Kokuho, escolhido para representar o Japão no Oscar de Melhor Filme Internacional deste ano (chegando à lista final) e indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo é uma experiência fascinante, um espetáculo visual que explora pacientemente o preço que os artistas pagam por sua arte, onde é necessário um certo nível de obsessão para se tornar excelente em uma habilidade escolhida, e essa abordagem obstinada é um prato cheio para um grande filme.
O épico de três horas do diretor Lee Sang-il, leva essa determinação obsessiva para o palco do kabuki, uma arte japonesa que combina teatro, dança e música (ka-buki: cantar, dançar, habilidade) com maquiagem expressiva (kumadori), figurinos elaborados e atuações exageradas. O resultado é um filme grandioso em todos os aspectos e que transborda arte e beleza.
Os atores de Kabuki ocupam um lugar de destaque na cultura oriental. Kokuho enfatiza as intensas crises pessoais e culturais profundas presentes nessa arte e acompanha a vida de um jovem que, após testemunhar o assassinato do pai pela yakuza, é acolhido por um mestre do teatro kabuki. Rebatizado como Toichiro, ele é introduzido em um universo de disciplina extrema e treina ao lado do filho biológico do mestre, desenvolvendo uma relação de afeto e rivalidade.
Ao longo de cinquenta anos, através de vidas entrelaçadas, Kikuo e Shunsuke lidam com sua herança, seus diferentes níveis de comprometimento profissional (ou a falta dele) e sua aceitação ou rejeição pelo mundo do Kabuki. Ressentimento, raiva e éticas de trabalho distintas dominam a rivalidade entre Kikuo e Shunsuke. Kikuo demonstra mais talento inato e, mais importante, um interesse apaixonado do que Shunsuke, apesar de não possuir a mesma herança.
Kokuho questiona o preço da beleza. Se a dor, a perda e a exaustão que infligimos a nós mesmos em nome da arte valem a pena, ou se há uma irrelevância inerente a uma vida dedicada à busca de um ideal impossível. Embora as três horas de duração possa afastar muitos expectadores, aqueles que se entregarem a Kokuho embarcarão em uma aventura épica que abrange amizade, rivalidade e a nebulosa zona intermediária.
⭐️⭐️⭐️⭐️ ÓTIMO

Nenhum comentário:
Postar um comentário