sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

ATO NOTURNO (2025) de "Marcio Reolon" e "Filipe Matzembacher"


 Sexy, elegante e fatal. 

  Ato Noturno, thriller erótico gay dirigido por Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, possui um ritmo crescente, melancólico e repleto de apreensão. O ótimo elenco é elevado por uma cinematografia sombria e uma trilha sonora marcante. O filme é visualmente deslumbrante com as incursões noturnas de Matias e Rafael. O filme é "hype"? Sim, pois entrelaça fetiche, influência e autoridade de maneira literal em um cinema de urgência. 

  Gabriel Faryas assume o papel de Matias, um jovem e ambicioso ator que exala confiança e anseia pelos holofotes. Em suas andanças, Matias conhece um homem discreto com quem compartilha uma noite intensa. Contudo, torna-se evidente que Rafael (Cirillo Luna) tem muito a perder: ele está prestes a se tornar uma figura política poderosa. Ambos descobrem um fetiche mútuo pela adrenalina de serem flagrados em locais públicos. À medida que suas carreiras decolam, esse jogo perverso torna-se cada vez mais perigoso. 

  A obra envolve a tela em uma paisagem noturna peculiar, que oferece libertação das restrições do dia. A temática do cruising — no Brasil carinhosamente apelidado de "pegação" — não é novidade no cinema, tendo rendido obras incríveis como o clássico Parceiros da Noite (anos 80), o emblemático português O Fantasma e o inesquecível francês Um Estranho no Lago. No cenário nacional, o tema já foi explorado pelo brasiliense Floresta dos Sussurros, de Thiago Cazado, e pelo goiano Vento Seco, de Daniel Nolasco.

  Embora o cruising ocorra comumente em contextos de anonimato em locais públicos (parques, banheiros, bares), no filme, cada novo encontro ameaça o status social dos personagens — e é exatamente esse risco que os mantém unidos. 

  Ato Noturno proporciona uma experiência sensorial específica sem cair na armadilha da sexualidade performática; há sutileza e um suspense devastador. O horror contido na obra não reside apenas em sua eficiência clínica como thriller, mas no lembrete brutal de que a tentativa de reconciliar o desejo com as normas vigentes pode gerar ressentimento, confusão e violência. 

🌟🌟🌟🌟 MUITO BOM


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