quarta-feira, 13 de maio de 2026

OBSESSÃO (2026) de Curry Barker

 

O Terror do "Cuidado com o que Deseja" 😈

    ​Obsessão, de Curry Barker, é um filme cujo título informa imediatamente ao público que não haverá uma doce história de amor; com exceção de uma breve montagem de felicidade doméstica, essa premonição se confirma. Embora a obra não peque em entretenimento, é o terror psicológico que se destaca como seu aspecto mais impactante. Apesar de a premissa ser absurda, inteligentemente temperada com uma boa dose de humor constrangedor, existe uma preocupação muito humana subjacente: e se conseguir o que você deseja não for o que você imaginava? 

​    A sensação apocalíptica dessa constatação é reforçada pelo uso das sombras, magistralmente conduzidas pelo diretor de fotografia Taylor Clemons. Ao obscurecer figuras e valorizar o espaço negativo, o filme permite que o silêncio e o vazio se tornem repletos de significados. É, de fato, assustador.

  Apesar de ser atraente e ter um olhar bondoso, Bear (Michael Johnston) é um protagonista imediatamente antipático, representando o lado mais sombrio da chamada "epidemia de solidão masculina". Mesmo assim, o roteiro leva o público a simpatizar com sua timidez e com a incapacidade de se declarar para Nikki (Inde Navarrette), sua amiga e colega de trabalho. Essa paralisia emocional sugere que, no fundo, ele já sabe que não será correspondido.

     Frustrado, Bear toma a decisão impulsiva de quebrar um "Salgueiro dos Desejos", um item místico que planejava dar de presente a Nikki. Se ainda não estava óbvio que você nunca deve desejar que alguém te ame "mais do que qualquer outra pessoa no mundo", você certamente aprenderá a lição ao final da projeção.

   O filme realiza um equilíbrio delicado, sendo genuinamente apavorante e sombriamente hilário, muitas vezes na mesma cena. Grande parte desse êxito se deve à atuação de Johnston, que modula entre quebras sutis na voz, sugerindo uma psicose crescente  e explosões repentinas de gritos, retornando logo em seguida a sussurros suaves e perturbadoramente tranquilizantes. Certamente um dos melhores filmes de terror do ano! 

​Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (Muito Bom)


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quarta-feira, 6 de maio de 2026

MORTAL KOMBAT 2 (2026) de Simon Mcquoid

 

Flawless Victory, Fatality! 👊🏻

​    Mortal Kombat 2 (sequência do reboot de 2021) chega aos cinemas com êxito ao resgatar a nostalgia dos jogos, entregando tudo o que faltou no anterior. O primeiro longa dividiu opiniões: se por um lado a fidelidade visual e o Scorpion de Hiroyuki Sanada foram muito elogiados, por outro, a criação do protagonista Cole Young e a ausência do torneio propriamente dito deixaram um gosto amargo nos fãs. 

​    A sequência corrige o percurso eliminando Cole Young da história e escalando Karl Urban (The Boys) como Johnny Cage. Por incrível que pareça, o personagem não "rouba" a cena de forma egoísta; ele se integra organicamente ao elenco. Mortal Kombat 2 entrega lutas com riscos maiores, abandonando os embates aleatórios em "vazios dimensionais" para focar na estrutura do torneio e nas consequências políticas entre os reinos. 

   Embora o clássico de 1995 siga imbatível na memória afetiva, este novo capítulo carrega com dignidade o fardo de consertar as escolhas narrativas de seu antecessor. O fan service é de qualidade e a brutalidade inteligente é o ponto alto desta divertida continuação. 

   Ainda que seja assumidamente uma fantasia, o filme não tenta ser revolucionário; ele foca em sua principal virtude: o torneio. A dinâmica é coerente com os games: a cada round, lutadores são selecionados para as arenas enquanto os eventos de bastidores movem a trama. Se Johnny Cage é um protagonista de luxo, é Kitana quem ganha os holofotes, ancorando os eventos em Exoterra e expandindo a mitologia da franquia. 

   ​Tecnicamente, a obra entrega bons efeitos especiais, coreografias inspiradas e abraça o exagero característico dos videogames. Os fatalities são muito bem executados e o trabalho de maquiagem dá um show à parte, principalmente na representação dos Tarkatans e do fantástico Baraka. No fim, MK 2 entrega uma adaptação incrivelmente divertida, violenta e, acima de tudo, fiel ao espírito da franquia. 

​Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM 😁


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