Inspirado na novela homônima de Denis Johnson (2011), o filme inicia-se com imagens de forte simbolismo: um túnel, botas de couro devoradas por troncos e o ruído de árvores tombando. É neste cenário que conhecemos Robert Grainier — um homem que viveu oito décadas em Bonners Ferry sem jamais ter visto o oceano. Sonhos de Trem foca na trajetória de Grainier até o fim de seus dias. O filme é Hype? Sim, o entusiasmo em torno da obra é plenamente justificado.
O longa é uma belíssima reflexão sobre a formação dos Estados Unidos, ancorada por uma das melhores atuações da carreira de Joel Edgerton. Com uma delicadeza melancólica, Edgerton conduz o espectador pela rotina na Ferrovia Nacional de Spokane, onde trabalhadores migrantes formam famílias temporárias em meio ao isolamento. O filme transita habilmente entre o realismo do trabalho bruto e o surrealismo de alucinações do personagem que exploram culpa e destino.
Como antecipa o narrador: “Muitos anos depois, uma ponte de concreto e aço seria construída dez milhas rio acima, tornando esta obsoleta”. Grainier viverá o suficiente para testemunhar o progresso, mas, antes disso, será assombrado por visões onde a modernidade surge como uma força inevitável.
A narração de Will Patton nos transporta para dentro e para fora da vida do protagonista. Há algo reconfortante no roteiro de Clint Bentley e Greg Kwedar. Sob a direção de Bentley, a beleza reside nos momentos sem diálogos, em que a trilha sonora carrega o peso emocional em conjunto com a cinematografia lírica do brasileiro Adolpho Veloso e a música de Bryce Dessner. Robert Grainier é um personagem admirável.
Sonhos de Trem alcança proporções míticas sem perder sua essência intimista, oferecendo um testemunho sereno sobre a resiliência, família e o poder da memória.
🌟🌟🌟🌟 ÓTIMO
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