sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

BUGONIA (2025) de "Yorgos Lanthimos"


 Insanidade Cinematográfica!

​  Se existe um diretor que, sem dúvidas, dispensa a terapia, este é Yorgos Lanthimos. Sua filmografia é tão peculiar e instigante que, mesmo quando a mensagem é direta, o resultado é um entretenimento alucinante, sagaz e audacioso. É o caso de Bugonia, sua mais nova investida. Nela, o realizador escala novamente dois artistas no auge de suas carreiras — Emma Stone e Jesse Plemons — para entregar uma obra repleta de elementos das aventuras modernas; uma verdadeira ode à loucura da sociedade contemporânea. Bugonia é hype? Com certeza.

​  Teddy (Jesse Plemons) é o retrato nervoso, superficialmente simpático e, por isso mesmo, cruel de um populista antiglobalista — carregando as conotações antissemitas inerentes ao tipo. Michelle (Emma Stone), por sua vez, personifica a elite corporativa egocêntrica e desdenhosa de forma tensa e igualmente implacável. Lanthimos coloca esses dois arquétipos frente a frente e, com um prazer quase sádico, os lança em uma competição para decidir quem é o mais detestável. Enquanto Teddy submete Michelle a terríveis sessões de eletrochoque divagando sobre invasões alienígenas, ela, ao assumir o controle, vomita um ódio neoliberal ácido, reafirmando que ele sempre será um "perdedor" e ela, a eterna "vencedora".

​  A única alternativa ao vazio ensurdecedor de Teddy ou ao abismo gélido de Michelle é Don (Aldan Deblis), primo de Teddy. Don, que parece estar dentro do espectro autista ou possuir alguma deficiência intelectual, é o único que demonstra preocupação real. Perturbado pela brutalidade do primo, ele tenta convencê-lo a parar ou, em um ato desesperado, tenta interromper a tortura arrancando os aparelhos. Infelizmente, as consequências são duras para todos — afinal, este é o universo de um gênio misantropo do cinema.

  Apesar de toda a ironia e do absurdo, a mensagem de Lanthimos incomoda não por ser insensível, mas por ser desconfortavelmente sincera. Ele nos lembra de que não existem alienígenas para nos destruir ou salvar. O destino das abelhas — e o da humanidade — está em nossas próprias mãos, seja para o bem ou, como o filme sugere, para o mal.

​🌟🌟🌟🌟 MUITO BOM


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