O beijo flopado! 🕸🕷
O Beijo da Mulher Aranha (2025) não é uma adaptação direta do romance de Manuel Puig, nem do filme de 1985 dirigido por Héctor Babenco. Trata-se, na verdade, de uma versão do musical da Broadway dos anos 90. Talvez isso explique o tom teatral da produção, com cenários limitados e números musicais sem muita grandiosidade. Mas o filme tem hype? Infelizmente, não.
O que deveria jogar a favor desta nova versão acaba sendo seu principal problema. Como drama musical, falta-lhe o impacto emocional que o gênero exige; não há sequer uma cena musical memorável. Como drama puro, também não consegue comover. Tudo soa plástico e artificial: os cenários são datados e a tentativa de conexão com o público atual não funciona. Citações a marcas famosas e o figurino pomposo de Jennifer Lopez não escondem o desespero do filme em parecer moderno.
Nesta adaptação, a falta de química entre os protagonistas é notável. Em muitos momentos, a ausência de brilho e entusiasmo deixa a narrativa morna, prejudicando o ritmo da história. A trama não se desenrola com a mesma força do clássico estrelado por William Hurt, Raul Julia e Sonia Braga. A elegância, delicadeza e seriedade do filme de 1985 transformam-se aqui em uma intriga musical visualmente suntuosa, mas vazia, apesar das performances razoáveis de Jennifer Lopez, Tonatiuh e Diego Luna. A ditadura é tratada sem profundidade.
Para mim, como fã da obra da década de 80, esta releitura fica muito aquém do potencial da história. Mesmo com um esforço admirável dos protagonistas e a escolha ousada pelo formato musical, o resultado final é uma sensação de desperdício. Fica apenas a lembrança do clássico de Babenco, que permanece insubstituível.
🌟🌟 REGULAR

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