Comovente e revoltante!
O filme retrata uma comunidade amazônica de maneira realista e autêntica. Manas aborda temas densos vividos sob a perspectiva de uma criança. Embora a obra trate do abuso, este nunca é mostrado em tela e raramente é discutido de forma direta nos diálogos; no entanto, o tema pulsa de forma proeminente em toda a narrativa. É uma corrente subterrânea que começa como um desconforto sutil e se transforma em uma compreensão dolorosa. A dor é sentida pelo espectador, e a obra cresce à medida que ganhamos a certeza do que realmente está acontecendo. O Hype em torno do filme é legítimo e necessário.
Manas, de Marianna Brennand, é cru, intimista e destaca com sensibilidade a coragem de uma jovem presa em um ciclo de violência. A câmera, quase nervosa e de natureza claustrofóbica, confere ao filme intimidade e imediatismo. A urgência do assunto não intimida a realizadora a confrontar a engrenagem violenta que rege essa família e as mulheres da comunidade. O longa aborda a natureza do tabu diretamente, usando o olhar da protagonista para examinar uma estrutura rural assolada por ele.
Embora a garotinha não seja ingênua, sua aparente maturidade é atenuada pela dedicação de Brennand em garantir que o público nunca se esqueça de sua infância. Quando não está na escola ou ajudando a mãe, ela está brincando com a irmãzinha ou colorindo desenhos. À medida que sua empolgação em passar tempo com o pai diminui, sua vulnerabilidade permanece exposta. É uma representação dilacerante da perda da inocência, que encontra eco nas mulheres ao seu redor.
É um filme que não tem medo de ser ousado e chocante, comovente e revoltante na mesma medida. Manas enfatiza a importância de romper o silêncio e quebrar o ciclo, destacando a coragem necessária para fazê-lo através dos olhos de uma criança.
🌟🌟🌟🌟 ÓTIMO

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