É difícil lançar um olhar crítico sobre algo tão devastador e inegavelmente real como A Voz de Hind Rajab. Trata-se de um docudrama único e oportuno que mescla gravações de áudio reais com a dramatização de eventos verídicos. Ao incorporar elementos tão difíceis de presenciar quanto impossíveis de esquecer, o filme possui um impacto poderoso pela história, comovendo e fazendo um apelo à humanidade, embora possa soar um pouco massante em seu formato narrativo.
Em janeiro de 2024, voluntários do Crescente Vermelho receberam um telefonema de emergência de uma jovem palestina em Gaza. Presa em seu carro, sob o som de tiros, ela implorava por socorro. Não é spoiler — visto que uma legenda no início do filme apresenta os fatos — dizer que os esforços foram, em última análise, em vão. O filme consiste nisso: ouvir, em detalhes, os últimos momentos desesperados de uma menina de cinco anos.
Trechos da voz pequena e aterrorizada de Rajab viralizaram logo após sua morte, tornando-se uma história entre inúmeras outras no contexto do conflito em Gaza. A cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania (indicada ao Oscar por O Homem Que Vendeu a Sua Pele) teve a sensatez de não dramatizar a própria Rajab, adotando uma abordagem minimalista. O filme se passa inteiramente nos escritórios do Crescente Vermelho na Cisjordânia, focando nos operadores que consolam a menina enquanto lutam contra a burocracia e o tempo.
Em termos de tom, os cineastas consideram — com razão — que a sutileza não é um recurso necessário para esta narrativa. Não é uma obra tranquila ou delicada; é angustiante. O esforço emocional exigido do espectador é imenso e nem todos terão estômago para suportá-lo, pois a dor é intensa mesmo através de uma linha telefônica.
🌟🌟🌟 BOM

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