quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Crítica: CARA DE BARRO (Clayface) de "James Watkins"


 Brutal, sombrio e gótico. 👤👤👤

​    Criado pela DC Comics em junho de 1940 nos quadrinhos e eternizado na clássica animação Batman: A Série Animada, o Cara-de-Barro é uma criatura de lama capaz de mudar de forma. Originalmente, tratava-se de um ator que enlouqueceu após perder um papel e iniciou sua vida de crimes usando uma máscara de argila. No novo longa da DC Studios, o personagem mantém a vertente artística: é um ator em busca de uma cura experimental após ter o rosto desfigurado. O experimento, porém, dá errado, e ele parte em busca de vingança contra a máfia que o prejudicou. 

    ​O foco no tom sombrio e na vingança pessoal do protagonista funciona de forma isolada na cronologia do estúdio. A narrativa abraça o body horror (ou horror corporal), subgênero que provoca medo, repulsa e desconforto por meio de deformações, mutações e transformações extremas do corpo humano. Após o ápice desse estilo no recente sucesso A Substância, o horror corporal ganha mais uma oportunidade no mainstream hollywoodiano pelas mãos de um grande estúdio. O resultado é satisfatório, ainda que gere o incômodo característico da violência gráfica, transformando a deterioração física do protagonista em um dos pilares da narrativa. 

​   O procedimento inicialmente parece resolver o problema, mas provoca consequências dramáticas. Matt Hagen passa por mutações que transformam seu corpo em uma espécie de massa de argila viva, capaz de moldar diferentes formas. A tentativa frustrada de recuperar a antiga identidade dá origem ao monstro. A partir daí, a história explora com profundidade a deterioração física e psicológica do personagem, além dos limites da ambição e da obsessão pela própria imagem. 

​    Essa transformação é o ponto central do terror do filme, acompanhado de perto pela perda gradual de controle sobre o próprio corpo. Dirigida por James Watkins, com roteiro assinado por Mike Flanagan (Carrie - A Estranha, A Maldição da Residência Hill) e estrelada por Tom Rhys Harries (excelente no papel), a produção foge da ação tradicional dos filmes baseados em HQs e aposta em um terror visceral, humano e trágico. Uma ótima surpresa. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE

#caradebarro #clayface #dc

Crítica: A CAIXA DO DEMÔNIO (Lockbox) de "Daniel Stamm"


 Terror em que nada funciona! 📦📦📦

     ​A Caixa do Demônio, dirigido por Daniel Stamm (conhecido por O Último Exorcismo) desperdiça uma boa premissa e o talento do elenco ao apostar em clichês previsíveis do terror sobrenatural. Com ritmo irregular, mas com atuações fortes e uma atmosfera até decente em sua primeira metade, seu mistério central chega a gerar alguma expectativa. Na hora da entrega, porém, o filme evidencia que suas ideias não se encaixam. Baseado em um episódio do podcast Knifepoint Horror, o roteiro desperta curiosidade pela premissa inicial, mas perde força no desenrolar da trama até se perder completamente. 

​     O filme conta a história de Ellen (Carla Gugino), que passa pelo luto familiar e tenta reconstruir a vida em uma nova cidade. Lá, ela aceita acolher seu primo Winthrop (Lou Taylor Pucci), um ex-combatente que sofre com traumas de guerra. Nesse meio-tempo, a vizinha curiosa Vahna (Katherine Isabelle) desconfia que Winthrop seja uma ameaça para Ellen, colocando a protagonista em um dilema: proteger o primo ou descobrir a verdade sobre os fatos bizarros que cercam sua casa e a cidade, já que as suspeitas recaem sobre ele. 

​    A protagonista Carla Gugino é o ponto de apoio da produção, ela consegue manter a atuação estável, fazendo com que tudo ao redor pareça mais crível do que deveria. Lou Taylor Pucci entrega uma performance mais volátil, ele faz o papel funcionar. Katherine Isabelle também se destaca, mudando instantaneamente a energia das cenas em que aparece e prendendo a atenção do espectador, mesmo quando não estamos totalmente convencidos do que está acontecendo em cena. 

​     Por vezes, parece que o filme se interessa mais pelo conceito em si do que em explicá-lo ou explorá-lo de fato, o que poderia funcionar se o restante fosse coeso, mas aqui deixa lacunas impossíveis de ignorar. Sendo uma das obras mais mal concebidas do ano, a direção entrega um resultado que se apoia em sustos fáceis e clichês batidos, esquecendo-se de aproveitar a entrega de seu elenco e de construir uma história com o mínimo de sentido, mesmo para os padrões do terror sobrenatural. 

Meu Hype: ⭐️ RUIM

#lockbox #acaixadodemônio #terror #cinema #diamondfilms

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Crítica: TRÊS HORAS PARA VIVER (Runner) de "Scott Waugh"


 Aquele filme de ação de sempre! 💥💥💥

    Três Horas para Viver, estrelado por Alan Ritchson, é a mais recente tentativa da Angel (antiga Angel Studios) de se consolidar no mercado de entretenimento convencional. Famosa por focar em conteúdos que celebram valores positivos, esperança, fé e produções voltadas para a família, a distribuidora parece ter deixado de lado suas diretrizes habituais neste projeto. O longa de ação, recheado de toques de comédia, acompanha um entregador com "habilidades especiais" que precisa eliminar dezenas de bandidos em Brisbane, na Austrália, o que poderia ser uma jornada repleta de lições morais acaba se tornando uma perseguição divertida e extremamente violenta, uma escolha surpreendente vinda do selo Angel.

​     No elenco, o grandalhão Ritchson, astro da série Reacher, encarna perfeitamente o tipo de herói brutamontes das telas: aquele que espanca vilões, quebra ossos, lesiona espinhas e desloca órgãos sem hesitar. Ritchson vive Hank, um entregador e motorista faz-tudo que carrega o passado de ex-fuzileiro naval e alcoólatra em recuperação. Sua missão final do dia é transportar Ben (Owen Wilson), que carrega um fígado em uma caixa térmica de alta segurança com destino a uma criança no outro lado da cidade.

    A premissa soar improvável é o de menos. A situação escala rapidamente quando os vilões de um "cartel", liderados por Damien (interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro), decidem interceptar o órgão, dando início a uma caçada feroz pelas ruas e pela orla da cidade. O caminho é pavimentado por trocas de tiros, engavetamentos de carros, caminhões e ônibus, acumulando uma carnificina e danos colaterais impressionantes. O roteiro oscila constantemente entre o ridículo e o risível, sem oferecer grandes surpresas. 

     No fim das contas, Três Horas para Viver se sustenta pelas maneiras inventivas e cômicas com que Ritchson se livra dos capangas ao longo do percurso. O clímax reúne praticamente todos os clichês de combate corpo a corpo da história do gênero, mesmo previsível e apelando para um melodrama forçado em seu epílogo, o filme entrega um bom entretenimento passageiro. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#treshorasparaviver #runner #cinema

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Crítica: NINGUÉM PODE PROVAR NADA - A INACREDITÁVEL HISTÓRIA DE EZEQUIEL NEVES de Rodrigo Pinto


 Fofocas do Rock! 🤟🏻🤟🏻🤟🏻

   O Documentário Ninguém Pode Provar Nada - A Inacreditável História de Ezequiel Neves revisita a trajetória de Ezequiel Neves (1935–2010)  jornalista, ator e produtor musical, figura emblemática e abertamente antiburocrática do rock e do jornalismo cultural brasileiro. O filme navega no limite entre o documentário clássico e a ficção, espelhando a própria personalidade de Zeca. O diretor Rodrigo Pinto condensa mais de 60 horas de entrevistas inéditas, ampla documentação e recursos visuais ágeis.

   O filme funciona como uma verdadeira aula de história da música brasileira e do jornalismo cultural. De "Triste Horizonte" para o mundo, Zeca surgiu em Belo Horizonte (carinhosamente apelidada por ele de "Triste Horizonte") e a projeção de suas opiniões e crônicas no Jornal da Tarde moldou uma época de ouro da imprensa musical brasileira. Seu trabalho unia a análise musical a fabulações e histórias inventadas sobre mitos internacionais da época, como Nina Simone, Jim Morrison, Neil Young, Janis Joplin e Jimi Hendrix.

    Considerado  o midas do Rock Nacional sob a faceta de "Zeca Jagger", atuou como produtor e padrinho do Barão Vermelho e do cantor Cazuza. Mentor e coautor de clássicos como "Exagerado", o filme expõe a cumplicidade entre ele e Cazuza através de materiais raros e imperdíveis (incluindo registros caseiros e históricos) além de depoimentos de peso de ícones da imprensa e da música, como Nelson Motta, Rita Lee e Frejat.

​     O filme resgata o humor e a acidez de suas tiradas memoráveis: "A música pode substituir um monte de coisas imprescindíveis"."Enquanto houver burguesia, não haverá poesia". "Pop music é igual a guardanapo de papel: você usa e depois joga fora". Além de divertido e saudosista, o documentário emociona ao mostrar um homem que usou o rock, o excesso em drogas e a arte para resistir até o fim na luta contra os demônios da tristeza. O filme consegue traduzir o ritmo anárquico do Ezequiel Neves sem deixar a narrativa bagunçada e massante, a cada história o interesse sobre ele e sobre essa época cresce e torna o documentário uma obra muito divertida de acompanhar.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE 

#ninguémpodeprovarnada #rock

sábado, 17 de outubro de 2026

Série: CRYSTAL LAKE - A ORIGEM DE SEXTA FEIRA 13 (Universal Plus)


 ​O espetáculo do Terror! 🔪🔪🔪

​     Todo fã de terror sempre quis saber os detalhes da origem de Jason, ícone absoluto do cinema slasher dos anos 80. A série Crystal Lake é um deleite para quem ama esse universo. Em uma atuação marcante, Linda Cardellini entrega uma interpretação arrepiante de Pamela Voorhees, a mãe de todas as mães, que deu à luz um dos monstros mais famosos da cultura pop e o verdadeiro chamariz de bilheteria da franquia Sexta-Feira 13. Os efeitos visuais sangrentos não são o único ponto forte da produção: a atmosfera da época é perfeitamente capturada com a recriação nostálgica de locais familiares do primeiro filme e mortes tão viscerais quanto as da telona. 

     ​À medida que encontra seu ritmo, assim como sucessos do porte de Bates Motel e Hannibal, a série aprofunda detalhes essenciais para a narrativa. O resultado é uma jornada divertida, repleta de tensão crescente e sangue. ​Nessa nova roupagem, Pam após a morte de Jason se entrega completamente à dor, passando meses perseguindo fantasmas e atraindo a compaixão do chefe de polícia local, Levon Brooks (William Catlett). Enquanto a cidade evita o comportamento cada vez mais bizarro da mulher enlutada, Levon oferece um ombro amigo. 

    Contudo, quando Pam começa a pensar que pode haver uma luz no fim do túnel, o passado a alcança e desenterra os segredos que ela tentava esconder de si mesma. ​Ao longo de oito episódios, a série explora como Pamela se tornou a brutal assassina que os fãs conheceram brevemente no clássico de 1980, cujo legado pairou sobre a franquia ao longo das décadas enquanto seu filho matava, morria, ressuscitava e matava novamente. 

    ​Embora a história de origem de Pam e Jason seja de partir o coração, envolta em conspirações e segredos, os acréscimos à mitologia dos Voorhees se encaixam perfeitamente no contexto do período Watergate, alinhando-se com a entrega de emoção e violência gráfica da obra. Crystal Lake equilibra o respeito ao material original com a criação de algo memorável, entregando reviravoltas divertidas que desafiam as expectativas de maneira revigorante e surpreendente. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE

#crystallake #jason #sextafeira13 #friday13th #terror

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Crítica: SACRIFÍCIO (Sacrifice) de "Romain Gavras"


 Indie da depressão! 🫠🫠🫠

​    Antes de falar de Sacrifício, é importante saber quem é seu diretor: Romain Gavras, filho do lendário cineasta grego Costa-Gavras. Ele ganhou projeção por seu estilo visual impactante, visceral, energético e, muitas vezes, politicamente carregado. Seu último longa, Athena (2022), da Netflix, acendeu um alerta promissor sobre sua carreira. Infelizmente, Sacrifício, seu novo filme, é aquele tipo de obra tão pretensiosa em relação à própria "importância" que acaba sucumbindo ao peso do próprio ego. A sátira de Gavras é um desses filmes que, na teoria, parecem extremamente atrativos, mas, na prática, entregam uma experiência bastante frustrante. 

    Sacrifício começa em um glamoroso evento beneficente na Grécia, que supostamente é uma conferência ambiental, realizada em uma caverna, quando terroristas fazem os participantes do baile de gala reféns. A comédia ácida e mordaz sobre o culto a celebridades conta com um elenco de peso liderado por Chris Evans e Anya Taylor-Joy, além de participações especiais interessantes de Charli XCX e Yung Lean. 

   O longa deveria ter sido uma colisão inusitada de carisma e loucura; em vez disso, torna-se uma bagunça frustrante e desconexa que confunde ruído com significado e culmina em um dos finais mais desconcertantes do ano. O que começa como uma sátira bem-intencionada sobre o culto às celebridades rapidamente se transforma em uma mistura confusa de suspense psicológico, alegoria surreal e parábola ecológica. Gavras brinca com ideias sobre a fama, religião e a devoção como performance aos absurdos que os privilegiados chegam para provar sua virtude, mas nunca decide qual caminho seguir. 

    O resultado é um filme que acena para a profundidade sem, no entanto, dizer quase nada. O que torna Sacrifício tão irritante é o fato de ele flertar com a qualidade: há momentos em que quase se consegue vislumbrar a obra que ele almejava ser. Evans e Taylor-Joy fazem tudo o que podem para injetar vitalidade no material, mas Gavras parece tão fascinado pelo som do seu próprio caos que não percebe quando se perde pelo caminho. 

Meu Hype: ⭐️⭐️ REGULAR

#sacrifício #sacrifice #romaingravas #cinema #indie

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Crítica: STREET FIGHTER (2026) de "Kitao Sakurai"


 Uma celebração aos anos 90! 👊🏻👊🏻👊🏻

   ​A cada ano que passa, os jogos de videogame se tornam mais uma febre nos cinemas. No entanto, embora surjam sucessos como Super Mario Bros, Sonic e o novo Resident Evil, também aparecem fiascos como Silent Hill, Borderlands e outros. O novo Street Fighter fica nesse meio-termo: consegue ser um bom entretenimento ao misturar a essência caricata dos jogos com uma história bastante mixuruca, mas conduzida de forma divertida e recheada de piadas no estilo "quinta série" transformando-se no filme que os fãs queriam nos anos 90. 

​     Os visuais dinâmicos e os efeitos especiais são perfeitamente integrados à proposta de um Street Fighter em live-action. Felizmente, a coreografia das lutas, ainda que decepcione em alguns momentos, nos permite ver claramente o que acontece na tela grande. O longa exibe com clareza os poderes únicos e golpes característicos dos personagens presentes na jogabilidade, do Hadouken de Ryu (Andrew Koji) e o Tatsumaki Senpukyakuk ao Shoryuken de Ken (Noah Centineo), passando pelo chute-pássaro de Chun-Li (Callina Liang) e o Psycho Crusher de M. Bison (David Dastmalchian). 

​    Além disso, há um toque característico de anime, visível principalmente durante a promissora sequência de abertura. O filme também é vibrante e colorido como deveria ser, com sua estética estilizada, retrô e banhada em neon. Para completar, a trilha sonora traz sucessos nostálgicos como "What's Up?", do 4 Non Blondes, "Black Hole Sun", do Soundgarden, e "Come Out and Play", do The Offspring, embalando o fundo de diversas cenas. 

​    É uma pena que a atuação de Dastmalchian seja pouco inspirada e que outros personagens icônicos de Street Fighter, como Guile (Cody Rhodes), Dhalsim (Vidyut Jammwal) e Zangief (Olivier Richters), sejam relegados a papéis ingratos. O que mais frustra é ver o longa gastar tanto tempo em uma suposta construção narrativa para, no fim, tropeçar ao priorizar o gancho para uma sequência em vez de dar um desfecho digno à sua própria história. Ainda assim, o novo Street Fighter é divertido e bastante fiel aos elementos do jogo. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#streetfighter #capcom #game #cinema #filme

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Crítica: DENTRO DA BALEIA de "Brian Duffield"


 Drama de Terror Aquático! 🐳🐳🐳

​    Dentro da Baleia é um filme que leva sua premissa absurda a sério do começo ao fim, o que, talvez inevitavelmente, acaba provocando uma sensação de incômodo e até uma certa indigestão a situação irreal. Baseado em um livro de Daniel Kraus (que coescreveu o roteiro com o diretor Brian Duffield), a produção tenta fazer funcionar no cinema o que talvez fosse mais fácil no papel e na mente do leitor. A história lembra um pouco a jornada de Pinóquio na animação clássica da Disney, que acaba no interior de uma baleia. No entanto, ao ganhar vida nas telas, o longa pode não ter funcionado tão bem quanto deveria.

​     O filme é estrelado por Austin Abrams no papel de Jay, um jovem distante do pai (Josh Brolin) que retorna à sua cidade natal após sua morte. Determinado a provar seu valor, o jovem foge de uma reunião familiar para mergulhar na costa da Califórnia em busca do corpo perdido no mar. Como era de se esperar, tudo dá errado: ele mal fica cinco minutos na água e já é capturado pelos tentáculos de uma lula gigante, antes de ambos serem engolidos inteiros por uma baleia. 

​    Preso na barriga da criatura com apenas uma hora de oxigênio restante no cilindro, Jay precisa combater os mecanismos do sistema digestivo do animal enquanto tenta encontrar uma saída para essa situação aparentemente impossível. Isso desencadeia uma série de flashbacks de seu relacionamento conturbado com o pai, nos quais ele começa a perceber que, em meio ao comportamento alcoólico e quase abusivo do patriarca, as lições transmitidas por ele podem fornecer as ferramentas necessárias para sobreviver. 

​    A parte dramática funciona bem, mas assistir ao personagem grunhindo sem parar enquanto é sacudido por órgãos internos viscosos torna-se repetitivo rapidamente. Além disso, como resultado inevitável de ambientar a trama no interior de uma baleia, a fotografia é escura e mal se consegue ver o que está acontecendo na maior parte do tempo, ainda que a trilha sonora ajude a criar tensão. Por mais absurdo que pareça, no fim das contas, é uma boa jornada mas pouco memorável. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#dentrodabaleia #whalefall #terror #cinema #baleia

Crítica: ZONA ZERO (2026) de "Yeon Sang-ho"

 

Zumbis Coreanos! 🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♂️

​    O filme Zona Zero (ou Colony) finalmente chega aos cinemas brasileiros após meses de ter ficado disponível em meios alternativos, e digo: este é um filme para ser visto na tela grande. O DNA dos filmes de zumbi coreanos já nos entregou o épico Invasão Zumbi (Train to Busan, 2016), e Zona Zero carrega essa mesma atmosfera, ritmo frenético, zumbis agressivos e o mesmo diretor, Yeon Sang-ho. 

​     Ele retorna a um cenário mais realista e a um espaço relativamente confinado após Invasão Zumbi 2: Península (2020), e essa escolha fez muito bem a Yeon visualmente. No entanto, os personagens e a premissa básica de Zona Zero são bastante clichês desta vez, você já viu quase tudo isso antes. O que torna o filme realmente divertido é a sua subversão da fórmula tradicional: os mortos-vivos aqui possuem uma mente coletiva e podem ser controlados pelo vilão do filme, Seo (Koo Kyo-hwan). 

​     As cenas de ação de Zona Zero se expandem a partir dessa revelação inicial, trazendo tanto momentos genuinamente perturbadores (como um grupo de zumbis imitando os movimentos físicos dos sobreviventes que estão perseguindo) quanto sustos empolgantes e eufóricos, à medida que os personagens descobrem novas maneiras de usar a mente coletiva das criaturas contra elas e seu controlador. É importante ressaltar que Yeon tira o máximo proveito do cenário: sua câmera se move com uma fluidez atraente por um espaço que gradualmente fica completamente coberto de vômito de monstro, assim como os atores, tudo é divertidamente grotesco. 

​    Portanto, embora o desenvolvimento dos personagens e a trajetória narrativa de Zona Zero nunca sigam rumos inesperados, a estrutura bem executada se mostra realmente convincente. A aplicação do artifício central ajuda o filme a transcender sua familiaridade básica e parecer relativamente original. Isso não é pouca coisa em nosso atual cenário de entretenimento, saturado de produções sobre zumbis. A recompensa divertida dessa jornada já vale o ingresso. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)


#zonazero #colony #zumbi #terror #cinema

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Crítica: HOPE - O PRIMEIRO IMPACTO (2026) de "Na Hong Jin"


 Uma boa ideia desperdiçada! 💥💥💥

​     "Hope - O Primeiro Impacto" chega ao Brasil com status de blockbuster sul-coreano: orçamento milionário, exibição em Cannes e recorde de bilheteria em seu país de origem, gerando um enorme hype. Porém, a experiência na tela transforma o entusiasmo inicial em uma decepção devastadora, ao longo de suas exaustivas 2h40, o filme perde o rumo, não desenvolve seus personagens e a história se esvazia ao tentar inserir alívios cômicos e em explicitar a origem do misterioso ataque. 

     Tudo começa com uma vaca morta no meio da estrada. Isso já seria notícia de primeira página na pacata cidade portuária de Hope, cercada por minas terrestres e cartazes alertando sobre espiões. A situação ganha contornos estranhos quando caçadores percebem uma carcaça, arranhada por algo enorme. O autoritário chefe de polícia Bum-seok (Hwang Jung-min) que investiga o caso não demora para perceber que a ameaça é uma fera de proporções muito maiores. 

​   A eufórica primeira hora de "Hope" entrega um elaborado jogo de esconde-esconde com cenas eletrizantes, onde a ameaça sempre escapa pouco antes da chegada de seu protagonista. Contudo, quando finalmente vemos a criatura aos 45 minutos de projeção, entendemos imediatamente por que ela foi escondida por tanto tempo e desejamos que tivesse continuado assim. São efeitos especiais bizarros que mesmo para um filme de porte médio como esse não convence. A segunda metade do filme não se conecta com a primeira e temos ainda as participações estranhas de Alicia Vinkander e Michael Fassbender.

  ​Além de revelar criaturas espetacularmente genéricas e tirar todo encantamento da atmosfera de tensão, os efeitos visuais dão a credibilidade de um erro de videogame ao filme. O que tinha um potencial gigantesco termina com uma narrativa tediosa, sem personagens memoráveis e com um forte sentimento de frustração, mesmo com um começo avassalador e um enorme potencial em mãos. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️ REGULAR

#hope #hopeprimeiroimpacto #filmecoreano #cinema #mubi

Crítica: SE EU FOSSE VOCÊ 3 (2026) por "Anita Barbosa"


 ​A mesma piada pela terceira vez!  3️⃣3️⃣3️⃣


​    O filme Se Eu Fosse Você 3 chega aos cinemas com Tony Ramos e Glória Pires de volta aos papéis de Cláudio e Helena. Os protagonistas roubam a cena, mesmo com participações menores, enquanto a história transfere o foco para Bia (Cleo Pires) e Aquiles (Rafael Infante). Se Eu Fosse Você foi um clássico do cinema brasileiro e uma obra marcante da retomada do cinema nacional no início dos anos 2000, uma comédia dirigida pelo afiado Daniel Filho que trouxe para o centro do debate o casamento e o que aconteceria se um cônjuge vivesse a vida do outro para entender melhor seus dilemas. 

​    Em Se Eu Fosse Você 3, acompanhamos Cláudio e Helena duas décadas após a última troca de corpos, agora em uma nova fase da vida. Enquanto o casal veterano decide viajar em uma segunda lua de mel para a China, a filha Bia e o genro Aquiles enfrentam ruídos no relacionamento, trocam de corpo e precisam tentar seguir em frente. A dinâmica movimenta boa parte da trama, com situações em que cada um é forçado a encarar a rotina e as obrigações do outro. 

​    O filme não traz surpresas e aposta na mesma fórmula dos anteriores. Embora não explore tanto a comédia física, marca registrada dos dois primeiros títulos, apresenta situações cômicas focadas em uma abordagem mais próxima da comédia romântica. O humor, adaptado aos tempos atuais, resulta em uma abordagem tão polida que quase nada soa realmente engraçado. Fica a sensação de uma comédia sem espaço para boas gargalhadas, funcionando mais como uma passagem de bastão para novos personagens. 

​    A proposta de renovar uma das franquias mais populares do cinema nacional não alcança o objetivo com louvor. Os novos personagens e dinâmicas não encontram um desenvolvimento satisfatório, a química entre Cleo Pires e Rafael Infante é sem sal, os coadjuvantes não têm tempo suficiente para cativar o espectador e a história não empolga, apoiada em situações pouco relevantes. Para completar, a participação de Glória Pires e Tony Ramos é curta demais. Bem fraquinho! 

​Meu Hype: ⭐️⭐️ REGULAR

#seeufossevocê #cinema #cinemabrasileiro #comédia #emcartaz

Crítica: OUTRA MAMÃE (2026) de "Rob Savage"


 Mico do ano! 😱😱😱 

​    O filme "Outra Mamãe" é baseado no romance "Incidentes ao Redor da Casa" (Incidents Around the House), de Josh Malerman (mesmo autor de Bird Box). A trama acompanha Bela (Arabella Olivia Clark), de 7 anos, já familiarizada com a criatura que dá título ao filme e que habita o interior de sua casa. A premissa é interessante e a produção até começa bem, mas aos poucos vai perdendo toda a sua coesão narrativa. Embora conte com algumas sequências visualmente criativas e ocasionalmente assustadoras, elas recebem pouco suporte do roteiro. O filme desanda no "sem pé nem cabeça", além de ser muito mal dirigido e desperdiçar de forma enorme uma atriz do porte de Jessica Chastain. 

     ​A entidade camaleônica que assombra Bela é bastante interessante, principalmente quando proporciona as poucas cenas bem filmadas, como na sequência em que transforma uma reunião de adultos em algo surreal e bem encenado. Por mais irregular que seja, a primeira hora do filme ao menos possui algumas inspirações criativas; no entanto, assim que a família deixa sua casa, a narrativa e a jornada perde o controle. Como muitas outras coisas na trama, o desenvolvimento é construído às pressas demais para causar o impacto desejado. O mesmo acontece com uma grande confissão durante o clímax e resulta na cena mais constrangedora do ano. 

​   Os arrepios e sustos são meramente momentâneos em vez de criarem uma tensão sustentada, já que há muito pouco apelo emocional entre eles. A única coisa que prende a atenção do início ao fim é a atuação da garotinha Arabella Olivia Clark, que lida com as emoções extremas e conflitantes de Bela com grande habilidade. 

​     Jessica Chastain entrega o que pode dentro das poucas notas que lhe são exigidas, sendo o fermento em uma receita em que faltam ingredientes demais. Na tentativa de ser uma experiência repleta de sustos, o filme acaba apressado e se afundando em reviravoltas sem coerência alguma. No fim das contas você termina o filme e pensa, como um grande estúdio de Hollywood aprova um filme desse. Um dos piores filmes do ano. 

​Meu Hype: MUITO RUIM ⭐️


#outramamãe #othermommy #terror #jessicachastain #mommylife

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Série: CARRIE - A ESTRANHA - Prime Video


 Nova adaptação surpreende! 🩸🩸🩸

     ​A nova série do Prime Video é uma releitura moderna de Carrie, A Estranha, romance de terror de 1974 e um dos contos mais famosos de Stephen King. Com temas reflexivos e atuais para os jovens de hoje, a produção conta com uma atuação poderosa de Summer H. Howell como a protagonista. A expansão do material original realizada por Mike Flanagan oferece nuances bem-vindas: embora não chegue a ser puro terror, a série entrega ótimos momentos.

​    Nesta versão, Summer H. Howell interpreta a personagem-título, uma estudante do ensino médio vítima de bullying que se vinga de seus colegas usando poderes telecinéticos. Acontece que a obra possui diversas camadas, e Flanagan consegue abordar com maestria seus temas centrais: os horrores da juventude, a pressão para se encaixar em hierarquias intransponíveis e a cobrança para nos moldarmos ao que nossos pais esperam quando, na verdade, só queremos alçar voo e descobrir quem realmente somos.

​    A transição para o cenário contemporâneo adiciona elementos aterrorizantes que nem mesmo King poderia ter previsto. Flanagan desenvolve melhor o período de Carrie no colégio e resgata pontos do livro que ficaram de fora do famoso filme de 1976. Aqui, Carrie não vive sob cárcere privado de uma mãe tirana; em vez disso, é uma jovem extremamente protegida que não entende a vida moderna ou as estruturas sociais, mas que deseja desesperadamente aprender.

     ​Essas atualizações trazem prós e contras, mas, no geral, trata-se de uma adaptação moderna, precisa e com ótimas atuações. Carrie - A Estranha é bem-sucedida em quase todos os aspectos. Flanagan fez mudanças suficientes em relação ao romance e a outras versões para manter o público curioso sobre o rumo da trama. Os momentos icônicos estão lá, o chuveiro no vestiário, o baile de formatura, mas agora temos mais tempo para acompanhar cada personagem, o que os torna muito mais humanos e completos.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)


#carrie #sthephenking #terror #halloween #primevideo

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Crítica: SEM CORTES (2026) de "Elliot Tuttle"


 Provocativo e perturbador! 🏳️‍🌈🏳️‍🌈🏳️‍🌈

   ​Rejeitado pelas salas de cinema em diversos países, incluindo o Brasil, Sem Cortes (Blue Film) é um filme LGBTQIA+ potente e um estudo transgressor sobre um garoto de programa que se depara com o ex-professor que o desejava na época da escola. Mesmo com uma premissa tão sensível, a obra não esconde nada e recusa-se a entregar uma experiência palatável. O cineasta estreante na direção Elliot Tuttle coloca os atores Kieron Moore e Reed Birney cara a cara para acertarem contas com seus traumas, inseguranças e escolhas de vida. 

​   Ambientado inteiramente em um Airbnb em Los Angeles, o longa conta apenas com os dois atores para ir a lugares que o cinema americano raramente ousa explorar. Tuttle conduz o espectador por territórios sombrios que ressoam o cinema europeu e suas provocações psicossexuais francas. É impressionante a profundidade alcançada por essa abordagem surpreendentemente humanista e empática: até mesmo a fantasia sexual de um professor sobre a apresentação de seu ex-aluno em um show de talentos surge envolta em uma estranha melancolia. 

​    O público em geral pode se sentir alienado por essa exploração sem rodeios de uma sexualidade tida como "aberrante". Por outro lado, aqueles que buscam o desafio do cinema autoral dos anos 90, no estilo de Todd Solondz ou Gregg Araki encontrarão eco na análise de Tuttle sobre como o abuso distorce a memória e como a memória, por sua vez, distorce os relatos do abuso. 

​    Apesar de guardar limitações estruturais de uma peça teatral, o filme extrai enorme complexidade emocional de um diálogo tenso e em constante mutação. Sem Cortes realiza o raro feito de ouvir seus personagens problemáticos com compaixão, deixando o espectador dividir-se entre a curiosidade e o incômodo. Em um cenário onde a maioria das produções evitaria o tema ou ditaria exatamente como o público deve se sentir, essa postura destemida é tão rara quanto bem-vinda. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (ÓTIMO)


#semcortes #bluefilm #streaming #LGBTQIA #drama

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Crítica: CORAÇÃO SELVAGEM (2026) de "David Ayer"



Filme de cachorro! 🐶🐶🐶

​    O cineasta David Ayer transforma sua paixão pela experiência militar em um filme inesperadamente intimista sobre sobrevivência na natureza. Com apenas dois personagens principais, um veterano das Forças Especiais e seu cão altamente treinado, a trama os coloca enfrentando corredeiras, lobos e um cenário hostil que, eventualmente, descamba para a propaganda pró-militar. Dirigido com maestria e frequentemente se desenrolando em tempo real, Coração Selvagem tem seu ponto alto na química perfeita de seus protagonistas.

​    Boa parte dos diálogos consiste em James (Brad Pitt) resmungando sozinho ou conversando com o cachorro enquanto atravessa 80 quilômetros de território perigoso para alcançar uma estrada principal. O astro, em plena forma, entrega cenas de sobrevivência excelente e bem executadas, seja cruzando um tronco instável sobre corredeiras violentas ou repelindo uma matilha de lobos. O único ponto de atenção em relação ao personagem é certo desvio que glamouriza sua dor no combate, transformando o discurso em algo parecido com propaganda militar e um apelo urgente para apoiar os "irmãos caídos" na guerra, o que soa um pouco estranho.

​    O filme funciona como uma vitrine habilidosa para Pitt como um sobrevivente solitário, já que ele ocupa praticamente todos os fotogramas, muitas vezes sem mais ninguém em cena. É também uma demonstração competente da capacidade do diretor de se ater aos detalhes banais da sobrevivência a um desastre. Felizmente, o didatismo do ato final e as intenções panfletárias não comprometem a direção emocionante e a forte atuação principal, lembrando-nos de que Pitt ainda é uma grande estrela de cinema.

    ​Coração Selvagem é cativante, ainda que sinta a falta de uma história de fundo que preencha certas lacunas: não temos a profundidade em detalhes da vida de James Belmont (Pitt). Ainda assim, o foco permanece absoluto na jornada de sobrevivência de James e Odin, revelando uma bela história sobre uma amizade mais forte do que a própria natureza.


​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM

#coraçãoselvagem #heartofthebeast #bradpitt #doglover  #cinema

sábado, 3 de outubro de 2026

Crítica: A ILHA ESQUECIDA (2026) de "Joel Crawford"


 ​O poder da amizade! 🥰🥰🥰

  ​A Ilha Esquecida é uma história emocionante sobre memória e amizade produzida pela DreamWorks, o estúdio por trás de Shrek, Como Treinar o Seu Dragão e outros clássicos. Famoso durante muito tempo pelo humor, o estúdio passou por uma virada nos últimos anos ao apostar em narrativas com maior carga emocional. Essa fórmula funcionou muito bem em O Robô Selvagem (2024) e encontra aqui o equilíbrio perfeito entre comédia e apelo emocional. A animação é frenética e visualmente deslumbrante, fruto de uma mistura de técnicas tradicionais com colagens de imagens, inspiração em animes e uma paleta de cores vibrante. 

​    A história se passa nas Filipinas e começa com uma energia contagiante que transmite com maestria a emoção de uma grande amizade infantil. Jo, uma pré-adolescente órfã e extremamente imaginativa, está a um passo de ser expulsa de mais uma escola após exagerar em sua apresentação mais recente. Contudo, é justamente esse excesso que desperta a atenção de Raissa, uma garota estudiosa vinda de um bairro mais abastado da cidade. A partir daí, as duas se tornam inseparáveis.

​    A verdadeira aventura começa quando Jo e Raissa são engolidas por um portal e transportadas para uma ilha mágica. Para voltar para casa, elas precisam refazer seus passos, encontrar a "Turma Selvagem" e achar a chave para reabrir o portal. A ilha Nakali é um lugar fascinante de se visitar, uma fantasia vibrante em tons de ciano e magenta, onde florestas, templos e costas rochosas abrigam um ecossistema impressionante de criaturas mitológicas (os Aswang, do folclore filipino). 

​    Embora a trama de A Ilha Esquecida por vezes se torne excessivamente complexa, o longa compensa com um humor peculiar e sagaz. Em nenhum momento o filme desvia o foco da pureza da amizade central; a história se mantém coesa porque o vínculo entre as protagonistas é forte o suficiente para resistir a qualquer caos. A Ilha Esquecida consolida a DreamWorks Animation como um estúdio que não tem medo de criar narrativas emocionalmente complexas sobre a vida.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE

#ailhaesquecida #forgottenisland #dreamworks #animação #cinema

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Crítica: PROTOCOLO DE EXTERMÍNIO (2026) de "Adam Wingard"


 Filme B! ⛔️⛔️⛔️

    Protocolo de Extermínio, novo lançamento da A24, se passa no mesmo universo cinematográfico de "O Hóspede" (2014), sucesso cult do diretor Adam Wingard e apresenta-se fortemente como uma homenagem aos filmes de ação oitentistas. Uma das principais referências cinematográficas são ao diretor John Carpenter com seu excesso estético, trilha sonora eletrônica dissonante e a maneira como a protagonista se assemelha a uma versão feminina de "Snake Plissken", personagem clássico de Kurt Russell em Fuga de Nova York. Nota-se uma série de referências a esses clássicos do cinema de ação. 

​    A trama acompanha o dia de Celeste (Adria Arjona), ex-militar e proprietária de um parque de trailers decadente, uma mãe que ainda se recupera do fracasso do casamento e que recebe a adorável e precoce filha, Daisy (Blake Kennedy), do ex-marido no pior momento possível. O fato de Celeste ser cativante se deve menos ao roteiro em si e mais à atuação inspirada de Arjona, que entrega uma atitude exausta e indiferente. No elenco ainda temos Dan Stevens repetindo o papel Hans de "O Hóspede" e do lutador brasileiro do UFC Alex Poatan. 

​   O maior problema de Protocolo de Extermínio é o seu ritmo: a narrativa se arrasta por quase uma hora de preparação antes de finalmente chegar à invasão domiciliar e aos tiroteios que o público presumivelmente comprou o ingresso para ver. Uma série de interlúdios praticamente sem sentido faz a contagem regressiva das horas que antecedem a fuga dos vilões geneticamente modificados do complexo governamental, existe muito tempo perdido. 

​    Quando o longa finalmente deixa de lado os floreios e parte para o confronto sangrento no parque de trailers que serve como sua principal sequência de ação, o resultado se mostra bastante apressado. A sensação final é a de um filme "incompleto", entrega poucas cenas de ação e muita enrolação. Ainda assim, essa atmosfera de "Filme B" cria uma "diversão sem compromisso".

Meu Hype: ⭐️⭐️ REGULAR 

#protocodeexterminio #onslaught #filmeb #ação #alexpoatan

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Crítica: VERITY (2026) de "Michael Showalter"


 Soft Porn! 🫦🫦🫦 

   Verity chega aos cinemas na tendência atual de Hollywood de adaptar best-sellers da literatura soft porn. O filme se enquadra entre o romance com um toque de suspense e o thriller psicológico. Algo interessante desse tipo de adaptação é que, mesmo quem não leu a obra de Colleen Hoover, consegue se envolver com a construção da narrativa, seja pela possível fidelidade ao livro ou pelas escolhas artísticas da direção. Ainda que tenha um certo charme, o longa carrega todas as fórmulas batidas do gênero: personagens dúbios, reviravoltas constantes e um plot twist impactante. 

​    A trama acompanha a renomada escritora Verity Crawford (Anne Hathaway) e Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma autora em dificuldades que se muda para a remota propriedade da família Crawford para dar continuidade aos livros de Verity. Após descobrir o que parecem ser anotações autobiográficas perturbadoras, Lowen se vê confrontada por confissões inquietantes sobre o marido da autora, Jeremy (Josh Hartnett), encontrando dificuldades para distinguir ficção de realidade, manipulação de atração e oportunidade de obsessão. 

​    Apesar de carregar algumas problemáticas estruturais, o filme acerta ao seguir a lógica de personagens imersos na dúvida. A própria construção da vilã Verity não se mostra tão firme, o que alimenta o mistério. Anne Hathaway é o ponto alto da obra, um feito impressionante considerando que sua personagem passa grande parte da história imóvel, mas ainda assim domina a tela. Dakota Johnson não surpreende, enquanto Josh Hartnett entrega uma atuação apagada. Ainda assim, é um trio de peso para conduzir a narrativa. 

​  Verity parece se espelhar no sucesso recente de A Empregada (também adaptado da literatura): é fácil de acompanhar, possui personagens funcionais e um suspense instigante. Estruturalmente, o filme soa confuso em alguns momentos, mas o elenco e o mistério central mantêm o interesse. A verdade de Verity pode ser um blefe e as pistas falsas funcionam bem na superfície, ver esse elenco nesses papéis é divertido, mas o conjunto da obra não sustenta uma análise mais criteriosa. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#verity #collenhoover

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Crítica: DIGGER (2026) de "Alejandro González Iñárritu"


 Cult! 🪏🪏🪏

​    Antes de falar sobre novo filme do diretor Alejandro González Iñárritu (Birdman), é importante frisar que toda obra ou manifestação artística que faz pensar e gera debate tem seu valor. Gostar ou não se torna algo subjetivo quando uma proposta original alcança tal patamar. O filme apresenta Digger Rockwell (Tom Cruise), um magnata do petróleo tão sutil quanto uma pá. Ele é um sujeito desleixado e agressivo que passa seu tempo livre cuidando de um gato idoso e em decomposição. Rockwell é relutantemente chamado à ação depois que uma explosão industrial na Groenlândia lança um enorme bloco de gelo em direção à Europa. 

​    Tudo parece óbvio e pouco estimulante a princípio, mas Iñárritu consegue fazer a engrenagem funcionar ao estruturar a história em torno desse caos bombástico. Então, por volta dos 45 minutos de duração, ocorre uma reviravolta tão brilhante que justifica toda a empreitada. Sem revelar spoilers, o chão simplesmente desaparece sob os pés do espectador. O que parece ser uma sátira direta sobre um desastre corporativo se revela em camadas, desvendando um ambicioso dispositivo metateatral no qual o absurdo na tela é uma tentativa elaborada de processar um pesadelo ecológico em tempo real. 

​   O longa pega uma história sobre devastação global iminente e a reformula como uma crise pessoal urgente e angustiante sobre culpa, cumplicidade e arrogância artística. É nessa transição que encontramos o melhor de Tom Cruise em Digger, explorando a comédia frenética e explosiva que definiu seus personagens mais memoráveis, ao mesmo tempo em que assume uma postura vulnerável e introspectiva. 

​   Cruise está cercado por um elenco brilhante, com todos sendo manipulados pela visão frenética de Iñárritu. Digger se mostra uma obra cheia de camadas e possibilidades de análise. Não é um filme fácil, principalmente para os cinéfilos de ocasião e talvez para o público geral, mas é um completo absurdo o que o filme consegue ser, ao mesmo tempo que é engraçado, é original e muito conectado com a atualidade. Uma experiência cinematográfica!

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO

#digger #tomcruise #oscar #comedia #cinema

terça-feira, 29 de setembro de 2026

FLUIR FESTIVAL (Pirenópolis - GO) em 10 e 11 de Outubro de 2026!


FLUIR FESTIVAL 

"O Brasil canta em todos os cantos.
O Fluir Festival nasce em Pirenópolis para celebrar a música brasileira, o Cerrado e os encontros que fazem a cultura se mover.
Uma experiência de dois dias no feriadão de outubro com música, gastronomia, arte e pertencimento no coração do Brasil"


    O Fluir Festival, o mais novo festival de música do centro-oeste já tem definido todos os seus cantos e encantos, reunindo grandes nomes, artistas locais e regionais e muita música brasileira no seu palco.

 A organização, Fluir Experiências  receberam materiais para análise de mais de 250 artistas locais e regionais para comporem o line-up oficial do festival. Eles dividirão a grade de atrações ao lado dos outros quatro grandes nomes da programação: Gloria Groove, Seu Jorge, Baianasystem e Marcelo D2! 

   E os selecionados foram: Banda “7meia2” (Anápolis); o projeto “Santê convida Maria Ponto” (de Goiânia); o grupo “Doze por Oito” (BSB); o “Sarau Secreto” (BSB); a Banda “Pedra 70 convida Eli” (GO); assim como os “Dj A” (BSB); “Yard” com Dj Múcio + Rafa Freire convida Guto Borges (GO); “Dj Pepê” (BSB); a “Dj Jake” (BSB) e o “Dj Philipim” (Uberlândia).


Os ingressos para o Fluir Festival estão disponíveis no site https://www.ingresseiro.com.br/eventos/fluir-festival (com a venda dos “Passaportes”, com valores a partir de R$ 180,00 nas opções de meia-entrada solidária e casos previstos em Lei). 

Mais informações em https://www.instagram.com/fluir.festival/ @fluir.festival.


*Line-up completo*


*10/10 (Sábado)*
SEU JORGE • MARCELO D2

*11/10 (Domingo)*
GLORIA GROOVE • BAIANA SYSTEM


📅 10 e 11 de outubro de 2026
📍 Módulo Esportivo — Pirenópolis/GO

SERVIÇO:

Datas: Sábado, 10/10 e Domingo, 11/10. 

Horários: Abertura dos Portões – 16h.

Local: Módulo Esportivo – Av. Dário Mendonça esq. com Av. Nhonhô Godinho, CEP: 72980-000 (Próximo ao Aeroporto de Pirenópolis-GO)

Ingressos no https://www.ingresseiro.com.br/eventos/fluir-festival (com a venda dos “Passaportes”, com valores a partir de R$ 180,00 nas opções de meia-entrada solidária e casos previstos em Lei).

Contato: Eduardo Pacheco (62) 98151-4742

Mais informações em https://www.instagram.com/fluir.festival/