria narrativa, tudo o que Nolan adora e que já aparecia em seu filme de estreia, Amnésia, lá em 2000.
É evidente que as fortes expectativas sobre o filme deixam claro como o cinema vive de especulações, notícias de bastidores e estratégias de marketing que, às vezes, se mostram mais fortes que a própria obra. A Odisséia é um desafio à altura de Nolan, é uma jornada épica e repleta de ação, com estrutura narrativa não linear e visualmente deslumbrante, que oferece liberdade interpretativa ao mesmo tempo em que consegue ser extremamente divertida.
No filme, Odisseu, interpretado de forma convincente por Matt Damon, narra seus encontros fantásticos com o Ciclope, a feiticeira Circe e outras figuras lendárias. Nolan deixa a interpretação a cargo do público, tudo isso realmente aconteceu e o rei de Ítaca carrega um carma terrível ou ele está marcado pela guerra e atormentado pela culpa e loucura. Dessa forma, o diretor consegue resgatar aventuras mitológicas à la Ray Harryhausen (Fúria de Titãs).
Devido à natureza episódica do roteiro ditada, obviamente, pelo material original enorme, o público pode encontrar dificuldades iniciais para se envolver com a jornada e se identificar com os personagens. Os diversos astros hollywodianos fazem participações especiais, alguns fazem apenas uma ponta e a filmagem em plano fechado pode incomodar em alguns momentos. Mas isso e outras observações é preciosismo. Tudo em A Odisséia é deslumbrante.
Perto do final, durante um flashback da queima de Troia, tudo se encaixa perfeitamente e o longa chega muito perto do ápice das epopeias cinematográficas. É o cinema de espetáculo em sua melhor forma e criando seu próprio estilo contemporâneo de contar boas histórias. Imperdível!
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐⭐️ HYPE
#theodyssey #aodisseia #christ
sábado, 11 de julho de 2026
O CONVITE (2026) de "Olivia Wilde"
Um jogo mental para adultos! 🍽👥️
O Convite é um filme no qual qualquer adulto com alguma experiência de vida se reconhecerá. Ele nos submerge em um turbilhão de emoções mistas, seja pela risada mordaz diante de assuntos sérios, pela discussão indesejada de casal ou por temas indelicados que podem gerar consequências graves. Toda essa dinâmica se transforma em uma sátira social incisiva e, muitas vezes, hilária, servindo de estopim para um filme que certamente entrará na lista de melhores do ano de muitos cinéfilos.
O longa começa com uma conversa rotineira entre o casal Angela (a também diretora Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen), que convidam seus vizinhos de apartamento, Pina (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), com o intuito de socializar. Surpreendentemente, o elenco se resume a apenas esses quatro personagens e cada diálogo ou pretensão de cordialidade se transforma em momentos divertidos e constrangedores. As atuações estão impecáveis.
O encontro se torna um profundo estudo sobre relacionamentos humanos. Inteiramente ambientado em um único cenário, um apartamento, a diretora Olivia Wilde impede que o filme pareça uma peça teatral filmada graças a uma trilha sonora que acompanha o ritmo dos acontecimentos, posicionamentos de câmera criativos e uma edição astuta. O filme é baseado no longa espanhol Sentimental, de Cesc Gay.
O Convite é um filme esplêndido, repleto de diálogos ácidos e farpas cáusticas. Ele oferece uma noite bem-sucedida de diversão e jogos mentais para adultos que se identificarão facilmente com os desdobramentos daquela que deveria ser apenas uma noite agradável em casa. Uma obra que mistura comédia e tragédia de forma extremamente eficaz. Imperdível.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ (Hype)
#theinvite #oconvite #cinema #comédia #o2play @o2playfilmes
sexta-feira, 10 de julho de 2026
A MORTE DO DEMÔNIO: EM CHAMAS (2026) de "Sébastien Vaniček"



















