terça-feira, 17 de março de 2026

A Pequena Amélie (2025) de "Maïlys Vallade" e "Liane-Cho Han"


 Uma Lição de Vida 👶🏻👶🏻👶🏻

    A Pequena Amélie pertence àquele grupo de filmes que, embora sejam animações com uma estética aparentemente infantil, revelam-se profundamente maduros. Acompanhamos a perspectiva de uma menina e seu pequeno mundo do início ao fim: seus pais, a avó, a querida babá, os passeios à praia e as brincadeiras na água. Há momentos incrivelmente reflexivos, narrados com uma simplicidade surpreendente, como quando a babá, Nishio-san, explica a Amélie que perdeu toda a sua família na guerra. Apesar da dureza do relato, o filme mantém sua ternura e doçura. É quase impossível não se comover com uma história contada pelo olhar de uma criança de três anos que acredita ser capaz de conquistar tudo o que deseja. 

​   Dirigido pelas estreantes em longas-metragens Maïlys Vallade e Liane-Cho Han, o filme adapta as memórias de Amélie Nothomb descritas em "A Metafísica dos Tubos". Conhecemos Amélie ainda bebê, em um estado de inércia quase vegetativo, até que sua avó lhe oferece um pedaço de chocolate branco. A partir desse despertar sensorial, a menina se conecta com o mundo e, aos três anos, começa a falar. Sua família é belga, mas vive no Japão devido ao trabalho do pai. 

   Além de oferecer diversas lições, A Pequena Amélie possui uma poesia visual que remete às produções do Studio Ghibli, combinando brilhantemente humor e sensibilidade em seus diálogos. Essa sinergia a torna uma das melhores animações de 2025 e, possivelmente, da última década. Ao transmitir emoções complexas através de cores vibrantes e uma narrativa linear, o filme se consolida como uma obra encantadora e repleta de sabedoria. 

    Em apenas 78 minutos, o longa trata a infância com um respeito e carinho raros, fugindo da infantilização excessiva ou da arrogância adulta comum em outras produções. O filme tem a incrível capacidade de adotar a perspectiva de uma menina que se considera uma deusa, mantendo essa coerência narrativa em cada cena. Descobrimos o mundo através de seus olhos, cabendo a nós, como adultos, reinterpretar o que vemos: Amélie pode não ser a divindade que acredita ser, mas possui a onipotência de nos emocionar a cada instante. 

⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO


#apequenaamelie

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