sexta-feira, 31 de julho de 2026

LEVITICUS (2026) de "Adrian Chiarella"

 


Cura gay? Só que não! 🏳️‍🌈🏳️‍🌈🏳️‍🌈

​    Leviticus é mais um filme LGBTQIAPN+ que não chega aos cinemas brasileiros, ficando restrito às plataformas digitais. O terror ganhou hype no Festival de Sundance neste ano e, com o selo da NEON, era um dos lançamentos de terror mais aguardados da temporada. Na história, após um exorcismo destinado a "curar" sua homossexualidade, dois garotos suburbanos australianos são perseguidos por uma presença que assume a forma um do outro. O suspense psicológico é uma mistura de Corrente do Mal com Rivalidade Ardente.

​     A história de amor adolescente de Naim (Joe Bird) e Ryan (Stacy Clausen) ganha um rumo complicado pelo fato de os rapazes viverem em uma comunidade religiosa excepcionalmente repressiva. Logo descobrimos que a mãe solteira de Naim (Mia Wasikowska), devastada pela dor, levou o filho para a cidade para se juntar à paróquia cristã local, um grupo conservador, quase sectário, ao qual Ryan e sua família também pertencem. Fica claro que nesse mundo social fechado, a homossexualidade é considerada um pecado.

    ​Em uma referência direta ao Livro de Levítico, o terceiro livro do Antigo Testamento, no qual rituais são realizados para restabelecer a "pureza" de pessoas consideradas impuras, os jovens são submetidos a um ritual conduzido por um pastor/curandeiro. Invocando noções de luxúria, desejo e indecência, os meninos passam por uma espécie de exorcismo. A partir daí, quem passa pela cerimônia de libertação passa a ser assombrado por uma ameaça metamorfa, invisível para todos, exceto para a vítima, tomando a forma da pessoa amada.

     O filme ancora seu clima de terror em um sofrimento real e muito presente na comunidade LGBTQIAPN+: A aceitação por parte da família e meio social, o terror psicológico ganha ares realistas em um contexto adolescente. Leviticus, assim como outros filmes de terror independente deste ano (como Obsessão e Backrooms), mostra-se uma história sombria, divertida e com momentos genuinamente perturbadores. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM


#leviticus #LGBTQIAPN #terror #filme #dicadodia

quinta-feira, 30 de julho de 2026

HOMEM ARANHA - UM NOVO DIA (2026) de "Destin Daniel Cretton"

 

Nem tão novo assim! 🕷🕸 SEM SPOILERS

​    O Homem-Aranha é um personagem da Marvel muito querido pelo público e seus filmes estão entre os mais bem-sucedidos desse universo, seja pelas boas histórias ou pela narrativa jovem e divertida. Incrivelmente, neste novo filme, o personagem muda de tom e se torna mais maduro. Aquela aventura tradicional se transforma em um drama ocasional, e o Homem-Aranha ganha um recomeço após o fim trágico do último longa. 

    Como não existe ponto final em uma franquia milionária de Hollywood, logo surge uma nova ameaça no caminho do herói. Não há nada de muito novo ou diferente por aqui; ainda que abandone o tom colegial para mostrar um risco maior, Homem-Aranha: Um Novo Dia parece aquele mesmo filme de sempre. A cena pós-créditos mostra o desinteresse em trazer algo novo além do próprio protagonista.

    Enquanto grande parte do mundo se esqueceu de Peter Parker (Tom Holland), o vigilante continua a combater a injustiça como o super-herói mascarado. Quando uma estranha entidade começa a controlar alvos aleatórios para cumprir suas ordens, Peter precisa recorrer a amigos, novos e antigos, para salvar tanto as pessoas que ama quanto a cidade que jurou proteger.

    O longa praticamente gira em torno do autoconhecimento de Peter e da sua reaproximação com antigos amigos, além de estabelecer pontes com outros personagens do Universo Marvel. Tudo isso vem acompanhado de uma tonelada de elementos sobrenaturais que interferem na coerência da trama, já que apelam frequentemente para situações aleatórias com soluções convenientes. Há também momentos de ação carregados, que, embora contem com boas cenas, se repetem em um fluxo pouco memorável.

   Embora surjam surpresas, principalmente na revelação da grande ameaça da vez, a obviedade da premissa principal é notável, evidenciando a clara preparação para os próximos capítulos do Universo Cinematográfico da Marvel. Ainda assim, Homem-Aranha: Um novo dia cumpre sua missão de entreter sendo eficaz e suficiente para garantir uma divertida sessão de cinema pipoca.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#homemaranha #spiderman #marvel #cinema #hq

terça-feira, 28 de julho de 2026

EQUILIBRIVM II (2026) de Anitta


 Brasilidade espiritualizada! 💮💮💮

     Equilibrium II (estilizado como EQUILIBRIVM II) é o nono álbum de estúdio da cantora brasileira Anitta e a segunda metade de um projeto de duas partes, complementando o oitavo álbum de estúdio da artista, Equilibrivm (2026). 

     Anitta sem dúvidas é a artista brasileira que mais se transformou nesses últimos anos, ela começou no funk, foi para o pop, para a música latina, criou um funk internacional e agora entrega um álbum com ritmos brasileiros. A verdade é que essa versatilidade da cantora nunca atrapalhou sua estética, linguagem e produção. Nessse novo trabalho podemos ouvir nossos ritmos de maneira poética e apreciar um álbum marcante.

     Anitta celebra os tambores do Brasil, abarcando os tambores do samba e os tambores dos terreiros que ecoam da Bahia ancestral para todo o país. A narrativa é bem estruturada, o álbum reflete os passos de Anitta nessa caminhada pessoal em busca de paz e saúde mental, ela constrói uma experiência musical inteira que conversa com a música brasileira num todo, da mpb ao reggae, do funk ao forró. Só isso já vale a audição.

     Junto desta segunda parte, Anitta lançou um curta de 35 minutos, que rendeu um merecido burburinho: é uma belíssima colagem de recursos, participações e referências, explorando a relação da artista com ela mesma, a carreira, a imagem e a fé. Segue sendo admirável ver uma artista deste porte ostentando sua relação com o candomblé, evocando Carmen Miranda e citando “Taí” de Joubert de Carvalho

     O projeto EQUILIBRIVM de Annita mostra sua maturidade criativa como artista e destaca sua ousadia de valorizar a fé e as raízes afro-brasileiras, saindo da música comercial e mergulhando em uma identidade cultural mais profunda. "Equilibrivm", partes um e dois, formam o projeto mais raro de Anitta.

Destaques: Sal Grosso, Oke, Não me cutuca, Não sou Santa e Ogum me Rodeia. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM

#anitta #equilibrium #fé #mpb #musica

sexta-feira, 24 de julho de 2026

MUSIC, FASHION, FILM (2026) de Charli XCX

 

Referencial e despretensioso! 🎙🎙🎙

​     Charli XCX encerra a era BRAT com o novo álbum conceitual Music, Fashion, Film, onde já na capa temos três lendas, o músico John Cale, o estilista Marc Jacobs e o cineasta Martin Scorsese. BRAT, último álbum da cantora, foi um fenômeno pop desde o seu lançamento, e logo em seguida ela emendou músicas para a trilha sonora do filme Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes). 

    Neste trabalho no qual a própria cantora interrompe o clima e o ritmo pop da era BRAT com músicas mais conceituais e ainda assim elegantes, ela acerta em cheio. O pop com guitarra e sintetizadores que brinca de ser rock é a maior sacada deste álbum, trazendo canções que facilmente estariam na discografia de alguma banda indie. Não há dúvidas de que a produção musical está impecável a cargo de A. G. Cook e Finn Keane e por incrível que pareça, mesmo as letras mais simplistas funcionam bem nas faixas e no conceito. 

     Se a faixa "Rock Music", primeiro single do projeto, já mostrava a atitude rock da cantora, essa vibe percorre por todo o álbum. A estética rock traz um contexto novo para a parceria com Cook e Keane, soar coesa em seu ritmo vibrante e em melodias brilhantes, porém ácidas. É um rock descolado e desleixado no qual Charli reflete sobre a inautenticidade das estrelas pop e o apocalipse. 

    O ápice do trabalho é a faixa final: uma citação do diretor de cinema David Cronenberg, “Eles estão mortos, eles se foram, ninguém dura para sempre”, ecoa morbidamente na saideira, “No One Lasts Forever”. Você pode interpretá-la literalmente: a grande arte sobrevive aos seus criadores. Charli XCX sobrevive em uma era onde ser popstar é não durar para sempre, é um momento. 

Destaques: "Rock Music", "SS26", "I Am Afraid", "Yeah" e "No One Lasts Forever". 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)

#charlixcx #musicfashionfilm #spotify #musica #pop

quinta-feira, 23 de julho de 2026

PEQUENAS CRIATURAS (2026) de "Anne Pinheiro Guimarães"


 ​A melancolia de Pequenas Criaturas 🐵🐵🐵

     Ambientado na década de 80, Pequenas Criaturas traz o reflexo de pessoas perdidas em uma Brasília que ainda tentava se estabelecer. O filme retrata uma família recém-chegada tentando reconstruir a própria vida em uma cidade com ares futuristas, mas também estranhamente vazia e indiferente. Carolina Dieckmann interpreta uma mãe abandonada pelo marido que precisa lidar com conflitos enquanto seus filhos amadurecem, enfrentando medos e descobertas. O drama transforma a arquitetura da capital no espelho da solidão, do abandono, do não pertencimento e da dificuldade de comunicação familiar. 

    ​Dirigido pela brasiliense Anne Pinheiro Guimarães, que cresceu na cidade, o longa traduz essa ambiguidade de forma envolvente ao traçar paralelos humanos em uma capital criada para ser política. O foco está nas pessoas comuns, em seus dilemas e angústias, o que dialoga perfeitamente com a "indiferença" arquitetônica de Brasília. Sem qualquer rede de apoio, os personagens enfrentam dificuldades, cada um à sua maneira, para se adaptar à nova realidade. Assim, a melancolia se torna o elemento central da narrativa. 

     A beleza do filme está em sua montagem delicada e paciente, atenta às esperanças e capaz de dosar a calmaria dos espaços vazios com a urgência do viver e do se relacionar. Além do trio protagonista, a produção conta com dois "coadjuvantes de luxo", Letícia Sabatella e Caco Ciocler. No geral, todo o elenco entrega atuações consistentes e de altíssimo nível. 

    ​Pequenas Criaturas se alinha à tendência atual do cinema brasileiro de suavizar o realismo áspero com toques de fantasia, além de brincar com referências icônicas da cidade como o rock na trilha sonora e menções a OVNIs. Trata-se de um filme sensível e otimista sobre pertencimento. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM

#pequenascriaturas #cinemabrasileiro #cinebrasilia #carolinadieckmann #annepinheiroguimaraes

terça-feira, 21 de julho de 2026

MARSUPILAMI (2026) de "Phillipe Lacheau"

 

Fofinho e engraçado! 🐱🐱🐱

     O Marsupilami, personagem superfamoso na Europa, foi criado em 1952 pelo quadrinista belga André Franquin. Por aqui, ele marcou gerações de brasileiros, principalmente no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. A série animada foi exibida com grande sucesso no país pelo Disney Club (que depois virou o saudoso Disney CRUJ), no SBT, além de ter renderizado bons jogos de videogame na época.

​    Esta nova produção belga/francesa, que chega aos cinemas brasileiros pela Paris Filmes, é realizada pelo mesmo estúdio da franquia Asterix e Obelix. O longa conta com um elenco repleto de figurinhas carimbadas da comédia francesa, o que reforça o humor pastelão da obra. A bagunça é tão divertida que o filme arranca boas risadas já na primeira meia hora, mesmo antes de o bichinho fofo que dá nome à história dar as caras! 

    O roteiro opta por se distanciar dos quadrinhos ao não adaptar nenhum álbum específico e nem resgatar seus personagens clássicos. O próprio Marsupilami tem uma presença mínima em cena e quase não há espaço para desenvolver sua mitologia. Embora isso não estrague a experiência, pode decepcionar quem esperava ver mais do protagonista em ação. 

    O verdadeiro ponto forte está no elenco, que demonstra uma química genuína e dá vida a uma enxurrada de piadas. O filme ainda abre espaço para comediantes populares como Didier Bourdon e Gérard Jugnot, mesmo que em participações pontuais e discretas. A trama serve apenas como um pano de fundo despretensioso para piadas sem fim e uma abordagem um tanto datada das realidades políticas e sociais. 

​    No fim das contas, Marsupilami: Confusão a Bordo é uma opção leve e divertida para assistir em família, aquele perfeito passatempo estilo Sessão da Tarde

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM 

   #marsupilami #comedia #cinema #filme #disneyclub

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A ODISSÉIA (2026) de "Christopher Nolan"

 

O espetáculo de Nolan! ⚔️⚔️⚔️

    A Odisseia, nova obra cinematográfica do hypado diretor Christopher Nolan, é um deleite para qualquer pessoa que ama o cinema em sua melhor vertente. A epopeia, atribuída ao poeta grego Homero, é estruturada em múltiplos flashbacks, tramas paralelas e contos dentro da própria narrativa, tudo o que Nolan adora e que já aparecia em seu filme de estreia, Amnésia, lá em 2000. 

    ​É evidente que as fortes expectativas sobre o filme deixam claro como o cinema vive de especulações, notícias de bastidores e estratégias de marketing que, às vezes, se mostram mais fortes que a própria obra. A Odisséia é um desafio à altura de Nolan, é uma jornada épica e repleta de ação, com estrutura narrativa não linear e visualmente deslumbrante, que oferece liberdade interpretativa ao mesmo tempo em que consegue ser extremamente divertida. 

    ​No filme, Odisseu, interpretado de forma convincente por Matt Damon, narra seus encontros fantásticos com o Ciclope, a feiticeira Circe e outras figuras lendárias. Nolan deixa a interpretação a cargo do público, tudo isso realmente aconteceu e o rei de Ítaca carrega um carma terrível ou ele está marcado pela guerra e atormentado pela culpa e loucura. Dessa forma, o diretor consegue resgatar aventuras mitológicas à la Ray Harryhausen (Fúria de Titãs). 

    ​Devido à natureza episódica do roteiro ditada, obviamente, pelo material original enorme, o público pode encontrar dificuldades iniciais para se envolver com a jornada e se identificar com os personagens. Os diversos astros hollywodianos fazem participações especiais, alguns fazem apenas uma ponta e a filmagem em plano fechado pode incomodar em alguns momentos. Mas isso e outras observações é preciosismo. Tudo em A Odisséia é deslumbrante.

    Perto do final, durante um flashback da queima de Troia, tudo se encaixa perfeitamente e o longa chega muito perto do ápice das epopeias cinematográficas. É o cinema de espetáculo em sua melhor forma e criando seu próprio estilo contemporâneo de contar boas histórias. Imperdível!

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐⭐️ HYPE

#theodyssey #aodisseia #christ

sábado, 11 de julho de 2026

O CONVITE (2026) de "Olivia Wilde"

 


Um jogo mental para adultos! 🍽👥️

​   O Convite é um filme no qual qualquer adulto com alguma experiência de vida se reconhecerá. Ele nos submerge em um turbilhão de emoções mistas, seja pela risada mordaz diante de assuntos sérios, pela discussão indesejada de casal ou por temas indelicados que podem gerar consequências graves. Toda essa dinâmica se transforma em uma sátira social incisiva e, muitas vezes, hilária, servindo de estopim para um filme que certamente entrará na lista de melhores do ano de muitos cinéfilos. 

   O longa começa com uma conversa rotineira entre o casal Angela (a também diretora Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen), que convidam seus vizinhos de apartamento, Pina (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), com o intuito de socializar. Surpreendentemente, o elenco se resume a apenas esses quatro personagens e cada diálogo ou pretensão de cordialidade se transforma em momentos divertidos e constrangedores. As atuações estão impecáveis. 

     O encontro se torna um profundo estudo sobre relacionamentos humanos. Inteiramente ambientado em um único cenário, um apartamento, a diretora Olivia Wilde impede que o filme pareça uma peça teatral filmada graças a uma trilha sonora que acompanha o ritmo dos acontecimentos, posicionamentos de câmera criativos e uma edição astuta. O filme é baseado no longa espanhol Sentimental, de Cesc Gay

     O Convite é um filme esplêndido, repleto de diálogos ácidos e farpas cáusticas. Ele oferece uma noite bem-sucedida de diversão e jogos mentais para adultos que se identificarão facilmente com os desdobramentos daquela que deveria ser apenas uma noite agradável em casa. Uma obra que mistura comédia e tragédia de forma extremamente eficaz. Imperdível. 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ (Hype)

#theinvite #oconvite #cinema #comédia #o2play @o2playfilmes

sexta-feira, 10 de julho de 2026

A MORTE DO DEMÔNIO: EM CHAMAS (2026) de "Sébastien Vaniček"

 


Fogo no parquinho! 🔥🔥🔥

A Morte do Demônio: Em Chamas é implacável, sangrento e diabólico, ingredientes essenciais para qualquer título da saga Evil Dead. No entanto, fica a sensação de que essa nova fase moderna se afasta cada vez mais da essência clássica da trilogia original, onde o baixo orçamento, compensado por efeitos toscos com demônios tenebrosos e mortes inconsequentes, ditava o charme da obra. É Evil Dead, mas parece faltar um pouco da alma de Evil Dead nele. 

​    Ainda assim, há uma intensidade inegável pulsando na tela. O diretor Sébastien Vaniček traz bastante originalidade e consegue prender a atenção por quase duas horas, submetendo seus personagens a uma carnificina que poucos filmes de terror convencionais conseguem alcançar. A maldade imensa aqui apresentada se encaixa perfeitamente tanto em um terror mais existencial quanto nesta franquia em particular, visceral e gore. Curiosamente, o alívio cômico fica a cargo da vovó. 

    ​Ambientada quase inteiramente em uma antiga casa de família, isolada após um funeral, a trama surpreende pelo modo como o diretor consegue prender nossa atenção em praticamente um único cenário. O filme parece determinado a quebrar suas próprias regras narrativas ao criar bestas demoníacas quase invencíveis. A crueldade calculista desses demônios é bem diferente do que estamos acostumados, e talvez esse seja o principal distanciamento dos outros longas.
 
​    No fim, A Morte do Demônio: Em Chamas se consolida como mais um capítulo de qualidade na marca e deixa ganchos claros para a continuidade do universo, com duas cenas pós-créditos bem sangrentas. Imperdível!

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM


#evildead #amortedodemonio #terror #cinema #gore

quinta-feira, 9 de julho de 2026

MOANA (2026) de "Thomas Kail"


 Cópia sem alma! 🫆🫆

    Moana chega ao formato live-action sem trazer qualquer diferencial em relação à animação original. O filme repete cenas e diálogos à exaustão, confirmando a tendência preguiçosa da Disney de reciclar seu próprio repertório. 

    Como se não bastasse, Dwayne "The Rock" Johnson confirmou a produção de Moana 3 durante sua passagem promocional pelo Brasil, evidenciando como a ganância do estúdio fala mais alto que qualquer traço de originalidade.

     Esta versão parece uma cópia mais lenta, sombria e menos fantasiosa da história que já conhecíamos. Se o desenho animado ainda mantinha certo brilho e um frescor, o que salva este remake de um fiasco completo é a boa produção musical e o elenco carismático, incluindo a novata Catherine Laga’aia como protagonista. Por outro lado, Dwayne Johnson entrega um Maui surpreendentemente sem graça.

​    A trama situa-se em um antigo mundo no Pacífico Sul. Em sua jornada em busca de uma lendária ilha, a adolescente Moana une forças ao seu herói, o semideus Maui. Pelo caminho, eles enfrentam criaturas marinhas, exploram mundos submersos e descobrem uma cultura ancestral.

     Não há dúvidas de que a jornada de empoderamento de Moana encanta, mas no live-action ela soa superficial e menos impactante do que na animação, que tinha a capacidade técnica de externalizar sentimentos e exagerar emoções para causar efeito.

​     Moana (2026) carece do ritmo, do humor, do charme e da emoção do original. Além disso, o filme levanta constantemente a questão do porquê de sua existência, já que a versão de 10 anos atrás ainda funciona perfeitamente bem. Vai entender!

Meu Hype: ​⭐️ RUIM

#moana #disney #cinema #therock #musical

sexta-feira, 3 de julho de 2026

CONFESSIONS II (2026) de "Madonna"

        

De volta à pista de dança! 🪩🪩🪩

     Em seu álbum mais relevante em mais de duas décadas, Madonna prova que ainda sabe como nos fazer dançar e justifica sua fama de Rainha do Pop. Sua postura de destaque na indústria musical se estende por décadas, seja pela irreverência ou por estar sempre conectada a causas importantes, como a luta pelos direitos das minorias ou o posicionamento político firme. Em Confessions II não é diferente: o álbum é uma continuação direta do último grande sucesso comercial de sua carreira, Confessions on a Dance Floor (2005), trazendo elementos que remetem tanto a esse antecessor quanto aos seus hits clássicos.

​     Confessions II funciona muito bem porque é o trabalho cuidadoso de uma artista talentosa que ainda sente o poder da música eletrônica na pele e na alma. Sua parceria com o produtor Stuart Price mostra uma artista à vontade, mesmo com a enorme responsabilidade de entrega que a fama exige. Certamente, após o grandioso show na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para mais de 2 milhões de pessoas, Madonna sentiu a confiança de seu peso como artista atemporal e sempre à frente de seu tempo.

     ​Convenhamos: entregar um trabalho excepcional com uma carreira tão longa, em uma indústria que costuma afastar artistas veteranos dos holofotes para priorizar novos talentos, faz com que sua obra ganhe ainda mais força, emoção e uma produção poderosa e elegante. Após cerca de 40 minutos de um house-pop pulsante e trance psicodélico, o álbum torna-se mais reflexivo em sua parte final.

    Ao revisitar seu passado, tanto pessoal quanto musical, Madonna criou um álbum essencial que conversa diretamente com seu público. Contando com convidados relevantes, como a atual estrela pop Sabrina Carpenter, o DJ e produtor Martin Garrix e o cantor Stromae, essa coleção de músicas faz qualquer pista pulsar. Mesmo que a indústria atual não a valorize como deveria, Madonna se reafirma como a Rainha do Pop, sem medo de ser feliz. 

​Destaques: One Step Away, Danceteria, Everything, Love Sensation e Love Without Words 

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO

#madonna #confessions #music

quarta-feira, 1 de julho de 2026

MINIONS & MONSTROS (2026) de "Pierre Coffin"

 

Uma sátira à magia do cinema! 🍌🍌🎬

​O novo filme dos personagens malucos da franquia Meu Malvado Favorito chega aos cinemas com uma escolha criativa interessante, surpreendentemente, a nova produção se desprende um pouco do humor pastelão puramente infantil para se inspirar na magia do cinema e na zoação com Hollywood

     Geralmente, quando se fala em apelar para a nostalgia ou em inundar a tela com easter eggs, o objetivo é apenas agradar aos fãs e dar a eles o que desejam. Mas em Minions & Monstros, isso vai além: a própria existência do longa se justifica ao contar a história do cinema pela ótica distorcida dos Minions, lembrando muito o espírito do desenho Animaniacs na década de 1990. 

     Esse tom de zoeira está presente desde a logo inicial da Universal até os créditos finais. São referências a cenas icônicas que vão dos monstros clássicos a Humphrey Bogart, dos faroestes a Cidadão Kane. Há até um ponto da trama que parece saído do recente, cínico e vulgar Babilônia, mostrando os carismáticos seres amarelos lutando e fracassando para se adaptar à transição do cinema mudo para o falado. 

​     As trapalhadas dos Minions sempre pareceram parcialmente inspiradas pelas acrobacias cômicas de nomes como Charlie Chaplin e Buster Keaton, inclusive, em determinado momento, uma casa desaba sobre um Minion, em uma clara homenagem a Keaton. Sendo assim, parece natural que o diretor Pierre Coffin (que continua dublando todas as criaturinhas) decida inseri-los na Era de Ouro de Hollywood

​     É fácil encontrar referências a clássicos de monstros, faroestes e ficção científica ao longo da projeção. É uma delícia acompanhar cada homenagem na tela. Infelizmente, em seu terço final, o filme se perde um pouco, o confronto final tem mais em comum com os blockbusters modernos e genéricos do que com o cinema clássico que a obra tenta celebrar. 

     Minions & Monstros segue algumas das fórmulas das animações modernas de Hollywood, mas também funciona como um testemunho e uma celebração da beleza e da magia de fazer e assistir a filmes.

Meu Hype: ⭐️ ⭐️ ⭐️ ⭐️ MUITO BOM 


#minions #illumination #cinema #hollywood #desenho