quinta-feira, 11 de julho de 2019

TWO DOOR CINEMA CLUB - "False Alarm" (2019)



False Alarm é um conjunto de canções inofensivas permitindo a banda leves experimentações que agradam pela simplicidade.

Os jovens do Two Door Cinema Club, banda norte-irlandesa de rock formada em 2007 por Sam Halliday, Alex Trimble e Kevin Baird chegam ao quarto álbum mantendo a qualidade no som e caminhando em seu lugar de referência. Há 10 anos atrás após lançarem a canção Something Good Can Work na internet, a banda assinou com a gravadora francesa Kitsuné Music e ganhou o mundo com canções de Indie rock que misturam vertentes modernas de rock. Seu maior sucesso What You Know permanece até hoje como um Hit atingindo mais de 300 milhões de audições no Spotify e sendo executado nas pistas de dança. False Alarm é quase uma continuação de Gameshow (2016), o álbum mais fora da curva da banda, ficando muito próximo dos dois primeiros, Tourist History (2013) e Beacon (2012). Mesmo com o tradicional pé nas batidas eletrônicas todas experimentações são discretas e percorrem naturalmente o que a banda já produziu. O trabalho marca também uma mudança visual para o trio, estilizada principalmente por estampar seus integrantes na capa do álbum, eles sempre foram bastante discretos, isso aliado a cores vibrantes e uma temática que percorre todo o visual moderno presente. Esteticamente ficou muito bonito e combina com a parte musical. Acompanhe nossas impressões faixa a faixa do álbum. "Once" abre o álbum com uma balada com batidas que beiram de leve o psicodélico sem abandonar o Indie realizado pela banda, a canção é rápida e começa muito bem o trabalho."Talk" foi o primeiro single lançado e tem a pegada tradicional da banda com uma canção leve que não aumenta o groove, não chega a empolgar mas tem  estilo característico do som realizado por eles. Faltou um gás. "Satisfaction Guaranteed" tem cara de balada noturna e aposta nos vocais em uma mistura Indie/eletrônico e uma guitarra leve e despretensiosa. "So Many People" aposta no refrão com cara de "fim de festa", a banda diminui o ritmo alcançado um tom comum sem surpreender. "Think" é a surpresa do trabalho, com uma voz robótica e futurista agregada a um som relaxante e ousado na medida certa. Um acerto do álbum. "Nice to See You" protocola um álbum que decide caminhar na zona de conforto, uma música com a cara da banda ao mesmo tempo que segura qualquer movimento brusco no ritmo e no vocal. Comum. "Break" é uma música curtinha e melódica com uma letra simples e versos pausados. É quase uma introdução a música seguinte, a melhor do trabalho, "Dirty Air" que usa uma guitarra forte e tem ritmo empolgante e envolvente, pronta para contagiar uma pista de dança. "Satellite" lembra um pouco "Hot Chip" com vibe oitentista e sintetizadores que remete a jogos antigos de videogame. Uma faixa vibrante. "Already Gone" fecha o trabalho com uma melodia melancólica de fim de show. False Alarm é tão simples que se torna agradável, traz a banda tentando se afastar de amarras que fizeram seu último álbum não decolar assumindo riscos calculados e priorizando uma diversão minimalista porém admirável. EQUILIBRADO!


MÚSICA FAVORITA DO ÁLBUM: Dirty Air





São 10 faixas disponíveis nas principais plataformas digitais de streaming pela Prolifica PIAS.

Hype: BOM - Nota: 7,5



quarta-feira, 10 de julho de 2019

A PEQUENA TRAVESSA (2018) - "Little Miss Dolittle - Ein tierisches Abenteuer" de "Joachim Masannek"

Produção alemã é aquele inocente filme infantil que pode agradar aos pequenos sem muito esforço em ser memorável.

Mês de Julho, férias escolares, crianças em casa e prontas para uma programação alternativa, como ir ao cinema. A Pequena Travessa é aquele tipo de filme que é uma escolha certeira para entreter a criançada menos exigente que já tenham visto as demais produções em cartaz nos cinemas. Com sua protagonista capaz de conversar com qualquer tipo de animal (o que inclui seu cachorro de estimação), ela é a representação alemã do Dr. Dolittle, personagem clássico que conversava com animais e que teve na década de 90 uma refilmagem divertida com Eddie Murphy, porém com toda inocência presente em uma criança. Não é uma ideia nova, sendo assim, repete fórmulas já bastante executadas em outras produções. A história cheia de esteriótipos se fixa principalmente em seu público-alvo, crianças, mas por outro lado também beira o caricato e possui efeitos especiais bizarros que nem de longe se aproxima, por exemplo, da excelência do clássico do gênero, Babe, Um Porquinho Atrapalhado. Sua produção é atrativa a garotada pelos cenários coloridos e fantasiosos dentro de uma pequena cidade alemã, com todo um ar acolhedor a história que aparentemente não vai a fundo nos dramas pessoais de seus personagens e sem esse aprofundamento, leva a narrativa com uma leveza de "Sessão da Tarde" deixando claro que tudo ficará bem no final. A produção, por mais que seja um conto infantil, sua escolha de narrativa aliviando os dramas dos personagens sem qualquer cuidado acaba sendo um problema, todos os conflitos da personagem principal não aprofundam lições que sejam absorvidas pelas crianças. Outro fator de problemática é o fato de Liliane (Malu Leicher), personagem principal, falar com animais sem nenhum tipo de explicação ou lição, não seguindo a interessante regra, grandes poderes com grandes responsabilidades, nessa história a habilidade fantástica da personagem serve apenas para aguçar o imaginário infantil sem pelo menos entregar algo mais vistoso ou até mesmo se entregar de cabeça a fantasia. O meio termo aqui não funciona. Na trama Lili fala com animais mas, com exceção de seus pais e sua avó, ninguém mais conhece seu talento especial que já lhe trouxe problemas suficientes no passado. Quando a menina conhece o distante e misterioso Jess, lentamente começa a confiar nele. Junto com Jess e seus novos amigos do grupo de estudos do Zoológico, Lili começa uma busca pelo bebê elefante, Ronni, que foi sequestrado por um misterioso ladrão de animais. Agora, com sua habilidade de se comunicar com os animais a garota é a única esperança de solucionar o mistério. O filme é a primeira adaptação de uma popular série de livros infantis de Tanya Stewner, que já possui quase 20 livros publicados com relativo sucesso em seu país de origem e destinado a crianças pequenas de idade escolar. Dentre os pontos positivos está sua personagem principal, Lili, que mostra apreço aos animais mesmo lhe trazendo problemas e também com um roteiro que afaste qualquer questão que envolva alguma lição de cuidado aos animais, possui também uma bonita mensagem de compaixão e respeito ao próximo. O tom bem humorado e otimista da produção agrada assim como sua fotografia bonita.Uma pena que são poucas exceções que funcionam e no aspecto geral. A Pequena Travessa derrapa na rapidez dos acontecimentos em trama apressada e não possui argumento necessário para torná-la vibrante ou até mesmo, dentro de um contexto atual ser sagaz para agregar em sua fantasia. Outro problema grave são as piadas de gosto duvidoso envolvendo: burros com diarreia, ranho de espirro de elefante, piada com o mau cheiro dos pinguins e um policial atrapalhado e fora de tom. Sem sutilezas narrativas agradáveis ou relevância suficiente para uma geração agarrada em em Smartphone e hiperativa, a produção fica destinada a sessões de filmes infantis tapa buraco de grade em canais infantis e talvez nem as crianças se interessem. FRACO!


O Filme estréia nesta Quinta Feira (11/07) nos Cinemas pela PARIS FILMES.
Filme visto na Cabine de Imprensa realizada em Brasília!

( Hype: RUIM - Nota: 4,0 )


terça-feira, 9 de julho de 2019

ATENTADO AO HOTEL TAJ MAHAL (2018) "Hotel Mumbai" de "Anthony Maras"


Produção retrata de maneira fiel e humana a tragédia que chocou o mundo.

Baseado em eventos reais, o filme acompanha os ataques terroristas à cidade de Mumbai, na Índia, que ocorreram em 2008. Foram três dias de completo caos, onde a cidade foi tomada por terroristas e devastada por incêndios, tiros e explosões de granadas. O filme realiza uma estrutura que coloca o expectador na tensão dessa emocionante história que mostra pessoas de estilos de vida, religiões e classes sociais completamente diferentes se unirem para protegerem umas às outras. Esse atentado foi um alerta ao mundo dos perigos do terrorismo e também uma forma de conhecer a história das vítimas e sobreviventes dessa tragédia. Anthony Maras em seu filme de estréia apresenta uma condução correta e envolvente sem se render a fórmulas hollywoodianas de espetáculo, seu retrato possui emoção e muito coração envolvido em seus personagens. Outro ponto positivo é sua produção que mesmo sem grande orçamento consegue uma representação digna da maior cidade da índia em tornar essa viagem em algo angustiante. A trama começa com os terroristas pousam sua lancha inflável nas margens da cidade. Em poucos minutos os atentados se inciam espalhando o derramamento de sangue pela cidade. Enquanto isso, no monumental Taj Mahal Palace Hotel, um funcionário de baixa patente chamado Arjun (Dev Patel) está tendo um dia difícil; seu bebê doente o atrasou para o trabalho, ele perdeu um sapato no caminho, é só o começo de uma jornada de sobrevivência. O resort de luxo, cinco estrelas, se orgulha de excelência incorporada principalmente pelo chef de classe mundial Hemant Oberoi (Anupam Kher) que é o única pessoa real representada no filme, além dos terroristas. Todos os outros são uma composição fictícia de vítimas, sobreviventes e policiais, todos os quais foram claramente projetados para a máxima eficiência narrativa do filme. Enquanto Arjun é quase mandado para casa por sua má conduta, o resto da equipe está correndo para deixar as coisas prontas para seus convidados VIP, incluindo um arquiteto chamado David (Armie Hammer) sua bela esposa do Oriente Médio Zahra (Nazanin Boniadi), sua babá (Tilda Cobham-Hervey) e seu bebê. Outro personagem que ganha foco é um empresário russo interpretado por Jason Isaacs. Além desses personagens há o núcleo de funcionários do Hotel, inclusive vários deles arriscam a vida para salvar os hóspedes pois existe um mantra onde o “Convidado é Deus”. Se os terroristas são motivados por uma ideologia demente, os funcionários celebram o heroísmo e não abandonam sua clientela só porque podem embora o filme faça questão de não envergonhar os que saem. Mesmo quando o roteiro de Maras (co-escrito por John Collee) não seja inspirado em colocar Arjun e Oberoi em papéis de heróis, o trabalho realizado com os terroristas oferece aos assassinos o argumento de jovens perdidos e alimentados por um ódio, são vilões reais e desolados em uma vida construída para servir a pessoas erradas, longe de fazer o bem em prol de sua posição religiosa. No geral a dramatização se torna crível graças a condução minuciosa intercalada com os fatos reais em um filme que retrata bem o horrível ocorrido. TENSO E REAL.  



O filme estréia nos Cinemas na Quinta-Feira (11/07) pela IMAGEM FILMES.


segunda-feira, 8 de julho de 2019

(Hype) HIGH LIFE (2018) de "Claire Daines"


Cultuada diretora francesa, Claire Daines, apresenta uma obra poderosa e marcada pelo vazio do espaço e da alma.


A produção do estúdio A24 que chamou bastante a atenção em festivais pelo mundo, incluindo o badalado Festival de Toronto do ano passado é uma obra interessante e recomendada para cinéfilos que não se prendem as estruturas básicas de entretenimento. Conhecida pelos trabalhos em filmes como 35 doses de Rum, Chocolat e Minha Terra, África, a diretora de 72 anos realiza seu primeiro longa na língua inglesa além de explorar um gênero novo em sua filmografia, uma história que se passa no espaço. Com um elenco que inclui nomes como Robert Pattinson, Juliette Binoche, Andre 3000 e Mia Goth, o filme consegue mesmo com pouco recurso aguçar a curiosidade do expectador e também explorar os elementos espaciais de forma contemplativa e muitas vezes aliados a uma certa questão espiritual e humana. O drama usa a metáfora espacial para refletir variados temas, dentre eles, convivência, individualidade, sexualidade e outros. O resultado final apresenta uma obra de variados sentimentos, quase como se o expectador estivesse participando do projeto espacial junto com os personagens. “High Life” conta a história de um grupo de criminosos que aceita participar de uma missão espacial experimental na qual eles viajarão a um buraco negro enquanto tem suas sexualidades testadas por cientistas. A missão sai em procura de energias alternativas em uma viagem que toma rumos inesperados quando uma tempestade de raios cósmicos atinge a nave e põe em risco a sobrevivência de sua tripulação. A simplicidade e profundidade de sua abordagem revela um filme de ritmo lento que pode causar um sentimento claustrofóbico ao mesmo tempo que sua contemplação vai de acordo com a experiência pessoal de cada espectador, seja pelo caráter hipnotizante ou elusivo. Nem todas as respostas estão claras. Pattinson, que em breve dará vida ao novo Batman, mostra mais uma vez seu crescimento como ator, ele já havia brilhado recentemente em Bom Comportamento e volta a entregar uma performance envolvente e admirável. Binoche traz uma atuação automática porém cheia de nuances, há um momento memorável no filme em que a personagem da atriz usa um dildo em uma câmara de metal em uma cena bem artística e interessante. Mesmo com uma certa palidez em alguns momentos o filme agrada justamente nos pequenos detalhes se revelando uma obra que lança mão de estruturas narrativas para apresentar um estudo sobre a vida humana assim como imagens que podem te levar da ternura de um adorável bebê a uma coleção de corpos humanos vagando no espaço. É uma obra repleta de símbolos em uma jornada de poucos momentos de hesitação além da trilha eletrônica low-fi do vocalista dos Tindersticks, Stuart A. Staples. A profundidade do filme está no vazio presente em nós, seja na alma já condenada de atos penosos ou na perspectiva de uma existência com algum sentido ou alguma esperança. PROFUNDO.



O filme não tem previsão de estréia nos cinemas do Brasil.


Hype: BOM  (Nota: 7,5)


sexta-feira, 5 de julho de 2019

STRANGER THINGS 3 de "Duffer Brothers"


Novos episódios trabalham a evolução dos personagens e aprofunda a trama rumo ao final.


Depois de virar um fenômeno e se tornar uma das séries mais vistas e admiradas da Netflix, Stranger Things ganha terceira temporada que consolida personagens e usa todos elementos de sucesso que fazem do seriado uma das produções mais prazerosas para se ver, seja pelas referências maravilhosas dos anos 80, a trilha sonora cheia de nostalgia ou mesmo pelo elenco infantil muito bem alinhado a história. Essa nova trama se passa no verão de 1985 na cidade de Hawkins, Indiana, durante o verão a grande novidade é o novo shopping da cidade, ponto de encontro dos jovens. O grupo formado nas duas primeiras temporadas sofre algumas crises devido a romances complicados além da dinâmica dos conflitos de interesses de cada um. O perigo novamente ronda o grupo quando a cidade é ameaçada por velhos e novos inimigos. Eleven (Millie Bobby Brown) e seus amigos sempre estão em alerta pois sabem que o mal nunca acaba, ele evolui. Mesmo com conflitos internos eles precisam se unir para sobreviver e se lembrar que a amizade é sempre mais forte que o medo. Desde quando chegou a Netflix, fica claro o tom referencial da série em trazer ao público as mais variadas incursões de elementos da década de 80, além de seguir uma base de produtos de sucesso da época. Os diretores Matt e Ross Duffer nesta temporada conseguem realizar essa condução de maneira espontânea até mesmo quando realizam merchandising gratuitos do Burger King e da Coca Cola. É um passeio repleto de nostalgia e talvez distorcido de uma época aonde se faziam conspirações, o acesso as informações era limitado, a curiosidade movia o sentido e o sentimento da maioria das pessoas que viveram nessa época aonde a tecnologia começava a engatinhar e dar margem a imaginação. Sobre os episódios, todos são dinâmicos e fogem do tom arrastado da segunda temporada, a série está mais fluída e pronta para seu arco final. 

Sinopse e impressões dos episódios (SEM SPOILERS): 

Capítulo 1 - Está me ouvindo, Suzie? - A volta da série traz um capítulo onde já mostra o quanto as crianças cresceram. Foram mais de 2 anos de intervalo entre as temporadas. Bastante colorido e intenso, o início já mostra as crianças no shopping, um local bastante importante para a temporada. Quadro a quadro, visualizamos como estão os personagens após todos acontecimentos. O nome do episódio vem de uma surpresa vindo das férias de Dustin. O verão traz novos empregos e romances. O clima muda quando o rádio de Dustin pega uma transmissão russa e Will percebe que algo está errado. O amadurecimento da série já está visível e o corte ágil já mostra que não há tempo a perder. Nerdice do episódio: As crianças vão ao cinema ver Day Of The Dead (Dia dos Mortos) um filme de terror clássico de George Romero. No episódio também escutamos a clássica canção de Gentlemen Afterdark, Open the door.

Capítulo 2 - O Caso dos Ratos - O capítulo desenvolve o que foi imposto no capítulo 1 de maneira bem estruturada. Nancy e Jonathan seguem uma pista sobre o estranho aparecimento de ratos na cidade. Steve e Robin tentam descobrir mais coisas sobre o estranho áudio russo que surgiu em seu aparelho. Um abalado Billy tem visões perturbadoras. Nerdice do episódio: Max e Eleven vão às compras ao som Madonna - Material Girl.



Capítulo 3 - A Salva-vidas desaparecida - Com El e Max procurando por Billy, Will declara um dia sem meninas mas acaba triste com os meninos em um racha no grupo. Steve e Dustin conseguem evoluir suas investigações. Joyce e Hopper retornam ao Laboratório Hawkins. As histórias começam a se intensificar, todas bem fluidas. Nerdice do episódio: As meninas olham uma revista com o ator Ralph Macchio de Karatê Kid e escutam Madonna - Angel.

Capítulo 4 - A Prova da Sauna - O código vermelho traz a turma de volta para enfrentar um mal assustadoramente familiar. Robin encontra um mapa útil nas investigações. Temos nesse episódio um acréscimo interessante no núcleo da sorveteria do shopping, Érica, personagem bem divertida. As tramas começam a afunilar freneticamente. Nerdice do episódio: As meninas olham revistas da Mulher Maravilha e Lanterna Verde.

Capítulo 5 - Os Devorados - Surpresas estranhas se escondem dentro de uma antiga fazenda e nas profundezas do Shopping Starcourt Mall. Enquanto isso, o vilão está se fortalecendo cada vez mais e causando problemas aos garotos com uma possessão em massa. (Um episódio que traz bastante suspense!) Nerdice do episódio: Uma referência indireta a Exterminador do Futuro.

Capítulo 6 - E Pluribus Unum - É revelado o que os russos estão construindo. Eleven consegue localizar Billy. Dustin e Erica encenam uma fuga ousada. Muita aventura em um episódio agitado que já se constrói o fechamento dos arcos e a solução das problemáticas. Nerdice do episódio: Personagem assiste Pica Pau na tv.

Capítulo 7 - A Mordida - O episódio prepara o terreno para o ato final. O tempo está se esgotando e as crianças estão se preparando para a guerra. O ato final está próximo e este episódio prepara tudo de forma empolgante. Nerdice do episódio: Os personagens entram em uma sessão de cinema de De Volta para o Futuro.

Capítulo 8 - A Batalha de Starcourt - O Shopping é atacado e nos porões do local o futuro da humanidade está em jogo. Um episódio que fecha perfeitamente a trama desta terceira temporada mesmo que no fim das contas alguns personagens talvez se despedem da série. Destaque para a performance de "Never ending Story" de dois personagens e da leitura da carta de despedida. Nerdice do episódio: A música de Peter Gabriel - Heroes


Strange Things se revela um caldeirão de referências e quanto mais surpresas e sensações durante sua degustação melhor, mesmo com um apelo popular gigantesco seus realizadores não se perderam no charme underground, é uma das séries mais emocionantes e intensas presentes na TV, sem estar na TV. Sem se perder nos clichês e no populismo a série continua promissora e empolgante mesmo perdendo sua parcela de novidade.




São 08 episódios disponíveis no catalogo da NETFLIX

Hype: ÓTIMO - Nota: 9,0

quinta-feira, 4 de julho de 2019

THOM YORKE - ANIMA (2019)


Terceiro álbum solo de vocalista do Radiohead é um deleite eletrônico sentimental.

O trabalho contempla nove faixas em uma mistura sólida de batidas eletrônicas e melodias com poesia e distopia na substância presente nos sons que o cantor traduz como uma moderna sinfonia que aguça os sentidos e questionam a realidade. Não tem como falar de Thom Yorke e não lembrar do grupo em qual ele faz parte, o Radiohead, uma das bandas mais criativas e de vanguarda que podem ser citadas no meio musical, em grande parte por causa de Yorke. O cantor e compositor já se arriscou outras duas vezes em trabalhos paralelos, em 2006 lançou The Eraser que não possuía muita distinção do seu toque pessoal e em 2014 realizou o experimental Tomorrow's Modern Boxes. Ano passado ele aceitou um convite no mínimo inusitado, compor a trilha sonora da refilmagem do filme de terror clássico SuspiriaAnima é uma parceria com o produtor Nigel Godrich, com quem o Radiohead trabalha desde “Ok Computer” (1997). Essa colaboração é sentida em toda concepção das canções com vertente eletrônica e com o diferencial da pegada minimalista de Thom Yorke, já com 50 anos de idade, mas com uma energia incrível tanto na voz quanto nas idéias conceituais de ritmos e sintonia. O cantor passou por diversos bloqueios criativos e ficou quase 2 anos sem compor, esse intervalo de tempo só ressalta sua inspiração aflorada tanto no recente e maravilhoso “Suspiria” de 2018 como em Anima, nome que vem uma palavra latina que significa "alma", muito presente nas novas composições seja na abordagem assintomática, de sensações e vibrações nem sempre expostas, voando na imaginação e nos sonhos de maneira positiva sem se abalar pelas desilusões de uma vida "industrial". Não é um trabalho que vai te levar para baixo, é uma obra que pode gerar reações emocionais e até mesmo uma meditação. Acompanhe nossas impressões faixa a faixa de ANIMA: "Traffic" abre o álbum com uma batida eletrônica sombria e complexa. Lembra os bons tempos de Radiohead porém apresenta um tempero moderno que York expõe em um som limpo e neutro. É melhor e mais completa faixa do trabalho. "Last I Heard (... he was circling the drain)" é uma faixa experimental que pouco foge da melancolia do cantor porém ela possui um crescimento constante de batida e uma virada que empolga levemente. "Twist" começa levemente investindo no eletrônico até surgir a voz de Yorke acompanhada de efeitos sonoros e demais artifícios para uma apreciação elaborada de toda sua construção. Sua virada final traz luz e brilho a melodia, são lindos 7 minutos de música. "Dawn Chorus" certamente é aquela balada que vai te prender até o último verso."Se você pudesse fazer tudo de novo?" é um dos questionamentos da canção que se revela otimista mesmo que com um leve tom melancólico, termina como agradável e calorosa na medida certa.  "I am a Very Rude Person" tem uma pegada urbana deliciosa que se confunde com uma faixa de Jazz. Perfeita para um lounge "Not The News" traz sintetizadores misturados a voz de Yorke em uma canção que poderia facilmente estar em algum trabalho do Radiohead, sua batida quase dançante se transforma levemente em uma balada. "The Axe" é uma música angustiante que se mistura com movimento da batida e com o ritmo crescente."Impossible Knots" traz em seu ritmo uma singela sensação deliciosa de paz e alivio. É como dormir e viver bons sonhos."Runwayaway" fecha o trabalho de forma moderna e quase buscando uma empolgação que na verdade é para causar um êxtase sobre o fim. ANIMA é um trabalho original em sua concepção de sons e delicioso para qualquer estado de espírito. Uma boa oportunidade de se integrar ao disco é assistir ao curta-metragem “Anima (2019)”, dirigido por Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”) disponível para visualização na Netflix. O trabalho é materializado nos três atos do filme com canções do álbum em um espetáculo de coreografia e imagens, o curta é co-estrelado pelo artista ao lado de sua namorada, a atriz italiana Dajana Roncione, em uma crônica urbana sobre distopias modernas. OBRA PRIMA.

FAVORITA DO ÁLBUM: Traffic






São 09 músicas disponíveis nas principais plataformas de streaming pela XL Records.

Curta "ANIMA" disponível na NETFLIX
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Hype: ÓTIMO (Nota: 9,0)

quarta-feira, 3 de julho de 2019

WIG - "A New York Drag Story" de "Chris Moukarbel"


Documentário apresenta o trabalho da Drag Queen Lady Bunny com bom humor e relevância.
Integrando a programação da oitava temporada de Documentários da HBO, Wig foi exibido no último dia 24 de junho explorando as origens e a influência do festival anual de Drag Queens, Wigstock, uma cena artística pioneira e importante em Nova York e também como ela virou uma fonte de resistência de um trabalho que cada vez mais ganha seu valor e atinge popularidade. O diretor indicado ao Emmy, Chris Moukarbel por Banksy Ocupa Nova York, também da HBO é mais conhecido pelo documentário da Netflix Gaga: Five Foot Two, o realizador tem habilidade em juntar filmagens e depoimentos de uma forma acessível sem ser massante, essas imagens de arquivo mostram as origens e as influências deste festival do movimento Drag contemporâneo além de suas inspirações. Criado em 1984 em Nova York, em uma época de crise na comunidade gay principalmente pelo aumento do impacto do vírus HIV e as intensas reações contra o orgulho gay, o Wigstock foi uma celebração que marcou o fim do verão durante mais de 20 anos. Em 2018, Lady Bunny reeditou o evento, conectando Queens lendárias com uma nova geração de "performers" em uma das maiores apresentações de Drags já realizada no mundo. O festival era uma parte bastante importante da representativa cena LGBT de Nova York nos anos 80 e 90 e que nos anos 2000 muitos achavam que ainda estava acontecendo mas, por uma razão ou outra, o festival terminou em 2001. No ano passado, o fundador, Lady Bunny, junto com Neil Patrick Harris e David Burtka, trouxeram o festival de volta a cena com uma resposta saudosista do meio gay. O documentário mostra o passado, lá em 1984, no badalado Club Pyramid, um dos artistas mais proeminentes do local, Lady Bunny decide após o fechamento da casa juntar seus amigos e irem se apresentar em um parque durante a luz do dia e quebrar padrões, já que as Drags sempre eram conhecidas por seus shows noturnos, era uma quebra de paradigmas. Wigstock agradou e atraiu plateias cada vez maiores porém em 2001, após o incidente de 11 de setembro, toda a atmosfera de Nova York mudou principalmente em relação a shows extravagantes e ousados como esses. Não havia público suficiente para as apresentações, surgiram movimentos pequenos mais nada que mobilizasse a cena. Já praticamente no presente, em 2018 é mostrado essa edição especial onde Bunny, Harris e Burtka, trouxeram de volta Wigstock com uma enorme produção em um telhado no Pier 17 de South Street Seaport, apresentado por Harris (que também se apresenta como Hedwig, que ele tocou na Broadway em 2014). A maioria dos contemporâneos de Lady Bunny estava lá, assim como jovens artistas drags como Bobbie Hondo e pessoas como Charlene Incarnate, que é trans e também uma Drag Queen moderna. Esse evento é exibido em um compacto especial de quase meia hora no documentário. Wig não mergulha em profundas questões da comunidade LGBTQ+ e todas suas batalhas daquela época, mas indiretamente mostra como um festival pode representar a vitória de uma comunidade, que nos tempos atuais saíram do underground e agora fazem parte da cultura pop, principalmente por causa de Ru-Paul e seu reality Show que se tornou um Hit mundial. Ela aparece no documentário discretamente em uma apresentação no inicio da carreira e seguiu um caminho paralelo que a levou ao estrelato. O filme é uma oportunidade para conhecer um pouco da caminhada dessa comunidade e mostrar sua exuberância e identidade em uma crônica de como o momento atual da cultura drag praticamente sucumbiu as dificuldades de suas origens. RELATOS COLORIDOS.  

O Documentário está disponível na programação do Canal HBO e no streaming HBO GO.
Hype: BOM (Nota: 7,5)

terça-feira, 2 de julho de 2019

MISTÉRIO NO MEDITERRÂNEO (2019) "Murder Mystery" de "Kyle Newacheck"


Nova comédia da Netflix tem seus defeitos e de tão boba acaba divertida, se você não estiver sóbrio. 


Um casal resolve viajar em lua de mel e se envolvem em um crime ardiloso que se revela uma trama para solucionar um mistério em alto mar. Com trama nos moldes do jogo Clue, ou Detetive, no Brasil, onde o objetivo é descobrir qual dentre os suspeitos é o culpado em um crime de assassinato envolvendo uma herança. Jennifer Aniston e Adam Sandler são o carro chefe do filme que infelizmente não possui um roteiro que os utilize perfeitamente nas sátiras gerando performances bem automáticas mesmo com o carisma da dupla. O filme utiliza uma história claramente inspirada em Agatha Christie, nada muito profundo, tudo é usado para a comédia rasgada de clichês que pelo menos passam longe da chata versão recente de Assassinato no Expresso do Oriente mesmo ele não sendo focado na comédia. A cada situação ridícula vivida pelo casal é um deleite para rir de fórmulas geralmente utilizadas neste tipo de filme, a produção não tenta ser esperta e não ilude o expectador, ou você entra na brincadeira apresentada ou simplesmente fuja o quanto antes. Isso faz com que tudo seja bastante leve, o expectador nem percebe o absurdo da trama que leva um casal nova-iorquino da classe trabalhadora, que se acham convidados improváveis ​​em um iate de um bilionário no Mediterrâneo com múltiplos homicídios. Na realidade, o que se propõe é rir de uma situação de pessoas comuns, que consomem produtos de investigação policial e muitas vezes tentam resolver um mistério mirabolante, quase como aquele tradicional "Quem matou" de toda telenovela brasileira. Na trama, Nick Spitz (Adam Sandler) é um policial que há tempos tenta se tornar detetive, mas nunca consegue passar na prova para o cargo. Envergonhado, ele diz para sua esposa (Jennifer Aniston) que trabalha na função, pedindo ao melhor amigo que o ajude nesta mentira. Um dia, ao chegar em casa, Nick é cobrado por Audrey sobre a sonhada viagem à Europa, prometida quando eles se casaram, 15 anos atrás. Pressionado, ele diz que já havia arrumado tudo e, assim, os dois partem em viagem. Ainda no avião, Audrey conhece o milionário Charles Cavendish (Luke Evans), que os convida para um tour a Mônaco a bordo do navio de seu tio (Terence Stamp). O casal aceita a oferta, sem imaginar que estaria envolvido com a investigação em torno de um assassinato em pleno alto-mar. Resolver o mistério da comédia se torna até interessante mediante aos suspeitos, embarcando nos principais esteriótipos, uma "pseudo" uma atriz (Gemma Arterton), um coronel de um olho só (John Kani), um piloto de carro de corrida (Luis Gerardo Méndez), o tagarela (Adeel Akhtkar), além do filho pródigo amargo de Malcolm (David Wallaims) e a noiva da vítima (Shioli Kutsuna). Quando todos começam a morrer o casal de Sandler e Aniston se tornam os principais suspeitos na mira do inspetor da Croix (Dany Boon), o detetive da polícia francesa que é uma paródia do personagem Pantera Cor-de-Rosa. Todos embarcam nessa comédia de erros onde Adam Sandler usa seu milionário contrato com a Netflix para curtir uma viagem para Itália e se divertir com um fiapo de história na companhia de uma Jenifer Aniston que também parece aproveitar a oportunidade, talvez esse filme seja o mais interessante e despojada desse contrato. No fim das contas, o resultado do mistério nem importa tanto, afinal, a revelação do assassino é tão banal e esquecível como levar esse filme a sério. A produção foi a mais vista da Netflix em suas primeiras 24 horas provando talvez a popularidade do ator que já trouxe boas comédias como Afinado no Amor, O Paizão, Como se Fosse a Primeira Vez e atualmente sobrevive abusando dos mesmos personagens de sempre sem qualquer ousadia, aqui ele larga um pouco a zona de conforto e agrada  em cheio seu público-alvo. RISOS AMARELOS.



Filme disponível no catálogo da Netflix!


Hype:  REGULAR ( Nota: 5,0 )








segunda-feira, 1 de julho de 2019

HOMEM ARANHA - LONGE DE CASA (2019) "Spider-Man - Far from Home " de Jon Watts


Novo filme do herói diverte na medida certa! 
Em uma franquia tão bem estabelecida, o único pecado do segundo filme solo do aranha nessa nova fase é repetir as mesmas fórmulas de outras produções de sucesso da Marvel Studios, não que seja um problema andar na zona de conforto, porém a produção não apresenta algo que a torne um diferencial do que já foi apresentado, deixando sua importância apenas como elemento para virar a fase do MCU - Marvel Cinematic Universo. Analisando por outro lado, Longe de Casa aprofunda ainda mais o integrante dos Vingadores no universo a qual pertence neste segundo filme solo do herói após a parceria entre Disney/Sony. O filme é quase uma ressaca dos acontecimentos de Vingadores – Ultimato, surgindo logo depois do fim dramático da saga, isso é tratado com leveza e bom humor principalmente após atingir diretamente o jovem Peter Parker que precisa encarar esses acontecimentos no auge de sua adolescência, repleta de inseguranças e também incertezas sobre o futuro sem os Vingadores. O ponto focal do filme é justamente a sua viagem de férias com sua turma do colégio, a idéia no geral é interessante até mesmo por levar o herói a outro lugar do planeta fugindo do cenário tradicional mesmo que para isso abuse nas soluções fáceis impostas no roteiro simplista, a problemática do filme é justamente quando se analisa como tudo chegou até seu clímax sendo imposto uma série de reviravoltas que não empolgam como deveria e se tornam um artifício gratuito. Fora isso, é um bom filme farofa de herói, com personagens carismáticos e dentro do padrão de qualidade estabelecido pela Marvel, que conseguiu com méritos revitalizar o herói da HQ com sua melhor representação no cinema, também graças ao simpático ator Tom Holland. O personagem cada vez mais ganha importância seguindo o desafio do estúdio de manter viva a essência criada por Vingadores e esse filme tem papel de instigar seus fãs em uma conexão para uma nova fase onde certamente o personagem será o principal protagonista. Na trama, Peter Parker (Tom Holland) está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Precisando de ajuda para enfrentar monstros nomeados como Elementais, Fury o convoca para lutar ao lado de Mysterio (Jake Gyllenhaal), um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si seu óculos pessoal, com acesso a um sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries. Resumidamente, Homem Aranha – Longe de Casa funciona muito bem dentro da cronologia da Marvel Studios, constantemente temos desenhos e fotos do Homem de Ferro pelos cenários, o próprio vilão usa seus argumentos baseado em Tony Stark, talvez sozinho o filme não funcionaria, mesmo pelo exercício repetitivo de afirmação das responsabilidades do herói, algo cansativo e já constantemente abordado nos outros filmes. A fotografia bem cartunesca lembra bastante a trilogia clássica de Sam Raimi, erra em alguns momentos e acerta em cheio nas lutas entre o Homem Aranha e o vilão. A Marvel usa essa franquia parceira com a Sony como um filme panfletário para seus planos futuros e mesmo usando muito bem toda habilidade adquirida com o passar dos anos termina em mais do mesmo. FILME PIPOCA
PS: Tem duas cenas pós créditos muito importantes para a trama. NÃO SAIA DO CINEMA SEM VE-LÂS. 





O filme estréia nos cinemas na próxima QUINTA FEIRA (04/07) pela Sony Pictures.

Hype: BOM (Nota: 8,0)



sexta-feira, 28 de junho de 2019

SHAFT (2019) de "Tim Story"


Novo Shaft é uma comédia de ação boba e perdida no tempo. 

O personagem surgiu na década de 70 nas mãos de Richard Roundtree, já era um personagem controverso com uma vibração excessivamente sexual. Era outra época, onde se podia brincar com charme sem escorregar gravemente no machismo e na misoginia. Em 2000, o personagem surge na pele de Samuel L. Jackson. A releitura não muito inspirada do clássico não agradou muito e fez relativo sucesso. Este Shaft de 2019 é a junção das gerações e na insistência de piadas desgastadas sobre masculinidade sem qualquer frescor ao gênero. A produção marca o retorno de Jackson como John Shaft, após 19 anos, porém o foco é seu filho interpretado por Jessie Usher (Independence Day 2). O principal atrativo são algumas sacadas cômicas escritas por Kenya Barris (Black-ish) mostrando essa diferença entre as gerações e é o único acerto do longa que chega ao Brasil após um acordo entre o estúdio New Line/Warner com a Netflix, onde o filme chega diretamente ao Streaming sem passar pelos cinemas assim como ocorreu com com outro filme recente, Megarrromântico. Em contrapartida, a falta de uma ação interessante cria uma comédia de ação inadequada, do tipo que prosperou nos anos 80 e que hoje em dia se mostram perdidas no tempo. Jackson - transparecendo seus 70 anos - agora é apresentado como um gatinho para as mulheres e se reencontra com seu filho, anti-machista, graduado no MIT que ele não via há décadas. Esse choque de pensamentos era o ponto focal para transformar a história em algo diferente da enxurrada de filmes de ação cheia esteriótipos e clichês e quase sempre tratando as mulheres como acessório dos homens e gays como sinônimo de fraqueza. O filme não tem esse papel de levantar questões e perde uma boa oportunidade e argumento para organizar seu tom muitas vezes depreciativo. O longa segue JJ (Jessie Usher ), que pede ajuda a seu pai, Shaft (Samuel L. Jackson), para investigar a suspeita morte de um de seus melhores amigos. Juntos, a dupla se envolve em situações cada vez mais perigosas, até que o Shaft original se junta ao pai e filho. Com os problemas geracionais que atingem todas as famílias, os três precisam desvendar o mistério da morte do jovem, enquanto lidam com suas diferenças. Dirigido por Tim Story (Quarteto Fantástico) o elenco ainda conta com Regina Hall (Viagem das Garotas) e Method Man (The Deuce) no elenco. A produção termina não funcionando nem pela ação e nem pela comédia. Perderam uma boa chance de renovar o personagem e trazer algo inesperado. ESQUECÍVEL


O filme está disponível no catálogo da NETFLIX.

Hype: REGULAR


quinta-feira, 27 de junho de 2019

DIVINO AMOR (2019) de "Gabriel Mascaro"


Uma explosão neon semi-futurista muito bem filmado e produzindo que reflete um futuro distópico de um Brasil dominado por um movimento religioso que contamina a racionalização das pessoas. 

Essa seria uma definição direta do novo filme do diretor Gabriel Mascaro (Boi Neon), um dos diretores mais criativos e audaciosos dessa nova geração ao tratar temas como casamento, sexo, religião e fanatismo de maneira inteligente. A atriz Dira Paes se entrega ao papel de Joana, uma mulher que usa a religião como muleta em um mundo de desejos não realizados, insegurança, incertezas e caos calmo. Ela é o grande atrativo do filme assim como essa dualidade constante e sedutora de sua personagem em uma trama sem vilões ou obstáculos exteriores que não sejam a complexidade do sistema de crenças de uma sociedade longe de ser laica. Na trama Joana (Dira Paes) é uma mulher que atinge a meia-idade e ainda anseia por um bebê. Mas apesar de uma vida sexual ativa com seu marido Danilo (Julio Machado) eles ainda não conseguiram tal feito. Danilo inclusive usa um aparelho de fertilidade onde o pendura de cabeça para baixo na frente de uma lâmpada infravermelha, nu usando a engenhoca. Joana, uma mulher de fé aguçada se apega a espiritualidade para atingir tal sorte. Ela trabalha para o estado como escriturária em um cartório e, como tal, entra em contato com muitas pessoas que querem se divorciar. Ela toma para si, como uma boa mulher cristã, tentar consertar os casais em vez de registrar o fim de sua união sagrada. Ela faz isso sugerindo que eles visitem o Divino Amor, um grupo de auto-ajuda que Joana e Danilo estão envolvidos e que os ajudou em crise vivida pelo casal. Embora com tonalidade séria, é difícil não se divertir com as soluções futuristas encontradas pelo diretor para representar o Brasil do futuro, os personagens parecem possuídos pelo fanatismo religioso ao ponto de quase engolir qualquer tipo de consciência. Os trechos que se passam no grupo Divino Amor são polêmicos e causam furor no expectador assim como a igreja em drive-thru, um dos locais de culto onde Joana, com a janela abaixada do carro, reclama com o pastor (Emílio de Melo) sobre o fato de não conseguir engravidar, apesar de ter ajudado a cumprir o plano de Deus ajudando outros casais cristãos a se encontrarem novamente. Em 2027, ano que se passa a história, detectores na entrada de edifícios também são capazes de ler o DNA das pessoas para identificá-los e mostrar se estão grávidas e se o feto já foi registrado (o que indiretamente sugere que o aborto é proibido). Esses detectores e o banco de dados de DNA do governo terão um papel essencial no clímax do filme. Essas sacadas futuristas dão a entender o direcionamento das decisões conservadoras que essa parte da população apoia e seu reflexo no contexto do filme. Inicialmente o filme sugere que os rituais e crenças que vêm com a religião organizada podem ser calmantes e ajudar a estruturar a vida das pessoas, o que explica inclusive seu forte apelo nas periferias e a sua constante exaltação sobre uma vida melhor. Mas quando um tipo de evidência finalmente chega, ela provoca estragos de maneiras inesperadas, expondo fragilidades e algumas das contradições inerentes à religião. O que sugere que a teoria e a prática não estão alinhadas. Em geral, é uma obra que nunca precisa explicar como funciona sua logística, seja na seita do Divino Amor, na política adotada pelas ferramentas do futuro ou a governança, tudo está interligado, elas simplesmente são mostradas como normalidade. Todas concepções inteligentes e trabalhadas na trama demonstram um visão assustadora onde os direitos sexuais de todos que não são heterossexuais casados ​​tentando procriar estão em perigo e onde a maioria parece bastante relaxada em relação ao que suas crenças estão fazendo. O que fica evidente é que qualquer tipo de compaixão que tenha outras intenções além da empatia, não é compaixão mas uma forma de tirania. A utopia utilizada de maneira sucinta no filme é um dos maiores acertos de uma produção que tem grandes chances de ser uma fonte de frescor para o cinema nacional atual. DE CAIR O QUEIXO

O filme está em cartaz nos cinemas pela VITRINE FILMES.
Filme visto na Pré-estréia realizada em Brasília.

Hype: ÓTIMO

quarta-feira, 26 de junho de 2019

ANNABELLE 3 - DE VOLTA PARA CASA (2019) "Annabelle Comes Home" de "Gary Dauberman"


Novo exemplar do principal Spin-off de Invocação do Mal equilibra uma construção de trama e clima de terror com sustos moderados porém minimalistas e inocentes em uma produção que de tão modesta e charmosa agrada em sua concepção e execução. 

A cada filme inspirado no universo “Conjuring”, o nível de dificuldade em surpreender o expectador aumenta, os principais truques da franquia em causar sustos estão cada vez mais elaborados e em constante crescente, aliados também a tradicional técnica de som e imagem para aterrorizar o expectador. Annabelle 3 traz um atrativo a mais, o novato diretor Gary Dauberman que participou ativamente como escritor dos dois primeiros filmes da boneca, consegue  usar menos efeitos especiais e apostar em um silêncio perturbador, em uma atmosfera macabra e muito próxima de charmosas produções antigas de terror. Na trama, quando Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) deixam sua casa durante um fim de semana, a filha do casal, a pequena Judy Warren (McKenna Grace) é deixada aos cuidados de sua babá (Madison Iseman). Mas as duas entram em perigo quando a maligna boneca Annabelle, aproveitando que os investigadores paranormais estão fora de jogo, anima os letais e aterrorizantes objetos contidos na Sala dos Artefatos dos Warren. O filme é um deleite aos fãs dos demonologistas da vida real Ed e Lorraine Warren com foco maior em sua filha fornecendo uma série de eventos baseados nos principais casos investigados pela dupla, com pano de fundo no curioso e misterioso local onde eles guardam os objetos amaldiçoados sendo o ponto central da trama. No fim das contas, a boneca Annabelle não se torna efetiva sendo somente um meio de exposição a essas outras ameaças, isso seria talvez o principal ponto de desvio do filme, que poderia muito bem ser um exemplar menos empolgante de Invocação do Mal, por exemplo. A boneca assustadora Annabelle chamou tanta atenção no primeiro filme da franquia que mostrou o potencial para levar seu próprio filme. O primeiro filme decepcionou em vários aspectos porém conseguiu um sucesso de bilheteria estrondoso. No segundo filme, Annabelle 2 - A Criação do Mal, mostra uma outra vertente da personagem onde ela se mostra um portal para forças demoníacas, algo que fica bem claro já no início deste filme. Nada mais conveniente como Spin-off se juntar aos personagens do filme original em uma solução bastante interessante, ela acordar às forças do mal pressas com ela na sala aterrorizante aonde é mantida pelos investigadores. Esse direcionamento traz um gás não só ao filme quanto a personagem, Annabelle não é assombrada; em vez disso, a boneca serve como um ímã para outros espíritos. Com essa abordagem, o filme abraça a oportunidade de aparições de arrepiar em todas as direções, desde o uso de um inocente jogo de tabuleiro que se transforma em figuras fantasmagóricas como moedas sobre os olhos vagando pelos corredores além de uma noiva empunhando facas que aparece nos momentos mais inconvenientes. Outro ponto positivo é o equilíbrio em suas subtramas atraentes, focado nos jovens personagens em trama com pegada oitentista. A habitual seriedade quase sempre presente na franquia dá lugar a quase um terror adolescente e com tom mais despojado. Com baixo custo de produção e uma aclamação do público, arrecadando mais de 1,6 bilhão de dólares nos cinemas, esse assustador universo é uma das franquias de terror mais lucrativas do cinema. Talvez, nem o talentoso diretor James Wan imaginaria que uma simples produção de terror lançada em 2013 seria a nova sensação do terror moderno alimentando os cofres da Warner com mérito próprio, em buscar no sobrenatural uma boa forma de entretenimento. O filme termina com uma dedicatória a Lorraine Warren, a investigadora paranormal americana que inspira a personagem do filme morreu aos 92 anos em abril deste ano. Segundo o neto de Lorraine, Chris McKinnell, ela morreu sem sofrer durante o sono. TENSO NA MEDIDA CERTA


O Filme estréia nos Cinemas nesta Quinta- Feira (27/06) pela Warner.Bros

Filme visto na Cabine de Imprensa realizada em Brasília.

Hype: BOM


terça-feira, 25 de junho de 2019

HOT CHIP - A BATHFULL OF ECSTASY (2019)


Grupo já veterano com quase 20 anos de carreira apresenta em novo álbum uma coleção de melodias agradáveis e dançantes que demonstram um fôlego extra em uma carreira consolidada e fora do mainstream. 

"Um banho cheio de êxtase" em sua tradução literal é a explicação mais certeira de "A Bathfull of Ecstasy", precisamente o encontro dos dois estilos distintos já evidenciados pela banda em trabalhos anteriores, seja estilosamente quente e dançante ou friamente calculista e hedonista. O domínio de seu estilo peculiar impressiona pela maturidade neste trabalho, tanto em baladas profundas e sentimentais para dias melancólicos como também em um moderno encontro musical do eletrônico com um pop positivista com o vocal contido e marcante de Alexis Taylor. A banda revigora o essencial de sua carreira nesse curtinho sétimo álbum com apenas 9 músicas, sem os tradicionais hits grudentos como "Over and Over", "Ready for the Floor" ou "Boy From School" que fizeram da banda presença obrigatória em pistas de dança descoladas com remixes contagiantes ou de festivais com pegada "Indie rock" com atitude pop. Formada por Alexis Taylor (vocal), Joe Goddard (backing vocal), Owen Clarke (Sintetizadores), Felix Martin (multi-instrumentalista) e Al Doyle (guitarra), o grupo explora os sons de uma maneira uniforme e bastante profissional com um cuidado extremo em cada composição explodindo qualidade musical. Confira nossas impressões Faixa a Faixa deste novo trabalho da banda! "Melody of love" abre o álbum com uma balada que ao mesmo tempo exala a cafonice do amor e celebra o sentimento contagiante de amar. Pode crescer um pouco  mais com versões em remixes, a versão original não chega a empolgar. "Spell" tem toda pegada moderna, noturna e contagiante, marca registrada da banda. É uma canção que bebe de uma fonte oitentista ao mesmo tempo que exala uma agradável melodia pop. Nossa favorita do álbum. "A Bathfull Of Ecstasy" que dá nome ao álbum consegue na medida que se desenvolve demonstrar sentimento na transposição da voz do vocalista Alexis Taylor distorcida com samples eletrônicos e uma batida com cara de fim de festa ao mesmo tempo que pode ser a música certa para viajar. Um som diferente que agrega a banda. Um acerto do álbum. "Echo" é aquela música que a cada audição apresenta leveza e brilho próprio. Tem estrutura de música pop com um charme que impulsiona sua audição principalmente pelo crescimento na batida dançante e meio sombria. Na medida para agradar. "Hungry Child" é quase aquele som que combina com qualquer estado de espírito, seja em um lounge como em um pista de dança movimentada. Já se iguala aos principais hits da banda, escolha certeira como primeiro single do álbum. "Positive" lembra talvez as influências da banda em uma som que bebe da mesma fonte de Depeche Mode e New Order provando o talento do grupo em compilar sons eletrônicos em formato de uma bela e contagiante canção lançando ao ouvinte sua positividade em forma de som. Viciante! "Why does my Mind" é uma canção tão doce e afetiva que faz esquecer toda melancolia que a banda já produziu nos trabalhos anteriores, encontra o tom musical certo da mensagem que busca passar. Agradável. "Clear Blue Sky" evoca uma enganosa linha melancólica e surpreende pelo som quase como uma bossa-nova eletrônica ou como se Beatles fizesse uma canção eletrônica, cresce no minuto final esbanjando qualidade."No God" fecha o trabalho com aquela sensação de dever cumprido em uma canção que olha pra cima e esbanja energia positiva, quase como um abraço. A Bathfull Of Ecstasy chega como um dos trabalhos mais sólidos da banda e superando com sobra o último álbum lançado, o apagado porém agradável Why Make Sense? de 2015. A banda prova seu frescor como um bom vinho que melhora cada vez mais seu sabor com o passar dos anos. ECSTASY VIBES!

                                                             MÚSICA FAVORITA: Spell



O álbum possui 9 músicas inéditas disponíveis nas principais plataformas digitais de streaming.

O Hot Chip já se apresentou várias vezes no Brasil e está confirmado no line-up do Popload Festival, que acontece no mês de Novembro em São Paulo.

Hype: ÓTIMO

segunda-feira, 24 de junho de 2019

DEMOCRACIA EM VERTIGEM (2019) "The Edge of Democracy" de "Petra Costa"


A Netflix apresenta e distribui o documentário que movimentou o festival de Sundance com um retrato íntimo e simbólico de Petra Costa sobre a política tóxica e caótica feita no Brasil e também como esse momento nefasto do país representa a tendência mundial de retrocesso político. 

Os desdobramentos mostram o surgimento de uma "direita" no Brasil que busca o poder a todo custo sem obedecer qualquer tipo de democracia, com argumentos estapafúrdios para fomentar o ódio ao seu inimigo mais feroz, a "esquerda" brasileira e ainda pior, com forte aclamação popular pressionada pela a alienação em massa. Esse é o retrato do Brasil mas poderia ser de qualquer lugar do mundo. A política primitiva realizada no país é mostrada ao mundo e traz a seguinte reflexão: Existe uma democracia? Se sim, como nós brasileiros assistimos a todos os acontecimentos dos últimos anos e deixamos o mais bizarro golpe de estado manchar nossa história. O documentário trabalha os vícios de pensamentos que tomou conta de toda população principalmente em reflexo da última eleição, onde se mostra como a relação promíscua da luta pelo poder com a política deu voz a mediadores de um espetáculo, seja em prol de dinheiro, religião ou apenas para chegar ao poder. O que assistimos em grande parte são políticos em um círculo fechado distraindo a mídia e o povo em uma falsa luta contra o próprio sistema que eles corrompem, o argumento principal usado constantemente é uma luta contra a corrupção com total foco em derrubar o Partido dos Trabalhadores em ações questionáveis, seja por um impeachment forçado pelo partido do candidato derrotado na eleição de 2014, uma operação Lava Jato pouco autêntica sobre seus princípios e objetivos ou de uma explicação em Power Point pouco convincente para justificar a prisão do ex-presidente Lula. Essa colagem de fatos é um retrato furioso, íntimo e assombroso do recente recuo do Brasil, mostrando um país sendo lançando diretamente para as mandíbulas abertas dos mesmos pensamentos que causaram males como a ditadura. Os fatos são narrados suavemente por sua diretora acompanhados de sua visão pessoal e poética juntamente com uma trilha sonora que contagia e assusta na mesma medida. Essa interessante visão dos acontecimentos e escândalos políticos do Brasil é lançada ao expectador quase como uma lição de história, que certamente será censurada nas escolas pelo atual governo e seu disfarce da "escola sem partido". As pessoas precisam ver Democracia em Vertigem e discutir suas próprias ações e reações, debater idéias sem militância e com os fatos expostos, algo que o documentário resume com várias imagens de como o Brasil se comportou vendo seus líderes caírem. Esse exercício constantemente é mostrado no filme com entrevistas a pessoas comuns, de fora dos holofotes, com reações tímidas, contidas mas que possuem seu valor. Os fantasmas que assolam as duas vertentes de pensamento mostram o que já sabemos, um país rachado ao meio embasado com símbolos e imagens documentais. Todo trabalho histórico possuí um ótimo registro que enriquece ainda mais o material e foge da abordagem didática de outro  documentário, O Processo (2018) ou mesmo das  articulações político-partidárias como abordado em Excelentíssimos (2018), que infelizmente nem conseguiu chegar aos cinemas por motivo óbvio, o filme de Petra fecha muito bem esse ciclo de boas obras que tentam explicar um pouco dessa confusa situação política, agora com a oportunidade de alcançar um número maior de expectadores. Essa geração que consume Netflix sem qualquer filtro vai conhecer o nascimento da era do "fake" patriotismo disfarçado de autoritarismo e fundamentalismo religioso misturado com a adoração ao fascismo e o uso do militarismo como ferramenta de ordem, causando um retrocesso histórico no país. Esse cenário parece uma prévia do que está vindo para toda a América em um fluxo da política corrosiva do presidente americano Donald Trump somado a um país tentando se reconstruir da pior maneira possível, preso a esse passado nebuloso. Lula, Dilma e o PT foram os vilões eleitos por uma corrupção sistêmica e estrutural realizada por quase todos políticos e partidos, mas são eles que pagam o preço de todos, desgastam sua imagem em um caminho sem volta e de um futuro sem qualquer chance de retratação do peso da culpa. A obsessão dessa militância verde e amarela que se formou por derrubar o PT usando pensamentos retrógrados, fake news e políticos laranjas não se mostra nada consistente para mudar o país. Há um trecho no documentário que talvez represente isso muito bem, no momento antes da prisão de Lula, onde o mesmo diz que se entrega a polícia para provar que ele não é o mal que assola o país e talvez essas pessoas que compartilham dessa opinião um dia enxerguem a duras penas a verdade dos fatos. Independente da posição política do expectador, fica claro que Lula é um dos lados na qual o país se dividiu, o outro é do atual governo do Brasil que tem como líder a representação de tudo de ruim que um político pode ter, inclusive, de lutar por um tipo de sistema que já caiu a muitos anos atrás junto com uma Ditadura Militar. São duas frentes irreconciliáveis e sem previsão para um fim. O trecho final do documentário reforça seu papel de causar reflexão mesmo que pessimista sobre o futuro. O documentário tem produção caprichada e chega no momento certo para tentar resgatar um pouco de serenidade desse cenário tenso que vivemos atualmente. REGISTRO OBRIGATÓRIO!

"Um escritor grego disse uma vez que a democracia só funciona quando os ricos se sentem ameaçados, caso contrário o poder vai de pai para filho, de filho para neto, de neto para bisneto e assim sucessivamente, somos uma república de famílias, umas controlam a mídia outros os bancos... de vez em quando acontece dela se cansar da democracia do estado de direito. Então, como lidar com a vertigem de ser lançado em um futuro que parece tão sombrio quanto nosso passado mais obscuro? O que fazer quando a máscara da civilidade cai e o que se revela é uma imagem das mais assustadoras de nós mesmos, de onde tirar forças para caminhar entre as ruínas e começar de novo." Trecho do filme narrado por Petra Costa.


Filme disponível no catálogo da NETFLIX

Hype: ÓTIMO