segunda-feira, 4 de outubro de 2021

VENOM - TEMPO DE CARNIFICINA (2021) "Venom - Let There Be Carnage" de "Andy Serkis"

"Novo filme do Venom reforça o desgaste das produções adaptadas de HQ"s, repetindo fórmulas e abusando da falta de senso"

       O primeiro filme da franquia Venom foi uma das produções de maior bilheteria dos últimos anos apesar das críticas negativas da imprensa especializada, o projeto encerrou sua jornada nos cinemas com o acúmulo de US$ 856,1 milhões. Uma renda invejável para um primeiro filme de um personagem específico do universo do herói Homem Aranha, de propriedade da Sony Pictures. Era questão de tempo para surgir uma sequência, independente da sua real necessidade. Venom - Tempo de Carnificina tenta repetir ou superar o feito do primeiro filme com uma simplicidade preguiçosa além de uma terrível falta de originalidade. Todos os clichês do gênero estão presentes e tudo parece feito mesmo para irritar quem espera algo mais. Os realizadores se arriscam para a comédia não intencional na interação entre Eddie Brock e “Venom”, o resultado em vários momentos chega a ser constrangedor e bagunçado. O filme é tão apaixonado por seu próprio mau gosto que fica voltando às mesmas piadas indefinidamente. Há uma piada recorrente sobre galinhas e outra envolvendo uma balconista de uma loja de conveniência que são usadas a exaustão. Fora isso, os efeitos visuais são bons ainda que sejam limitados, o vilão é legal, o clímax funciona e os créditos finais podem ser um gás necessário ao personagem tentando alcançar algo novo além da mediocridade.


     Inspirado nos quadrinhos do Homem-Aranha, a trama acompanha a evolução do relacionamento entre Eddie Brock (Tom Hardy) e Venom. O jornalista investigativo ainda está lutando com o conhecimento que ele tem de um alienígena demoníaco comedor de humanos vivendo dentro dele. Eddie geralmente pode controlar Venom, decidindo quando ele pode aparecer fora do corpo. No entanto, quando o simbionte fica com muita fome ou muito zangado (o que acontece muito), ele pode agir por sua própria vontade, o que geralmente envolve a destruição de coisas ou pessoas. Nesse meio tempo Eddie está fazendo uma história sobre Cletus Kasady (interpretado por Woody Harrelson), um serial killer condenado que aguarda sua sentença enquanto está na prisão. Os policiais acham que Cletus matou mais pessoas do que foi provado no tribunal e querem que Cletus diga onde estão os corpos antes de ser condenado. Em uma das entrevistas Cletus morde Eddie com força suficiente para tirar sangue. Cletus imediatamente percebe que o sangue de Eddie não tem gosto completamente humano. Cletus foi infectado com o mesmo DNA de Venom surgindo um alienígena demoníaco vermelho dentro dele. Essa criatura se tornará o Carnificina. O filme ainda passa alguns momentos mostrando o desenrolar da vida amorosa de Eddie com Anne Weying (interpretada por Michelle Williams) e depois é praticamente a luta final entre Venom e Carnificina.


      A boa notícia é que “Venom: Tempo de Carnificina” não é tão desigual quanto seu antecessor de 2018. Ele se desenrola exatamente como você espera, porque faz exatamente o que muitos outros filmes já fizeram em seu arco principal. O ritmo não se arrasta como no primeiro filme, mas também não há suspense real, a sensação de já ter visto esse filme antes é a pura representação da falta de novidade. Venom não tem uma história interessante a ser contada e acompanhamos um desenrolar pobre digno de um episódio piloto de uma série ruim de herói. É por essa baixa qualidade que a franquia de filmes Venom presta um desserviço aos outros filmes baseados na Marvel Comics. Certamente, de todos os personagens da Marvel destinados a ter sua própria série de filmes, ninguém esperava que Venom se tornasse o mais rentável e excêntrico do grupo. Embora possa não funcionar para todos os fãs de quadrinhos, os 97 minutos de Venom - Tempo de Carnificina não demora a passar. Venom aparece muito em tela e Carnificina também. Quem se aventurar em ver o filme devem aproveitar as batalhas entre os personagens favoritos e nada mais. BOBO E PREVISÍVEL.


 O filme estreia Exclusivamente nos cinemas nesta Quinta-feira 07/10 e terá sessões de pré-estreia nesta Quarta-feira 06/10!

O Meu Hype conferiu o filme na Cabine de Imprensa realizada pela Sony Pictures e Espaço Z! 

Hype: REGULAR (🌟🌟) - (Nota: 5,5)


quinta-feira, 30 de setembro de 2021

007 - SEM TEMPO PARA MORRER (2021) "No Time to Die" de "Cary Joji Fukunaga"

                                       

"Conclusão da era Daniel Craig como 007  tem bons momentos e abre espaço para novos caminhos"

        Os filmes de James Bond são uma das mais antigas e populares franquias da história do cinema, chegando ao seu vigésimo quinto filme e ainda muito relevante e popular. O último filme, “007 Contra Spectre” foi um sucesso global de bilheteria e o anterior “007 – Operação Skyfall” arrecadou mais de 1 bilhão de dólares em escala mundial, sendo o primeiro filme de Bond a atingir essa marca. O sucesso de James Bond se tornou cobiça dos principais estúdios de cinema, a MGM, que possui os direitos do personagem vive processo de venda para a Amazon Studios em um negócio milionário, essa provavelmente será a próxima casa de Bond no futuro. "Sem Tempo Para Morrer" ou carinhosamente apelidado de Bond 25 é notícia desde 2019 e esbarrou na Pandemia do Covid-19 com vários adiamentos e incertezas sobre seu lançamento nos cinemas. A Netflix tentou lançar o filme com exclusividade direto no streaming com cifras milionárias mas sem sucesso. O longa marca o retorno de Daniel Craig ao papel do icônico personagem James Bond, de Ian Fleming – pela quinta e última vez. O filme carrega esse papel de fim de ciclo e acabou virando um dos principais problemas também. São quase 2h45 de duração, entre apresentações e o clímax final, a despedida de Craig é ofuscada por uma trama bem amarrada porém acomodada,  já preparando terreno para uma revitalização de uma estrutura que já mostra cansaço.


    No filme, Bond está desfrutando de uma vida tranquila na Jamaica, depois de ter deixado o serviço ativo. Contudo, sua paz dura pouco já que um antigo amigo da CIA, Felix Leiter, surge pedindo ajuda. Sua nova missão é resgatar um cientista raptado, mas tudo indica que a tarefa será mais perigosa do que o esperado, o que levará Bond à uma trilha misteriosa por um vilão altamente armado com uma nova e perigosa tecnologia. No elenco além de Daniel Craig, tem o retorno de Ralph Fiennes, Christoph Waltz, Naomie Harris, Rory Kinnear, Léa Seydoux, Ben Whishaw e Jeffrey Wright. Como novidades surge Ana de Armas, Dali Benssalah, David Dencik, Lashana Lynch, Billy Magnussen e Rami Malek. Toda estrutura da franquia 007 continua presente, abertura frenética e enigmática, apresentação da música tema, desta vez a cargo da cantora teen Billie Eilish, belos cenários, cenas de ação eletrizantes, muito charme e um vilão principal bastante ameaçador interpretado por Rami Malek. Tudo no seu devido lugar e tentando correr riscos para apresentar algo diferente. 


      O problema de Sem Tempo para Morrer é que, tanto tematicamente quanto estruturalmente, é quase o mesmo visto em Skyfall. Portanto, os riscos são visíveis a quilômetros de distância e infelizmente, não é muito surpreendente. Alguns aspectos também incomodam como excesso de personagens secundários que pouco são amarrados com dignidade. Félix Leiter (Jeffrey Wright) da CIA, não visto desde Quantum of Solace, aparece rapidamente e sua relação histórica com Bond não é aproveitada de forma suficiente. Novos personagens são igualmente marginalizados, Ana de Armas como Paloma, Billy Magnussen como Ash e Lashana Lynch como o novo 007, Nomi. Todos superficiais e explícitos como coadjuvantes. O foco quase todo é em James Bond, isso não é nada ruim de início, porém vai perdendo força ao longo da trama. Mesmo enquanto dá passos ousados ​​em direção ao futuro, Daniel Craig como 007 e Sem Tempo para Morrer parece uma mistura frustrante dos filmes que vieram antes dele. Funciona em um nível básico, passivamente divertido o suficiente no momento, mas esquecível no final. Agora é esperar os próximos passos da franquia sem Craig e após quase 15 anos à frente do papel, a despedida de fato só causa um sentimento agridoce e nada mais. O FIM NÃO TEM FIM!


O filme estreia exclusivamente nos cinemas HOJE, Quinta-feira 30/09!

O Meu Hype conferiu o filme na Cabine de Imprensa realizada pela Warner Bros (Distribuição no Brasil), Universal e Espaço Z!
 
Hype: BOM (🌟🌟🌟) (Nota: 7,5)


quinta-feira, 9 de setembro de 2021

MALIGNO (2021) "Malignant" de "James Wan"

                                     

"James Wan cria algo novo e também familiar ao transitar em referências do cinema de horror das décadas de 80 e 90"

O cineasta James Wan é considerado um dos mais criativos do seu tempo, com diversos sucessos de bilheteria em sua carreira, como Aquaman, Velozes e Furiosos 7 e a franquia Invocação do Mal. Wan faz parte de um seleto grupo de diretores de Hollywood que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais. Dessa vez ele retorna às raízes de produções independentes, James Wan apresenta um thriller de terror gótico, brutal e exagerado dentro do estilo peculiar do cinema de horror. Estrelado por um elenco quase desconhecido mas nem por isso ineficiente, o cineasta gosta de manter em sua equipe de parceiros em seus projetos, como o diretor de fotografia Don Burgess e o editor Kirk Morri, a designer de produção Desma Murphy e a figurinista Lisa Norcia, todos profissionais envolvidos nas últimas produções de Wan. Destaque também para a trilha sonora de Joseph Bishara, compositor de todos os sete filmes do universo Invocação do Mal. O resultado dessa parceria entrega um filme que se divide em duas partes, a primeira um pouco morna e típica daqueles filmes da onda "Trash" dos anos 80, que precisavam encher o tempo de tela subestimando o expectador com pouco a oferecer. A segunda metade do filme entrega tudo de forma frenética, bizarra e recheada de reviravoltas. Se a intenção do diretor era fugir do caminho comum que permeia o cinema mainstream de terror, ele consegue êxito em se desprender de tudo e entregar todas as loucuras da sua mente.


O filme começa em um hospital psiquiátrico de aparência apropriadamente fantasmagórica, precariamente situado na beira de um penhasco castigado pela tempestade. Lá dentro, uma médica exasperada declara que seu tratamento de um paciente invisível falhou e é “hora de cortar o câncer”. Em seguida, pulamos para os dias atuais, onde nossa heroína grávida, Madison (Annabelle Wallis), é submetida a alguns abusos domésticos desagradáveis ​​que a deixam com um ferimento na cabeça. Isso é seguido por uma invasão na casa onde eles moram, na qual seu marido é brutalmente assassinado e Madison hospitalizada, tendo sofrido um aborto espontâneo, apenas seu último em uma série de gestações malsucedidas. Após sua libertação, Madison começa a ter visões horríveis, testemunhando uma série de assassinatos violentos perpetrados pela mesma figura macabra que a atacou em sua casa. Tudo indica que os crimes foram cometidos por seu amigo imaginário de infância, conhecido como Gabriel. Os policiais suspeitam que Madison está desequilibrada, enquanto ela confessa à irmã (Maddie Hasson) que um espírito malévolo está se comunicando com ela e pode de alguma forma estar conectado a memórias reprimidas de sua infância misteriosa e seja a causa dos assassinatos. O elenco ainda conta com Maddie Hasson, Mckenna Grace, Jake Abel, George Young, Ingrid Bisu, Michole Briana White e Jacqueline McKenzie. 


Baseando-se em temas tão abrangentes como sonhos lúcidos, traumas de infância e espíritos malévolos, o terror de Maligno logo irá se afastar da temática sobrenatural vendida nos trailers e dará lugar a uma trama de investigação e suspense, aos moldes do subgênero Giallo, que surgiram na Itália e serviram de modelo para slashers famosos como Pânico e Halloween. A trama transita no mistério e há poucos sustos, apesar de Wan nos deslumbrar com imagens oníricas e sangrentas. O problema da falta de ritmo inicial é posto de lado, no entanto, quando finalmente se revela a verdade deliciosamente macabra da história. O que se segue é um clímax frenético e respingado de sangue de ação e violência, impulsionado por uma revelação ridiculamente audaciosa. Pode-se argumentar que Wan espera muito tempo antes de mostrar sua mão e Maligno certamente poderia se beneficiar perdendo sua acumulação excessiva de introduções. A segurança de Wan entrega um clímax desafiador e demente, executado com comprometimento com tudo que foi construído com exaustão na primeira metade. O que realmente prevalece é uma história que, dentro de suas abordagens malucas, está perfeitamente montada e é capaz de oferecer cenas memoráveis e reconfortantes para os fãs de terror. INSTIGANTE!


O filme estreia exclusivamente nos cinemas HOJE, Quinta-feira 09/09! Em breve no HBO Max!

O Meu Hype conferiu o filme na Cabine de Imprensa realizada pela Warner.Bros e Espaço Z! 

Hype: BOM (🌟🌟🌟) (Nota: 7,0)

terça-feira, 17 de agosto de 2021

FREE GUY - ASSUMINDO O CONTROLE (2021) "Free Guy" de "Shawn Levy"

 

"Uma história edificante sobre pessoas artificiais descobrindo sua humanidade em um conceito moderno, com leveza e diversão na medida certa"

     A história de Free Guy é inteiramente inspirada no mundo dos videogames, partindo da premissa de que um NPC (nome dado a um personagem coadjuvante e não jogável) toma consciência de sua condição em um mundo artificial e, a partir disso, inicia uma revolução. Guy mescla sua personalidade divertida, irônica e de cara legal entregando uma brincadeira de ação com cara de videogame, que não chega a ser sútil, vira uma sátira direta as grandes  corporações e uma comédia romântica bobinha e sincera que encanta, ainda que, não apresente nada de extremamente novo. Combinando elementos que vai de Uma Aventura Lego até O Show de Truman, a trama se passa em um jogo de mundo aberto no estilo Grand Theft Auto, grande sucesso do gênero, Free Guy é o mais recente veículo cinematográfico a contar fortemente com os truques da estrela Ryan Reynolds, que também atua como produtor. Ele faz seu trabalho de uma forma agradável, com diálogos inteligentes e ajuda de um elenco de apoio carismático com Jodie Comer e Taika Waititi.


         Na história, Guy é um caixa de banco solitário que vê sua vida mudar ao descobrir que é, na verdade, um personagem secundário em um game chamado 
Free City. Dentro dele, Guy procura uma forma de ser mais importante nessa realidade e conquistar espaço para fazer suas próprias escolhas e fugir de sua vida rotineira alimentando seu peixe dourado e trabalhando no banco. No começo do filme, Guy é uma grande metáfora da vida da maior parte das pessoas do mundo real, que vivem presas a uma rotina muitas vezes tediosa sem se perguntar se existe mais para si. Mas no caso de Guy, ele é um personagem não jogável programado para repetir sempre as mesmas coisas. Essa normativa da vida de Guy era o que os programadores da desenvolvedora fictícia Soonami acreditavam. Guy é um cara romântico e sempre buscou uma mulher idealizada. Sua vida vira de cabeça para baixo ao descobrir que ela na verdade existe quando conhece Molotov Girl (Jodi Comer), uma jogadora determinada a encontrar provas de que Free City usou como base códigos roubados de um game que ela havia criado. Buscando se aproximar dela, Guy decide sair do script e acaba descobrindo que há mais na vida e que sua cidade, que é na verdade um jogo. Guy é o primeiro a quebrar essa barreira e isso é o ponto de partida para a trama decolar.


    Algo importante é que não necessário ser um jogador de videogame para apreciar totalmente a comédia de aventura, ainda que, isso é um ponto muito central do filme para entender as piadas e conexões. Os amantes de games ganham uma abundância de "fan-service escondidos por toda parte e visualmente o filme é bastante atraente e semelhança com filmes como Detona Ralph "Quebrando a Internet" e Jogador Número 1. Free Guy tem alguns pequenos problemas, é um pouco longo demais para sustentar a trama, Reynolds praticamente segura o filme por quase 2 horas de duração e cansa um pouco. Mesmo que consiga transitar bem entre o público jovem, o filme acaba não adequado para crianças devido a uma linguagem forte e isso pode desagradar famílias desavisadas. O vilão interpretado por Taika Waititi é tão incrivelmente exagerado que beira o ridículo. Felizmente esses detalhes não atrapalham a experiência, o diretor Shawn Levy torna muito fácil ir e voltar do mundo do videogame para o mundo real. Ryan Reynolds captura o público com seu papel de nerd charmoso e carismático, nada muito novo ou diferente do que ele já entregou em outras oportunidades, Free Guy é divertido e uma boa surpresa. VALE VER!


O filme estreia exclusivamente nos cinemas na Quinta-feira 19/08!

O Meu Hype conferiu o filme na Cabine de Imprensa realizada pela Disney/Fox e Espaço Z! 

Hype: BOM (🌟🌟🌟) (Nota: 7,5)

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

O ESQUADRÃO SUICIDA (2021) "The Suicide Squad" "James Gunn"

                                   


 "Um acerto em praticamente todos os requisitos, novo Esquadrão Suicida subverte a fórmula batida do filme de "herói" em uma loucura bastante divertida"

        A ideia de investir novamente no grupo de antagonistas da DC Comics soava improvável mesmo com o sucesso comercial do filme de 2016 que teve péssima recepção da crítica e do público. Seguindo sem engrenar e sem empolgar, a DC logo percebeu que uma revitalização de seus filmes era inevitável para ainda conseguir algum prestígio em um meio praticamente dominado pela rival Marvel Studios. Conseguiram superar o fracasso de Esquadrão Suicida com filmes como Mulher Maravilha, Aquaman, Shazam e Aves de Rapina. Com essa empolgante sequência cinematográfica da DC, Esquadrão Suicida ficou apagado totalmente. A Warner Bros. apostou no talento e brilhantismo de James Gunn com a missão de dirigir e roteirizar um produto que precisava convencer ou ser cancelado de uma vez. O novo Esquadrão Suicida é um espetáculo criativo e superviolento, o cineasta traz um filme digno dos melhores momentos do HQ no cinema e ainda consegue impor uma originalidade própria com pitadas de acidez. O filme não pode ser considerado um reboot e sim uma continuação do filme que já vimos no cinema mesmo sendo completamente diferente, criativo, com ritmo caótico e sem se apegar a um universo cinematográfico, tudo pode acontecer a qualquer momento em uma diversão imprevisível e insanamente alinhada e coesa.


      O novo filme parte da mesma premissa do longa de 2016: um grupo de super vilões é recrutado pelo governo americano para uma missão secreta, sob o comando de Amanda Waller (Viola Davis). Desta vez, o serviço precisa ser realizado na remota ilha de Corto Maltese, na América do Sul para destruir Jotunheim, uma prisão e laboratório da era nazista que mantinham presos políticos e conduzia experimentos. O filme apresenta um grande elenco, além de Margot Robbie, que protagoniza grandes cenas de ação, o filme traz de volta outros personagens antigos como Amanda Waller (Viola Davis), Capitão Bumerangue (Jai Courtney) e Rick Flag (Joel Kinnaman). Entre os novos nomes do elenco o destaque vai para Idris Elba e John Cena, nos papéis de Sanguinário e Pacificador, respectivamente. O novo Esquadrão, também traz vários atores da Marvel para o time, como a atriz portuguesa Daniela Melchior, como a Caça-Ratos 2, David Dastmalchian, como Bolinha, Sylvester Stallone emprestando a voz a Nanaue, o Tubarão-Rei. A brasileira Alice Braga também está no filme como a guerrilheira Sol Soria, que se alia aos protagonistas contra os inimigos. O Brasil também é representado com três músicas na trilha sonora com músicas de Drik Barbosa, Marcelo D2 e Céu. Mesmo com vários personagens cada um tem seu momento de brilhar e distante daquela bagunça do filme anterior. Aliás, James Gunn chega a DC com uma liberdade impressionante que faz Deadpool ser brincadeira de criança, tudo graças ao trabalho impecável do diretor, com uma segurança e domínio que chega a igualar as criações de Zack Snyder no estúdio.


      O filme vai muito rápido e nunca dá a chance de recuperar o fôlego. O que pode parecer uma premissa simples deslancha de maneira surpreendente. É uma viagem emocionante e imprevisível que se estende por mais de duas horas sem nunca se perder. O elenco super talentoso e familiar se reveza mastigando o cenário enquanto a praticamente desconhecida Daniela Melchior triunfa como a alma do filme, uma boa revelação. Impossível também não destacar como Margot Robbie entrega uma Arlequina (Harley Quinn) cada vez mais irresistível. O Esquadrão Suicida é sobre criminosos forçados a missões com risco de vida com a promessa de liberdade e a ameaça de morte, ainda assim, por trás de toda ultraviolência muito bem fotografada está algo muito doce e até gentilmente profundo. Essa sensibilidade subversiva de filme B presenteia o fã de quadrinhos com sequências de ação inesquecíveis que certamente constrói um novo e empolgante cinema da DC. Este é sem dúvida o filme mais empolgante de Gunn, um blockbuster bombástico, com coração e traços de terror que adicionam uma profundidade brutal. O roteiro do filme sugere uma busca por redenção para os personagens e até mesmo para Gunn. É uma história sobre pessoas más que ainda merecem amor e esperança. Que o DCEU, carinhoso apelido do Universo Estendido da DC continue voando em alto nível. UMA SURPRESA DIVERTIDA! 


O filme estreia nos cinemas nesta Quinta-feira 05/08! Em breve no HBO Max!

O Meu Hype conferiu o filme na Cabine de Imprensa realizada pela Warner.Bros Pictures e Espaço Z!

Hype: ÓTIMO (🌟🌟🌟🌟) (Nota: 8,5) 

quinta-feira, 29 de julho de 2021

TEMPO (2021) "Old" "M. Night Shyamalan"

"Shyamalan não consegue domínio sobre trama misteriosa entregando soluções seguras sem o requinte dos seus melhores trabalhos"

      Há sempre uma expectativa estranha nos trabalhos de M. Night Shyamalan, o diretor que viveu grandes momentos no início da carreira com filmes como O Sexto Sentido (1999), Corpo Fechado (2000), A Vila (2004) viu sua filmografia se desmoronar com projetos duvidosos e que não caíram no gosto da crítica e do público. Entre os maiores fracassos estão a adaptação do desenho Avatar (O Último Mestre do Ar , 2010) e Depois da Terra (2013) com o astro Will Smith. Sua redenção aconteceu graças a sua volta ao minimalismo em A Visita (2015) e a ótima surpresa de Fragmentado (2016). Em seu novo filme Tempo ele chega perto de ver seu mistério "metafísico" engrenar mas se perde ao se contentar com algo mais parecido com um filme sobre um resort sobrenatural, com reviravoltas arquitetadas e sustos esporádicos e bobos. O diretor não consegue lidar muito bem com o desenvolvimento da história e muitas pontas soltas são resolvidas sem um pingo de originalidade transitando no que o diretor tem de melhor e pior.


        Na trama, uma mulher em crise conjugal, Prisca (Vicky Krieps) e seu marido, Guy (Gael García Bernal) vão a uma ilha tropical não especificada para relaxar com seus dois filhos pequenos em um resort de luxo em plano aberto e atividades em grupo. Todos parecem felizes com a ideia de passar um dia em uma praia exclusiva e remota sugerida pelo gerente do hotel (Gustaf Hammarsten) que promete ser tão isolada que apenas alguns poucos sortudos podem ir, tudo oferecido pelo Hotel, inclusive o translado de ida e volta. O local paradisíaco aos poucos começa a intrigar seus visitantes com acontecimentos bizarros e não demora muito até que as coisas comecem a dar errado de maneira inexplicável. Há uma forma que parece nitidamente sobrenatural no local, não há como sair da praia e enquanto os adultos correm tentando consertar coisas bem sinistras as crianças começam a envelhecer rapidamente. Isso tudo está bem entregue para quem viu o trailer (ou leu alguma sinopse da história que é baseada em um quadrinho). Esta praia não está certa e o cenário se torna um lugar isolado com seus visitantes vivenciando um grande horror.


      Shyamalan entrega uma premissa simples e começa a explorar o suspense aos poucos, falta agilidade em tornar tudo mais assustador, ele segura o quanto pode o mistério que por alguns momentos funciona bem, ainda que suas grandes revelações cheguem ao expectador de maneira constrangedora, com ângulos de câmera obscurecidos, volta no tempo e soltando pistas que aparecem desde o começo do filme, tudo soa muito calculado para o terceiro ato e realizado quase sem nenhuma delicadeza. O diretor parece ter perdido a capacidade de envolver o expectador com elegância, o excesso de explicação também incomoda bastante, a história que poderia muito bem se assimilar ao clima misterioso de algum episódio da série "Além da Imaginação" acaba por chegar mais próximo do suspense insosso do remake de "A Ilha da Fantasia" realizado ano passado. Esses são talvez os maiores riscos de um projeto de Shyamalan, quando ele é bom, ele é muito bom e quando ele é ruim, ele é cafona. Difícil colocar "Tempo" ao lado dos acertos do diretor, seu esforço em amarrar até o último fio do seu nó esquemático deixa de lado algo essencial, sua inclinação para o mistério. SEM BRILHO.



O filme estreia exclusivamente nos cinemas nesta Quinta-feira 29/07!

O Meu Hype conferiu o filme na Cabine de Imprensa realizada em Brasília.

Hype: REGULAR  (🌟🌟) (Nota: 5,0) 




quarta-feira, 21 de julho de 2021

UM LUGAR SILENCIOSO - PARTE 2 (2021) "A Quiet Place 2" - "John Krasinski"


 "Uma continuação que expande seu universo com brilho e sensibilidade sem deixar de ser aterrorizante"

       Em 2018, Um Lugar Silencioso, de John Krasinski, se transformou em um fenômeno global em uma história onde o silêncio era um dos combustíveis de seu enervante suspense e moldou, dentro do gênero do horror, um fábula de amor em família, comunicação e sobrevivência. O mais impressionante disso tudo é sua fórmula simples, com uma mistura de tensão implacável e narrativa cheia de camadas sobre um núcleo familiar unido que confronta uma força alienígena altamente destrutiva e orientada pelo som. Nutrido de muito mistério em como o mundo se tornou apocalíptico com as assustadoras criaturas, era certeiro que a história ganharia uma continuação até mesmo pelo enorme sucesso de bilheteria. O segundo capítulo começa logo depois de onde deixamos a família Abbott e logo parte para novos lugares, à medida que os acontecimentos percorrem o frágil santuário dos “caminhos de areia” que os Abbotts criaram para sobreviver em uma realidade onde um mero passo em falso pode ser fatal, eles seguem por um mundo de perigos. Desde os primeiros momentos do filme, a família está em rota de fuga, fora de qualquer parâmetro de segurança, em busca de um refúgio numa cidade assombrada pelo medo. A família luta também para encontrar esperança, esse é o gás necessário para que a produção consiga evoluir mesmo com uma simplicidade absurda porém muito bem executada por John Krasinski.

       Na trama, após os trágicos eventos domésticos, a família Abbott (Emily Blunt, Millicent Simmonds, Noah Jupe) agora precisa enfrentar os terrores do mundo exterior enquanto continua sua batalha pela sobrevivência em silêncio. Forçados a embarcar rumo ao desconhecido, eles logo percebem que as criaturas que caçam guiadas pelo som não são a única ameaça à espreita no caminho arenoso. A abertura do filme já injeta adrenalina e nunca há uma brecha para a família Abbott lidar com o que aconteceu com eles nos dias anteriores. Isso é especialmente verdadeiro no que se refere à personagem de Emily Blunt, Evelyn, agora mãe solo disposta a superar desafios sufocantes para encontrar um novo lugar seguro para seus filhos enquanto as criaturas parecem mais assustadoras a cada esquina. Para Evelyn, um fardo ainda mais pesado que o do risco físico constante talvez seja ter que confiar que preparou seus filhos suficientemente bem para encarar o mundo por conta própria, não importa o que aconteça. Essa intensidade incessante fez brotar um elemento de compaixão e sinceridade em sua performance, novamente ela tem  destaque positivo do filme juntamente com a carismática Millicent Simmonds. A experiência intimista da família Abbott retratada no primeiro filme se abre a novas perspectivas. Retirar os personagens de suas rotinas e aproximá-los de um território dominado pelo caos implica em um perigo ainda maior com proporções que crescem em tela a cada momento. Por outro lado, esse movimento serve para evidenciar ainda mais a beleza intrínseca da família e sua resiliência mesmo diante de incertezas profundas.


     Enquanto os Abbotts buscam um refúgio viável para os sons que atraem as criaturas onipresentes, eles esbarram com outras pessoas nesse caminho, dentre elas um velho conhecido que virou um eremita convicto, cujo passado faz eles desconfiarem de suas reais intenções. Seu nome é Emmett, interpretado por Cillian Murphy, o ator irlandês conhecido por seus papéis em Batman: O Cavaleiro das Trevas, A Origem e a série Peaky Blinders. Outro que estreia no elenco é Djimon Hounsou, indicado duas vezes ao Oscar. Assim como o universo de Um Lugar Silencioso - Parte II se mostra em expansão, o mesmo vale para a experiência do público com as criaturas. Como neste capítulo elas são vistas em outros ambientes, incluindo em plena luz do dia, Krasinski teve que imaginar sua lógica primitiva com mais detalhes. Isso envolve pensar sobre como elas poderiam estar aprendendo com os humanos, e, nesse processo, virando algo ainda mais poderoso e inevitável. Isso é peça fundamental para que história ganhe corpo e consiga ser uma sequência tão boa quanto o filme original. O filme entrega praticamente tudo que promete com bastante qualidade. UMA EXPERIÊNCIA VISCERAL E SENSORIAL.


O filme estreia exclusivamente nos cinemas nesta Quinta-feira 22/07! 

Hype: ÓTIMO  (🌟🌟🌟🌟) (Nota: 8,0) 

quarta-feira, 14 de julho de 2021

SPACE JAM - UM NOVO LEGADO (2021) "Malcolm D. Lee"

     

Novo Space Jam é divertido e tem um turbilhão de referências legais do conglomerado WarnerMedia, nada mais que isso!

         A continuação de "Space Jam: O Jogo do Século" de 1996 repete a mesma fórmula divertida do anterior em misturar os personagens animados do Looney Tunes – a turma do Pernalonga e Patolino – e um super astro de basquete, desta vez LeBron James assume o posto de Michael Jordan. Desta vez o astro do basquete se junta a Pernalonga para treinar uma equipe de basquete em um jogo contra um algoritmo mal intencionado que deseja muito ofuscar o astro e conseguir sua popularidade saindo da escuridão digital dos servidores da Warner. Bros Studios. A revitalização da história tem uma estrutura bastante clichê desse tipo de filme, pai e filho em busca de entendimento um do outro, um vilão cheio de interesses questionáveis misturado com um monte de referências de personagens do estúdio que mais parece uma propaganda da HBO Max. Não que isso seja ruim, mas esqueça as agradáveis aparições surpresas de Scooby, por exemplo, entra de tudo na história mesmo que não faça muito sentido. O filme só engrena quando Pernalonga e sua turma aparecem em cena.


      Na trama, LeBron e seu filho Dom são aprisionados em um espaço digital por uma Inteligência Artificial trapaceira, LeBron precisa trazê-los de volta para casa em segurança levando Pernalonga, Lola Bunny e uma equipe indisciplinada de Looney Tunes a uma vitória contra o time da I.A. na quadra: um elenco de peso formado por astros e estrelas da NBA e WNBA. O jogo é Tunes contra Goons em um desafio arriscado para LeBron, que redefinirá o laço entre ele e seu filho e reforçará a importância de ser você mesmo. Os Tunes desafiam as convenções, turbinam seus talentos únicos para surpreender o “Rei” James jogando à sua própria maneira. James estrela o filme ao lado do indicado ao Oscar Don Cheadle (filmes “Os Vingadores”). Space Jam: Um Novo Legado combina animação e live-action, ao lado do atemporal Pernalonga clássico. Dirigida por Malcolm D. Lee e contando com uma equipe inovadora de cineastas que inclui Ryan Coogler e Maverick Carter. 


         Se a história em si não possui muitos atrativos, a equipe do diretor nos bastidores que inclui o diretor de fotografia Salvatore Totino (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar”) realizam uma animação impecável e rica em detalhes. A transformação em 3D dos Looney Tunes é atrativa e até mesmo outros personagens coadjuvantes ganham traços modernos. A WAG Studios, o braço das animações da Warner.Bros tem acertado bastante ultimamente ainda que as histórias são pouco complexas aos adultos e nem sempre vão além de um bom entretenimento. Se para esse novo Space Jam falta o charme do filme original fica ainda mais confuso quem os realizadores querem agradar, se são as crianças de hoje em dia, que vão se encantar com o ritmo alucinado e visual atrativo, se buscam uma conexão nostálgica com fãs do original, hoje já adultos ou agradar fãs de basquete e de LeBron James. Essa falta de foco tira muito do brilho do filme, quer agradar a todos e se torna uma bagunça divertida e esquecível. FILME PIPOCA.

O filme estreia exclusivamente nos cinemas nesta Quinta-feira 15/07! Em breve na HBO Max!

O Meu Hype assistiu ao filme na Cabine de Imprensa realizada em Brasília pela Warner.Bros e Espaço Z! 

Hype: BOM  (🌟🌟🌟) (Nota: 7,0) 


quinta-feira, 8 de julho de 2021

TENGO MIEDO TORERO (2020) de "Rodrigo Sepúlveda"


 "Alfredo Castro entrega atuação sensível que emociona do início ao fim em uma viagem triste a um período tenebroso da ditadura chilena"

     O cinema chileno conseguiu um crescimento abundante nos últimos anos, graças ao amplo destaque do vencedor de Filme Internacional no Oscar de 2018 "Uma Mulher Fantástica". Com um celeiro de diretores emergentes que cresceram a partir do Novo Cinema Chileno (também conhecido como Cinema Chileno da Democracia) e artistas que cada vez mais ganham destaque como Alfredo Castro, o segundo longa do chileno Rodrigo Sepulveda mostra Castro desta vez como um travesti esfarrapado lutando para sobreviver aos últimos anos da violenta ditadura de Pinochet. Baseado no romance de estreia de Pedro Lemebel de 2001 (famoso escritor e ativista que morreu em 2015), a história se passa em 1986, o romance LGBTQ+ é uma recuperação subversiva da fase final de uma temporada de trevas e particularmente angustiante em uma representação muito bem concebida pelos seus realizadores com belas cenas e muito marcante pelo poder de sua história.


       A trama segue La Loca del Frente (Alfredo Castro) como uma travesti envelhecida na sombra opressora de Pinochet, ele é um sobrevivente resiliente, tendo acabado de sobreviver a mais uma incursão em uma boate gay que tirou a vida de outro amigo. Ajudando-o a escapar da operação policial está Carlos (Leonardo Ortizgris), um jovem rebelde mexicano que rapidamente surge como aliado. Carlos se aproveita da situação perguntando se La Loca pode armazenar caixas de livros em seu apartamento. Todas as caixas de livros contêm armas e munições, já que Carlos é um revolucionário. Embora La Loca esteja com medo, sua atração por Carlos aumenta a cada aproximação e se choca com os interesses do guerrilheiro.


       Alfredo Castro como “La Loca del Frente” ou “A Mulher Louca da Frente” é extravagante e sensível ao mesmo tempo. O filme abre com uma violenta batida policial no Club Slaughter, onde seu amigo é assassinado enquanto cantava "Fever" de Peggy Lee, a narrativa do filme rapidamente se transforma em um romance dolorosamente unilateral onde La Loca se vê sendo útil para o jovem revolucionário que a está manipulando e alimentando uma expectativa, sugerindo uma conexão mais profunda. A personalidade solitária de La Loca vivendo em uma periferia solitária, sombria e turbulenta reflete em seu posicionamento político e como ela resolve esses entraves com Carlos. O personagem é interpretado com uma seriedade e sutileza que foge do tipo de desprezo que muitas vezes define personagens da comunidade LGBTQ+, desafiando um pouco as normas de gênero. Em uma breve leitura, o personagem tem semelhança com o de Marco Nanini no filme brasileiro Greta de 2019. Uma rara oportunidade de revisitar os espaços e vidas de minorias esquecidas pelos opressores e pelos libertadores em meio as revoluções. COMOVENTE.


O filme está disponível no Amazon Prime Video. 

Hype: MUITO BOM  (🌟🌟🌟🌟) (Nota: 8,0) 

sexta-feira, 11 de junho de 2021

SHIVA BABY (2020) de "Emma Seligman"

 

"Shiva Baby é tão surpreendente quanto minimalista em um exercício de percepções"

     A estreia da jovem e promissora cineasta Emma Seligman apresenta uma narrativa repleta de frescor baseada em suas próprias experiências e no curta de mesmo nome lançado em 2018. A comédia lúdica de humor sombrio sobre o desconforto de uma jovem bissexual, dividida entre a tradição e a independência, é um excelente palco para atriz e comediante Rachel Sennott em uma atuação fria, tensa porém minimalista e agradável. O grande mérito do exercício de tensão do filme é sua trilha sonora muito bem utilizada em uma história praticamente filmada em plano sequência, desenrolando em tempo real e com foco nos cômodos da casa que abriga o funeral judaico e a luta interna de Danielle para se desviar de uma sucessão de desconfortos. Irradiando o charme da tradição judaica, sem se apegar aos tradicionais clichês, a abordagem da diretora sobre os assuntos pesados com um leve toque de humor são carregados de uma liberdade intensa e interessante liberdade. Os pilares que sustentam a comédia de situação tem firmeza graças aos personagens principais que permanecem em cena por tempo suficiente para gerar os constrangimentos mais insanos possíveis para a personagem principal.


     A história segue Danielle (Rachel Sennott) uma estudante universitária prestes a se formar que se depara com uma série de encontros cada vez mais estranhos e humilhantes em uma shivá culminante de um dia, uma reunião judaica de amigos e familiares durante um período de luto. Sob o olhar atento de seus pais neuróticos, mas bem-intencionados, Danielle é bombardeada com perguntas intrometidas de parentes autoritários e abalada pela aparição de uma ex-namorada, Maya (Molly Gordon), por quem ela ainda está apaixonada. Em uma coincidência ainda mais desastrosa, o "Sugar Daddy" secreto de Danielle, interpretado por Danny Deferrari chega inesperadamente com uma esposa e um bebê gritando que ela nada conhecia, aumentando a tensão para um nível de febre excruciante. Ela não apenas tem que processar essa crise pessoal em segredo, mas em meio a um coro de tias judias intrometidas, simultaneamente castigando e elogiando sua recente perda de peso além de seus pais Joel (Fred Melamed) e Debbie (Polly Draper) que pretendem colocar o bem-estar de sua filha acima de seus próprios interesses entre os conhecidos.


     O roteiro de Seligman é espirituoso e enérgico ainda que o filme apresente uma limitação visual que acaba sendo positiva para um primeiro filme, especialmente com um orçamento limitado. A natureza do roteiro se presta a tomadas curtas e edições rápidas, o que tem o efeito de fazer círculos sufocantes ao redor de Danielle, que geralmente fica centrada enquanto os outros personagens são filmados por cima do ombro, ajudando a manter o foco em sua turbulência interna. A técnica da tensão consegue preencher muito bem o tempo curto da história que nunca chega a se esgotar. A relação de Maya e Danielle, embora envolta por anciãos intrometidos, é o ponto mais doce do filme, quando uma certa reviravolta alcança as personagens em um ritmo hipnotizante. Um filme que transita na comédia fria, na destreza em sufocar o espectador além de um suspense tático com uma recompensa muito digna. HILARIANTE E MODERNO.


O filme tem estreia exclusiva hoje (11/06) no streaming MUBI. Experimente 7 dias grátis no link: (https://mubi.com/pt)

Hype: ÓTIMO  (🌟🌟🌟🌟) (Nota: 9,0)