terça-feira, 29 de setembro de 2026

FLUIR FESTIVAL (Pirenópolis - GO) em 10 e 11 de Outubro de 2026!


FLUIR FESTIVAL 

"O Brasil canta em todos os cantos.
O Fluir Festival nasce em Pirenópolis para celebrar a música brasileira, o Cerrado e os encontros que fazem a cultura se mover.
Uma experiência de dois dias no feriadão de outubro com música, gastronomia, arte e pertencimento no coração do Brasil"


    O Fluir Festival, o mais novo festival de música do centro-oeste já tem definido todos os seus cantos e encantos, reunindo grandes nomes, artistas locais e regionais e muita música brasileira no seu palco.

 A organização, Fluir Experiências  receberam materiais para análise de mais de 250 artistas locais e regionais para comporem o line-up oficial do festival. Eles dividirão a grade de atrações ao lado dos outros quatro grandes nomes da programação: Gloria Groove, Seu Jorge, Baianasystem e Marcelo D2! 

   E os selecionados foram: Banda “7meia2” (Anápolis); o projeto “Santê convida Maria Ponto” (de Goiânia); o grupo “Doze por Oito” (BSB); o “Sarau Secreto” (BSB); a Banda “Pedra 70 convida Eli” (GO); assim como os “Dj A” (BSB); “Yard” com Dj Múcio + Rafa Freire convida Guto Borges (GO); “Dj Pepê” (BSB); a “Dj Jake” (BSB) e o “Dj Philipim” (Uberlândia).


Os ingressos para o Fluir Festival estão disponíveis no site https://www.ingresseiro.com.br/eventos/fluir-festival (com a venda dos “Passaportes”, com valores a partir de R$ 180,00 nas opções de meia-entrada solidária e casos previstos em Lei). 

Mais informações em https://www.instagram.com/fluir.festival/ @fluir.festival.


*Line-up completo*


*10/10 (Sábado)*
SEU JORGE • MARCELO D2

*11/10 (Domingo)*
GLORIA GROOVE • BAIANA SYSTEM


📅 10 e 11 de outubro de 2026
📍 Módulo Esportivo — Pirenópolis/GO

SERVIÇO:

Datas: Sábado, 10/10 e Domingo, 11/10. 

Horários: Abertura dos Portões – 16h.

Local: Módulo Esportivo – Av. Dário Mendonça esq. com Av. Nhonhô Godinho, CEP: 72980-000 (Próximo ao Aeroporto de Pirenópolis-GO)

Ingressos no https://www.ingresseiro.com.br/eventos/fluir-festival (com a venda dos “Passaportes”, com valores a partir de R$ 180,00 nas opções de meia-entrada solidária e casos previstos em Lei).

Contato: Eduardo Pacheco (62) 98151-4742

Mais informações em https://www.instagram.com/fluir.festival/ 







segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Crítica: A QUEDA 2 - NO LIMITE (2026) de "Michael Spiering" e "Peter Spiering"


 Sem muita novidade! 🧗‍♀️🧗‍♀️🧗‍♀️

    O filme A Queda foi um dos destaques de 2022. Quando ainda era incerto como a indústria cinematográfica se recuperaria após a pandemia de COVID-19, esse pequeno thriller conseguiu estrear nos cinemas e alcançar relativo sucesso, mesmo com as limitações da época. Com elenco enxuto e locações mínimas, a tensão da escalada em uma torre de TV de 600 metros, em um local remoto, entregou um espetáculo de suspense que prendeu a atenção do público. 

​    O novo filme começa em um período que não parece muito distante dos eventos do antecessor. Jax (Harriet Slater) tenta lidar com o luto quando encontra um livro com lugares que sua falecida irmã pretendia desbravar. Ela decide, então, embarcar em uma das escaladas listadas ao lado de uma amiga da irmã. O destino é uma perigosa travessia de pontes no Monte Kwan, na Tailândia. Ao chegarem lá, elas perdem o guia, John (Tom Brittney), e se veem isoladas a 900 metros de altitude. 

​    Embora o primeiro filme tenha sido impressionantemente bem-feito, com ótimas atuações e surpresas interessantes, parecia um thriller clássico e pontual, que não pedia uma sequência. No entanto, pouco tempo após o sucesso de bilheteria, a Lionsgate anunciou que haveria não apenas uma, mas duas continuações produzidas em rápida sucessão. 

​     Por ser a sequência de uma história que já tinha alcançado um desfecho natural, A Queda 2 - No Limite  custa a engrenar. O longa praticamente repete a fórmula do original e, mesmo sem a originalidade e o status de surpresa do antecessor, tenta se destacar com apostas mais ousadas, o dobro de reviravoltas e a ambição de transformar a franquia em uma espécie de novela de proporções extremas mas falta muita coisa para tudo isso ser interessante e deixar de ser uma repetição de tema. Não empolgou!

​Meu Hype: ⭐️⭐️ REGULAR


#aqueda2 #thefall #cinema #action #sports

Crítica: A HIPÓTESE DO AMOR (2026) de "Claire Scanlon" (Prime Video)


 ​A famosa "ilusão" romântica! ❣️❣️❣️

    A Hipótese do Amor é uma comédia romântica baseada no livro best-seller de Ali Hazelwood. Mesmo que você esteja disposto a acreditar nos dramas de jovens universitários americanos e em personagens que mudam de sentimento da noite para o dia para viver um grande amor, esta história parece idêntica a tantas outras do gênero. A fórmula é tão batida que só resta desligar o cérebro e acompanhar um enredo recheado de emoções baratas, futilidades estudantis e ilusões descaradas. 

​    A trama acompanha Olive Smith, uma doutoranda em Biologia na Universidade Stanford que inicia um namoro de fachada com um professor notoriamente rigoroso, o Dr. Adam Carlsen. Em meio a aparições públicas encenadas e encontros casuais, Olive descobre um lado mais sensível e compreensivo de Adam, contrastando fortemente com sua reputação no campus. O resto da história nem precisa contar, de tão previsível. 

     ​Embora a dinâmica entre os protagonistas funcione em tese, tudo acontece tão rápido que não há tempo para assimilar os personagens e suas convicções. Olive tenta se manter agradável em tela, enquanto Adam surge um pouco travado em cena, o que pode ser um efeito proposital, já que, pela "mágica" desse tipo de narrativa, ele vai se abrindo gradualmente para ela. 

​     Além da falta de profundidade do enredo, a obra carrega todos os clichês habituais de uma comédia romântica americana. Juntos, os protagonistas se esforçam para convencer o público jovem de que o amor idealizado ainda existe e que o "príncipe encantado" um dia vai chegar. É um filme fácil de curtir, mas tão descartável e superficial que não deixa muito o que comentar. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️ REGULAR

#ahipotesedoamor #thelovehipothesis #primevideo #romantic #love

SÉRIE: MONSTER, A HISTÓRIA DE LIZZIE BORDEN (NETFLIX)


 Farofa pop! 🪓🪓🪓

​   O cineasta de sucesso Ryan Murphy (American Horror Story, Pose, 9-1-1) já há algum tempo se entregou à "farofa" em suas produções. Todo lançamento do criador vem recheado de praticamente todas as fórmulas usadas nas principais séries atuais. Após três temporadas, sua série de antologia Monster finalmente se concentra em uma serial killer. Até o momento, a produção teve Dahmer como sua melhor temporada e, depois, de certa forma, perdeu um pouco o rumo. Embora haja várias opções no imaginário popular, parece apropriado que Lizzie Borden seja a primeira mulher retratada. 

​     Como muitas figuras do período anterior à explosão de assassinos em série nas décadas de 1970 e 1980, os crimes de Borden nunca foram confirmados e se transformaram em um espetáculo público que a tornou uma das mulheres mais famosas da América. Parece emblemático começar a temporada sobre assassinas com a mulher cujos crimes inegavelmente moldaram a forma como a sociedade vê as mulheres violentas. No entanto, a série nos apresenta uma Lizzie Borden (Ella Beatty) cativante e bem diferente daquela do folclore popular.

   O co-criador Ian Brennan retrata uma jovem negligenciada pelo pai, Andrew Borden (Charlie Hunnam), e abusada pela madrasta, Abby Borden (Rebecca Hall). Obrigada a passar a maior parte do tempo sozinha, tendo apenas o consolo dos pássaros de que cuida, a vida de Lizzie parece estar fora de seu controle. Isso até que uma amizade com a nova empregada da família, Bridget Sullivan (Vicky Krieps), começa a florescer e, aos poucos, transforma a rotina antes monótona da protagonista. 

​     Obviamente, a série tem muitos furos de roteiro, escolhas equivocadas e vários desvios de foco. Ainda assim, conta com diversos atrativos, a começar pelo elenco muito bem escolhido, pela trilha sonora descolada, pelo ritmo ágil dos episódios e por alguns momentos de relativo brilho em meio aos principais clichês do gênero. A dica é aproveitar os acertos e se divertir com uma "farofa" até saborosa; uma história que passa longe de ser puramente "macabra" ou "fascinante", mas que ainda assim atrai. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#monster #lizzieborden #ryanmurphy #série #netflix

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Crítica: MORTE E VIDA MADALENA (2025) de "Guto Parente"


 Cinema de Guerrilha Cearense! 📽📽📽

   ​Morte e Vida Madalena começou sua trajetória no 58° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2025 e, praticamente um ano após brilhar no festival, chega às salas de cinema em circuito limitado. No filme, a produtora Madalena, a poucos meses de dar à luz, começa a filmar uma ficção científica escrita por seu pai, falecido recentemente. Uma série de eventos imprevistos passa a semear a discórdia. Guto Parente oferece uma verdadeira declaração de amor à luta de se fazer cinema de gênero no Brasil, uma vertente muitas vezes discriminada, tendo como pano de fundo uma produção repleta de contratempos.

​    Toda a trama gira em torno do difícil processo de criação de um filme, com as emoções à flor da pele entre os vários membros da equipe. A intenção aqui não é oferecer uma abordagem didática, no estilo documentário, sobre a produção cinematográfica, mas sim compartilhar a energia criativa que emana do grupo. Assim, a produtora surge como a verdadeira força motriz, impulsionada por suas ansiedades, que acabam se revelando proféticas.

    Madalena (Noá Bonoba), porém, não pode se dar ao luxo de romantizar o fracasso. Como uma boa produtora do audiovisual, a protagonista não tem outra opção senão perseverar. Gestante de oito meses, ela carrega também o filme da sua vida, tentando tirar do papel o último roteiro que seu recém-falecido pai (Carlos Francisco) escreveu. O projeto em questão é um filme B de ficção científica, o que, logo de cara, já sugere o tom absurdo desta comédia de erros escrita e dirigida por Guto Parente.

​    A atmosfera onírica desempenha um papel importante, e a influência de Fellini é evidente, embora com uma abordagem mais intimista em relação aos personagens. A jornada do filme se torna uma transição significativa para Madalena, e a equipe que a cerca se transforma em uma verdadeira família substituta. O humor que permeia toda a narrativa está sempre misturado com a ternura sentida pelos personagens, cuja singularidade é a essência do roteiro. É uma linda história de amor ao cinema e de respeito às origens, recheada de comédia e coração.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO


#morteevidamadelena #cinemabrasileiro #cinema

terça-feira, 22 de setembro de 2026

SESSÃO ESPECIAL: ANISTIA 79 de "Anita Leandro"


 Resgate necessário! 🇧🇷🇧🇷🇧🇷 

     Anistia 79 é um documentário  que consiste em imagens inéditas da Conferência Internacional pela Anistia e pelas Liberdades Democráticas no Brasil, realizada em Roma, em junho de 1979, às vésperas da votação da lei que permitiria o retorno de exilados e banidos, além da libertação de presos políticos. 

    O encontro reuniu centenas de exilados brasileiros, sindicalistas, parlamentares, juristas e ativistas dos direitos humanos de diferentes países, todos engajados na luta pela anistia e pelo fim da ditadura militar. ​Registradas em película por dois exilados brasileiros que viviam em Paris, Hamilton Lopes dos Santos e Velso Ribas, as imagens ficaram guardadas por quase meio século em um porão na capital francesa. 

    Tão importantes para a nossa história política, esses registros chegam finalmente ao Brasil após décadas de exílio. O acervo traz personagens centrais da resistência à ditadura, como Apolônio de Carvalho, Gregório Bezerra, Manoel da Conceição, Carmela Pezzutti, Francisco Julião, Luís Travassos e Diógenes Arruda, entre outras personalidades.

     O documentário exibe essas imagens para 11 pessoas que nelas aparecem, criando um diálogo entre o passado e o presente. As reações dos participantes não apenas revelam as marcas deixadas pela ditadura, mas também resgatam o projeto de restauração da democracia que uniu diversos setores da sociedade na época. 

    Em cartaz desde o dia 20 de agosto em várias salas do Brasil, o filme ganha uma sessão especial em Brasília. O evento acontece no dia 25 de setembro, sexta-feira, às 19h, no Cine Brasília. Após a exibição haverá um debate com a participação da cineasta, ao lado da deputada federal pelo Distrito Federal Erika Kokay, integrante da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara Federal; do escritor, bancário aposentado, ex-preso político e ex-deputado federal pelo Mato Grosso Gilney Amorim Viana; e do professor de História da Universidade de Brasília (UnB) e membro da Comissão da Verdade da UnB, José Otávio Guimarães. 

Os ingressos terão preço promocional de R$10! 

#anistia79 #cinebrasilia #documentário #anistia #cinema @cinebrasiliaoficial @embaubafilmes

59º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO (Vencedores e Criticas)

 

O 59º Festival de Brasília teve 8 dias de programações voltadas ao cinema.


59º Festival de Brasília exibiu mais de 70 filmes, selecionados a partir de 1.928 inscrições de curtas e longas-metragens. O número de inscrições representa um recorde histórico para o evento, realizado desde 1965. O Meu Hype acompanhou a Mostra Competitiva de Longas Metragens Nacional, que teve os seguintes vencedores:

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL – TROFÉU CANDANGO

Longa-metragem

Melhor Longa-Metragem – Júri Oficial: Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira (MG)
Melhor Longa-Metragem – Júri Popular: Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)
Melhor Direção: Daniel Nolasco (GO), por Pequenas Tragédias
Melhor Roteiro: André Novais Oliveira (MG), por Se Eu Fosse Vivo… Vivia
Melhor Atriz: Martha Nowill, por Privadas de Suas Vidas (RS)
Melhor Ator: Guilherme Théo, por Pequenas Tragédias
Melhor Atriz Coadjuvante: Aivan, por Pequenas Tragédias, e Olivia Torres, por Privadas de Suas Vidas
Melhor Ator Coadjuvante: Lucas Leto, por Todo o Sentimento (BA)
Melhor Fotografia: Victor de Melo, por Sabes de Mim, Agora Esqueça (DF)
Melhor Direção de Arte: Juliana Lobo, por Privadas de Suas Vidas (SP)
Melhor Figurino: Diana Moreira, por Se Eu Fosse Vivo… Vivia (MG)
Melhor Trilha Sonora: Daniel Nolasco, por Pequenas Tragédias
Melhor Edição de Som: Lucas Coelho, por Sabes de Mim, Agora Esqueça (DF)
Melhor Montagem: Luciano Carneiro, por Pequenas Tragédias (GO)
Prêmio Abraccine – Melhor Longa-Metragem: Pequenas Tragédias (GO) de Daniel Nolasco

PRÊMIOS ESPECIAIS

Troféu Saruê: Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann (RJ)
Menção Honrosa – Longa: Conceição Evaristo e Norberto Novais Oliveira, por Se Eu Fosse Vivo… Vivia
Prêmio Zózimo Bulbul – Melhor Filme Longa-Metragem: Ana, En Passant, de Fernanda Salgado (MG)


Confira a Crítica por "Sérgio Ghesti" dos Filmes exibidos na Mostra Competitiva

Meu Hype: Crítica: ANA EN PASSANT (2026) de "Fernanda Salgado"


Meu Hype: Crítica: PEQUENAS TRAGÉDIAS (2026) de "Daniel Nolasco"


Meu Hype: Crítica: TUDO É TEMPO (2026) de "Marcos Guttmann"


Meu Hype: Crítica: TODO SENTIMENTO (2026) de "Glenda Nicácio e Ary Rosa"


Meu Hype: Crítica: PRIVADAS DE SUAS VIDAS (2026) de "Gurcius Gewdner" e "Gustavo Vinagre"


Meu Hype: Crítica: SE EU FOSSE VIVO... VIVIA (2026) de "André Novais Oliveira"


Meu Hype: Critica: SABES DE MIM, AGORA ESQUEÇA (2026) de "Denise Vieira"


Confira a Crítica por "Sérgio Ghesti" das exibições especiais do Festival de Brasilia

Filme de Abertura


Meu Hype: Crítica: PELE MORTA (2026) de Denise Moraes e Bruno Fatumbi

Mostra Série no Cinema


Meu Hype: Primeiras Impressões: DELEGADO (2026) de "Leonardo Lacca" e "Marcelo Lordello"

Filme de Encerramento


Meu Hype: Crítica: VERÃO DA LATA (2026) de "Santiago Dellape"


Todos os detalhes do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro você encontra no site oficial: Festival de Brasília do Cinema Brasileiro



segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Crítica: VERÃO DA LATA (2026) de "Santiago Dellape"

 


Uma comédia marolenta! 🍂🍂🍂

​    O filme Verão da Lata teve sua estreia mundial no encerramento do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A comédia policial dirigida por Santiago Dellape é inspirada no famoso caso real de 1987, quando milhares de latas de maconha foram despejadas por um navio no litoral brasileiro. A produção é estrelada por Samantha Schmütz e Babu Santana na pele de dois policiais federais, traz Paulinho Serra como vilão e marca a estreia da paraense Alane Dias no cinema, além de contar com um grande elenco. 

​A trama acompanha os policiais federais Sandra (Samantha Schmütz) e Brasa (Babu Santana) na investigação sobre a origem da carga. Em sua jornada, a dupla cruza com diversos personagens marcantes da época, como traficantes, policiais corruptos, jornalistas e jovens locais. O longa mistura ficção, imagens de arquivo e trechos documentais para provar que esse episódio pitoresco da nossa história realmente aconteceu e não é apenas uma lenda urbana. 

   Santiago Dellape exibe uma direção descolada ao transformar uma história potencialmente densa em uma comédia leve e ágil. Ao misturar os fatos do "Verão da Lata" a situações e personagens inventados, o diretor brinca justamente com o limite entre realidade e ficção. Toda a estética inspirada nos anos 1980 surge muito viva em tela. Além de hilário, o filme recorre ao humor pastelão para garantir o ritmo da narrativa, transformando o enredo em uma grande diversão. 

    A proposta de Verão da Lata se inspira nos clássicos de ação oitentistas, como Máquina Mortífera e Um Tira da Pesada, mas adapta com maestria essa fórmula ao contexto brasileiro. A dupla de protagonistas substitui o clássico binômio gringo do "tira bom e tira mau" por uma malandra e um mané, no melhor estilo carioca. Se você entrar na brincadeira do diretor e do elenco sem levar tudo tão a sério, certamente dará boas risadas, principalmente com as piadas do universo "cannábico". Divertido!

​A estreia oficial em circuito nacional está marcada para 19 de novembro de 2026. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#verãonalata #festivaldebrasilia #comédia #cinemabrasileiro #fbcb

Critica: SABES DE MIM, AGORA ESQUEÇA (2026) de "Denise Vieira"


 Não é putaria, é terapia. ♨️♨️♨️ 

​     Sabes de Mim, Agora Esqueça é sobre a jornada de Rúbia (Pietra Sousa). Logo no início do longa, ela foge de um regime opressor controlado por homens com lanternas que exterminam o que não agrada ao sistema. O seu trem de fuga quebra e Rúbia é resgatada por Margô (Cida Souza), que comanda um cabaré em Ceilândia, Distrito Federal. O local resiste à repressão usando o afeto da convivência entre essas mulheres em um mundo distópico no qual elas encontram no transitório a família que o mundo se recusa a proporcionar. 

     ​A obra da diretora Denise Vieira, em seu primeiro filme, é bem-sucedida ao não se escorar na ideia de futuro para esconder lacunas na história, que, por sinal, é simples, mas profunda. Algo interessante de observar é que o filme se inspira muito em elementos clássicos do cinema brasileiro, como a narrativa contada por meio de um ritmo lento de montagem, diálogos arrastados e cheios de pausas, além de uma forte ênfase no texto falado. No entanto, foge totalmente dessas normativas ao trazer uma certa fluidez, utilizando o sexo e as metáforas disponíveis de maneira criativa. 

​    O filme não depende da realidade para retratá-la e discuti-la, pelo contrário, encontra em elementos de fantasia a sensibilidade poética que a simples retratação fiel do mundo não possibilitaria. A melancolia da falta de perspectiva dá lugar à alegria de se sentir vivo e seguro em um mundo hostil. Essa aposta na experimentação e na força do corpo feminino como eixo narrativo promove um mergulho sensorial em temas importantes, como desejo e violência, ao articular imagem, som e performance de maneira radical e inquieta. 

    Sabes de Mim, Agora Esqueça tem uma ternura bonita de se apreciar, ainda que sua dramaturgia possua ruídos importantes, nem sempre o filme demonstra um fôlego compatível com seu potencial, e o tema já foi explorado em outras produções. A carga dramática das atuações nem sempre é satisfatória, mas sua representação da importância social de um cabaré e a criatividade de usar tudo isso com um baixo orçamento são admiráveis. Como diz uma personagem emblemática do filme: não é putaria, é terapia. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM




sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Crítica: SE EU FOSSE VIVO... VIVIA (2026) de "André Novais Oliveira"

 

Uma bela história de amor! ❣️❣️❣️

    O longa "Se Eu Fosse Vivo... Vivia" teve sua estreia mundial na mostra Panorama do Festival de Berlim (Berlinale) em fevereiro de 2026 e foi exibido pela primeira vez no Brasil na Mostra Competitiva do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme  é um recorte muito sensível sobre o amor que supera o desgaste do tempo e se concentra nas coisas simples. 

​   O início promissor dessa jornada é empolgante, vamos até Contagem (MG) durante os anos 1970 para conhecer Gilberto, interpretado na versão mais jovem pelo ator Jean Paulo Campos. A atmosfera da época conta com um granulado charmoso, além de uma leve passagem por um momento marcado pelo movimento Black Power, com figurinos da época e um som contagiante. É nesse cenário que conhecemos o casal de protagonistas e iniciamos a jornada do filme. 

​    Uma grande passagem de tempo nos leva 50 anos depois aos dias atuais. O casal, já velho, vive uma rotina carinhosa e simples, colecionando momentos de afeto: o ato de descascar uma laranja sem machucar, o cochilo vendo TV, a ida ao médico juntos e a vontade de comer pão sovado com café. São momentos tão admiráveis e bonitos que tornam Norberto Novais e Conceição Evaristo um casal excelente, cheio de química e brilho em tela. 

    ​Ao chegar à metade da projeção, essa linda história de amor passa a sentir o peso do tempo. Na segunda metade, o filme adota uma linha mais fantástica, explorando a solidão e a esperança de uma vida sem fronteiras. Essa mudança abrupta de tom, do drama para a fantasia, causa uma quebra não muito satisfatória.

​    André Novais Oliveira é, sem dúvidas, um dos realizadores mais interessantes do cinema brasileiro atual. É admirável a coragem de unir os sentimentos mais puros de um casal idoso a uma fantasia de ficção científica com extraterrestres. No entanto, embora os efeitos práticos sejam muito bem executados, a junção dos dois temas não se interligam bem em tela, parecendo dois filmes distintos. Fiquei apaixonado pela primeira metada do filme e bem desconectado com a segunda parte lúdica.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#seeufossevivoeuvivia #andrenovaisoliveira #filmesdeplastico #festivaldebrasilia

Crítica: ANTÁRTIDA (2026) de "Bruno Safadi"


 Um bom thriller gelado! 🧊🧊🧊


​     Antártida é o novo blockbuster nacional produzido pela Globo Filmes e pela Paris Entretenimento. Um aparato tecnológico com produção digital inovadora foi criado em estúdio no Rio de Janeiro para simular de forma convincente o ambiente gelado e a neve. Por sinal, o filme demonstra muita qualidade estética ao mostrar a imensidão da neve e as bases militares nas cenas "externas". Tratadas com esmero pela fotografia (Mauro Pinheiro) e pela montagem (Rodrigo Lima), as imagens convencem que a história se passa no continente antártico. O elenco conta com Lázaro Ramos e Leandra Leal, que vivem um casal em crise; Antônio Calloni como o capitão da base brasileira; Andrea Beltrão e Marina Ruy Barbosa, cuja personagem é o pivô de toda a trama.

​     A história tem elementos suficientes para elevar a temperatura a partir de um crime ocorrido em um lugar inóspito. A base científica brasileira na Antártida passa por uma nevasca intensa que a deixa isolada e, nesse momento adverso, uma cientista recém-chegada (Marina Ruy Barbosa) é violentada. A narrativa foca no suspense psicológico e em como o acontecimento muda o foco da base e mexe com a rotina de todos.

​    O filme segue o clichê básico do gênero: reunir, em um ambiente fechado, um grupo de pessoas problemáticas que precisam conviver administrando sucessivas crises. Embora sejam cientistas, a racionalidade passa longe durante o confinamento. Ainda que use como gancho o aquecimento global e a crise climática, o foco principal é a questão de gênero em um ambiente no qual as mulheres estão em desvantagem numérica (quatro contra oito), elevando a tensão, a dúvida e a paranoia.
​
    Antártida sofre um certo boicote da crítica especializada, não só por ser produzido pela Globo, mas também por abordar uma temática feminista. É um assunto delicado, mas incorporado com uma tensão de tirar o fôlego. Ainda que não busque grande profundidade nos personagens e priorize o entretenimento, o longa entrega uma mensagem forte e um suspense muito bem executado. Achei divertido.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM



Crítica: RESIDENT EVIL (2026) de "Zach Cregger"


 Tenso do início ao fim! 💥💥💥

    Resident Evil, dirigido por Zach Cregger (A Hora do Mal), é aquele caso raro em que duas mídias fundamentais se conectam com maestria, uma combinação astuta de "bom filme por si só" com a autêntica "sensação de estar jogando o jogo". A maioria dessas adaptações, sejam boas ou ruins, costuma ser forçada a escolher apenas um dos caminhos. 

   Os fãs mais antigos têm um carinho especial pela era de Paul W.S. Anderson, uma mistura estilizada de ação e ficção científica estrelada por Milla Jovovich, mas o desgaste do formato acabou exigindo um ponto final. Antes de chegar a este novo momento, a franquia ainda passou por um fiasco, o fraco reboot Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City (2021). 

    A insistência do estúdio em apostar em uma das marcas mais consolidadas dos videogames finalmente surtiu efeito. Aqui, tudo está no seu devido lugar, consagrando o longa como uma das adaptações mais bem-sucedidas já feitas. ​

    A ação engrena sem rodeios: Bryan (Austin Abrams) corre contra o tempo rumo a um hospital, tentando se livrar do órgão que foi contratado para entregar. O que deveria ser apenas seu último serviço da noite vira um pesadelo quando uma proposta de pagamento em dobro o faz aceitar uma corrida até Raccoon City, um destino isolado que logo se revela uma armadilha aterrorizante. 

​ O novo Resident Evil entrega entretenimento completo, servindo tanto aos gamers de carteirinha quanto aos aficionados por horror. Para coroar a experiência, o tom de comédia tragicômica conduzido por Austin Abrams garante ótimas gargalhadas em meio ao caos e às criaturas bizarras. Embora deixe pontas soltas sobre a infecção, os bastidores da Umbrella e o destino do protagonista, o gancho para o futuro nunca pareceu tão promissor. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE 


#residentevil #zachcregger #videogame #cinemas #terror

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Crítica: PRIVADAS DE SUAS VIDAS (2026) de "Gurcius Gewdner" e "Gustavo Vinagre"

 

Cinema underground! 🚽🚽🚽

​    O terror escatológico Privadas de Suas Vidas teve sua estreia em território nacional durante o 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Sabe aquele tipo de filme que, ao terminar a sessão, você se pergunta como tiveram a coragem de colocar uma ideia tão maluca em prática? Trata-se de uma obra difícil para quem tem estômago fraco. 

​  Na história, Malu (Martha Nowill) administra uma empresa especializada em "chás-revelação". Após seu filho, Luan, morrer no incidente que abre o filme, ela precisa voltar ao trabalho enquanto enfrenta uma severa constipação e o condomínio onde ela mora passa por uma grande onda de entupimento de privadas. Esses acontecimentos se conectam em uma ameaça sobrenatural sobre ela, seus amigos e vizinhos. 

​    O filme começa com uma cena de defecação sob um ponto de vista tão grotesco que deixa o espectador atordoado antes mesmo de um vaso sanitário engolir uma criança. A partir daí, a situação só se intensifica. Os diretores Gurcius Gewdner e Gustavo Vinagre criaram uma comédia de terror tão comprometida com sua premissa que o público só tem duas opções: entregar-se à proposta ou encarar 100 minutos de pura tortura. 

​    Privadas de Suas Vidas se destaca pelos efeitos práticos fenomenais e pelas atuações impecáveis de seus protagonistas. A cinematografia, o design de som e a paleta de cores elevam a obra a um nível superior para o gênero. Contudo, nem tudo é equilibrado, a ousadia dos realizadores em explorar o gore nojento deixa a experiência fora de controle. Por fim, é aquele tipo de filme provocador, grotesco e desafiador que causa repulsa e cumpre o que promete mas que você provavelmente só conseguirá assistir uma única vez na vida. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#privadasdesuasvidas #festivaldebrasilia #fbcb #gore #underground

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Crítica: TODO SENTIMENTO (2026) de "Glenda Nicácio e Ary Rosa"


 Sentimento distópico! ❤️‍🩹❤️‍🩹❤️‍🩹

    Imagine se, no dia 8 de janeiro de 2023, o golpe militar realmente tivesse acontecido: o que seria do futuro do Brasil? Esse é o ponto de partida de Todo Sentimento, filme exibido na Mostra Competitiva do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A trama retrata a história de amor entre Henrique (Aldri Anunciação) e Gustavo (Lucas Leto) em um Brasil distópico marcado por perseguições políticas. A obra chamou atenção por funcionar como ponte com outros filmes da Rosza Filmes, consolidando o universo compartilhado dos diretores. 

    A história começa justamente na capital federal, trazendo a perspectiva de que o que se inicia no centro do país reverbera por todo o Brasil até chegar ao Recôncavo Baiano, onde a trama se desenvolve. Depois, o filme se fixa em um cenário específico: o exílio de Henrique, um jovem PCD que, sozinho, recebe a visita de um cuidador. A partir daí, a narrativa se desenrola utilizando metáforas para explicar o que aconteceu com o país e com a vida dos protagonistas. 

   Muitos desses trechos de humor não funcionaram bem pra mim. A crítica à religião e ao conservadorismo quebra totalmente o ritmo da narrativa e, em certos momentos, essas esquetes se tornam longas e de certa forma constrangedoras. Após uma abertura maravilhosa e diante de todo o potencial da premissa distópica, deparamos-nos com uma dupla de personagens que, a princípio, não tem química, além de a história aprofundar pouco acontecimentos intrigantes, que deixa o expectador confuso. 

    Todo Sentimento tem seus bons momentos. Após a primeira metade, o humor "esquisito" finalmente é deixado de lado e os dois protagonistas vivem uma conexão bonita e sentimental. Infelizmente, não tive a oportunidade de ver os demais filmes do universo compartilhado do longa e isso pode ter afetado um pouco a experiência, ainda que eu tenha sentido ruídos no longa é uma mensagem de que qualquer história de amor em tempos sombrios é bela e vitoriosa. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#todosentimento #festivaldebrasilia #fbcb #cinema #estreia

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Crítica: TUDO É TEMPO (2026) de "Marcos Guttmann"


 ​O tempo não perdoa! 🇧🇷🇧🇷🇧🇷 

   ​O documentário Tudo é Tempo, dirigido por Marcos Guttmann, foi exibido na Mostra Competitiva Nacional de Longas-Metragens da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Rodado ao longo de 20 anos (entre 2002 e 2022), o filme acompanha a trajetória e a evolução de quatro eleitores comuns de uma mesma seção eleitoral no Rio de Janeiro. 

   O ponto de partida foi o clima de esperança na primeira eleição do presidente Lula, em 2002, registrando como a passagem do tempo transformou as convicções políticas, afetos e visões de mundo dessas pessoas ao longo de duas décadas.

​  A produção acompanha essas transformações tendo as três eleições de Lula à Presidência do Brasil como pano de fundo. Segundo Guttmann, o projeto começou com a intenção de observar as mudanças políticas do país, mas a proposta se expandiu com o passar dos anos. 

​     O que sobressai no longa é um ensaio sobre o impacto do tempo em nós, transformando, silenciosamente, opiniões de outrora em contradições comportamentais complexas. Chega a ser hilário acompanhar os depoimentos desses personagens da vida real, é um retrato muito válido do cenário caótico do Brasil, tanto nos acontecimentos recentes quanto no modo como eles refletem na mente das pessoas. 

    Tudo é Tempo tem seu mérito: passa longe de ser um documentário maçante e traz pessoas comuns que, embora divertidas, surgem confusas com as próprias convicções políticas. No entanto, há um ruído na compreensão do espectador sobre o que motivou essas mudanças comportamentais, a falta dessa profundidade deixa uma lacuna no estudo de caso. O tempo realmente muda as pessoas? Tudo é Tempo mostra que sim, mas faz isso sem se envolver, observando o caos sem necessariamente analisar todas as vertentes apresentadas. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#tudoétempo #festivaldebrasilia #fbcb #doc #eleições

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Crítica: PEQUENAS TRAGÉDIAS (2026) de "Daniel Nolasco"


 Divertido, triste e surpreendente! 🏳️‍🌈

     Pequenas Tragédias, novo filme do diretor goiano Daniel Nolasco (Vento Seco e Apenas Coisas Boas), foi exibido no 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa é um misto de documentário e ficção que confronta diretamente o conservadorismo do interior do Brasil, mais precisamente a cidade de Catalão (GO) de forma surpreendente. Se em seus trabalhos anteriores o diretor já se destacava no modo de contar histórias da comunidade LGBTQIA+, neste filme ele mergulha com profundidade trabalhando preconceitos, estereótipos, ausências, amizades e memórias da sua própria vivência. 

    ​Em Pequenas Tragédias, a cidade de Catalão, deixa de funcionar apenas como cenário como ocorreu em seus filmes anteriores e passa a ocupar o centro da narrativa. O filme observa aqueles que partiram, mas também aqueles que ficaram, encontrando em suas histórias diferentes formas de viver, desejar e construir vínculos em um lugar que, como diz o próprio lema municipal, afirma ser “bom demais para viver”. 

    Em vez de meramente retomar episódios verídicos que aconteceram consigo e com as demais figuras queer da cidade, o autor os reinventa com bastante criatividade e humor. O fetiche da masculinidade é algo constante na produção. Existe uma dose de exposição muito bem utilizada sob a condição de paródia ou de forma lúdica. Toda a nudez do filme possui uma abordagem artisticamente bonita e em nenhum momento é tratada de forma vulgar, encontrando um equilíbrio muito preciso com a seriedade de todas as histórias.

    ​Pequenas Tragédias é um filme sobre histórias reais em um Brasil que flerta com o conservadorismo, a hipocrisia e o preconceito. Em muitos momentos, a obra emociona justamente por mostrar, com muita sensibilidade, a falta de humanidade e de respeito na trajetória não só de seu diretor, mas de todos que um dia viveram essa opressão, esse medo e essa falta de liberdade de ser quem se é de verdade. Não são personagens: são vidas que, infelizmente, se transformam em pequenas tragédias. Imperdível! 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE


O filme tem previsão de lançamento em 2027 pela Embauba Filmes!


domingo, 13 de setembro de 2026

Crítica: ANA EN PASSANT (2026) de "Fernanda Salgado"


 ​Poesia animada! 💧🌀🌊

    ​Exibido pela primeira vez no país na Mostra Competitiva do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Ana, en Passant é um longa-metragem em animação que combina múltiplas técnicas, como stop-motion, rotoscopia e colagens. A obra se destaca pela habilidade de mesclar realismo com uma forte atmosfera de sonho, utilizando texturas e materiais diversificados para gerar "pequenas inquietações visuais" no trajeto de luto da protagonista Ana.

    Na trama, a francesa Ana (Jéssica Pierina) recebe uma chave e a indicação de um apartamento cuja existência ignorava, deixados em uma carta por sua falecida avó. Ao viajar até o imóvel em Belo Horizonte, ela descobre que outra mulher está morando ali. Apesar do estranhamento inicial, Ana decide passar alguns dias com a nova moradora e, nessa convivência, as duas passam a compartilhar suas dores e inseguranças.

   Ana, en Passant mostra uma enorme liberdade criativa. A direção e sua equipe exploram diversos formatos e linguagens com destaque para a animação desenvolvida a partir de captação em live-action. A experiência de acompanhar essa jornada se torna vívida e intensa graças a momentos extremamente criativos repletos de recortes, pinturas e um rico trabalho artesanal. É uma animação potente, que flerta com o tradicional e o inovador para transmitir sua mensagem de forma poética.

     A poesia do filme é vívida, sensível e doce, caminhando contra qualquer pressa. A história flui como a água, elemento central da narrativa, culminando em cenas marcantes, como o momento em que o corpo de uma personagem se funde ao rio. A calmaria da obra reflete com delicadeza a angústia da protagonista em uma Belo Horizonte encantadora, vibrante e repleta de originalidade. Um filme feito para ser apreciado.

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)

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