quarta-feira, 10 de junho de 2026

DIA D (2026) de Steven Spielberg


 Nasce um novo clássico de Spielberg! 👽👽👽


​    Steven Spielberg dispensa apresentações. Seu nome é sinônimo da história do cinema desde sua estreia em 1971, e até hoje ele continua brilhante na compreensão da sétima arte como um espetáculo que vai muito além dos efeitos especiais. Em Dia D o diretor examina temas complexos como fé, obsessão, comunicação, transcendência e o lugar da humanidade no universo. 

​   Embora a história seja repleta de explicações, o roteirista David Koepp encontra maneiras elegantes de transmitir grandes quantidades de informação. Dia D  entrega emoção, suspense, perigo, ousadia e o coração pulsante de uma história bastante sensível. A grande questão do filme é o motivo de os alienígenas estarem aqui, e isso é respondido de forma satisfatória por meio de uma narrativa que, em última análise, é sobre a compreensão de um mundo cada vez mais dividido. 

   Não é difícil extrapolar a ideia de alienígenas vivendo entre nós para a nossa própria atualidade. Em certo momento, dois personagens debatem "valores" de uma forma que parece saída diretamente de programas de debate político. Para Spielberg, no entanto, esse não é um embate a ser travado. Empatia, ciência e fé, juntas, devem enriquecer nossas vidas, e não nos dividir, por mais que outras forças desejem o contrário. 

   Merece destaque também a atuação de Emily Blunt como uma mulher que recebeu um dom para o qual não está preparada. Seu poder reside em enxergar profundamente o coração das pessoas e a bondade que habita em cada um de nós. Blunt tem uma maneira única de nos desarmar e nos ensinar ao mesmo tempo: ela é engraçada, forte e apaixonada, e o filme simplesmente não funcionaria sem ela. 

    Spielberg já nos presenteou com grandes blockbusters antes, mas Dia D é um espetáculo essencialmente humano, é a humanidade que nos impede de recorrer à destruição e à violência física. É a empatia que nos faz ouvir, nos conecta e nos aproxima. No fim, fica a certeza de que Spielberg acredita na vida em outros mundos e nos entrega o filme evento para o dia da revelação. 

 Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO 



#disclosureday #diad #spielberg #scifi #alien

BACKROOMS - UM NÃO LUGAR (2026) de Kane Parsons

 


Um pesadelo imersivo! 🚪🚪🚪

​    Sabe aqueles filmes que se tornam clássicos instantâneos? Backrooms: Um Não-Lugar tem essa aura. Após assisti-lo, considero que seu impacto nesta nova geração seja próximo ao que foi o fenômeno de A Bruxa de Blair no final dos anos 90. Tudo isso acontece de forma quase orgânica; o filme não tem a prepotência de se forçar como cult, mas tudo se encaixa para que ele atinja esse status.

   Quando uma obra de terror consegue transformar o medo em imersão e torna a experiência crível, real e palpável, fica claro que seu objetivo foi alcançado: o espectador não sai o mesmo após a sessão. O diretor Kane Parsons explora meticulosamente o conceito para criar o horror liminar definitivo, expandindo sua série de vídeos virais do YouTube baseada na infame creepypasta homônima da internet. 

    O longa nos imerge perfeitamente em uma dimensão alternativa de escritórios labirínticos e assustadoramente vazios. À medida que seus loops desconcertantes surgem, com uma arquitetura contorcida em tons de sépia e móveis com falhas que se sobrepõem lentamente, o filme se manifesta como um banquete abstrato de design de som, visual e de produção.

    Sem ser prejudicado por uma ocasional propensão a sustos mais tradicionais e seguros, o que, ironicamente, ressalta a originalidade do conjunto, temos a ambientação anos 90 na história de Clark (Chiwetel Ejiofor) e a Dra. Mary Kline (Renate Reinsve) que atravessam a parede de uma loja para uma dimensão alternativa definida por um labirinto surreal e aparentemente infinito de escritórios vazios.

    Aliado a uma trilha sonora fantasmagórica que evoca Silent Hill, com sons industriais distorcidos e zumbidos eletrônicos ásperos, o filme entrega uma experiência fascinante por seus espaços liminares literais quanto pelos implacáveis espaços mentais. Embora o recurso de filmagem estilo "found footage" já esteja um pouco saturado no terror e o final se torne ligeiramente anticlimático, certamente pode-se dizer que Kane Parsons é uma uma nova e empolgante voz no cinema de gênero, e que Backrooms tem força para se tornar uma grande franquia.

Meu hype: ​⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM


#backrooms #lançamento #terror #cinema #arquitetura

quarta-feira, 13 de maio de 2026

OBSESSÃO (2026) de Curry Barker

 

O Terror do "Cuidado com o que Deseja" 😈

    ​Obsessão, de Curry Barker, é um filme cujo título informa imediatamente ao público que não haverá uma doce história de amor; com exceção de uma breve montagem de felicidade doméstica, essa premonição se confirma. Embora a obra não peque em entretenimento, é o terror psicológico que se destaca como seu aspecto mais impactante. Apesar de a premissa ser absurda, inteligentemente temperada com uma boa dose de humor constrangedor, existe uma preocupação muito humana subjacente: e se conseguir o que você deseja não for o que você imaginava? 

​    A sensação apocalíptica dessa constatação é reforçada pelo uso das sombras, magistralmente conduzidas pelo diretor de fotografia Taylor Clemons. Ao obscurecer figuras e valorizar o espaço negativo, o filme permite que o silêncio e o vazio se tornem repletos de significados. É, de fato, assustador.

  Apesar de ser atraente e ter um olhar bondoso, Bear (Michael Johnston) é um protagonista imediatamente antipático, representando o lado mais sombrio da chamada "epidemia de solidão masculina". Mesmo assim, o roteiro leva o público a simpatizar com sua timidez e com a incapacidade de se declarar para Nikki (Inde Navarrette), sua amiga e colega de trabalho. Essa paralisia emocional sugere que, no fundo, ele já sabe que não será correspondido.

     Frustrado, Bear toma a decisão impulsiva de quebrar um "Salgueiro dos Desejos", um item místico que planejava dar de presente a Nikki. Se ainda não estava óbvio que você nunca deve desejar que alguém te ame "mais do que qualquer outra pessoa no mundo", você certamente aprenderá a lição ao final da projeção.

   O filme realiza um equilíbrio delicado, sendo genuinamente apavorante e sombriamente hilário, muitas vezes na mesma cena. Grande parte desse êxito se deve à atuação de Johnston, que modula entre quebras sutis na voz, sugerindo uma psicose crescente  e explosões repentinas de gritos, retornando logo em seguida a sussurros suaves e perturbadoramente tranquilizantes. Certamente um dos melhores filmes de terror do ano! 

​Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (Muito Bom)


#obsessãofilme #obsession #cinema #terror #dicasdefilmes

quarta-feira, 6 de maio de 2026

MORTAL KOMBAT 2 (2026) de Simon Mcquoid

 

Flawless Victory, Fatality! 👊🏻

​    Mortal Kombat 2 (sequência do reboot de 2021) chega aos cinemas com êxito ao resgatar a nostalgia dos jogos, entregando tudo o que faltou no anterior. O primeiro longa dividiu opiniões: se por um lado a fidelidade visual e o Scorpion de Hiroyuki Sanada foram muito elogiados, por outro, a criação do protagonista Cole Young e a ausência do torneio propriamente dito deixaram um gosto amargo nos fãs. 

​    A sequência corrige o percurso eliminando Cole Young da história e escalando Karl Urban (The Boys) como Johnny Cage. Por incrível que pareça, o personagem não "rouba" a cena de forma egoísta; ele se integra organicamente ao elenco. Mortal Kombat 2 entrega lutas com riscos maiores, abandonando os embates aleatórios em "vazios dimensionais" para focar na estrutura do torneio e nas consequências políticas entre os reinos. 

   Embora o clássico de 1995 siga imbatível na memória afetiva, este novo capítulo carrega com dignidade o fardo de consertar as escolhas narrativas de seu antecessor. O fan service é de qualidade e a brutalidade inteligente é o ponto alto desta divertida continuação. 

   Ainda que seja assumidamente uma fantasia, o filme não tenta ser revolucionário; ele foca em sua principal virtude: o torneio. A dinâmica é coerente com os games: a cada round, lutadores são selecionados para as arenas enquanto os eventos de bastidores movem a trama. Se Johnny Cage é um protagonista de luxo, é Kitana quem ganha os holofotes, ancorando os eventos em Exoterra e expandindo a mitologia da franquia. 

   ​Tecnicamente, a obra entrega bons efeitos especiais, coreografias inspiradas e abraça o exagero característico dos videogames. Os fatalities são muito bem executados e o trabalho de maquiagem dá um show à parte, principalmente na representação dos Tarkatans e do fantástico Baraka. No fim, MK 2 entrega uma adaptação incrivelmente divertida, violenta e, acima de tudo, fiel ao espírito da franquia. 

​Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM 😁


#mortalkombat #mortalkombat2filme #mk #cinema #gamer

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O DIABO VESTE PRADA 2 (2026) de David Frankel


 Tão bom quanto o original! 👠💍

   O universo de O Diabo Veste Prada, estrelado por Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci, retorna 20 anos após o filme original que marcou uma geração e imortalizou uma das vilãs mais icônicas do cinema: Miranda Priestly (Meryl Streep), a poderosa editora da prestigiada revista Runway. Nesta sequência, acompanhamos a resistência de Miranda diante do declínio do jornalismo impresso e das transformações radicais da indústria da moda.

​    No clímax do longa, ela foca sua "visão" em um investidor, criticando a invasão da inteligência artificial no espaço midiático como uma afronta à "conquista humana". O Diabo Veste Prada 2 também toca em outro ponto sensível: a insegurança constante no mercado de trabalho. Abordar temas contemporâneos tão sérios é uma surpresa bem-vinda, especialmente porque a campanha publicitária sugeria uma obra bem mais superficial. 

​   Embora cuidadosamente elaborada para evocar nostalgia, a sequência por vezes luta para revitalizar sua premissa e manter a coerência com o filme original. Miranda Priestly foi, de certa forma, "humanizada" ou "contida" pelas mudanças sociais das últimas duas décadas; agora, ela precisa policiar a própria linguagem em reuniões para não ofender a equipe e chega ao ponto de ter de pendurar o próprio casaco — em vez de simplesmente lançá-lo sobre a mesa de sua azarada assistente. 

    ​Essa atualização da protagonista foi bem executada, assim como o restante da produção. No geral, o quarteto principal está muito à vontade em seus papéis, ainda que a história possa parecer repetitiva em alguns trechos. No restante, o filme mantém a essência do original: uma excelente trilha sonora, participações especiais de luxo, figurinos práticos e elegantes, além de um humor bem dosado. A recompensa de revisitar esse universo é imensamente divertida e saborosa. 

​Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)

#thedevilwearsprada #odiabovesteprada #moda #cinema #style

quarta-feira, 22 de abril de 2026

MICHAEL (2026) de "Antoine Fuqua"


Emocionante e dedicado aos fãs! 🎤🎤🎤

​   Michael é um docudrama que traz a representação cinematográfica da vida e do legado de um dos artistas mais influentes da história. O filme oferece ao público um lugar na primeira fila para observar Michael Jackson como nunca antes. Apesar de um roteiro com escolhas narrativas cautelosas e limitações externas, a obra é uma cinebiografia imperdível, que explora momentos históricos do astro pop com uma performance incendiária de Jaafar Jackson (sobrinho de Michael e filho de Jermaine Jackson). 

   ​O roteirista John Logan (Skyfall) enfrenta o desafio ingrato de escrever sobre os anos de formação do cantor sem citar duas das figuras mais importantes de sua vida: sua irmã mais nova, Janet, e sua mentora de longa data, Diana Ross. Fica evidente que o filme foca na imagem de um artista que deseja assumir o controle da própria trajetória. Isso estabelece o conflito central entre Michael e seu pai, Joe (Colman Domingo), em atuação arrepiante, mas acaba negligenciando outros relacionamentos, sejam românticos ou platônicos, como a amizade com Brooke Shields

  O vazio deixado por essas lacunas é compensado pela entrega excepcional nos números musicais, certamente os momentos mais memoráveis da produção. Com figurinos estelares de Margie Rodgers e uma equipe de caracterização que captura com precisão as diversas fases do cantor, as cenas de shows são mágicas, transmitindo com perfeição a inegável presença de palco de Michael e o efeito hipnótico que ele causava nos fãs. 

   Como se não fosse difícil o suficiente condensar uma vida dessa magnitude em pouco mais de duas horas, Michael ainda precisa equilibrar-se na corda bamba entre a fidelidade biográfica e as obrigações contratuais. O projeto cobre apenas a primeira metade da vida do cantor e possui amarras que limitam a liberdade criativa dos realizadores. 

   Michael pode não ser uma cinebiografia perfeita em termos de profundidade documental, mas enche os olhos de quem algum dia se encantou com o astro. É um filme para apreciar um ícone que, no fundo, guardava a alma e o coração de uma criança. 

Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#michael #michaeljackson #bio #música #cinematography

terça-feira, 21 de abril de 2026

MALDIÇÃO DA MÚMIA (2026) de "Lee Cronin"


 Brutal e grotesco! 💀💀💀

​    Maldição da Múmia, do diretor Lee Cronin, tenta devolver ao terror um ícone que, deliberadamente, foi transformado em herói de ação por Hollywood nas últimas décadas — seja na adorada franquia estrelada por Brendan Fraser ou no desastroso filme de 2017 com Tom Cruise (do "Dark Universe" da Universal). Embora não tente emular a atmosfera gótica do clássico de 1932 com Boris Karloff, Cronin arrisca ao entregar uma versão de terror puro e cru. 

    O resultado é uma experiência que remete a uma mistura de O Exorcista com Evil Dead: A Morte do Demônio. Para os fãs de gore, o filme é um prato cheio: violência gráfica abundante, momentos nojentos e uma agonia de tirar o fôlego. O ritmo só perde o fôlego quando o choque visual deixa de assustar para apenas incomodar; no fim, a obra cumpre seu papel como terror contemporâneo, mas peca pela falta de originalidade ao ser analisada mais a fundo. 

​    Conhecemos então os Cannon: o repórter Charlie (Jack Reynor), a enfermeira grávida Larissa (Laia Costa) e seus filhos, Seb e Katie. Eles levam uma vida feliz no Cairo até que o desaparecimento de Katie destrói a estrutura familiar. Oito anos depois, agora vivendo em Albuquerque, Novo México, com uma filha mais nova, Maud (Billie Roy), e a avó Carmen (Verónica Falcón), o casal ainda é assombrado pelo trauma. O "milagre" surge com um telefonema da embaixada: Katie foi encontrada. Ela está viva, mas a notícia traz um novo horror: sua aparência agora é grotesca e sobrenatural. 

    Assistindo o filme em uma sala de cinema moderna, com tela gigante e um bom som, fica claro que Cronin não conhece limites na entrega da violência. O uso de efeitos práticos torna tudo implacável e palpável. Destaque para uma cena envolvendo um cortador de unhas — filmada em close-up, ela faz a plateia inteira se contorcer na poltrona. É um desconforto deliberado; Cronin quer que sua versão da Múmia seja a mais visualmente intensa possível. Se você busca um entretenimento perturbador e não tem estômago fraco, este filme é para você.

Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#maldiçãodamúmiafilme #mumia #themummy #leecronin #terror

quarta-feira, 8 de abril de 2026

RUAS DA GLÓRIA (2026) de "Felipe Sholl"

O Buraco da Glória! 😈

   Ruas da Glória surge nesta nova fase do cinema LGBTQIAPN+ que explora o underground das metrópoles brasileiras e suas vivências. A obra remete a títulos interessantes, desde o gaúcho Tinta Bruta ao recente Baby, que trazem histórias de jovens gays inseridos em ambientes desconhecidos, em busca da própria identidade e do afeto que lhes foi negado muitas vezes ao longo da vida. Muitos homens gays, em algum momento, permitiram-se viver esse "submundo" das grandes cidades: os inferninhos com dark rooms, garotos de programa e os muitos perigos à espreita.

    O filme é intenso, com cenas quentes entre os protagonistas, nu frontal e uma viagem a locais que, em um passado não muito distante, eram as únicas opções disponíveis para homens em busca de outros homens. Nesse quesito, o longa é realista e entrega um bom entretenimento. A história, contudo, escorrega um pouco na falta de novidade.

​   No longa, o jovem professor Gabriel (Caio Macedo) se muda para uma nova cidade enquanto lida com a perda da avó. Ao chegar, conhece Adriano (Alejandro Claveaux), um garoto de programa uruguaio com quem vive uma paixão arrebatadora que rapidamente se transforma em obsessão. ​Quando o envolvimento se rompe abruptamente pelo desaparecimento repentino de Adriano, Gabriel inicia uma jornada por experiências comuns no meio gay: a paixão obsessiva por alguém tóxico, as festas, o sexo fácil, as drogas e uma comunidade tentando acolher quem pouco a valoriza.

​   Apesar de ser um tema que costuma se repetir em produções LGBTQIAPN+, o filme transita bem entre suas subtramas, reforçando uma mensagem de esperança mesmo quando tudo parece perdido. Ruas da Glória transforma Gabriel em quase um mártir, alguém que se entrega às vivências sem temer as consequências.

   ​O resultado, que poderia ser melancólico, ganha contornos diferentes graças a uma sensibilidade que revela que, embora a verdade nua e crua nem sempre seja dita claramente, sempre existem outros caminhos disponíveis.

​  Hype: ⭐️⭐️⭐️ (Bom)


#ruasdaglória #LGBTQIAPN #gay #homem #filme

sábado, 4 de abril de 2026

O DRAMA (2026) de "Kristoffer Borgli"


 O desmoronamento do "felizes para sempre" 👰‍♂️🤵

     O novo filme da A24 entrega um contraste visceral entre a idealização do matrimônio e a fragilidade das conexões humanas. Protagonizado por Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson), o longa acompanha um casal nos dias que antecedem o altar. O que deveria ser o ápice da celebração torna-se um ponto de ruptura quando a revelação de segredos profundos coloca a confiança mútua em xeque. 

​    A partir desse conflito, o diretor explora as relações afetivas sob uma perspectiva desconfortável e autoral. Embora seja essencialmente um drama, a obra abraça elementos da comédia romântica e do suspense, provocando no espectador um estado de confusão emocional similar ao que os protagonistas vivem em tela.

​   A trama foca em Emma Harwood e Charlie Thompson, um casal aparentemente apaixonado nos preparativos finais para o casamento. No entanto, a semana sai completamente dos trilhos após uma dinâmica entre amigos: o que começa como uma brincadeira de confessar segredos termina em um "atentado" emocional. Quando Emma revela algo chocante, tudo o que Charlie acreditava saber sobre sua futura esposa desmorona. 

​   Alerta de Gatilho: O público pode esperar uma narrativa desconfortável e visualmente impactante. O filme foge das convenções do gênero para explorar a paranoia e as fissuras da confiança. É um thriller que utiliza a estética limpa e sofisticada de um casamento de elite como pano de fundo para um desmoronamento moral e psicológico, potencializado pela produção visceral de Ari Aster

  O Drama é uma experiência quase sensorial. Durante a sessão de imprensa, as reações foram diversas e intensas; eu mesmo me senti profundamente abalado. Zendaya e Robert Pattinson se entregam em um filme com o selo A24, abordando temas delicados de forma dolorida e de certa forma inovadora. Um verdadeiro exercício cinematográfico. 

⭐️⭐️⭐️ BOM


#odrama #thedrama #a24 #robertpattinson #zendaya

quarta-feira, 1 de abril de 2026

SUPER MARIO GALAXY - O FILME (2026) de "Aaron Hovarth" e outros

 


Mundos vibrantes, personagens memoráveis e risadas bobas. 💥💥💥

   A franquia de Mario no cinema, com apenas um filme, já se tornou uma das mais lucrativas da era moderna. Super Mario Bros. O Filme (2023) detém a nona maior bilheteria da década, mesmo sem o pleno apoio da crítica especializada. Embora esta sequência pareça um sucesso garantido, nem sempre o caminho foi óbvio; esse estilo de animação ganhou força graças ao êxito de Um filme LEGO, que abriu portas para Mario, Sonic e Minecraft. O fenômeno provou que qualquer propriedade intelectual pode triunfar, desde que apresente um visual impecável e venha recheada de humor metalinguístico, vozes de celebridades e easter eggs para os fãs mais dedicados.

   Super Mario Galaxy não busca a inovação. Ele até apresenta um enredo, embora seja essencialmente o mesmo do primeiro longa: os irmãos encanadores Mario e Luigi (dublados por Chris Pratt e Charlie Day) precisam salvar a princesa das garras de Bowser. É verdade que a princesa é outra (Rosalina, com a voz de Brie Larson) e o vilão também (Bowser Jr., interpretado por Benny Safdie), mas o fato é que a história é propositalmente simples. Os irmãos, acompanhados por personagens excêntricos, atravessam uma galáxia de planetas pequenos e peculiares no esforço de resgate.

​   Ainda assim, o filme é, em grande parte, encantador. Substancialmente baseado na série de jogos homônima, cujo último título foi lançado há 16 anos, o longa é repleto de referências obscuras e deliciosamente bizarras. Um dos destaques é a participação divertida de Star Fox (dublado por Glen Powell), o protagonista de uma clássica série da Nintendo que pouco tem a ver com o universo direto de Mario. Há acenos inteligentes a tudo, desde o Mario Bros. original até a estética de Paper Mario. Além disso, as renderizações em 3D de vilões originalmente fofinhos em 2D são cativantes. Um momento memorável é a cena em que a Princesa Peach (Anya Taylor-Joy) entra em um bar com estética Blade Runner, repleto de "monstruosidades" adoráveis.

​   No fim, é uma obra dedicada aos fãs e um entretenimento deliciosamente divertido.

⭐️⭐️⭐️ BOM


#supermario #supermariogalaxy #mario #nintendoswitch #cinema

segunda-feira, 30 de março de 2026

EXPOSIÇÃO - JOAQUÍN TORRES GARCIA - 150 ANOS

Performance “Fricções” abre exposição sobre Torres García no CCBB Brasília.

Marionetista Juliana Notari une dança, música e marionete em diálogo com o artista uruguaio, performance une marionete, dança e música em experiência interdisciplinar.  

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Brasília recebe, a partir de 31 de março, a exposição Joaquín Torres García – 150 anos, com curadoria de Saulo di Tarso, em cartaz até 21 de junho. Como parte da programação de abertura, será apresentada a performance “Fricções”, criação da marionetista Juliana Notari, que combina marionete, dança e música em um campo de experimentação entre linguagens. A classificação é livre. 

Juliana é uma marionetista cuja prática, na geração dela, é rara no Brasil. Com vivência em diversos países da América do Sul e da Europa, especialmente Espanha e Itália, ela apresenta e desenvolve regularmente seu trabalho junto a marionetistas internacionais. Estudiosa da obra de Torres García, sua performance ajuda a revelar a dimensão africana do artista. A performance conta, ainda, com a participação do dançarino Ivo Grieco e do músico Heri Brandino, que executa marimba e outros instrumentos de madeira. Inspirada no princípio de que o significado se constrói no atrito entre estruturas, a obra dialoga com o Construtivismo Universal de Torres García, destacando símbolos recorrentes como peixe, coração, sol e lua. 

Segundo o curador Saulo di Tarso, a performance amplia a leitura da exposição ao aproximar o pensamento do artista de práticas contemporâneas. “Celebrar 150 anos de Torres García exige ampliar o percurso histórico e evidenciar como suas reflexões sobre arte e identidade latino-americana permanecem atuais”, afirma. 

A exposição ficará em cartaz na Galeria 5 e Pavilhão de Vidro do CCBB Brasília (SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves, Setor de Clubes Sul). Antes da performance, haverá visita mediada exclusiva para a imprensa, conduzida pelo curador, a partir das 16h do dia 31 de março. 

Selecionada no Edital CCBB 2023-2025, viabilizada através da Lei Rouanet, a exposição é patrocinada pela BB Asset, organizada e produzida pela Cy Museum. 


Serviço - Joaquín Torres García - 150 anos 

Local: CCBB Brasília Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves - Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro 

Data: de 31 de março a 21 de junho 

Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até 20h40) 

Classificação: livre Ingressos em www.bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB Brasília 

Transporte gratuito de quinta a domingo, saindo da Biblioteca Nacional Gratuito 

Programação de abertura  

Local: CCBB Brasília Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves - Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro Data: de 31 de março - Visita mediada exclusiva para a imprensa, conduzida pelo curador Saulo di Tarso, a partir das 16h e performance “Fricções”, criação da marionetista Juliana Notari 

Classificação: livre 

Itinerância: CCBB Brasília (31 de março a 21 de junho de 2026) e CCBB BH (15 de julho a 12 de outubro de 2026).

Ficha técnica  

Realização: Ministério da Cultura 

Patrocínio: BB Asset Organização e Produção: Cy Museum Curadoria: Saulo di Tarso com a colaboração do Museo Torres García 

Apoio Institucional: Museo Torres García Coordenação Geral: Cynthia Taboada Coordenação Editorial e Pesquisa: Helena Eilers, Andrea Sousa e Xênia Bergman. Projeto expográfico: Stella Tennenbaum bb.com.br/cultura instagram.com/ccbbbrasilia | facebook.com/ccbbbrasilia| tiktok.com/@ccbbcultura 


 

sexta-feira, 27 de março de 2026

ELES VÃO TE MATAR (2026) "They Will Kill You" de "Kirill Sokolov"

 


Sangue e loucura! 🩸🩸🩸

   A cada ano, o gênero terror e seus derivados recebem inúmeros títulos com abordagens variadas, transitando entre a originalidade e a previsibilidade. Eles Vão Te Matar situa-se nesse meio-termo. O longa traz o DNA de obras como Casamento Sangrento e outros expoentes do Terror Gore, provando como fórmulas consagradas podem ser bem reaproveitadas quando há espaço para o brilho autoral. Após o sucesso de títulos aclamados como A Substância, Pecadores e A Hora do Mal nas principais premiações do mundo, é nítido que o Terror conquistou uma visibilidade sem precedentes. 

    Eles Vão Te Matar reúne elementos que jogam a seu favor, a começar pela direção dinâmica de Kirill Sokolov e pelo elenco de peso. Além da excelente Zazie Beetz, a produção conta com rostos conhecidos como Heather Graham, Tom Felton e Patricia Arquette, que curiosamente, iniciou sua carreira no terror na franquia A Hora do Pesadelo

    Enquanto alguns filmes apenas flertam com o inesperado, outros o abraçam completamente como acontece em Eles Vão Te Matar, um delírio febril e sangrento movido por instinto e adrenalina. Na trama, membros de um culto desesperado buscam um sacrifício ritualístico em uma paisagem quase surreal. O alvo é Asia Reaves (Zazie Beetz), uma forasteira aparentemente solitária que eles acreditam ser a presa fácil. 

    O longa é indicado para quem já está habituado ao gore, com mortes criativas e cenas viscerais mas pode agradar que gosta de Kill Bill e Jonh Wick. Sokolov constrói a base da história sem grandes inovações, é um roteiro simples e, por vezes, excessivo nas explicações e utilizando um hotel amaldiçoado como cenário quase único. Contudo, o filme ganha pontos por não se levar a sério, entregando sequências hilárias e icônicas, como a saga de um olho decapitado caçando a protagonista.

​    No geral, temos uma trama compacta, personagens carismáticos e uma história insana sobre vingança e forças sobrenaturais. Tudo isso regado a muita violência e impacto, resultando no filme mais divertido do ano até o momento. 

⭐️⭐️⭐️ LEGAL


#elesvãotematarfilme #theywillkillyou #cinema #terror #gore

quarta-feira, 18 de março de 2026

CASAMENTO SANGRENTO - A VIÚVA (2026) de "Matt Bettinelli-Olpin" e "Tyler Gillett"

 

Carnificina Cômica! 🔪🔪😈

   Casamento Sangrento foi uma das surpresas de 2019, um filme lançado quase sem alarde que virou cult, alguns anos depois, principalmente a cena icônica da noiva ensanguentada fumando seu cigarro no ato final do filme. A continuação começa imediatamente após o filme anterior, com Grace ( Samara Weaving ) emergindo dos destroços em chamas da propriedade La Domas e sendo recebida pelos socorristas. Ela acorda no hospital apenas o suficiente para cumprimentar sua irmã distante, Faith ( Kathryn Newton ), e levantar suspeitas antes que ambas as irmãs se vejam envolvidas em uma frenética disputa pelo cargo de presidente do conselho do Sr. Le Bail. 

    As regras permanecem praticamente as mesmas em um jogo de esconde-esconde com apostas ainda maiores: Grace precisa sobreviver até o amanhecer para vencer, enquanto seis famílias do Alto Conselho competem para eliminá-la. O prêmio? Poder absoluto. Há muito terreno a ser explorado na apresentação dos novos clãs satânicos e suas disfunções familiares, o que significa que Casamento Sangrento 2, embora ainda mantenha um ritmo acelerado, demora um pouco para realmente engrenar. São as apresentações que também deixam claro que esta sequência aposta muito mais no humor do que seu antecessor. 

    Os cineastas nunca tratam a carnificina como algo banal, e as mortes e as surras continuam impactantes. A dedicação aos efeitos práticos significa que satanistas explodindo ainda não perderam o encanto, assim como a reação de Weaving a eles. Kathryn Newton demonstra uma química natural com Samara Weaving em cena, trazendo uma energia contagiante e um espírito combativo para Faith, que complementam a exasperação desiludida de Grace. Mas Weaving continua sendo a estrela.

    Uma continuação onde tudo fica maior, um campo de batalha mais amplo, um número de mortes maior (e mais sangrento) e até o dobro de protagonistas. Tudo pensado para proporcionar a máxima diversão ao público. E cumpre esse objetivo com maestria, mesmo que perca um pouco da magia do original no processo. 

  ⭐️⭐️⭐️ BOM


#casamentosangrento #readyornot #terror #slash #cinema

terça-feira, 17 de março de 2026

A Pequena Amélie (2025) de "Maïlys Vallade" e "Liane-Cho Han"


 Uma Lição de Vida 👶🏻👶🏻👶🏻

    A Pequena Amélie pertence àquele grupo de filmes que, embora sejam animações com uma estética aparentemente infantil, revelam-se profundamente maduros. Acompanhamos a perspectiva de uma menina e seu pequeno mundo do início ao fim: seus pais, a avó, a querida babá, os passeios à praia e as brincadeiras na água. Há momentos incrivelmente reflexivos, narrados com uma simplicidade surpreendente, como quando a babá, Nishio-san, explica a Amélie que perdeu toda a sua família na guerra. Apesar da dureza do relato, o filme mantém sua ternura e doçura. É quase impossível não se comover com uma história contada pelo olhar de uma criança de três anos que acredita ser capaz de conquistar tudo o que deseja. 

​   Dirigido pelas estreantes em longas-metragens Maïlys Vallade e Liane-Cho Han, o filme adapta as memórias de Amélie Nothomb descritas em "A Metafísica dos Tubos". Conhecemos Amélie ainda bebê, em um estado de inércia quase vegetativo, até que sua avó lhe oferece um pedaço de chocolate branco. A partir desse despertar sensorial, a menina se conecta com o mundo e, aos três anos, começa a falar. Sua família é belga, mas vive no Japão devido ao trabalho do pai. 

   Além de oferecer diversas lições, A Pequena Amélie possui uma poesia visual que remete às produções do Studio Ghibli, combinando brilhantemente humor e sensibilidade em seus diálogos. Essa sinergia a torna uma das melhores animações de 2025 e, possivelmente, da última década. Ao transmitir emoções complexas através de cores vibrantes e uma narrativa linear, o filme se consolida como uma obra encantadora e repleta de sabedoria. 

    Em apenas 78 minutos, o longa trata a infância com um respeito e carinho raros, fugindo da infantilização excessiva ou da arrogância adulta comum em outras produções. O filme tem a incrível capacidade de adotar a perspectiva de uma menina que se considera uma deusa, mantendo essa coerência narrativa em cada cena. Descobrimos o mundo através de seus olhos, cabendo a nós, como adultos, reinterpretar o que vemos: Amélie pode não ser a divindade que acredita ser, mas possui a onipotência de nos emocionar a cada instante. 

⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO


#apequenaamelie

Queens of the Dead (2025) de "Tina Romero"


 Zumbis Queer 🏳️‍🌈

​    O que seria dos filmes de zumbi sem George Romero? Aclamado como o pai do cinema de zumbi moderno, ele foi o diretor de obras-primas como A Noite dos Mortos-Vivos (1968), Despertar dos Mortos (1978) e Dia dos Mortos (1985). Romero faleceu em 2017, deixando, além de seu vasto legado cinematográfico, sua herdeira Tina Romero. Tendo crescido nos sets de filmagem do pai, Tina buscou honrar esse histórico e agora finalmente estreia no comando de um longa-metragem.

​    Queens of the Dead, seu primeiro filme, estreou no Festival de Cinema de Tribeca em junho de 2025 e chega agora em circuito limitado aos cinemas do Brasil. O longa traz uma abordagem queer ao gênero: ambientado em uma boate drag onde os frequentadores precisam sobreviver a um apocalipse, a estreia de Tina na direção é um festival de zumbis brilhantes, repleto de humor e emoção. O filme prova que há espaço de sobra no gênero para essas "Rainhas dos Mortos". Uma mistura semelhante de luz e escuridão forma a espinha dorsal de Queens of the Dead, uma comédia de terror onde drag queens e jovens queer enfrentam uma horda de zumbis estilosos de pele prateada.

​    A comunidade queer é a protagonista, representando um amplo espectro de identidades e gerações. Temos Dre (Katy O'Brian), uma DJ lésbica com uma esposa grávida; Nico (Tomás Matos), um dançarino não-binário; a drag queen Ginsey Tonic (interpretada por Nina West, ex-participante de RuPaul's Drag Race); a lésbica butch Pops (Margaret Cho); e até mesmo um personagem heterossexual simbólico, o republicano Barry (Quincy Dunn-Baker). O filme apresenta esse grupo heterogêneo de forma concisa antes de lançá-los em um apocalipse que os força a resolver suas diferenças.

​     Acompanhar a estreia promissora de Tina Romero é como revisitar os primeiros filmes de seu pai: baixo orçamento, estilo próprio na caracterização dos mortos-vivos e muita originalidade. Uma leitura divertida, fashion e necessária para o gênero.

⭐️⭐️⭐️ BOM


🏳️‍🌈🏳️‍🌈🏳️‍🌈 #queensofhedead #zumbi #georgeromero #tinaromero #terror

sábado, 7 de março de 2026

HARRY STYLES - KISSCO (Kiss All The Time. Disco, Occasionally.)


Se em seu último álbum Harry’s House era um convite para ficar em casa, KISSCO é um convite para se perder na rua e se divertir. Com sonoridade próxima de LCD Soundsystem e transitando bem no universo Pop e Indie, novo álbum de Harry Styles confirma seu status de reizinho pop após pequeno hiato em sua carreira. Um álbum delicioso do início ao fim. 

🎶 Top 3, favoritas do álbum: Season 2 Weight Loss, Ready, Steady, Go! e Pop. 


🎧 Faixa a Faixa: 

1. Aperture - O primeiro single do álbum é um despertar leve nos sintetizadores e já mostrando essa pegada eletro-chic inspirada em LCD Soundsystem. 

2. American Girls - Evoca o pop/rock de seus trabalhos anteriores, talvez lembre até os tempos de One Direction. 

3. Ready, Steady, Go! - Energética e com uma pegada indie em sua essência. 

4. Are You Listening Yet? - É um pequeno hino sobre conexões modernas com direito a sprechgesang (canto falado) e uma pegada pop. 

5. Taste Back - Uma balada com elementos modernos e cara de hit. 

6. The Waiting Game - Uma canção leve e com boa melodia. 

7. Season 2 Weight Loss - Aqui Harry brinca com Kraftwerk e Drum and bass, em sua música mais experimental do álbum. Minha favorita do álbum. 

8. Coming up Roses -  Uma valsa melancólica que nunca fica cafona. 

9. Pop - Certamente a única carteirada dele no álbum, feita para as rádio FM"s. 

10. Dance no More - Groove oitentista evocando good vibes. 

11. Paint by numbers - Aquela música que anuncia o fim do álbum... toda energia se abaixa quase a um cochilo. 

12. Carla"s Song - Encerramento com pianos ondulantes e sintetizadores agitados. Terminar no auge.


🎶🎶🎶 Good Vibesss ⭐️⭐️⭐️⭐️


#harrystyles #kissco #singer #music #spotify

A NOIVA (2026) "The Bride" de "Maggie Gyllenhaal"


 Uma ode aos desajustados! 👰‍♂️👰‍♂️👰‍♂️

​     A Noiva! é um filme-conceito, uma mistura de gêneros da cineasta Maggie Gyllenhaal, e é nada menos que caótico, às vezes punk, às vezes teatral, mas sempre carregado de violência. Esta reinterpretação do universo de Frankenstein, de Mary Shelley, traz uma fenomenal Jessie Buckley no papel principal, motivada pela premissa de "preferir não" para, no fim, fazer o que bem entender. Ter um Frankenstein cinéfilo e uma Noiva que inicia uma revolução feminista já vale, por si só, o ingresso. 

  Embora o longa comece com um Frankenstein solitário, esta não é a história dele. Nós o acompanhamos em sua viagem para a Chicago dos anos 1930, onde ele busca a ajuda da Dra. Euphronious (Annette Bening, cinco vezes indicada ao Oscar). Desesperado por uma companheira e sem o seu criador original, ele recorre a essa nova "cientista louca" para dar vida ao seu par. Para isso, a escolha recai sobre o corpo de uma jovem assassinada e enterrada em uma vala comum; poucas horas depois, nasce A Noiva (Buckley). 

    Em uma trama secundária que evoca uma paródia grotesca de Bonnie e Clyde, o detetive Jake Wiles (Peter Sarsgaard) e Myrna Mallow (Penélope Cruz) perseguem o casal de fugitivos. Em vez de assaltos a bancos, o par monstruoso percorre teatros do Meio-Oeste e cinemas de Nova York em busca de um glamour passageiro, deixando um rastro de violência por onde passa. 

   O filme é pontuado por interlúdios surreais: números musicais, metalinguagem cinematográfica e sequências em salões de baile com o ídolo de Frankenstein, Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal), evocando a estética de Fred Astaire. Embora visualmente impactantes, essas sequências são narrativamente desvinculadas, o que contribui para uma paisagem tonal fragmentada. 

    De muitas maneiras maravilhosas, A Noiva! se apresenta como um chamado de ação as mulheres. Pode não ser uma obra unânime, mas é revolucionária à sua maneira — mesmo que lhe falte clareza estrutural e lhe sobre excesso estilístico.

⭐️⭐️⭐️ BOM


#thebride #anoiva #jessiebuckley #cinema #filme

quarta-feira, 4 de março de 2026

Cara de um, Focinho do Outro (2026) "Hoppers" de "Daniel Chong"


 Criativo, divertido e um tanto maluco.🦫🦫

   Cara de um, Focinho do Outro marca o retorno triunfal da Pixar à sua essência original. Ao misturar aventura, comédia e emoções genuínas, o filme prova que uma premissa excêntrica pode, sim, caminhar lado a lado com sentimentos profundos. Há uma delicadeza tocante nos momentos mais densos que harmoniza perfeitamente com a natureza maluca do enredo. A animação te conquista no primeiro momento e não te larga mais. 

   A trama acompanha a heroína Mabel que, em uma sacada inspirada em Avatar, transfere sua consciência para um castor artificial na tentativa de guiar um castor real de volta as suas origens. A partir daí, o filme mergulha em uma abordagem inteligente sobre a dicotomia entre natureza e humanidade. É gratificante observar o crescimento em ver Mabel aprender a relaxar, trocando o estresse da vida humana pela liberdade animal. 

  O longa transborda imaginação, explorando reviravoltas de ficção científica enquanto exibe o apuro visual característico dos filmes modernos da Pixar. A trilha sonora é vibrante e as cenas de ação, deliciosas. No fundo, a obra é uma ode ao amor pelos animais e ao respeito pelo equilíbrio ambiental; o que poderia soar como um discurso moralista acaba se tornando apenas bom senso. 

   Cara de um, Focinho do Outro equilibra com maestria o entretenimento familiar com a capacidade da Pixar de criar camadas reflexivas. Com um humor afiado, ótimas referências cinematográficas e uma narrativa envolvente, este é um filme que encanta tanto adultos quanto crianças. 


⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM


#hoppers #caradeumfocinhodooutro #pixar #disney #castor

terça-feira, 3 de março de 2026

KOKUHO (2025) de "Lee Sang-il"


 Um espetáculo! 🎎🪭

    Kokuho, escolhido para representar o Japão no Oscar de Melhor Filme Internacional deste ano  (chegando à lista final) e indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo é uma experiência fascinante, um espetáculo visual que explora pacientemente o preço que os artistas pagam por sua arte, onde é necessário um certo nível de obsessão para se tornar excelente em uma habilidade escolhida, e essa abordagem obstinada é um prato cheio para um grande filme. 

     O épico de três horas do diretor Lee Sang-il, leva essa determinação obsessiva para o palco do kabuki, uma arte japonesa que combina teatro, dança e música (ka-buki: cantar, dançar, habilidade) com maquiagem expressiva (kumadori), figurinos elaborados e atuações exageradas. O resultado é um filme grandioso em todos os aspectos e que transborda arte e beleza. 

    Os atores de Kabuki ocupam um lugar de destaque na cultura oriental. Kokuho enfatiza as intensas crises pessoais e culturais profundas presentes nessa arte e acompanha a vida de um jovem que, após testemunhar o assassinato do pai pela yakuza, é acolhido por um mestre do teatro kabuki. Rebatizado como Toichiro, ele é introduzido em um universo de disciplina extrema e treina ao lado do filho biológico do mestre, desenvolvendo uma relação de afeto e rivalidade. 

   Ao longo de cinquenta anos, através de vidas entrelaçadas, Kikuo e Shunsuke lidam com sua herança, seus diferentes níveis de comprometimento profissional (ou a falta dele) e sua aceitação ou rejeição pelo mundo do Kabuki. Ressentimento, raiva e éticas de trabalho distintas dominam a rivalidade entre Kikuo e Shunsuke. Kikuo demonstra mais talento inato e, mais importante, um interesse apaixonado do que Shunsuke, apesar de não possuir a mesma herança. 

    Kokuho questiona o preço da beleza. Se a dor, a perda e a exaustão que infligimos a nós mesmos em nome da arte valem a pena, ou se há uma irrelevância inerente a uma vida dedicada à busca de um ideal impossível. Embora as três horas de duração possa afastar muitos expectadores, aqueles que se entregarem a Kokuho embarcarão em uma aventura épica que abrange amizade, rivalidade e a nebulosa zona intermediária. 


⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO 


#kokuho

ARCO (2025) de "Ugo Bienvenu"


 Um clássico instantâneo! 🌈🌈🌈

​   Histórias ambientadas em um futuro distante, sejam elas animadas ou não, têm o dom de revelar o preço que acreditamos que o progresso nos custará — seja em termos de meio ambiente, de relacionamentos ou do frágil elo que une ambos. Arco possui o inegável brilho de um clássico instantâneo: uma narrativa calorosa e comovente, sustentada por um visual deslumbrante que amarra tudo de forma mágica. Esta encantadora animação francesa, desenhada à mão, apresenta delicadas lições sociais e ecológicas que ressoam no presente. Arco é uma animação que envolve o expectador em uma fantasia de amadurecimento, entrega imagens marcantes e uma história simples, porém enraizada em emoções genuínas, seja ​da poderosa crítica às mudanças climáticas a sua sensibilidade a temática queer

  Combinando influências que se complementam como as cores de um prisma, o filme se destaca por sua construção de mundo inteligente e personagens adoráveis. A trama acompanha Arco, um menino de 10 anos com habilidades de viagem no tempo que se transporta acidentalmente para 2075. Ele faz amizade com Iris, uma jovem que o protege tanto das duras realidades de sua época quanto de um trio de irmãos atrapalhados. Ambos criam um laço como "excluídos", cientes de que a amizade terá um fim inevitável quando o protagonista encontrar o caminho de volta para casa. 

   Como o segundo longa de animação da Neon (após o aclamado Meu Amigo Robô), Arco brilha por sua atmosfera atemporal. Mesmo sendo inédito, carrega o espírito contemplativo e o calor artesanal de clássicos como O Gigante de Ferro e as primeiras obras do Studio Ghibli, sem soar como uma mera cópia desses gigantes. 

    Embora a mensagem central seja um claro questionamento sobre o futuro da IA e do apocalipse ambiental, o filme evita o tom professoral. Ele não tenta apenas emular a narrativa de um extraterrestre viajante (trocando o alienígena de dedos brilhantes por uma criança de capa colorida); em vez disso, a tempestade emocional que os protagonistas enfrentam é incrivelmente terna, envolvente e silenciosamente esperançosa. 


⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO 



#arco #desenho #anime #neon #queerart