Sirat é um "road drama" de música eletrônica com uma estética desértica que se alinha ao discurso de nômades errantes cercados por um mundo exterior de eterno colapso. O contraste entre o escapismo da rave e a brutalidade do contexto geopolítico, torna-se um lembrete brutal de que a jornada pode ser mais importante que o destino. O filme merece o hype por ser um exercício de tensão que atinge o público como uma explosão ensurdecedora. O som é um personagem importante da história.
Um pai (Sergi López) e seu filho chegam a uma rave nas montanhas marroquinas. Eles procuram por Mar, filha e irmã, que desapareceu meses atrás em uma dessas festas intermináveis. Cercados por batidas eletrônicas e uma sensação crua de liberdade, eles distribuem a foto dela repetidamente. A esperança começa a esvair-se, mas ambos perseveram e seguem um grupo de ravers rumo a uma última festa no deserto. À medida que se aventuram na região selvagem e escaldante, a jornada os força a confrontar seus próprios limites.
A cultura da música eletrônica traz a este filme um paradoxo interessante: um grupo focado em dança, união e escapismo — com seus figurinos elaborados e a ética do "paz, amor, união e respeito" — contrasta com a solidão de quem busca refúgio em um mundo materialista e regido por guerras. A poética do deserto abre um espaço simbólico que questiona a memória e a condição humana sob a perspectiva subtextual da imigração.
Em Sirat (nome que remete à metáfora da jornada circular na imigração islâmica), tudo o que você imagina que vai acontecer, definitivamente não acontece. Esse é o ponto central e, talvez, o maior embate com o público. É uma experiência perturbadora que oscila entre a libertação e o luto, o céu e o inferno. Não traz respostas, mas propõe reflexões profundas. É o cinema visceral que se recusa a caminhar pelo óbvio.
🌟🌟🌟🌟 MUITO BOM

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