O que esperar da cineasta visionária Jane Schoenbrun? Em sua estreia, ela já chamou a atenção com "We're All Going to the World's Fair" (disponível na MUBI), uma carta de amor às creepypastas e às histórias de terror da internet. Depois, realizou a comovente e magistral metáfora cinematográfica "I Saw the TV Glow" (Eu Vi o Brilho da TV, disponível no Prime Video), na qual usou a nostalgia da geração millennial para construir um auto-retrato de sua própria disforia de gênero.
Seu novo filme, Acampamento Miasma (Adolescência, Sexo e Morte), é uma experiência cinematográfica estonteante. Chega a ser difícil classificar do que se trata: se é uma sátira afiada aos filmes de terror slasher, se é um desabafo sobre a sexualidade das sobreviventes desses filmes (as chamadas "final girls") ou simplesmente a obra aberta de uma diretora queer que possui profundo conhecimento do gênero e muita paixão pelo cinema.
Acampamento Miasma transmite múltiplos sentimentos, mas é importante saber que se trata de uma obra abertamente lésbica. O longa surge como uma reflexão sobre o desconforto sexual e a maneira como nos perdemos em nossas próprias mentes, a ponto de o sexo se tornar mais um conceito do que um ato carnal e de entrega. O filme é uma explosão erótica, uma história cerebral e vibrante em que as personagens Kris (Hannah Einbinder, que internalizou o papel de forma maravilhosa) e Billy (Gillian Anderson) revisitam o filme mais importante de suas vidas, o slasher fictício "Camp Miasma" ( Inspirado em Sexta-feira 13) e vivem um misto de desejo, medo e delírio.
Trata-se de um entretenimento envolvente, que demonstra enorme prazer no cuidado com a produção e nos lembra que prazer não é algo para ser intelectualizado em excesso, mas sim sentido no corpo. É um filme sobre filmes de terror, cultura pop, diversão e desejo. Sem dúvidas, o filme mais interessante de 2026! Imperdível!
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ HYPE
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