quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Crítica: MORTE E VIDA MADALENA (2025) de "Guto Parente"


 Cinema de Guerrilha Cearense! 📽📽📽

   ​Morte e Vida Madalena começou sua trajetória no 58° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2025 e, praticamente um ano após brilhar no festival, chega às salas de cinema em circuito limitado. No filme, a produtora Madalena, a poucos meses de dar à luz, começa a filmar uma ficção científica escrita por seu pai, falecido recentemente. Uma série de eventos imprevistos passa a semear a discórdia. Guto Parente oferece uma verdadeira declaração de amor à luta de se fazer cinema de gênero no Brasil, uma vertente muitas vezes discriminada, tendo como pano de fundo uma produção repleta de contratempos.

​    Toda a trama gira em torno do difícil processo de criação de um filme, com as emoções à flor da pele entre os vários membros da equipe. A intenção aqui não é oferecer uma abordagem didática, no estilo documentário, sobre a produção cinematográfica, mas sim compartilhar a energia criativa que emana do grupo. Assim, a produtora surge como a verdadeira força motriz, impulsionada por suas ansiedades, que acabam se revelando proféticas.

    Madalena (Noá Bonoba), porém, não pode se dar ao luxo de romantizar o fracasso. Como uma boa produtora do audiovisual, a protagonista não tem outra opção senão perseverar. Gestante de oito meses, ela carrega também o filme da sua vida, tentando tirar do papel o último roteiro que seu recém-falecido pai (Carlos Francisco) escreveu. O projeto em questão é um filme B de ficção científica, o que, logo de cara, já sugere o tom absurdo desta comédia de erros escrita e dirigida por Guto Parente.

​    A atmosfera onírica desempenha um papel importante, e a influência de Fellini é evidente, embora com uma abordagem mais intimista em relação aos personagens. A jornada do filme se torna uma transição significativa para Madalena, e a equipe que a cerca se transforma em uma verdadeira família substituta. O humor que permeia toda a narrativa está sempre misturado com a ternura sentida pelos personagens, cuja singularidade é a essência do roteiro. É uma linda história de amor ao cinema e de respeito às origens, recheada de comédia e coração.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO


#morteevidamadelena #cinemabrasileiro #cinema

terça-feira, 22 de setembro de 2026

SESSÃO ESPECIAL: ANISTIA 79 de "Anita Leandro"


 Resgate necessário! 🇧🇷🇧🇷🇧🇷 

     Anistia 79 é um documentário  que consiste em imagens inéditas da Conferência Internacional pela Anistia e pelas Liberdades Democráticas no Brasil, realizada em Roma, em junho de 1979, às vésperas da votação da lei que permitiria o retorno de exilados e banidos, além da libertação de presos políticos. 

    O encontro reuniu centenas de exilados brasileiros, sindicalistas, parlamentares, juristas e ativistas dos direitos humanos de diferentes países, todos engajados na luta pela anistia e pelo fim da ditadura militar. ​Registradas em película por dois exilados brasileiros que viviam em Paris, Hamilton Lopes dos Santos e Velso Ribas, as imagens ficaram guardadas por quase meio século em um porão na capital francesa. 

    Tão importantes para a nossa história política, esses registros chegam finalmente ao Brasil após décadas de exílio. O acervo traz personagens centrais da resistência à ditadura, como Apolônio de Carvalho, Gregório Bezerra, Manoel da Conceição, Carmela Pezzutti, Francisco Julião, Luís Travassos e Diógenes Arruda, entre outras personalidades.

     O documentário exibe essas imagens para 11 pessoas que nelas aparecem, criando um diálogo entre o passado e o presente. As reações dos participantes não apenas revelam as marcas deixadas pela ditadura, mas também resgatam o projeto de restauração da democracia que uniu diversos setores da sociedade na época. 

    Em cartaz desde o dia 20 de agosto em várias salas do Brasil, o filme ganha uma sessão especial em Brasília. O evento acontece no dia 25 de setembro, sexta-feira, às 19h, no Cine Brasília. Após a exibição haverá um debate com a participação da cineasta, ao lado da deputada federal pelo Distrito Federal Erika Kokay, integrante da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara Federal; do escritor, bancário aposentado, ex-preso político e ex-deputado federal pelo Mato Grosso Gilney Amorim Viana; e do professor de História da Universidade de Brasília (UnB) e membro da Comissão da Verdade da UnB, José Otávio Guimarães

Os ingressos terão preço promocional de R$10

#anistia79 #cinebrasilia #documentário #anistia #cinema @cinebrasiliaoficial @embaubafilmes

59º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO (Vencedores e Criticas)

 

O 59º Festival de Brasília teve 8 dias de programações voltadas ao cinema.


59º Festival de Brasília exibiu mais de 70 filmes, selecionados a partir de 1.928 inscrições de curtas e longas-metragens. O número de inscrições representa um recorde histórico para o evento, realizado desde 1965. O Meu Hype acompanhou a Mostra Competitiva de Longas Metragens Nacional, que teve os seguintes vencedores:

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL – TROFÉU CANDANGO

Longa-metragem

Melhor Longa-Metragem – Júri Oficial: Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira (MG)
Melhor Longa-Metragem – Júri Popular: Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)
Melhor Direção: Daniel Nolasco (GO), por Pequenas Tragédias
Melhor Roteiro: André Novais Oliveira (MG), por Se Eu Fosse Vivo… Vivia
Melhor Atriz: Martha Nowill, por Privadas de Suas Vidas (RS)
Melhor Ator: Guilherme Théo, por Pequenas Tragédias
Melhor Atriz Coadjuvante: Aivan, por Pequenas Tragédias, e Olivia Torres, por Privadas de Suas Vidas
Melhor Ator Coadjuvante: Lucas Leto, por Todo o Sentimento (BA)
Melhor Fotografia: Victor de Melo, por Sabes de Mim, Agora Esqueça (DF)
Melhor Direção de Arte: Juliana Lobo, por Privadas de Suas Vidas (SP)
Melhor Figurino: Diana Moreira, por Se Eu Fosse Vivo… Vivia (MG)
Melhor Trilha Sonora: Daniel Nolasco, por Pequenas Tragédias
Melhor Edição de Som: Lucas Coelho, por Sabes de Mim, Agora Esqueça (DF)
Melhor Montagem: Luciano Carneiro, por Pequenas Tragédias (GO)
Prêmio Abraccine – Melhor Longa-Metragem: Pequenas Tragédias (GO) de Daniel Nolasco

PRÊMIOS ESPECIAIS

Troféu Saruê: Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)
Menção Honrosa – Longa: Conceição Evaristo e Norberto Novais Oliveira, por Se Eu Fosse Vivo… Vivia
Prêmio Zózimo Bulbul – Melhor Filme Longa-Metragem: Ana, En Passant, de Fernanda Salgado (MG)


Confira a Crítica por "Sérgio Ghesti" dos Filmes exibidos na Mostra Competitiva

Meu Hype: Crítica: ANA EN PASSANT (2026) de "Fernanda Salgado"


Meu Hype: Crítica: PEQUENAS TRAGÉDIAS (2026) de "Daniel Nolasco"


Meu Hype: Crítica: TUDO É TEMPO (2026) de "Marcos Guttmann"


Meu Hype: Crítica: TODO SENTIMENTO (2026) de "Glenda Nicácio e Ary Rosa"


Meu Hype: Crítica: PRIVADAS DE SUAS VIDAS (2026) de "Gurcius Gewdner" e "Gustavo Vinagre"


Meu Hype: Crítica: SE EU FOSSE VIVO... VIVIA (2026) de "André Novais Oliveira"


Meu Hype: Critica: SABES DE MIM, AGORA ESQUEÇA (2026) de "Denise Vieira"


Confira a Crítica por "Sérgio Ghesti" das exibições especiais do Festival de Brasilia

Filme de Abertura


Meu Hype: Crítica: PELE MORTA (2026) de Denise Moraes e Bruno Fatumbi

Mostra Série no Cinema


Meu Hype: Primeiras Impressões: DELEGADO (2026) de "Leonardo Lacca" e "Marcelo Lordello"

Filme de Encerramento


Meu Hype: Crítica: VERÃO DA LATA (2026) de "Santiago Dellape"


Todos os detalhes do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro você encontra no site oficial: Festival de Brasília do Cinema Brasileiro



segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Crítica: VERÃO DA LATA (2026) de "Santiago Dellape"

 


Uma comédia marolenta! 🍂🍂🍂

​    O filme Verão da Lata teve sua estreia mundial no encerramento do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A comédia policial dirigida por Santiago Dellape é inspirada no famoso caso real de 1987, quando milhares de latas de maconha foram despejadas por um navio no litoral brasileiro. A produção é estrelada por Samantha Schmütz e Babu Santana na pele de dois policiais federais, traz Paulinho Serra como vilão e marca a estreia da paraense Alane Dias no cinema, além de contar com um grande elenco. 

​A trama acompanha os policiais federais Sandra (Samantha Schmütz) e Brasa (Babu Santana) na investigação sobre a origem da carga. Em sua jornada, a dupla cruza com diversos personagens marcantes da época, como traficantes, policiais corruptos, jornalistas e jovens locais. O longa mistura ficção, imagens de arquivo e trechos documentais para provar que esse episódio pitoresco da nossa história realmente aconteceu e não é apenas uma lenda urbana. 

   Santiago Dellape exibe uma direção descolada ao transformar uma história potencialmente densa em uma comédia leve e ágil. Ao misturar os fatos do "Verão da Lata" a situações e personagens inventados, o diretor brinca justamente com o limite entre realidade e ficção. Toda a estética inspirada nos anos 1980 surge muito viva em tela. Além de hilário, o filme recorre ao humor pastelão para garantir o ritmo da narrativa, transformando o enredo em uma grande diversão. 

    A proposta de Verão da Lata se inspira nos clássicos de ação oitentistas, como Máquina Mortífera e Um Tira da Pesada, mas adapta com maestria essa fórmula ao contexto brasileiro. A dupla de protagonistas substitui o clássico binômio gringo do "tira bom e tira mau" por uma malandra e um mané, no melhor estilo carioca. Se você entrar na brincadeira do diretor e do elenco sem levar tudo tão a sério, certamente dará boas risadas, principalmente com as piadas do universo "cannábico". Divertido!

​A estreia oficial em circuito nacional está marcada para 19 de novembro de 2026

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#verãonalata #festivaldebrasilia #comédia #cinemabrasileiro #fbcb

Critica: SABES DE MIM, AGORA ESQUEÇA (2026) de "Denise Vieira"


 Não é putaria, é terapia. ♨️♨️♨️ 

​     Sabes de Mim, Agora Esqueça é sobre a jornada de Rúbia (Pietra Sousa). Logo no início do longa, ela foge de um regime opressor controlado por homens com lanternas que exterminam o que não agrada ao sistema. O seu trem de fuga quebra e Rúbia é resgatada por Margô (Cida Souza), que comanda um cabaré em Ceilândia, Distrito Federal. O local resiste à repressão usando o afeto da convivência entre essas mulheres em um mundo distópico no qual elas encontram no transitório a família que o mundo se recusa a proporcionar. 

     ​A obra da diretora Denise Vieira, em seu primeiro filme, é bem-sucedida ao não se escorar na ideia de futuro para esconder lacunas na história, que, por sinal, é simples, mas profunda. Algo interessante de observar é que o filme se inspira muito em elementos clássicos do cinema brasileiro, como a narrativa contada por meio de um ritmo lento de montagem, diálogos arrastados e cheios de pausas, além de uma forte ênfase no texto falado. No entanto, foge totalmente dessas normativas ao trazer uma certa fluidez, utilizando o sexo e as metáforas disponíveis de maneira criativa. 

​    O filme não depende da realidade para retratá-la e discuti-la, pelo contrário, encontra em elementos de fantasia a sensibilidade poética que a simples retratação fiel do mundo não possibilitaria. A melancolia da falta de perspectiva dá lugar à alegria de se sentir vivo e seguro em um mundo hostil. Essa aposta na experimentação e na força do corpo feminino como eixo narrativo promove um mergulho sensorial em temas importantes, como desejo e violência, ao articular imagem, som e performance de maneira radical e inquieta. 

    Sabes de Mim, Agora Esqueça tem uma ternura bonita de se apreciar, ainda que sua dramaturgia possua ruídos importantes, nem sempre o filme demonstra um fôlego compatível com seu potencial, e o tema já foi explorado em outras produções. A carga dramática das atuações nem sempre é satisfatória, mas sua representação da importância social de um cabaré e a criatividade de usar tudo isso com um baixo orçamento são admiráveis. Como diz uma personagem emblemática do filme: não é putaria, é terapia. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM




sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Crítica: SE EU FOSSE VIVO... VIVIA (2026) de "André Novais Oliveira"

 

Uma bela história de amor! ❣️❣️❣️

    O longa "Se Eu Fosse Vivo... Vivia" teve sua estreia mundial na mostra Panorama do Festival de Berlim (Berlinale) em fevereiro de 2026 e foi exibido pela primeira vez no Brasil na Mostra Competitiva do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme  é um recorte muito sensível sobre o amor que supera o desgaste do tempo e se concentra nas coisas simples. 

​   O início promissor dessa jornada é empolgante, vamos até Contagem (MG) durante os anos 1970 para conhecer Gilberto, interpretado na versão mais jovem pelo ator Jean Paulo Campos. A atmosfera da época conta com um granulado charmoso, além de uma leve passagem por um momento marcado pelo movimento Black Power, com figurinos da época e um som contagiante. É nesse cenário que conhecemos o casal de protagonistas e iniciamos a jornada do filme. 

​    Uma grande passagem de tempo nos leva 50 anos depois aos dias atuais. O casal, já velho, vive uma rotina carinhosa e simples, colecionando momentos de afeto: o ato de descascar uma laranja sem machucar, o cochilo vendo TV, a ida ao médico juntos e a vontade de comer pão sovado com café. São momentos tão admiráveis e bonitos que tornam Norberto Novais e Conceição Evaristo um casal excelente, cheio de química e brilho em tela. 

    ​Ao chegar à metade da projeção, essa linda história de amor passa a sentir o peso do tempo. Na segunda metade, o filme adota uma linha mais fantástica, explorando a solidão e a esperança de uma vida sem fronteiras. Essa mudança abrupta de tom, do drama para a fantasia, causa uma quebra não muito satisfatória.

​    André Novais Oliveira é, sem dúvidas, um dos realizadores mais interessantes do cinema brasileiro atual. É admirável a coragem de unir os sentimentos mais puros de um casal idoso a uma fantasia de ficção científica com extraterrestres. No entanto, embora os efeitos práticos sejam muito bem executados, a junção dos dois temas não se interligam bem em tela, parecendo dois filmes distintos. Fiquei apaixonado pela primeira metada do filme e bem desconectado com a segunda parte lúdica.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#seeufossevivoeuvivia #andrenovaisoliveira #filmesdeplastico #festivaldebrasilia

Crítica: ANTÁRTIDA (2026) de "Bruno Safadi"


 Um bom thriller gelado! 🧊🧊🧊


​     Antártida é o novo blockbuster nacional produzido pela Globo Filmes e pela Paris Entretenimento. Um aparato tecnológico com produção digital inovadora foi criado em estúdio no Rio de Janeiro para simular de forma convincente o ambiente gelado e a neve. Por sinal, o filme demonstra muita qualidade estética ao mostrar a imensidão da neve e as bases militares nas cenas "externas". Tratadas com esmero pela fotografia (Mauro Pinheiro) e pela montagem (Rodrigo Lima), as imagens convencem que a história se passa no continente antártico. O elenco conta com Lázaro Ramos e Leandra Leal, que vivem um casal em crise; Antônio Calloni como o capitão da base brasileira; Andrea Beltrão e Marina Ruy Barbosa, cuja personagem é o pivô de toda a trama.

​     A história tem elementos suficientes para elevar a temperatura a partir de um crime ocorrido em um lugar inóspito. A base científica brasileira na Antártida passa por uma nevasca intensa que a deixa isolada e, nesse momento adverso, uma cientista recém-chegada (Marina Ruy Barbosa) é violentada. A narrativa foca no suspense psicológico e em como o acontecimento muda o foco da base e mexe com a rotina de todos.

​    O filme segue o clichê básico do gênero: reunir, em um ambiente fechado, um grupo de pessoas problemáticas que precisam conviver administrando sucessivas crises. Embora sejam cientistas, a racionalidade passa longe durante o confinamento. Ainda que use como gancho o aquecimento global e a crise climática, o foco principal é a questão de gênero em um ambiente no qual as mulheres estão em desvantagem numérica (quatro contra oito), elevando a tensão, a dúvida e a paranoia.

    Antártida sofre um certo boicote da crítica especializada, não só por ser produzido pela Globo, mas também por abordar uma temática feminista. É um assunto delicado, mas incorporado com uma tensão de tirar o fôlego. Ainda que não busque grande profundidade nos personagens e priorize o entretenimento, o longa entrega uma mensagem forte e um suspense muito bem executado. Achei divertido.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM



Crítica: RESIDENT EVIL (2026) de "Zach Cregger"


 Tenso do início ao fim! 💥💥💥

    Resident Evil, dirigido por Zach Cregger (A Hora do Mal), é aquele caso raro em que duas mídias fundamentais se conectam com maestria, uma combinação astuta de "bom filme por si só" com a autêntica "sensação de estar jogando o jogo". A maioria dessas adaptações, sejam boas ou ruins, costuma ser forçada a escolher apenas um dos caminhos. 

   Os fãs mais antigos têm um carinho especial pela era de Paul W.S. Anderson, uma mistura estilizada de ação e ficção científica estrelada por Milla Jovovich, mas o desgaste do formato acabou exigindo um ponto final. Antes de chegar a este novo momento, a franquia ainda passou por um fiasco, o fraco reboot Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City (2021). 

    A insistência do estúdio em apostar em uma das marcas mais consolidadas dos videogames finalmente surtiu efeito. Aqui, tudo está no seu devido lugar, consagrando o longa como uma das adaptações mais bem-sucedidas já feitas. ​

    A ação engrena sem rodeios: Bryan (Austin Abrams) corre contra o tempo rumo a um hospital, tentando se livrar do órgão que foi contratado para entregar. O que deveria ser apenas seu último serviço da noite vira um pesadelo quando uma proposta de pagamento em dobro o faz aceitar uma corrida até Raccoon City, um destino isolado que logo se revela uma armadilha aterrorizante. 

​ O novo Resident Evil entrega entretenimento completo, servindo tanto aos gamers de carteirinha quanto aos aficionados por horror. Para coroar a experiência, o tom de comédia tragicômica conduzido por Austin Abrams garante ótimas gargalhadas em meio ao caos e às criaturas bizarras. Embora deixe pontas soltas sobre a infecção, os bastidores da Umbrella e o destino do protagonista, o gancho para o futuro nunca pareceu tão promissor. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE 


#residentevil #zachcregger #videogame #cinemas #terror

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Crítica: PRIVADAS DE SUAS VIDAS (2026) de "Gurcius Gewdner" e "Gustavo Vinagre"

 

Cinema underground! 🚽🚽🚽

​    O terror escatológico Privadas de Suas Vidas teve sua estreia em território nacional durante o 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Sabe aquele tipo de filme que, ao terminar a sessão, você se pergunta como tiveram a coragem de colocar uma ideia tão maluca em prática? Trata-se de uma obra difícil para quem tem estômago fraco. 

​  Na história, Malu (Martha Nowill) administra uma empresa especializada em "chás-revelação". Após seu filho, Luan, morrer no incidente que abre o filme, ela precisa voltar ao trabalho enquanto enfrenta uma severa constipação e o condomínio onde ela mora passa por uma grande onda de entupimento de privadas. Esses acontecimentos se conectam em uma ameaça sobrenatural sobre ela, seus amigos e vizinhos. 

​    O filme começa com uma cena de defecação sob um ponto de vista tão grotesco que deixa o espectador atordoado antes mesmo de um vaso sanitário engolir uma criança. A partir daí, a situação só se intensifica. Os diretores Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre criaram uma comédia de terror tão comprometida com sua premissa que o público só tem duas opções: entregar-se à proposta ou encarar 100 minutos de pura tortura. 

​    Privadas de Suas Vidas se destaca pelos efeitos práticos fenomenais e pelas atuações impecáveis de seus protagonistas. A cinematografia, o design de som e a paleta de cores elevam a obra a um nível superior para o gênero. Contudo, nem tudo é equilibrado, a ousadia dos realizadores em explorar o gore nojento deixa a experiência fora de controle. Por fim, é aquele tipo de filme provocador, grotesco e desafiador que causa repulsa e cumpre o que promete mas que você provavelmente só conseguirá assistir uma única vez na vida. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#privadasdesuasvidas #festivaldebrasilia #fbcb #gore #underground

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Crítica: TODO SENTIMENTO (2026) de "Glenda Nicácio e Ary Rosa"


 Sentimento distópico! ❤️‍🩹❤️‍🩹❤️‍🩹

    Imagine se, no dia 8 de janeiro de 2023, o golpe militar realmente tivesse acontecido: o que seria do futuro do Brasil? Esse é o ponto de partida de Todo Sentimento, filme exibido na Mostra Competitiva do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A trama retrata a história de amor entre Henrique (Aldri Anunciação) e Gustavo (Lucas Leto) em um Brasil distópico marcado por perseguições políticas. A obra chamou atenção por funcionar como ponte com outros filmes da Rosza Filmes, consolidando o universo compartilhado dos diretores. 

    A história começa justamente na capital federal, trazendo a perspectiva de que o que se inicia no centro do país reverbera por todo o Brasil até chegar ao Recôncavo Baiano, onde a trama se desenvolve. Depois, o filme se fixa em um cenário específico: o exílio de Henrique, um jovem PCD que, sozinho, recebe a visita de um cuidador. A partir daí, a narrativa se desenrola utilizando metáforas para explicar o que aconteceu com o país e com a vida dos protagonistas. 

   Muitos desses trechos de humor não funcionaram bem pra mim. A crítica à religião e ao conservadorismo quebra totalmente o ritmo da narrativa e, em certos momentos, essas esquetes se tornam longas e de certa forma constrangedoras. Após uma abertura maravilhosa e diante de todo o potencial da premissa distópica, deparamos-nos com uma dupla de personagens que, a princípio, não tem química, além de a história aprofundar pouco acontecimentos intrigantes, que deixa o expectador confuso. 

    Todo Sentimento tem seus bons momentos. Após a primeira metade, o humor "esquisito" finalmente é deixado de lado e os dois protagonistas vivem uma conexão bonita e sentimental. Infelizmente, não tive a oportunidade de ver os demais filmes do universo compartilhado do longa e isso pode ter afetado um pouco a experiência, ainda que eu tenha sentido ruídos no longa é uma mensagem de que qualquer história de amor em tempos sombrios é bela e vitoriosa. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#todosentimento #festivaldebrasilia #fbcb #cinema #estreia

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Crítica: TUDO É TEMPO (2026) de "Marcos Guttmann"


 ​O tempo não perdoa! 🇧🇷🇧🇷🇧🇷 

   ​O documentário Tudo é Tempo, dirigido por Marcos Guttmann, foi exibido na Mostra Competitiva Nacional de Longas-Metragens da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Rodado ao longo de 20 anos (entre 2002 e 2022), o filme acompanha a trajetória e a evolução de quatro eleitores comuns de uma mesma seção eleitoral no Rio de Janeiro. 

   O ponto de partida foi o clima de esperança na primeira eleição do presidente Lula, em 2002, registrando como a passagem do tempo transformou as convicções políticas, afetos e visões de mundo dessas pessoas ao longo de duas décadas.

​  A produção acompanha essas transformações tendo as três eleições de Lula à Presidência do Brasil como pano de fundo. Segundo Guttmann, o projeto começou com a intenção de observar as mudanças políticas do país, mas a proposta se expandiu com o passar dos anos. 

​     O que sobressai no longa é um ensaio sobre o impacto do tempo em nós, transformando, silenciosamente, opiniões de outrora em contradições comportamentais complexas. Chega a ser hilário acompanhar os depoimentos desses personagens da vida real, é um retrato muito válido do cenário caótico do Brasil, tanto nos acontecimentos recentes quanto no modo como eles refletem na mente das pessoas. 

    Tudo é Tempo tem seu mérito: passa longe de ser um documentário maçante e traz pessoas comuns que, embora divertidas, surgem confusas com as próprias convicções políticas. No entanto, há um ruído na compreensão do espectador sobre o que motivou essas mudanças comportamentais, a falta dessa profundidade deixa uma lacuna no estudo de caso. O tempo realmente muda as pessoas? Tudo é Tempo mostra que sim, mas faz isso sem se envolver, observando o caos sem necessariamente analisar todas as vertentes apresentadas. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#tudoétempo #festivaldebrasilia #fbcb #doc #eleições

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Crítica: PEQUENAS TRAGÉDIAS (2026) de "Daniel Nolasco"


 Divertido, triste e surpreendente! 🏳️‍🌈

     Pequenas Tragédias, novo filme do diretor goiano Daniel Nolasco (Vento Seco e Apenas Coisas Boas), foi exibido no 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa é um misto de documentário e ficção que confronta diretamente o conservadorismo do interior do Brasil, mais precisamente a cidade de Catalão (GO) de forma surpreendente. Se em seus trabalhos anteriores o diretor já se destacava no modo de contar histórias da comunidade LGBTQIA+, neste filme ele mergulha com profundidade trabalhando preconceitos, estereótipos, ausências, amizades e memórias da sua própria vivência. 

    ​Em Pequenas Tragédias, a cidade de Catalão, deixa de funcionar apenas como cenário como ocorreu em seus filmes anteriores e passa a ocupar o centro da narrativa. O filme observa aqueles que partiram, mas também aqueles que ficaram, encontrando em suas histórias diferentes formas de viver, desejar e construir vínculos em um lugar que, como diz o próprio lema municipal, afirma ser “bom demais para viver”. 

    Em vez de meramente retomar episódios verídicos que aconteceram consigo e com as demais figuras queer da cidade, o autor os reinventa com bastante criatividade e humor. O fetiche da masculinidade é algo constante na produção. Existe uma dose de exposição muito bem utilizada sob a condição de paródia ou de forma lúdica. Toda a nudez do filme possui uma abordagem artisticamente bonita e em nenhum momento é tratada de forma vulgar, encontrando um equilíbrio muito preciso com a seriedade de todas as histórias.

    ​Pequenas Tragédias é um filme sobre histórias reais em um Brasil que flerta com o conservadorismo, a hipocrisia e o preconceito. Em muitos momentos, a obra emociona justamente por mostrar, com muita sensibilidade, a falta de humanidade e de respeito na trajetória não só de seu diretor, mas de todos que um dia viveram essa opressão, esse medo e essa falta de liberdade de ser quem se é de verdade. Não são personagens: são vidas que, infelizmente, se transformam em pequenas tragédias. Imperdível! 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE


O filme tem previsão de lançamento em 2027 pela Embauba Filmes!


domingo, 13 de setembro de 2026

Crítica: ANA EN PASSANT (2026) de "Fernanda Salgado"


 ​Poesia animada! 💧🌀🌊

    ​Exibido pela primeira vez no país na Mostra Competitiva do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Ana, en Passant é um longa-metragem em animação que combina múltiplas técnicas, como stop-motion, rotoscopia e colagens. A obra se destaca pela habilidade de mesclar realismo com uma forte atmosfera de sonho, utilizando texturas e materiais diversificados para gerar "pequenas inquietações visuais" no trajeto de luto da protagonista Ana.

    Na trama, a francesa Ana (Jéssica Pierina) recebe uma chave e a indicação de um apartamento cuja existência ignorava, deixados em uma carta por sua falecida avó. Ao viajar até o imóvel em Belo Horizonte, ela descobre que outra mulher está morando ali. Apesar do estranhamento inicial, Ana decide passar alguns dias com a nova moradora e, nessa convivência, as duas passam a compartilhar suas dores e inseguranças.

   Ana, en Passant mostra uma enorme liberdade criativa. A direção e sua equipe exploram diversos formatos e linguagens com destaque para a animação desenvolvida a partir de captação em live-action. A experiência de acompanhar essa jornada se torna vívida e intensa graças a momentos extremamente criativos repletos de recortes, pinturas e um rico trabalho artesanal. É uma animação potente, que flerta com o tradicional e o inovador para transmitir sua mensagem de forma poética.

     A poesia do filme é vívida, sensível e doce, caminhando contra qualquer pressa. A história flui como a água, elemento central da narrativa, culminando em cenas marcantes, como o momento em que o corpo de uma personagem se funde ao rio. A calmaria da obra reflete com delicadeza a angústia da protagonista em uma Belo Horizonte encantadora, vibrante e repleta de originalidade. Um filme feito para ser apreciado.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)

#anaenpassant #festivaldebrasilia #animação #cinemabrasileiro #desenho @embaubafilmes @festcinebrasilia

Primeiras Impressões: DELEGADO (2026) de "Leonardo Lacca" e "Marcelo Lordello"


Bastidores da Polícia 🚨 🚔 🚨 

​    A série “Delegado”, produção do Canal Brasil que retrata os bastidores da Polícia Civil a partir de um olhar recifense, teve sua estreia no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com a exibição de três episódios na Mostra Série no Cinema. Com sete episódios ao todo, a produção é dirigida por Leonardo Lacca e Marcelo Lordello, com produção executiva de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux. A exibição marcou um feito histórico: foi a primeira vez que o festival abriu sua tela principal para a projeção de episódios de uma série de TV. 

​  Ambientada no Recife, “Delegado” acompanha Felipe (Johnny Massaro), um jovem de classe média que entra para a Polícia Civil movido por um ideal de justiça. Ao assumir uma delegacia, no entanto, ele se depara com uma instituição marcada pela precariedade, pela corrupção e pela resistência a mudanças. Enquanto tenta conquistar seu espaço entre os colegas, Felipe precisa lidar com a ascensão de uma nova liderança do tráfico e com conflitos ligados ao passado de seu pai, que ameaçam sua carreira. 

   A obra foge dos clichês de delegacias americanizadas e supertecnológicas para expor as contradições institucionais e a realidade nordestina. Nesses primeiros episódios temos um texto afiado, repleto de críticas ao sistema e atento às nuances da corrupção na instituição. O tom da série é um destaque com uma mistura artística que vai ao foco em detalhes da atmosfera policial com uma estética realista concluindo com o choque de realidade. A trama possui um equilíbrio entre o humor ácido e um elenco de excelente química, a direção consegue ser firme em sua representação. 

    Promissora, a série tem enorme potencial para conquistar o público ao ser intensa e divertida na mesma medida. É muito interessante observar como tudo acontece em um sistema tão restrito. A estreia oficial para o grande público está agendada para o dia 30 de outubro de 2026 no Canal Brasil, chegando ao Globoplay no dia seguinte. Imperdível. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE


#delegado #canalbrasil #série #festivaldebrasilia #globoplay

sábado, 12 de setembro de 2026

Crítica: PELE MORTA (2026) de Denise Moraes e Bruno Fatumbi


 Luto, memória e resistência indígena! 🏹🏹


​     O filme brasileiro A Pele Morta (2026) é um drama de estrada dirigido por Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres que marcou a abertura do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A obra acompanha Saulo, um jovem rapper guarani-kaiowá em luto pela morte do irmão, que viaja pelas estradas da América do Sul com o caminhoneiro uruguaio Justo em busca de fretes. No caminho, eles dão carona a Rosario, uma jovem que procura pela irmã desaparecida, transformando a rota em uma jornada, sobretudo, de sobrevivência.

​    A obra não foge do estilo "filme de estrada", muito comum no cinema nacional: é fluida, ainda que imprima o tom realista e quase documental dos acontecimentos. É interessante observar a imprevisibilidade da essência de seus protagonistas, enquanto o drama se desenvolve a partir da convivência e da solidariedade entre os três em direção ao que cada um procura. O tom introspectivo da trama obtém sucesso na abordagem do luto, da identidade, da ancestralidade e das marcas da exploração em comunidades indígenas na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.

   A produção do longa chegou a ser interrompida após a morte do diretor Geraldo da Rocha Moraes, em 2017, aos 78 anos. Como forma de homenagem, sua esposa, Solange Moraes, convidou os filhos do cineasta, Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres, ambos com formação em cinema  para dar continuidade ao trabalho. Mesmo sem seu idealizador principal, é notável como a narrativa manteve a coesão até o fim.

​    A Pele Morta é um filme bonito em diversos aspectos e, principalmente, conecta o Brasil às suas raízes latinas e indígenas, bem como ao processo de enfrentamento ao subdesenvolvimento. A melancolia dos personagens, o peso da realidade e os recursos cinematográficos utilizados tornam a experiência profunda e necessária.

Meu hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro


 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (@festcinebrasilia) começa nesta sexta (11/9) com 71 filmes, 1 série inédita e novas mostras! 

   A mais tradicional e longeva mostra cinematográfica do país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro anuncia a seleção de sua 59ª edição, a ser realizada de 11 a 19 de setembro, no Cine Brasília, exibindo produções marcadas pela diversidade temática, de linguagem e de regiões. 

    Com novas sessões especiais e mostras paralelas, o festival ainda conta com programações formativas, atividades de mercado e ações em outros equipamentos culturais do Distrito Federal. Os ingressos para a Mostra Competitiva Nacional no Cine Brasília estarão à venda a partir desta quinta (10/9), pelo site ingresso.com e na bilheteria do cinema. Todas as demais atividades e mostras, inclusive a reprise da Competitiva Nacional, têm entrada franca, sujeita à lotação. 

     Sob a presidência do secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, com direção geral de Sara Rocha, o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem direção artística do crítico, cineasta e programador Eduardo Valente. A edição apresenta um panorama do mais novo cinema brasileiro, com produções de Norte a Sul do país, além de exibir alguns clássicos e materiais raros históricos. 

    O 59º Festival de Brasília registrou um recorde de inscrições, com quase 2 mil títulos entre curtas e longas, das quais foram selecionados 7 longas-metragens e 12 curtas para a Mostra Competitiva Nacional, além de 4 longas e 8 curtas para a Mostra Brasília. Ao todo, o festival exibe mais de 70 produções, distribuídas em seis outras mostras e nas sessões especiais, incluindo a sessão de abertura, com exibição do curta Brasília Planejamento Urbano (1965) e do longa inédito A Pele Morta, de Denise Moraes e Bruno Torres; e a de encerramento, com Verão da Lata, de Santiago Dellape

   O festival acontece no histórico Cine Brasília, para mais detalhes dos filmes e informações acompanhe no site oficial https://festcinebrasilia.com.br/, estarei na cobertura do evento juntamente com o Meu Hype


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A MARAVILHOSA ÁRVORE ENCANTADA (2026) de "Ben Gregor"


 Desconecte-se e encante-se! ⚜️⚜️⚜️


​     Uma das surpresas do ano, A Maravilhosa Árvore Encantada é um filme aconchegante, cativante e sutilmente inspirador. Combinando personagens peculiares, humor delicado e uma mensagem oportuna sobre a importância de nos desconectarmos, a obra se consolida como uma aventura familiar envolvente. Com semelhanças a clássicos mágicos como Nanny McPhee e Paddington, o longa adiciona um charme lúdico a um cenário cinematográfico. Baseado na série de livros de Enid Blyton, a trama apresenta terras fantásticas que ajudam uma família perdida a se reencontrar.

​     Polly (Claire Foy) e Tim Thompson (Andrew Garfield) levam uma vida urbana convencional com seus três filhos: Fran (Billie Gadsdon), Joe (Phoenix Laroche) e Beth (Delilah Bennett-Cardy). Houve um tempo em que os Thompson aproveitavam bons momentos juntos; ultimamente, porém, cada um parece isolado em sua própria bolha, refletindo a dinâmica de uma família desconectada e sobrecarregada pelo uso excessivo da tecnologia. É a corajosa demissão de Polly que dá o pontapé inicial na história: sem o apartamento da empresa, eles precisam se mudar imediatamente para o campo.

​     A narrativa ganha força ao furar essa bolha e abordar um tema essencial para as novas gerações: o valor de viver momentos divertidos em família sem depender do mundo digital. Embora fique claro desde o início que a tensão se dissipará e o final feliz virá, é encantador ver a família redescobrir o prazer da convivência. O filme sopra vida nova a uma obra da década de 1940, adaptando-a com uma sensibilidade moderna altamente relevante para os pais de hoje.

​     Sem tentar parecer maior do que é, o filme soa pontualmente apressado, com elementos de fantasia que perdem um pouco do impacto emocional durante a exibição, ainda assim A Maravilhosa Árvore Encantada entrega um drama familiar comovente. É um lembrete bem-vindo de que nunca devemos deixar morrer nossa criança interior.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)



quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CÓDIGO VINGANÇA (2026) de "Jean François Richet"

 

O "arroz com feijão" do Statham

​    O astro hollywoodiano Jason Statham pertence a uma geração que ocupou o espaço deixado há tempos por Schwarzenegger, Stallone, Bruce Willis e muitos outros. Seus filmes trazem personagens cuja persona é quase sempre a mesma, e o enredo não foge da tradicional "vingança" ou de algum resgate improvável. Código Vingança tem todos esses elementos e acerta no "menos é mais": poucos cenários e muita pancadaria.

   Assim como acontece com outros protagonistas dessa onda do cinema de ação, como Dwayne Johnson, a presença marcante de Statham é tanto seu ponto forte quanto seu principal limite: seus filmes são, cinematograficamente, sempre parecidos. Statham por muito tempo foi o muso dos policiais britânicos de Guy Ritchie e também de produções de ação sofisticadas, como a franquia Carga Explosiva. De vez em quando, surpreendia como na comédia sutil e autoconsciente em A Espiã Que Sabia de Menos, de Paul Feig.

    Quando Statham se juntou às sagas Os Mercenários e Velozes e Furiosos, ele já havia consolidado sua reputação no gênero, mas ainda não havia encontrado um nicho puramente seu. Tudo isso mudou nos últimos anos, graças a uma sequência notavelmente consistente de lançamentos interpretando homens da classe trabalhadora, sempre obcecados por vingança, detentores de habilidades específicas que se revoltam ao se deparar com uma injustiça. É uma fase que lembra quando Charles Bronson encontrou seu próprio estilo no primeiro Desejo de Matar, ou Liam Neeson em Busca Implacável.

​    Código Vingança finalmente encapsula o que define "um filme de Jason Statham" e, embora possa não ser seu melhor trabalho, parece ser o mais essencial. É uma máquina de pancadaria enxuta e eficiente, sem praticamente nenhum excesso. A abordagem não tenta reinventar a roda; em vez disso, torna as lutas o mais limpas possível, sem deixar de ser dinâmicas. Há uma notável sensação de movimento e direção em cada sequência. Isso significa que, embora não exista nenhum elemento extravagante que impressione o fã de ação mais exigente, sua clareza e intensidade funcionam em perfeita harmonia com o herói implacável. Um bom entretenimento de ação.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM



DA MAGIA A SEDUÇÃO - FEITIÇO DE AMOR (2026) de "Susanne Bier"



Feitiço meio quente, meio morno!

​     Na moda atual de Hollywood, o filme Da Magia à Sedução, uma clássica comédia romântica dos anos 90, retorna em uma continuação que homenageia o original e atualiza a vida das personagens. É reconfortante voltar a esse universo, mas a história "heteronormativa" demais por trás desse retorno quase não se sustenta.

​     As atrizes Sandra Bullock e Nicole Kidman já eram grandes estrelas quando o longa foi lançado nos cinemas, em 1998. Na época, a obra foi uma decepção para o estúdio e gerou prejuízos. No entanto, mesmo com o fracasso de bilheteria, o filme virou cult nas locadoras (ainda vivas na época), nas vendas de DVDs (que viviam o auge antes da transição para o Blu-ray) e na TV por assinatura, com presença maciça na programação da HBO. No Brasil, o longa fazia parte da gigante parceria do SBT com a Warner Bros. e era exaustivamente exibido na rede aberta. Eram outros tempos.

​    Atualmente, existe uma grande carência de dramas familiares e comédias românticas no estilo daquela época. O espaço de Hollywood nessa fatia do gênero foi totalmente engolido pelos streamings e pelas mídias verticais, sejam doramas, novelas turcas ou reels. Esse público se acostumou com histórias muito mais modernas, porém com pouca originalidade e às vezes sem profundidade. Nesse quesito, o novo filme ganha força com uma narrativa mais tradicional, singela e cheia de coração.

     ​Da Magia à Sedução, Feitiço de Amor  é aquela história melosa, bobinha e divertida que certamente passaria na Sessão da Tarde de antigamente (que hoje em dia virou sessão religiosa!). O drama familiar dessas bruxas funciona como um bom passatempo e serve para aquecer o coração de quem viveu o auge desse tipo de cinema nos anos 90.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM