segunda-feira, 6 de maio de 2019

CEMITÉRIO MALDITO (2019) "Pet Sematary" de "Kevin Kolsch" e "Dennis Widmyer"


Refilmagem de adaptação de Stephen King consegue ser fiel ao filme original e ainda trazer novos e interessantes elementos que o aproxima ainda mais da obra do escritor. 

Por trás de quase toda história de terror há um significado e dentro de Cemitério Maldito fica claro o tema bastante perturbador, a morte.  A existência de um lugar que pode romper essa barreira entre a vida e a morte já é algo bastante tenebroso ainda mais quando essa superstição pode se tornar real e afetar diretamente a interrupção de uma vida causando danos irreparáveis tanto no mundo dos vivos quanto dos mortos. Indo ainda mais a fundo,  nada se compara no sentimento e na dor que só a morte pode trazer e nas consequências que podemos chegar na loucura de buscar reparação quem já perdeu a vida. Essa reflexão é o ponto central da trama e a prova que o escritor realizou uma de suas mais interessante obras de sua carreira. Quanto ao filme, as modificações realizadas na refilmagem tiram aquele aspecto de "Filme B" do original (mesmo que por um lado na época de lançamento tenha funcionado) e buscam aproximar o conto de terror a nossa realidade atual. Esse crescimento após quase 30 anos de intervalo entre produções pega carona na nova onda de adaptações do famoso escritor após o sucesso de IT (2017) e algumas tramas adaptadas no Netflix. King é um dos maiores escritores do gênero e essa nova adaptação traz o realismo amparado na composição dos personagens, no terror psicológico e afastando um pouco a fantasia e o aspecto visceral Gore (que se concentra em representações gráficas de sangue e violência) do filme de 1989. O resultado é satisfatório. Na trama, a família Creed, Louis (Jason Clarke) e Rachel Creed (Amy Seimetz) acabaram de se mudar com seus dois filhos da cidade grande para a tranquila e rural cidade de Ludlow, no Maine, onde esperam estabelecer um senso de normalidade. Como médico, Louis trabalhou no turno da noite durante anos, atendendo a algumas das emergências mais terríveis e brutais. Essa mudança deve ser uma boa mudança de ritmo para a família e especialmente para os filhos, Ellie (de oito anos) e Gage (Hugo e Lucas Lavoie) mas quase de imediato a família sofre com a tragédia quando seu gato Church é atingido por um dos caminhões de combustível que se movem imprudentemente pela estrada do condado em frente à sua casa. A residência da família fica localizada nos arredores de um antigo cemitério amaldiçoado usado para enterrar animais de estimação e acaba como a solução encontrada por Louis para restabelecer a normalidade, porém, algumas coisas estranhas começam a acontecer, transformando a vida cotidiana da família em um pesadelo. Os diretores Kevin Kolsch e Dennis Widmyer conseguem melhorar o filme de 1989 em vários aspectos mesmo não conseguindo um equilíbrio nos jumpscares, (Susto de pular da cadeira!) são poucos mesmo o terço final sendo bem mais aterrorizante que no filme anterior. O romance de horror continua devastador e atual em uma meditação sobre o luto e a culpa. CALAFRIOS.



O filme é distribuído pela PARAMOUNT PICTURES.

Hype: BOM - Nota: 7,5

Filme visto na Cabine de Imprensa realizada em Brasília!


domingo, 5 de maio de 2019

PITTY - "Matriz" (2019)


Cantora baiana deixa o hiato de 5 anos sem lançar trabalho de inéditas e celebra suas origens explorando ritmos característicos de sua terra natal, porém, com a certeza que a música regional também pode ser universal com um trabalho cheio de misturas e representação da sua versatilidade como cantora. 

A essência roqueira de Pitty permite um leque de experimentações não tão profundas mas sempre com uma sinergia muito boa no que propõe. Sua carreira começou em meados dos anos 2000 com seu bem sucedido álbum de estréia "Admirável Chip Novo" com espertas canções de rock. Consolidada no meio rock ela então mergulhou no indie no duo Agridoce em 2011 e shows com uma pegada de MPB. Na prática, Pitty mantém o espírito rebelde do início de sua carreira integrando o rock com outros ritmos, como o reggae, o rap e o axé. Essa predominância da cantora nunca foi pelo caminho mais óbvio e isso se tornou uma característica da sua carreira. Além das guitarras, as melodias e as baladas que sempre se fizeram presentes, suas letras sempre foram acessíveis com uma inteligente reflexão sobre a sociedade em que vivemos. O álbum chega em momento esfervecente do cenário independente com bons artistas e trabalhos surgindo principalmente no nordeste e a cantora ajuda esse movimento fazendo parte dele com "Matriz", um trabalho que cresce a cada audição e demostra maturidade da cantora. Acompanhe nossas impressões faixa a faixa. "Bicho Solto" abre o trabalho com uma "intro" bem relacionado com os ritmos regionais que Pitty explora nesse álbum e a sua essência, ela diz na letra: “Eu me domestiquei pra fazer parte do jogo, mas não se engane, maluco, continuo bicho solto” mostrando que mesmo atingindo o mainstream ela respira o independente. "Noite Inteira" tem participação de "Lazzo Matumbi" e possui uma leveza muito gostosa até na atitude da letra: "Agente se junta pra fazer revolução, agente se junta pra falar besteira..." um dos acertos do trabalho. "Ninguém é de Ninguém" é a música mais próxima do que a cantora já realizou anteriormente com um misto de pop/rock com uma batida reggae no final. "Motor" é aquela balada que a cantora sempre faz para agradar uma parcela que fizeram de músicas como "Equalize" e "Na Sua Estante" grandes hits da cantora porém por incrível que pareça é um cover da banda alternativa Maglore. "Roda" traz parceria com "BaianaSystem" em faixa contagiante e grudada nos movimentos que estão em evidência misturando axé e rock, Pitty encara a parceria fugindo do óbvio. "Bahia Blues" é uma faixa que que mistura blues com uma batida pop que funciona bem. "Te Conecta" primeiro single lançado antes mesmo do trabalho já mostrava uma Pitty "Conectada" em um reggae muito gostoso que combinou bastante com a cantora. "Redimir" é uma canção bem estruturada no ritmo do som baiano sem definição própria, mistura um pouco de tudo. "Para o grande Amor" é uma balada animada e otimista. "Submersa" é dançante e fiel ao trabalho da cantora. "Sol Quadrado" traz parceria com "Larissa Luz" em batida de reggae para fechar o álbum precocemente. Matriz se revela um bom frescor para a cantora e um trabalho que pode ser necessário uma dedicação na sua audição para entender sua proposta e camadas. RENOVADA

FAVORITA DO ÁLBUM: "Noite Inteira"




São 13 músicas inéditas disponíveis nas principais plataformas digitais pela DECK

Hype: BOM

sábado, 4 de maio de 2019

SE EU FECHAR OS OLHOS AGORA (2019)


Minissérie produzida pela Rede Globo surpreende em qualidade e conteúdo com produção caprichada, elenco inspirado e história bastante estimulante baseada no romance homônimo do autor e jornalista Edney Silvestre. 

Com trama de época que se passa na década de 60 e cheia de bela nostalgia, o expectador tem a garantia de uma representação de época repleta de referências interessantes, seja na simplicidade ou no luxo de sua cenografia e fotografia impecável. Logo no primeiro episódio temos uma noção na diferença de gerações e logo nos apegamos a dois simpáticos garotos que lembram basicamente a infância no interior e aquela sensação de "quebrar regras", fugir da escola, lançar teorias sobre as coisas e não acreditar em verdades muitas vezes duvidosas. Em uma dessas situações eles são surpreendidos com o corpo de uma mulher. Daí em diante temos um mistério que poderia seguir todas as regras e clichês do gênero mas que prefere brindar o expectador com um suspense instigante até o último instante. Na trama dois garotos de 12 anos encontram o corpo de uma linda mulher, morta e mutilada às margens de um lago, em uma pequena cidade da antiga zona do café fluminense. O principal suspeito, segundo a polícia, é o marido da vítima, um homem muito ciumento. No entanto, os garotos não se dão por convencidos e eles mesmo decidem investigar o caso. No decorrer de seus 10 capítulos, acompanhamos o drama da fatídica morte da jovem Anita (Thainá Duarte), uma garota brutalmente assassinada e cobiçada por todos os homens do local, sejam eles de boa índole ou não e que gera milhares de suspeitas. A obra adaptada por "Ricardo Linhares" e dirigida por Carlos Manga Jr. consegue explorar elementos que fizeram a trama a ser comparada a programas  de qualidade da TV mundial e uma possível semelhança com Twin Peaks de Lynch. Pelo menos a comparação é positiva pois a trama supera as expectativas e consegue esbanjar rigor com um Thriller "Noir" com surpresas e narrativa bem eestruturada. Nesse mistério regado a segredos e mentiras, o controle da história reside no mundo real e os dois garotos Paulo Roberto (João Gabriel D’Aleluia) e Eduardo (Xande Valois) são incansáveis na busca de solucionar o assassinato. Essa mistura de inocência e de esperteza é o frescor para aliviar situações pesadas e sentimentos doentios de adultos e suas relações complicadas de uma sociedade hipócrita. Os garotos mandam muito bem. Com ótimo elenco composto por veteranos como Jonas Bloch, Antonio Fagundes, Mariana Ximenes, Murilo Benício, Betty Faria e outros cujas performances se destacam em personagens complexos, emocionantes e muito versáteis. O elenco é responsável por alguns dos pontos mais altos da obra. Esta por sinal sabe como poucas, combinar personagens cativantes, suspense policial, contundentes, críticas sócio-políticas e entretenimento de alto nível. A Minissérie rompeu uma barreira importante para os padrões da TV Brasileira, a produção foi disponibilizada integralmente no streaming da operadora de Tv a Cabo NET (NET NOW) e também no streaming da Globo (GLOBOPLAY) para assinantes. Após meses disponível a série chegou a Tv Aberta em rede nacional, exibida em horário nobre da emissora e com certeza demonstrando um acerto enorme de todos os envolvidos, para quem perdeu a exibição  na TV a chance é ver no streaming com a certeza que é uma obra imperdível. RECOMENDAMOS!


10 episódios disponíveis no GLOBOPLAY.

Hype: ÓTIMO

sexta-feira, 3 de maio de 2019

TUDO O QUE TIVEMOS (2018) "What They Had" de "Elizabeth Chomko"


Hype: BOM

Após meses de atraso, chega aos cinemas brasileiros o novo drama protagonizado pela atriz vencedora do Oscar em 1999, Hilary Swank. O filme sentimental não traz nenhum frescor quanto a sua trama ou abordagem e o destaque fica para o bom elenco em roteiro que se apega em uma abordagem honesta e simples sobre a doença de Alzheimer. O filme é a estréia na direção de Elizabeth Chomko, que se inspirou em suas próprias experiências com sua avó e de sua família tentando lidar com os horrores da doença de Alzheimer. Não chega a ser um assunto novo, outras produções já abordaram o tema, recentemente o drama "Para Sempre Alice", Still Alice (2014), trouxe o tema á tona em uma abordagem mais intimista da personagem interpretada por Julianne Moore. "Tudo que Tivemos" traz o foco no ambiente familiar tentando aliviar o drama com um toque de humor na condição da família ao presenciar a evolução da doença em sua matriarca. Não deixa de ser emocionante a reunião da família em torno de um problema gerando contradições em opiniões. A trama acompanha Ruth (Blythe Danner) que tem a doença de Alzheimer no estágio seis e sua família; o marido Burt (em boa atuação de Robert Foster) não quer discutir o assunto, o filho Nick (Michael Shannonquer colocar Ruth em um "centro de memória, a filha Bridget (Hilary Swank) confusa e abalada pelo problema da mãe e a neta Emma (Taissa Farmiga). Ruth acaba não sendo o centro das atenções dentro da discussão familiar, sua doença não é o ponto focal, o filme é sobre uma família em crise em seus próprios problemas pessoais. A doença é o clímax da tratativa desse cenário. Um dos pontos fortes do roteiro é esse carrossel de emoções. No entanto, vários fatores mantêm o filme em um território neutro, a crise abordada pela personagem descreve sua condição como não tão ruim quanto realmente é (Ruth nunca se torna violenta, por exemplo). As crises que envolvem a doença muitas vezes são encaradas com humor perdendo a chance de se aprofundar em um assunto sério e de bastante delicadeza. Como impressão final, fica um pouco abaixo como uma poderosa ferramenta de discussão sobre como lidar com a doença. A diretora extrai boas performances do quarteto central no que é um filme sincero, que pode sim render momentos de sensibilidade para quem procura esse tipo de história mesmo não sendo memorável. DRAMA FAMILIAR


O filme está em cartaz nos Cinemas pela Diamond Films.

#WhatTheyHad

quinta-feira, 2 de maio de 2019

MARINA - "Love + Fear" (2019)


Marina apresenta seu quarto álbum de estúdio com nova "vibe" acessível. 

Cantora conhecida anteriormente como Marina and the Diamonds, a britânica conhecida por trabalhos geniosos volta com emoções pulsantes após intervalo de quatro anos na carreira. Seu primor e criatividade na produção de canções grudentas permanecem. Depois de se entregar ao pop clássico no elogiado ‘Froot’, Marina Diamandis resolveu deixar de lado o complemento "The Diamonds" e deu início a uma nova fase se entregando ao pop radiofônico e usando outra simbologia criando praticamente dois trabalhos (que inclusive foram lançados separadamente) e bem diferentes um do outro com uma leve conexão. São dois lados com duas emoções distintas (Amor e Medo). A cantora abraça esses sentimentos com otimismo e letras positivistas dividindo o mundo em duas partes. A primeira metade LOVE fala sobre o amor em suas múltiplas variações, seja no relacionamento não correspondido ou num entrelace que acabou não dando certo mas permaneceu eterno no coração. A segunda metade FEAR é mais misteriosa e intercalada com mensagens de sobre superação ao medo. No conjunto da obra não é um trabalho surpreendente e muito menos ousado, pode crescer conforme a audição abrindo portas para tentativas interessantes de se aproximar dessa geração atual ao longo das dezesseis faixas que parecem prontas para tocar em um fone de ouvido de um adolescente. Acompanhe nossas impressões do trabalho Faixa a Faixa. "Handmade Heaven"abre o trabalho e a parte LOVE com uma balada pop bem ao estilo da época de ouro da cantora misturando harmonia e identidade própria. "Superstar" traz uma vibração de ritmos e exalta a característica pop do trabalho. "Orange Trees" é solar e contagiante com extremo carisma da cantora."Baby" traz um feat. pop com "Clean Bandit" e "Luis Fonsi", música lançada bem antes do trabalho e cheia de energia e latinidade."Enjoy The Life" tem a firmeza de uma balada noturna, com cara de pré balada."True" tem uma batida leve e viciante bem característica da cantora."To Be Human" a cantora usa sua música para propor uma reflexão e manifesto a intolerância e a humanidade. "End of The Earth" tenta flertar com o eletrônico em uma das canções mais interessante do trabalho. Fecha muito bem a primeira parte do álbum. Em seguida temos "Believe in love" que tem uma letra sobre desabafar e o medo de se abrir acreditando no amor. É o inicio das canções da parte FEAR. A desacelerada é bastante considerável em uma canção não muito empolgante. "Life Strange" é sobre incertezas e tem uma melodia mais acelerada dessa parte do trabalho, é uma canção comum e não se destaca no material da cantora."You" é uma música que tem uma apuração técnica e uma batida radiofônica. Já "Karma" ela tenta melhorar o lado obscuro do trabalho meio que usando o que aprendeu da musicalidade latina. A interessante "Emotional Machine" tem refrão pegajoso e traz a essência dos trabalhos da cantora em inicio de carreira. "Too Afraid" ressalta o vocal da cantora em balada que soa bastante similar as outras canções. "No More Sucker" tenta resgatar a vibe de LOVE mas fica a impressão que já é tarde demais."Soft To Be Strong" encerra o trabalho com delicadeza e bela interpretação da cantora. Há uma distorção no trabalho porém uma parte completa a outra mesmo LOVE sendo contagiante e superior a FEAR que derrapa um pouco sem chamar muita atenção. Um trabalho que ressalta o quanto Marina pode transitar entre o Indie e o Pop tranquilamente. SUPERPOP

MÚSICA FAVORITA DO ÁLBUM: "Superstar"



São 16 músicas disponíveis nas principais plataformas digitais pela WARNER MUSIC.

Hype: BOM

terça-feira, 30 de abril de 2019

O ANJO (2018) "El Ángel"de "Luís Ortega"


Filme argentino impressiona pela boa representação estética de época e ritmo de Thriller mesmo sendo uma história com pesares dramáticos. 

O ator Lorenzo Ferro que encarna Carlos (O Anjo) é o destaque do filme com bastante firmeza e elegância. O filme faz um interessante estudo de seu caráter amoral e sua inocência perturbadora. O retrato realista e sombrio de Buenos Aires, por volta de 1971, onde um garoto de 19 anos sem direcionamento entra em uma onda de crimes e assassinatos, a história ganha um contorno cinematográfico bastante eficaz. O filme possui produção de Pedro Almodóvar e representa o frescor que vive atualmente o cinema argentino com cada vez mais apuração técnica e quase sempre com produções interessantes. A história se passa nos anos 70 e possui muitos outros elementos interessantes em uma biografia ambiciosa sobre um dos casos mais famosos do país latino, a saga do criminoso Carlos Robledo Puch que está preso há 45 anos, o período mais longo de detenção já registrado na história da Argentina. Durante a adolescência, ele confessou ter cometido onze assassinatos, executado mais de quarenta roubos e uma série de sequestros. Alguns de seus atos criminosos configuravam-se como uma forma de impressionar Ramón ( interpretado no filme por Chino Darín), um amigo íntimo. Quando sua identidade foi revelada para o público, ele ganhou o apelido de "Anjo da Morte", “El Angél Negro” ou “El Angél de la Muerte, graças aos seus cachos e rosto angelical, tornando-se uma celebridade instantânea no país. Um jovem bonito, loiro, com cabelos ondulados que começou sua vida criminosa entrando em casas vazias para pegar coisas que chamavam a sua atenção e se tornou um dos maiores criminosos da Argentina, o segundo maior assassino em série do país. O filme de Luís Ortega que assina o roteiro com Sergio Olguín e Rodolfo Palacios, traz um filme que usa de um argumento de certa forma previsível onde o expectador acompanha essa jornada do personagem ao crime e até seus traços de "humanidade", a juventude do personagem traz bons momentos a trama, como quando o "Anjo da Morte" vasculha uma casa que acabará de invadir e se diverte dançando ao som de “El Extraño del Pelo Largo”, da banda "La Joven Guardia". O diretor consegue expor seu objetivo de transformar um sociopata em um ser angelical e em muitos momentos se concentra em fluir a história mesmo com uma metragem de quase 2 horas. O único problema é o exercício banal e vazio de acompanhar um delinquente sem ir a fundo na reflexão dos atos e tratar tudo como um espetáculo. O valor do filme está em expor o que estimulou ou motivou a popular história marginal de Carlos, sua entrada no mundo do crime e permanência até seu complicado e triste final mesmo muitas vezes não sendo tão agregadora como biografia e sim como ficção. VIDA BANDIDA.


O filme é distribuido pela Pagu Pictures.

Hype: BOM - Nota: 7,5



segunda-feira, 29 de abril de 2019

AMIZADE DOLORIDA "Bonding" - "Temporada 1" (2019)


Novo seriado da Netflix tenta surpreender com tema irreverente e termina sendo uma distração curta sem deixar tempo para ser memorável. 

Mexer com tabus que envolvem sexo nem sempre podem ser encarados facilmente pelo público ainda mais nessa atual corrente de moralismo enfrentada pelo mundo, porém, esse nem é o principal problema do seriado, sua duração segue o exemplo de "Special" produção recente da plataforma de streaming com episódios curtos com menos de 20 minutos e caba sendo o seu principal problema. A abordagem acaba por ser rasa, sem diversidade, cheia de esteriótipos e sem muito tempo de convívio entre os personagens com uma trama apressada. Na história, dois amigos que se reencontram anos depois do colegial, Pete (Brendan Scannell) um rapaz gay um tanto introvertido e Tiff (Zoe Levin), sua amiga que agora trabalha como Dominatrix. Tiff realiza as fantasias de dominação de pessoas que ficam excitadas através da humilhação, degradação, vulnerabilidade excessiva e outros. A prática também recebe outras denominações como "Sadomasoquismo", "SM", "Bondage" "BD" ou a junção dos dois “BDSM”. Pete vai se abrindo para as várias interpretações destas dinâmicas de Dominatrix, aceitando o cargo de “assistente” de Tiff devido a dificuldade financeira e gradualmente tomando um papel mais ativo durante os serviços. A série tenta abordar também o reflexo  que o trabalho tem em suas vidas particulares, principalmente com Tiff, que também é uma estudante de psiquiatria, exibindo suas reflexões sobre o processo terapêutico que estas práticas podem proporcionar aos clientes. O tema polêmico é a parte fundamental da experiência mesmo tudo acontecendo sem uma preparação ao expectador. Tudo é levado ao grosso modo ao lado apelativo, claramente querendo chamar a atenção pela representação deste universo “desconfortável” com piadas quase escatológicas sobre Golden Shower, Ejaculação, Fio terra e outros assuntos talvez transgressores ao público. Essa quebra é realizada em formato de piada. Essa abordagem pode de certa forma incomodar toda comunidade que realiza seus desejos sexuais com certa privacidade e o assunto é bastante particular pois a prática ainda é vista como um tabu mas que também ganhou evidência e popularidade com o livro e filme da trilogia Cinquenta Tons de Cinza. Mesmo com ressalvas é uma série muitas vezes  engraçada, inteligente e crua suficiente para contornar possíveis problemas estruturais, pode evoluir em novas temporadas. INDICADO PARA PESSOAS DE MENTE ABERTA.


São 07 episódios, disponíveis na Netflix

Hype: REGULAR





sexta-feira, 26 de abril de 2019

THE CRANBERRIES - "In The End" (2019)


Banda lança "In the End", o oitavo álbum de estúdio do grupo com gravações póstumas da vocalista Dolores O'Riordan. 

O Trabalho foi realizado durante uma turnê em 2017 com os vocais gravados de Dolores, o baixista Mike Hogan  e o baterista Fergal Lawler completaram álbum em homenagem à cantora. O resultado é bastante fiel a musicalidade dos trabalhos anteriores e surpreendentemente tem uma pegada solar e pop afastando o que poderia ser um trabalho depressivo diante ao fim trágico da banda após o falecimento da sua vocalista, que  se afogou no banho em um hotel de Londres em janeiro de 2018 devido a uma embriaguez. O grupo irlandês de rock que alcançou a fama no início da década de 1990 com sucessos como "Zombie" e "Linger", foi formada em Limerick em 1989 com outro vocalista. O'Riordan substituiu o cantor um ano depois e o grupo se transformou na banda de rock mais bem-sucedida da Irlanda depois do U2, vendendo mais de 40 milhões de álbuns. Seu tom de voz marcante sempre foi marca registrada da banda. Esse trabalho e mais uma chance que temos de viver boas músicas com ela. Conheça nossas impressões faixa á faixa do álbum. "All Over Now" a primeira música do trabalho, lançada antes do álbum, ressalta a época de ouro da banda com um hit irresistível. "Lost" consegue ressaltar a falta que a voz da cantora fará no mundo da música, mesmo com uma melodia leve a cantora chama a atenção pelo belo vocal com uma boa virada no fim da canção. "Wake me When It's Over" traz boa melodia e refrão forte regado por uma condução melódica da vocalista. "A Place I Know" tem a leveza característica das baladas da banda com letra e som simples e melodioso. "Catch Me If You Can" segue o fluxo de calmaria com melodia agradável. O álbum segue com a movimentada e otimista "Got it" seguida de "Illusion" uma balada com cara de fim de tarde e sintetizando a segunda metade do álbum mais cru. "Crazy Heart" possui todo sentimentalismo de uma canção romântica com a vibe Cramberris. Já "Summer Song" tenta resgatar o tom solar antes do final. O tom já fica mais melancólico em "The Pressure" e culmina com o encerramento em “In the End” fechando o álbum como uma reflexão acompanhada de lágrimas. Coincidentemente o álbum possui muitas letras que falam sobre coisas que terminam, ciclos, porém a cantora se referia a uma nova fase em sua vida que infelizmente foi interrompida pela tragédia de sua morte. A decisão de aproveitar o trabalho realizado resulta em um álbum muito integrado ao material da banda. Com a produção de Stephen Street, responsável pela produção dos dois primeiros álbuns, "In The End" transita muito próximo aos primeiros trabalhos da banda agradando aos fãs da banda e garantindo uma despedida à altura do que o The Cranberries realizou durante seus anos de carreira e representa a uma geração. DEFINITIVO

MÚSICA FAVORITA DO ÁLBUM: "All Over Now"




São 11 músicas disponíveis nas principais plataformas digitais pela BMG.

Hype: ÓTIMO

quinta-feira, 25 de abril de 2019

VINGADORES - ULTIMATO (2019) "Avengers - EndGame" de "Anthony Russo & Joe Russo"



Hype: ÓTIMO

"Texto Sem Spoilers"

Conclusão do ciclo MCU (Marvel Cinematic Universe, franquia do universo compartilhado centrado em filmes de super-heróis da Marvel Studios de personagens que aparecem nas HQ"s publicadas pela Marvel Comics) tem final sólido mesmo esbarrando em certa monotonia de 3 horas de duração e excesso de "Fan Service" (definição utilizada referindo-se a elementos supérfluos à história principal, mas incluídos para divertir, entreter ou atrair a audiência), não que isso seja um problema para o fã mais empolgado, isso é realizado da melhor forma possível. Dificilmente esse fã de quadrinhos ou da saga de filmes vai se decepcionar com as conclusões dos personagens e até mesmo questionar a habilidade da Disney em amarrar tudo que acontece desde o início de tudo lá em 2008. Tal proeza se faz graças a essa construção do universo compartilhado que foi dentro desses 11 anos trilhando um caminho com muitos acertos com a certeza de que um dia teria um fim. Nada como um momento chave, cuidadosamente arquitetado para concluir a era dos heróis e contra sua maior ameaça, o terrível Thanos. Mesmo virando quase um final de novela devido ao fechamento de núcleos, "Ultimato" aproveita essa consolidação dos heróis em um filme evento que realiza diversos "Crossovers" em sua própria história em uma bonita homenagem a seu legado para a "Cultura Pop" transformando tudo que vivenciamos nesses anos em algo que certamente ficará marcado de alguma forma em suas vidas. É preciso reconhecer que a Marvel utilizou sua principal fonte, os quadrinhos para dar vida aos seus heróis em outra mídia com um grau de dificuldade imenso mas de forma digna e palentável. Esse filão dos heróis nos cinemas ganha sua maior referência e talvez uma conclusão definitiva para que surja novos ciclos, provavelmente menores (amarrar 21 filmes de um universo sem dúvidas foi algo trabalhoso pela equipe de produção). Os próximos passos só o futuro dirá mediante a essa nova construção. Mesmo com o sentimento de nostalgia é um alívio que tudo chegue a um fim, e que fim. A vibração e a comoção do público na batalha final vai lembrar uma época de sagas eternizadas como "Harry Potter" e "Senhor dos Anéis". Na trama, após Thanos eliminar metade das criaturas vivas, os Vingadores precisam lidar com a dor da perda de amigos e seus entes queridos. Com Tony Stark (Robert Downey Jr.) vagando perdido no espaço sem água nem comida, Steve Rogers (Chris Evans) e Natasha Romanov (Scarlett Johansson) precisam liderar a resistência contra o titã louco. Como consertar esse lapso que virou após Guerra Infinita? A resposta chega logo no início do filme dando uma esperança aos heróis. O filme gira em torno principalmente de Homem de Ferro e do Capitão América porém outros heróis possuem também um papel essencial como o Homem Formiga e a Capitã Marvel, recém apresentada ao universo. Produzido por Kevin Feige e dirigido pelos Irmãos Russo, temos também um elenco excepcional e bastante estelar como a muito tempo não se via em uma produção cinematográfica, é uma lista enorme só para citar os principais: Brie Larson (Carol Danvers/Capitã Marvel), Scarlett Johansson (Natasha Romanoff/Viúva Negra), Josh Brolin (Thanos), Karen Gillan (Nebulosa), Chris Hemsworth (Thor), Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), Evangeline Lilly (Hope van Dyne/Vespa), Sebastian Stan (Bucky Barnes/Soldado Invernal), Michelle Pfeiffer (Janet Van Dyne), Dave Bautista (Drax), Chadwick Boseman (T’Challa/Pantera Negra), Robert Downey Jr. (Tony Stark/Homem de Ferro), Jeremy Renner (Clint Barton/Gavião Arqueiro), Paul Rudd (Scott Lang/Homem-Formiga), Jon Favreau (Happy Hogan), Mark Ruffalo (Bruce Banner/Hulk), Gwyneth Paltrow (Pepper Potts), Ty Simpkins (Harley Keener), Don Cheadle (James Rhodes/Máquina de Combate), Vin Diesel (Teen Groot), Elizabeth Olsen (Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate), Paul Bettany (Visão), Benedict Cumberbatch (Stephen Strange/Dr. Estranho), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Maria Hill (Colbie Smulders), Anthony Mackie (Sam Wilson/Falcão), Tom Holland (Peter Parker/Homem-Aranha), Tom Hiddleston (Loki), Chris Pratt (Peter Quill/Starlord), Zoe Saldana (Gamora), Pom Klementieff (Mantis), Sean Gunn/Bradley Cooper (Rocket Raccoon), Tessa Thompson (Valquíria), Danai Gurira (Okoye), Letitia Wright (Shuri), Michael Douglas (Hank Pym), Emma Fuhrmann (Cassie Lang), Tilda Swinton (The Ancient One) e Winston Duke (M’Baku). Imagina as cifras envolvidas na produção. A conclusão épica que todos aguardavam é milimetricamente construída graças também ao carisma desse incrível elenco, porém, realizando uma comparação com Vingadores "Guerra Infinita", o filme anterior da saga dos heróis funciona melhor que Ultimato e os personagens são melhor trabalhados. A necessidade de chegar ao fim se cria soluções questionáveis porém necessárias para amarrar as histórias e criar uma renovação. Não deixa de ser uma decisão corajosa. O enredo busca um meio de revisitar toda a história dos heróis, isso pode soar em alguns momentos cansativos mas também interessantes, passando por momentos importantes de outros filmes com  uma outra perspectiva, isso não chega a confundir o espectador e sempre acompanhado de inúmeras piadas bem divertidas para aliviar a tensão e os momentos tristes. Quem gosta das lutas e dos efeitos visuais vai se satisfazer com boas cenas de ação com destaque a toda orquestração visual e a quantidade de elementos da batalha final, sem dúvidas, impressionante e regada de bastante emoção, guiando seus personagens centrais rumo ao fim. Há momentos decisivos e tristes e também finais felizes com a clara percepção que nada ficará igual independente de um possível retorno. Apesar de “Vingadores: Ultimato” ser vendido como o desfecho de todo o arco, já existe herói com retorno garantido, em julho, chega aos cinemas “Homem-Aranha: Longe de Casa” e possíveis projetos em pré produção das sequências de “Pantera Negra”, “Guardiões da Galáxia” e “Doutor Estranho”. Outros personagens como Viúva Negra e Shang-Chi estão na fila para ganhar filmes solo. Fora isso precisamos lembrar que vem aí o streaming da Disney e possivelmente uma infinidade de séries de personagens. O universo Marvel nunca emplacou defitivamente na TV e tem uma chance grande de iniciar um novo ciclo até sua reconstrução no cinema. Três séries em live-action foram confirmadas oficialmente até o momento são Falcão & Soldado Invernal, Loki e WandaVision. Além da possível série do Gavião Arqueiro com a Kate Bishop. Todas as séries do Marvel Studios no Disney+ terão o retorno dos atores que consagraram os personagens no cinema, incluindo Tom Hiddlestone, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Paul Bettany e Elizabeth Olsen. Resumindo, o fim não tem fim quando se envolve um grande estúdio e uma franquia de sucesso com milhares de histórias disponíveis e se você está disposto a continuar explorando cada detalhe de tudo a Disney certamente vai continuar esse legado. Vingadores Ultimato é sim definitivo em muitos aspectos além de ser um marco na cultura Pop, Geek e Nerd. Mas prepare-se são 3 horas de jornada, como se já fosse a versão estendida, faltou uma edição mais enxuta. HISTÓRICO.


 Em cartaz nos cinemas pela Disney!

#Cinema2019 #Avengers #EndGame

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O TERNO - "Atrás/Além" (2019)


Retorno da banda traz um novo cardápio de canções delicadas e bem executadas indo ao encontro de uma musicalidade cheia de qualidades.


Tim Bernardes que lidera o grupo não só assina todas as faixas, como canta, toca e é o responsável pelos arranjos, direção e produção musical. Ele ressalta toda experiência adquirida em sua carreira solo e também em diversas e interessantes parcerias com outros artistas, como Tiê, Paulo Miklos, Jards Macalé e Baco Exu do Blues. A banda ainda é formada por Gabriel Basile (Bateria) e Guilherme d’Almeida (Baixo) e tem uma musicalidade autoral nascida no “indie rock”, o grupo paulista formado em 2009 ressaltou vitalidade em um som desapegado de gêneros e rótulos musicais. Eles se tornaram uma das referências da música independente brasileira até a pausa para projetos individuais. “Atrás/Além”, o quarto álbum do trio, chega após quase três anos de pausa e ressalta uma nova fase com uma maturidade sonora repleta de belos e sofisticados arranjos que vão do Pop ao Rock, do Samba a MPB, com muita propriedade. O Terno sempre foi uma banda de contrastes, da agitação maluca a calmaria, da beleza das composições e das letras despojadas. O álbum chega repleto de contrastes e sonoridade apurada, com destaque aos arranjos orquestrais, referências tropicalistas sem se prender a um estilo só. Impressões faixa a faixa: "Tudo que eu fiz" já começa muito o bem o trabalho com uma melodia agradável e uma letra serena e madura sobre envelhecer. "Pegando Leve" é uma balada sobre desilusão amorosa com tom otimista que nunca se rende a melancolia e lembra a sonoridade antiga da banda. "Eu vou" já abandona os graves e encarna uma melodia que exalta a voz perfeita de Tim Bernardes. "Atrás/Além" ressalta o tom silencioso porém com uma pegada interessante que flerta com a MPB e sua virada é sensacional protocolando o amadurecimento da banda. "Nada/Tudo" é quase um complemento da música anterior com uma mistura interessante de sons relaxantes. "Pra sempre será" segue o fluxo da calmaria com afetividade em ótima letra. "Volta e Meia" tem colaboração de "Devendra Banhart' e "Shintaro Sakamoto" e dá uma reviravolta na temática do álbum acrescentando latinidade. "Bielzinho/Bielzinho" traz batuque e brasilidade ao trabalho com um acréscimo interessante de samba no som em uma homenagem ao baixista da banda. "O Bilhete" é uma canção de amor introspectiva porém equilibrada. "Profundo/Superficial" dá continuidade a melancolia com uma das canções mais tristes e profundas do álbum. "Passado/Futuro" é o início do fim do trabalho em uma música repleta de viradas e com uma gostosa melodia e letra reflexiva com direito a um "punch" no final entregando toda alma do grupo misturado a essência da musicalidade passada da banda com o som de agora."E no Final" é um lindo poema sobre o fim. No geral um trabalho delicioso de uma banda que deixou de ser promessa e atingiu a maturidade de forma brilhante. CALMARIA AOS OUVIDOS.




São 12 músicas inéditas disponíveis nas principais plataformas digitais de Música! 

Hype: ÓTIMO


terça-feira, 23 de abril de 2019

O SILÊNCIO (2019) "The Silence" de "John R. Leonetti"


Hype: RUIM

Novo filme original da Netflix é uma mistura da adaptação Bird Box (2018), fenômeno de público no streaming com o longa de sucesso nos cinemas, Um Lugar Silencioso (2018). "The Silence" se baseia em outro livro aclamado escrito por Tim Lebbon lançado em 2015 e possui todos elementos já utilizados  nesses dois filmes com algumas poucas diferenças, principalmente na narrativa. A trama não esconde o surgimento das criaturas e como elas dominaram o mundo, as chamadas “vespas” se libertaram de uma caverna aonde ficaram milhares de anos após uma escavação. Elas não chegam a ser assustadoras mas são letais contra os humanos e aparecem na trama sem qualquer mistério, atraídas principalmente pelo barulho. Em pouco tempo as cidades são tomadas pela infestação e só cabe as pessoas tentarem se proteger dessa ameça. Junto com a infestação das criaturas surgem também o desespero das pessoas pela sobrevivência com o surgimento de um estranho culto sobrenatural para aumentar o obstáculo dos personagens principais. Esse argumento pode até despertar o interesse do expectador menos exigente, porém, o que fica evidente é um leve desgaste de situações pós-apocalípticas expostas no filme até pelo excesso de abordagens, principalmente da Netflix, parece que toda semana tem um novo exemplar do gênero. Não é um filme que surpreende, infelizmente. Na trama o mundo é atacado por terríveis criaturas assassinas atraídas pelo som. Ally Andrews (Kiernan Shipka), uma jovem de 16 anos que perdeu a audição alguns anos antes, parte em busca de refúgio ao lado de sua família. Na jornada, eles se deparam com um culto sinistro cujos membros estão determinados a explorar os sentidos aguçados de Ally. Em um cenário apocalíptico a família de Ally busca a sobrevivência em um planeta devastado. O filme tem direção de John R. Leonetti (Annabelle) e o elenco conta com Stanley Tucci, Kiernan Shipka, Miranda Otto, John Corbett, Kate Trotter e Kyle Breitkopf. "O Silêncio", título nacional, não funciona como filme de terror e todos elementos que poderiam render uma boa abordagem perdem o impacto se tornando  previsível, um expectador mais atento não será captado pela história que ainda possui um gancho desnecessário para uma continuação. MAIS DO MESMO.


O Filme está disponível na Netflix.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

A MALDIÇÃO DA CHORONA (2019) "The Curse of La Llorona" de "Michael Chaves"


Hype: REGULAR

Filme de terror não consegue sair do "protocolo" e preocupa fãs da antologia de sucesso Invocação do Mal, cheio de suspense, o fantasma da mulher chorona, baseado em uma lenda popular do folclore da América Latina mas pouco conhecida no Brasil, consegue ser efetivo nos sustos porém seu desenvolvimento e soluções fáceis são constrangedores em uma franquia que cada vez mais escorrega em seus derivados. Não chega a ser surpresa que o universo expandido do filme de terror dos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren ganhe derivados, tudo em prol de bilheteria. A boneca Annabelle chega neste ano ao terceiro longa metragem, a personagem da Freira demoníaca também ganhou seu filme próprio. Agora chega a vez da lenda urbana mexicana "La Llorona". São filmes que cada vez mais vão se desprendendo da essência de sua origem e não só por isso, não são suficientemente amarrados a algo que dê qualidade as histórias. Annabelle ainda conseguiu um sopro devido ao segundo filme muito bem construído, aos demais fica a sensação de mais do mesmo. A Mulher Chorona é uma aparição assustadora, presa em um terrível destino selado pelas próprias mãos. Em vida, ela afogou os seus filhos em uma raiva egoísta, se jogando no rio logo em seguida, e depois ela chorou de dor. É uma história de terror simples e tenebrosa que no filme não surpreende, não leva a lugar nenhum, apenas a satisfação de quem deseja levar sustos "artificiais" montados por um som agoniante. O terror "popular" virou isso, deixa a capacidade de se gerar o medo para atacar o expectador com truques sem a menor criatividade. Na trama, uma assistente social "Anne" (Linda Cardellini) investiga uma mãe "Patrícia" (Patricia Velasquez) denunciada por maus tratos aos seus filhos, ao chegar na casa dela para verificar se depara os filhos dela trancados em um armário com a justificativa da mãe ser uma proteção de "La Llorona". Quando Patricia é presa e os jovens são levados para o hospital, a terrível "Chorona" se volta para os filhos da própria Anne e eles são envolvidos em uma trama sobrenatural. A única salvação pode ser um padre desiludido e o misticismo que ele pratica para manter o mal afastado, nas margens onde a fé e o medo entram em colisão. O mistério é envolvido de forma tão óbvia que o final dessa história não surpreende ninguém e a sensação que fica é de falta de objetivo ao filme. A direção fica a cargo de Michael Chaves, que também dirigirá "Invocação do Mal 3" e com leve produção de James Wan. Essa nova produção do "Conjuringverse" como é apelidado a antologia de "Invocação do Mal" repete os erros do recente 'A Freira', é um filme que tenta apagar sua história fraca e direção imprecisa com "Jumpscares", sustos que vão fazer você pular da cadeira, nesse quesito ele serve bem ao seu propósito de entreter sem grandes ambições porém já fica uma desconfiança para Annabelle 3 que chega aos cinemas em Julho. SOMENTE SUSTOS




O filme está em cartaz nos Cinemas pela "Warner Bros". 

#TheCurseOfLaLlorona #Cinema2019 #Terror #Suspense #MeuHype #EmCartaz


domingo, 21 de abril de 2019

SPECIAL - Temporada 1 (2019)


Special conquista o expectador com a história de Ryan, rapaz gay que possui Paralisia Cerebral e sua jornada em busca da felicidade. 

Com oito episódios de 15 minutos cada, é possível conferir a produção em uma rápida maratona. O misto de comédia e drama é agradável e o principal destaque sem dúvidas é seu protagonista interpretado por Ryan O’Connel, que também é o roteirista e produtor da série lançada pela plataforma de streaming. Em tempos aonde a tecnologia e os aplicativos de relacionamentos tenta nos dar a sensação de que tudo é mais fácil, a vivência das relações interpessoais vira um desafio considerável, esse é o foco da bem humorada série que sem dúvida trata de assuntos delicados com uma abordagem cuidadosa da mesma maneira que já foi realizado em outro bom seriado também da Netflix, Atypical (que conta o drama de um jovem autista que deseja arranjar uma namorada). O personagem principal de Special deseja coisas que em grande parte não depende somente dele e esse é o principal conflito da trama, como ele vai lidar em suas decisões, com a insegurança, o julgamento, o medo de situações que podem ser consideradas normais como a tensão de um primeiro encontro (mesmo após conversas pelo celular), primeira transa, morar só, fazer amigos entre outros temas, que na vida de uma pessoa com paralisia cerebral é diferente e são esses aspectos que Special consegue trazer á tona de forma honesta sem vitimismo e sem fantasiar. Em resumo a trama traz Ryan Hayes (vivido por Ryan O’Connel) que sofre com uma paralisia que retardou o movimento de uma de suas pernas e dificulta um pouco seu mundo pós-jovem. Cansado e com uma autoestima surpreendentemente alta, ele decide aceitar um estágio não remunerado em uma agência de textos online para dar voz a sua vida pouco agitada. Nesse meio tempo sua preocupação é conseguir viver sua sexualidade: ele tenta marcar seus primeiros encontros com a ajuda de aplicativos de relacionamento gay. Sua vida começa a entrar nos eixos com a aparição de Kim (Panum Patel), sua colega na agência que o incentiva a sair de casa e conhecer pessoas, e quando decide morar sozinho - mesmo que seja completamente dependente de sua mãe, Karen (Jessica Hetch). Graças ao bom coração e simplicidade de Ryan ao lidar com suas questões, cada reflexão em cada episódio nos aproxima cada vez mais da história mostrando dois paralelos bem complicados quanto a sua adaptação ao mundo gay e quanto a sua personalidade própria em levar adiante seus sonhos independente da Paralisia e o preconceito sofrido diariamente. A sensibilidade das vivências do personagem tornam o seriado uma agradável surpresa, a história é inspirado um relato pessoal do seu criador ganhando contornos ainda mais surpreendentes e deixando a trama ainda mais próxima da realidade. A VIDA PODE SER ESPECIAL, SÓ DEPENDE DE VOCÊ


São 8 episódios disponíveis na Netflix


Hype: ÓTIMO

sábado, 20 de abril de 2019

O MAU EXEMPLO DE CAMERON POST (2018) - "The Miseducation of Cameron Post" de "Desiree Akhavan"


Após grande atraso, chega aos cinemas mais um filme que aborda a polêmica “Cura Gay” geralmente utilizada por igrejas para tratar jovens que se relacionam afetivamente com o mesmo sexo. 

O filme é uma história sensível de amadurecimento mesmo que de certa forma trate o assunto de forma genérica sem se posicionar contra as instituições religiosas que utilizam tal método que não possuí qualquer comprovação científica ou médica. O certo dessa prática é o preconceito, o fato do filme entrar em cartaz nos cinemas já é importante mesmo que seja em circuito limitado. Um exemplo polêmico foi  da Universal Pictures que não lançou  nos cinemas Boy Erased, que aborda esse tema também, diferente da Fox Film que deu um tratamento melhor com a comédia romântica Gay, Com Amor Simon, que proporcionam a oportunidade de debater o assunto e trabalhar essa temática com um público maior afastando essa mente fechada que pensa no LGBT como minoria. A história de "O Mau Exemplo de Cameron Post" se passa na década de 90 e acompanha a jovem Cameron Post (Chloe Grace Moretz) que possui um romance lésbico com Coley (Quinn Shephard), sua colega de estudos bíblicos. Esse conflito de liberdade e fé faz com que Cameron, após ser flagrada com a parceira seja internada num acampamento de conversão pela família religiosa. O filme é uma adaptação do livro homônimo de Emily M. Danforth focado na experiência desse retiro coordenado por um reverendo "ex-gay" (interpretado por John Gallagher Jr.) e uma terapeuta responsável por sua "cura". Já tem um bom tempo que esse assunto já foi esclarecido, homossexualidade não é classificada como doença e o preconceito e a distorção religiosa sobre o tema que é o principal problema. O melhor do filme é encarar que cada pessoa tem suas particularidades, Cameron não tem certezas sobre sua orientação sexual ou seu cristianismo, o que permite que a mesma seja envolvida pela experiência de forma intensa, vulnerável onde todas as influências, afinal, precisa de definições para se encaixar. Esse sentimento de incertezas da jovem gera um filme maduro e que trata o expectador com inteligência mesmo que ele não seja LGBT. Porém o fato de não se posicionar ativamente contra esse ato faz com que o expectador acabe cúmplice de pessoas que acham ter as respostas sobre a homossexualidade, tratada pelos personagens apenas como pecado. O filme se isenta do assunto e isso incomoda um pouco. Mesmo sem elementos marcantes talvez a história seja interessante para que haja um debate sobre isso. Essa fase da vida é repleta de descobertas e também ressalta as diferenças, o certo é que todos nós precisamos escolher um caminho e que isso ocorra de forma natural sem opressão. MELHOR CURAR O PRECONCEITO!


O filme é distribuido pela Pandora Filmes.

Hype: BOM - Nota: 7,0


sexta-feira, 19 de abril de 2019

O EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS (1964) "Il Vangelo secondo Matteo" de Pier Paolo Pasolini




Aproveitando a Sexta-feira Santa e a Páscoa revisitamos um dos filmes religiosos mais aclamados e bonitos já realizados sobre a Paixão de Cristo. 

Filmado em 1964, em preto e branco e com mais de 2 horas de duração, o filme não traz nada de novo no que já conhecemos da história de Jesus Cristo mas permite usar do expressionismo, simplicidade e honestidade uma visão marcante da história bíblica. O realismo como tudo é retratado leva o famoso diretor italiano e ateu, Pier Paolo Pasolini a alternar da  revolta radical a edificação religiosa. Na época ele dedicou o filme ao Papa João XXIII e gravou a produção em Israel como o seu projeto mais incomum para o poeta da classe baixa dos subúrbios de Roma. O Evangelho Segundo São Mateus surgiu cerca de 10 anos antes de um dos seus filmes mais polêmicos de todos os tempos, Saló ou os 120 dias de Sodoma. Suas ideias contraditórias, marxistas e místicas fizeram do prolífico escritor e poeta ser um diretor mundialmente respeitado e idolatrado mostrando um cineasta único sem medo de deixar sua marca. O longa é um dos poucos filmes bíblicos que o Vaticano deu seu selo de aprovação, em grande parte porque é bastante bonito, poético e fica muito próximo do texto do livro em que se baseia, com a maior parte do diálogo tirado diretamente da Bíblia. No entanto, Pasolini concentra-se no lado político de Jesus, com Cristo se deparando com uma figura muito intensa, unilateral e sem humor, cujas idéias são surpreendentemente marxistas. Interpretado por Enrique Irazoqui, Jesus não é retratado como um cara simpático. Na verdade, você tem que se perguntar se Pasolini escolheu Irazoqui baseado no fato de que ele se parece um pouco com Che Guevera e pode realmente conseguir a intensa e ideológica mentalidade de um revolucionário. Foi este lado revolucionário de Jesus que Pasolini se interessou e ele certamente traz isso para fora, sem esquecer as partes místicas e estranhas do conto ou os momentos que são muito humanos ou na verdade fantasiosas. Intensamente poético e com uma variação interessante que vai da música clássica e também permite ao expectador sua própria assimilação de pensamentos ou vivência do ocorrido dando espaço para interpretar, pensar e cogitar. O observador religioso provavelmente o achará transcendente, enquanto os ateus terão espaço para considerar as questões levantadas pela história de Cristo, e certamente dará a alguém uma pausa para pensar sobre que figura política Jesus era, o que muitas vezes é negligenciado. Afinal, enquanto a igreja tende a dizer que ele morreu por nossos pecados, ele pode ter sido morto por causa de sua política. Independente da sua crença, é uma visão bastante intensa, poética e bela da história de Cristo. OBRA PRIMA!


O filme foi lançado em mídia física no Brasil em DVD e Blu-ray. Filme visto diretamente da nossa coleção particular em Blu-ray! A restauração realizada no filme e lançado no Brasil pela Versátil está excelente ressaltando ainda mais sua ótima fotografia e ainda possuí extras imperdíveis sobre o diretor italiano. 

"Vós ouvireis com os ouvidos, mas não entendereis. Verei com os olhos mas não compreendereis. Pois o coração deste povo se tornou insensível. Endureceram as orelhas e fecharam os olhos... para não ver com os olhos e para não ouvir com as orelhas." (Jesus).