terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A VOZ DE HIND RAJAB (2025) de "Kaother Bem Hania"


 ​O cinema emocionalmente minimalista!

​  É difícil lançar um olhar crítico sobre algo tão devastador e inegavelmente real como A Voz de Hind Rajab. Trata-se de um docudrama único e oportuno que mescla gravações de áudio reais com a dramatização de eventos verídicos. Ao incorporar elementos tão difíceis de presenciar quanto impossíveis de esquecer, o filme possui um impacto poderoso pela história, comovendo e fazendo um apelo à humanidade, embora possa soar um pouco massante em seu formato narrativo.

​  Em janeiro de 2024, voluntários do Crescente Vermelho receberam um telefonema de emergência de uma jovem palestina em Gaza. Presa em seu carro, sob o som de tiros, ela implorava por socorro. Não é spoiler — visto que uma legenda no início do filme apresenta os fatos — dizer que os esforços foram, em última análise, em vão. O filme consiste nisso: ouvir, em detalhes, os últimos momentos desesperados de uma menina de cinco anos.

​  Trechos da voz pequena e aterrorizada de Rajab viralizaram logo após sua morte, tornando-se uma história entre inúmeras outras no contexto do conflito em Gaza. A cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania (indicada ao Oscar por O Homem Que Vendeu a Sua Pele) teve a sensatez de não dramatizar a própria Rajab, adotando uma abordagem minimalista. O filme se passa inteiramente nos escritórios do Crescente Vermelho na Cisjordânia, focando nos operadores que consolam a menina enquanto lutam contra a burocracia e o tempo.

  ​Em termos de tom, os cineastas consideram — com razão — que a sutileza não é um recurso necessário para esta narrativa. Não é uma obra tranquila ou delicada; é angustiante. O esforço emocional exigido do espectador é imenso e nem todos terão estômago para suportá-lo, pois a dor é intensa mesmo através de uma linha telefônica.

​🌟🌟🌟 BOM


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