terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O ÚLTIMO AZUL (2025) de "Gabriel Mascaro"


 A beleza e a tristeza de envelhecer!

​  O Último Azul é uma visão cinematográfica do Brasil do futuro, vividamente realizada pelo diretor Gabriel Mascaro, onde não há espaço para idosos na sociedade. Depois de encantar a crítica e vencer o Urso de Prata no Festival de Berlim em 2025, e de consolidar uma carreira vitoriosa nos cinemas, o filme chega à Netflix para conquistar um novo público. A narrativa inspiradora sobre uma mulher que se recusa a ver a idade como um teto serve como um alerta contundente sobre a marginalização da terceira idade. Denise Weinberg entrega uma atuação coesa e comovente como Teresa, justificando todo o hype em torno da obra.

​  No Brasil de Mascaro, o governo designa seus cidadãos idosos como “patrimônio vivo” e inicia protocolos legais para marginalizá-los. O paternalismo imposto sob o pretexto de proteção inclui aposentadoria forçada, transferência da guarda para parentes mais jovens e o eventual exílio em asilos. Essa premissa vai além de simplesmente catastrofizar o rumo do país; o filme diagnostica a doença, não apenas os sintomas, atacando um sistema de pensamento global. 

 O cenário representa um desfecho assustadoramente lógico da cultura da produtividade e da otimização, em que o Estado reduz cidadãos a meros agentes do mercado de trabalho. Nesse contexto, o cuidado com o idoso torna-se um fardo econômico que exige soluções baseadas na racionalidade técnica em detrimento da humanidade. ​É notável a quantidade de conteúdo que Mascaro condensa nos concisos 86 minutos de duração. Apesar da brevidade, a jornada errante de Tereza transmite profundidade e satisfação. 

  A história é um triunfo silencioso, reconhecendo que o melhor contrapeso à "mão invisível do mercado" é estender uma mão amiga aos sonhos daqueles que foram deixados para trás. Os prazeres e as possibilidades de O Último Azul parecem tão ilimitados quanto as esperanças de Tereza. Com compaixão, o diretor demonstra que um futuro que não acolhe o passado não é um futuro pelo qual valha a pena lutar. O reflexo ligeiramente distorcido do mundo real.

​🌟🌟🌟🌟 MUITO BOM


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