quarta-feira, 29 de abril de 2026

O DIABO VESTE PRADA 2 (2026) de David Frankel


 Tão bom quanto o original! 👠💍

   O universo de O Diabo Veste Prada, estrelado por Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci, retorna 20 anos após o filme original que marcou uma geração e imortalizou uma das vilãs mais icônicas do cinema: Miranda Priestly (Meryl Streep), a poderosa editora da prestigiada revista Runway. Nesta sequência, acompanhamos a resistência de Miranda diante do declínio do jornalismo impresso e das transformações radicais da indústria da moda.

​    No clímax do longa, ela foca sua "visão" em um investidor, criticando a invasão da inteligência artificial no espaço midiático como uma afronta à "conquista humana". O Diabo Veste Prada 2 também toca em outro ponto sensível: a insegurança constante no mercado de trabalho. Abordar temas contemporâneos tão sérios é uma surpresa bem-vinda, especialmente porque a campanha publicitária sugeria uma obra bem mais superficial. 

​   Embora cuidadosamente elaborada para evocar nostalgia, a sequência por vezes luta para revitalizar sua premissa e manter a coerência com o filme original. Miranda Priestly foi, de certa forma, "humanizada" ou "contida" pelas mudanças sociais das últimas duas décadas; agora, ela precisa policiar a própria linguagem em reuniões para não ofender a equipe e chega ao ponto de ter de pendurar o próprio casaco — em vez de simplesmente lançá-lo sobre a mesa de sua azarada assistente. 

    ​Essa atualização da protagonista foi bem executada, assim como o restante da produção. No geral, o quarteto principal está muito à vontade em seus papéis, ainda que a história possa parecer repetitiva em alguns trechos. No restante, o filme mantém a essência do original: uma excelente trilha sonora, participações especiais de luxo, figurinos práticos e elegantes, além de um humor bem dosado. A recompensa de revisitar esse universo é imensamente divertida e saborosa. 

​Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)

#thedevilwearsprada #odiabovesteprada #moda #cinema #style

quarta-feira, 22 de abril de 2026

MICHAEL (2026) de "Antoine Fuqua"


Emocionante e dedicado aos fãs! 🎤🎤🎤

​   Michael é um docudrama que traz a representação cinematográfica da vida e do legado de um dos artistas mais influentes da história. O filme oferece ao público um lugar na primeira fila para observar Michael Jackson como nunca antes. Apesar de um roteiro com escolhas narrativas cautelosas e limitações externas, a obra é uma cinebiografia imperdível, que explora momentos históricos do astro pop com uma performance incendiária de Jaafar Jackson (sobrinho de Michael e filho de Jermaine Jackson). 

   ​O roteirista John Logan (Skyfall) enfrenta o desafio ingrato de escrever sobre os anos de formação do cantor sem citar duas das figuras mais importantes de sua vida: sua irmã mais nova, Janet, e sua mentora de longa data, Diana Ross. Fica evidente que o filme foca na imagem de um artista que deseja assumir o controle da própria trajetória. Isso estabelece o conflito central entre Michael e seu pai, Joe (Colman Domingo), em atuação arrepiante, mas acaba negligenciando outros relacionamentos, sejam românticos ou platônicos, como a amizade com Brooke Shields

  O vazio deixado por essas lacunas é compensado pela entrega excepcional nos números musicais, certamente os momentos mais memoráveis da produção. Com figurinos estelares de Margie Rodgers e uma equipe de caracterização que captura com precisão as diversas fases do cantor, as cenas de shows são mágicas, transmitindo com perfeição a inegável presença de palco de Michael e o efeito hipnótico que ele causava nos fãs. 

   Como se não fosse difícil o suficiente condensar uma vida dessa magnitude em pouco mais de duas horas, Michael ainda precisa equilibrar-se na corda bamba entre a fidelidade biográfica e as obrigações contratuais. O projeto cobre apenas a primeira metade da vida do cantor e possui amarras que limitam a liberdade criativa dos realizadores. 

   Michael pode não ser uma cinebiografia perfeita em termos de profundidade documental, mas enche os olhos de quem algum dia se encantou com o astro. É um filme para apreciar um ícone que, no fundo, guardava a alma e o coração de uma criança. 

Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


#michael #michaeljackson #bio #música #cinematography

terça-feira, 21 de abril de 2026

MALDIÇÃO DA MÚMIA (2026) de "Lee Cronin"


 Brutal e grotesco! 💀💀💀

​    Maldição da Múmia, do diretor Lee Cronin, tenta devolver ao terror um ícone que, deliberadamente, foi transformado em herói de ação por Hollywood nas últimas décadas — seja na adorada franquia estrelada por Brendan Fraser ou no desastroso filme de 2017 com Tom Cruise (do "Dark Universe" da Universal). Embora não tente emular a atmosfera gótica do clássico de 1932 com Boris Karloff, Cronin arrisca ao entregar uma versão de terror puro e cru. 

    O resultado é uma experiência que remete a uma mistura de O Exorcista com Evil Dead: A Morte do Demônio. Para os fãs de gore, o filme é um prato cheio: violência gráfica abundante, momentos nojentos e uma agonia de tirar o fôlego. O ritmo só perde o fôlego quando o choque visual deixa de assustar para apenas incomodar; no fim, a obra cumpre seu papel como terror contemporâneo, mas peca pela falta de originalidade ao ser analisada mais a fundo. 

​    Conhecemos então os Cannon: o repórter Charlie (Jack Reynor), a enfermeira grávida Larissa (Laia Costa) e seus filhos, Seb e Katie. Eles levam uma vida feliz no Cairo até que o desaparecimento de Katie destrói a estrutura familiar. Oito anos depois, agora vivendo em Albuquerque, Novo México, com uma filha mais nova, Maud (Billie Roy), e a avó Carmen (Verónica Falcón), o casal ainda é assombrado pelo trauma. O "milagre" surge com um telefonema da embaixada: Katie foi encontrada. Ela está viva, mas a notícia traz um novo horror: sua aparência agora é grotesca e sobrenatural. 

    Assistindo o filme em uma sala de cinema moderna, com tela gigante e um bom som, fica claro que Cronin não conhece limites na entrega da violência. O uso de efeitos práticos torna tudo implacável e palpável. Destaque para uma cena envolvendo um cortador de unhas — filmada em close-up, ela faz a plateia inteira se contorcer na poltrona. É um desconforto deliberado; Cronin quer que sua versão da Múmia seja a mais visualmente intensa possível. Se você busca um entretenimento perturbador e não tem estômago fraco, este filme é para você.

Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#maldiçãodamúmiafilme #mumia #themummy #leecronin #terror

quarta-feira, 8 de abril de 2026

RUAS DA GLÓRIA (2026) de "Felipe Sholl"

O Buraco da Glória! 😈

   Ruas da Glória surge nesta nova fase do cinema LGBTQIAPN+ que explora o underground das metrópoles brasileiras e suas vivências. A obra remete a títulos interessantes, desde o gaúcho Tinta Bruta ao recente Baby, que trazem histórias de jovens gays inseridos em ambientes desconhecidos, em busca da própria identidade e do afeto que lhes foi negado muitas vezes ao longo da vida. Muitos homens gays, em algum momento, permitiram-se viver esse "submundo" das grandes cidades: os inferninhos com dark rooms, garotos de programa e os muitos perigos à espreita.

    O filme é intenso, com cenas quentes entre os protagonistas, nu frontal e uma viagem a locais que, em um passado não muito distante, eram as únicas opções disponíveis para homens em busca de outros homens. Nesse quesito, o longa é realista e entrega um bom entretenimento. A história, contudo, escorrega um pouco na falta de novidade.

​   No longa, o jovem professor Gabriel (Caio Macedo) se muda para uma nova cidade enquanto lida com a perda da avó. Ao chegar, conhece Adriano (Alejandro Claveaux), um garoto de programa uruguaio com quem vive uma paixão arrebatadora que rapidamente se transforma em obsessão. ​Quando o envolvimento se rompe abruptamente pelo desaparecimento repentino de Adriano, Gabriel inicia uma jornada por experiências comuns no meio gay: a paixão obsessiva por alguém tóxico, as festas, o sexo fácil, as drogas e uma comunidade tentando acolher quem pouco a valoriza.

​   Apesar de ser um tema que costuma se repetir em produções LGBTQIAPN+, o filme transita bem entre suas subtramas, reforçando uma mensagem de esperança mesmo quando tudo parece perdido. Ruas da Glória transforma Gabriel em quase um mártir, alguém que se entrega às vivências sem temer as consequências.

   ​O resultado, que poderia ser melancólico, ganha contornos diferentes graças a uma sensibilidade que revela que, embora a verdade nua e crua nem sempre seja dita claramente, sempre existem outros caminhos disponíveis.

​  Hype: ⭐️⭐️⭐️ (Bom)


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sábado, 4 de abril de 2026

O DRAMA (2026) de "Kristoffer Borgli"


 O desmoronamento do "felizes para sempre" 👰‍♂️🤵

     O novo filme da A24 entrega um contraste visceral entre a idealização do matrimônio e a fragilidade das conexões humanas. Protagonizado por Emma (Zendaya) e Charlie (Robert Pattinson), o longa acompanha um casal nos dias que antecedem o altar. O que deveria ser o ápice da celebração torna-se um ponto de ruptura quando a revelação de segredos profundos coloca a confiança mútua em xeque. 

​    A partir desse conflito, o diretor explora as relações afetivas sob uma perspectiva desconfortável e autoral. Embora seja essencialmente um drama, a obra abraça elementos da comédia romântica e do suspense, provocando no espectador um estado de confusão emocional similar ao que os protagonistas vivem em tela.

​   A trama foca em Emma Harwood e Charlie Thompson, um casal aparentemente apaixonado nos preparativos finais para o casamento. No entanto, a semana sai completamente dos trilhos após uma dinâmica entre amigos: o que começa como uma brincadeira de confessar segredos termina em um "atentado" emocional. Quando Emma revela algo chocante, tudo o que Charlie acreditava saber sobre sua futura esposa desmorona. 

​   Alerta de Gatilho: O público pode esperar uma narrativa desconfortável e visualmente impactante. O filme foge das convenções do gênero para explorar a paranoia e as fissuras da confiança. É um thriller que utiliza a estética limpa e sofisticada de um casamento de elite como pano de fundo para um desmoronamento moral e psicológico, potencializado pela produção visceral de Ari Aster

  O Drama é uma experiência quase sensorial. Durante a sessão de imprensa, as reações foram diversas e intensas; eu mesmo me senti profundamente abalado. Zendaya e Robert Pattinson se entregam em um filme com o selo A24, abordando temas delicados de forma dolorida e de certa forma inovadora. Um verdadeiro exercício cinematográfico. 

⭐️⭐️⭐️ BOM


#odrama #thedrama #a24 #robertpattinson #zendaya

quarta-feira, 1 de abril de 2026

SUPER MARIO GALAXY - O FILME (2026) de "Aaron Hovarth" e outros

 


Mundos vibrantes, personagens memoráveis e risadas bobas. 💥💥💥

   A franquia de Mario no cinema, com apenas um filme, já se tornou uma das mais lucrativas da era moderna. Super Mario Bros. O Filme (2023) detém a nona maior bilheteria da década, mesmo sem o pleno apoio da crítica especializada. Embora esta sequência pareça um sucesso garantido, nem sempre o caminho foi óbvio; esse estilo de animação ganhou força graças ao êxito de Um filme LEGO, que abriu portas para Mario, Sonic e Minecraft. O fenômeno provou que qualquer propriedade intelectual pode triunfar, desde que apresente um visual impecável e venha recheada de humor metalinguístico, vozes de celebridades e easter eggs para os fãs mais dedicados.

   Super Mario Galaxy não busca a inovação. Ele até apresenta um enredo, embora seja essencialmente o mesmo do primeiro longa: os irmãos encanadores Mario e Luigi (dublados por Chris Pratt e Charlie Day) precisam salvar a princesa das garras de Bowser. É verdade que a princesa é outra (Rosalina, com a voz de Brie Larson) e o vilão também (Bowser Jr., interpretado por Benny Safdie), mas o fato é que a história é propositalmente simples. Os irmãos, acompanhados por personagens excêntricos, atravessam uma galáxia de planetas pequenos e peculiares no esforço de resgate.

​   Ainda assim, o filme é, em grande parte, encantador. Substancialmente baseado na série de jogos homônima, cujo último título foi lançado há 16 anos, o longa é repleto de referências obscuras e deliciosamente bizarras. Um dos destaques é a participação divertida de Star Fox (dublado por Glen Powell), o protagonista de uma clássica série da Nintendo que pouco tem a ver com o universo direto de Mario. Há acenos inteligentes a tudo, desde o Mario Bros. original até a estética de Paper Mario. Além disso, as renderizações em 3D de vilões originalmente fofinhos em 2D são cativantes. Um momento memorável é a cena em que a Princesa Peach (Anya Taylor-Joy) entra em um bar com estética Blade Runner, repleto de "monstruosidades" adoráveis.

​   No fim, é uma obra dedicada aos fãs e um entretenimento deliciosamente divertido.

⭐️⭐️⭐️ BOM


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