A Noiva! é um filme-conceito, uma mistura de gêneros da cineasta Maggie Gyllenhaal, e é nada menos que caótico, às vezes punk, às vezes teatral, mas sempre carregado de violência. Esta reinterpretação do universo de Frankenstein, de Mary Shelley, traz uma fenomenal Jessie Buckley no papel principal, motivada pela premissa de "preferir não" para, no fim, fazer o que bem entender. Ter um Frankenstein cinéfilo e uma Noiva que inicia uma revolução feminista já vale, por si só, o ingresso.
Embora o longa comece com um Frankenstein solitário, esta não é a história dele. Nós o acompanhamos em sua viagem para a Chicago dos anos 1930, onde ele busca a ajuda da Dra. Euphronious (Annette Bening, cinco vezes indicada ao Oscar). Desesperado por uma companheira e sem o seu criador original, ele recorre a essa nova "cientista louca" para dar vida ao seu par. Para isso, a escolha recai sobre o corpo de uma jovem assassinada e enterrada em uma vala comum; poucas horas depois, nasce A Noiva (Buckley).
Em uma trama secundária que evoca uma paródia grotesca de Bonnie e Clyde, o detetive Jake Wiles (Peter Sarsgaard) e Myrna Mallow (Penélope Cruz) perseguem o casal de fugitivos. Em vez de assaltos a bancos, o par monstruoso percorre teatros do Meio-Oeste e cinemas de Nova York em busca de um glamour passageiro, deixando um rastro de violência por onde passa.
O filme é pontuado por interlúdios surreais: números musicais, metalinguagem cinematográfica e sequências em salões de baile com o ídolo de Frankenstein, Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal), evocando a estética de Fred Astaire. Embora visualmente impactantes, essas sequências são narrativamente desvinculadas, o que contribui para uma paisagem tonal fragmentada.
De muitas maneiras maravilhosas, A Noiva! se apresenta como um chamado de ação as mulheres. Pode não ser uma obra unânime, mas é revolucionária à sua maneira — mesmo que lhe falte clareza estrutural e lhe sobre excesso estilístico.
⭐️⭐️⭐️ BOM

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