terça-feira, 18 de junho de 2019

TURMA DA MÔNICA - LAÇOS (2019) de "Daniel Rezende"


Adaptação em "live action" da HQ Laços da Turma da Mônica publicado em 2013  apresenta um gosto refinado de infância com os personagens do universo mágico criado por Mauricio de Souza em uma aventura fiel as expectativas de quem algum dia já embarcou nessa viagem lendo os gibis dos personagens. 


Assim como os mais antigos já apreciaram produções como Conta Comigo, Os Goonies e Os Batutinhas, essa geração ganha um presente memorável em um filme gracioso sobre como superar questões pessoais em prol de um bem maior, o coletivo, em uma mensagem linda e emocionante sobre lealdade e amizade. Em seu segundo longa metragem como diretor, Daniel Rezende (Bingo: O Rei das Manhãs) consegue envolver o espectador na medida certa, principalmente quanto aos aspectos comuns da personalidade de cada personagem muito ressaltadas nos quadrinhos criando algo consistente e realista. Cascão tem pavor de água e banho, Magali ama comida e adora a cor amarela, Cebolinha tem os cabelos arrepiados para cima, troca o R pelo L, adora verde e tem planos infalíveis, Mônica é a líder do grupo, dentuça, adora vermelho e só anda com seu coelho de pelúcia Sansão. O trabalho com as crianças ficou impecável, obviamente, seria impossível ser idêntico ao quadrinho mas é fiel o suficiente, as crianças atuam de forma espontânea mesmo transparecendo um pouco de inexperiência em tela. O humor leve e descontraído do filme feito especialmente para crianças sem subestimá-las, não apela para piadas rasteiras sendo acessível aos adultos, é um dos acertos do filme. A aventura segue quase fielmente os traços dos quadrinhos até mesmo nos detalhes além de possuir "easter eggs" que aparecem pelo filme que certamente deixarão o fã mais atento viajar nas referências. Os cenários são lindos juntamente com a fotografia, tudo bastante inspirador e cuidadosamente realizado, o bairro do Limoeiro é bem bonito com uma cenografia colorida e cheia de elementos da época retratada. O filme se passa nos anos 80 e tem alguns aspectos lúdicos. Outro destaque vai para a participação de Rodrigo Santoro, que mesmo com pouco tempo em tela é suficiente para ser marcante. O personagem do ator, o Louco, não aparece na HQ que inspiraram o longa mas sua cena no filme funciona muito bem e ajuda a passar a mensagem do filme: a amizade acima de tudo. Também fazem parte do elenco adulto os atores Paulinho Vilhena, como pai do Cebolinha e Mônica Iozzi, como mãe da Mônica. Fafá Rennó interpreta muito bem a Dona Cebola. Os adultos são coadjuvantes de luxo e o foco é todo nas crianças. O filme tem uma trama bem simples. Depois de falhar em mais um plano para raptar Sansão, o bicho de pelúcia de Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto) descobre que Floquinho, seu cachorro de estimação, desapareceu. É então que Mônica, Cascão (Gabriel Moreira) e Magali (Laura Rauseo) se unem a ele para tentar reencontrar o peludo. A aventura fica perigosa quando as crianças acabam entrando em uma floresta em busca do cachorrinho, sendo o principal desafio de quem acompanha a trama torcer e se preocupar com a segurança das crianças nessa aventura repleta de riscos e também de valiosas lições. O filme encontra o tom certo para abordar sua problemática e consegue usar tudo que ele tem a seu favor. Destaque para a linda canção "Laços" interpretada por Tiago Iorc que emociona sem ser melancólica assim como toda trilha sonora que acompanha a parte dramática do filme. O vilão é leve na medida certa para uma produção infantil. Maurício de Souza é nosso Stan Lee, criou um universo fantástico com personagens em grande parte inspirados em seus filhos e também em sua imaginação, um mundo mágico que a bastante tempo já mora em nossos corações, o próprio se emocionou bastante a ver o filme, afinal, essa transposição para o cinema era um desafio enorme e foi superado com bastante louvor. Os fãs, o público e o cinema nacional agradece! O filme chega ao patamar de produções infantis memoráveis do cinema nacional como Menino Maluquinho, Castelo Rá Tim Bum e Tainá, que não devem em nada para produções estrangeiras esbanjando qualidade e carisma. A próxima adaptação aos cinemas já está confirmada e será "Lições" que ganha forma antes mesmo da estréia desta incrível adaptação "Laços". A Turma da Mônica chega aos cinemas com um filme digno de sua trajetória dos quadrinhos e também ressaltando seu forte papel como entretenimento na vida de todos. UMA DECLARAÇÃO DE AMOR A INFÂNCIA




O filme estréia dia 27 de Junho nos cinemas! 

Filme visto na Cabine de Imprensa realizada em Brasília!



Distribuído pela Paris Filmes e Downtown Filmes 



Produção da Globo Filmes, Biônica Filmes, Quintal Digital, Paramount Pictures, Mauricio de Souza Produções, Latina Estúdio e Paris Entretenimento.

Hype: OBRA PRIMA



segunda-feira, 17 de junho de 2019

DOR E GLÓRIA (2019) "Dolor y Gloria" de "Pedro Almodóvar"


Pedro Almodovar realiza resumo de sua carreira em uma "pseudo" biografia, Antonio Banderas e Penelope Cruz dois simbólicos artistas para o diretor fazem parte dessa viagem em sua sua vida e obra. 

Assistir ao filme, que é mais sobre dor do que sobre glória, é quase que uma conversa com um idoso doente, aonde você escuta todo seu relato de dor, mas não se sente confortável de falar sobre isso. Qualquer cinéfilo que admira o diretor vai encontrar os principais caminhos e referências de sua obra sem ter que assistir todos os filmes de sua filmografia, já para a nova geração o filme não chega ter o frescor necessário para estimular o expectador a conhecer suas histórias por ser um resumo autobiográfico "disfarçado" feito por ele mesmo, soa erroneamente quase como uma história para enaltecer seu ego ou talvez se fosse realizado por outro diretor não teria a força que tem como uma homenagem rica em detalhes e com cuidadoso requinte. Próximo de seus 70 anos Almodovar celebra seu amor por seus filmes que ele mesmo duvidou no passado e este "Dor e Glória" tem todas as coisas que apreciamos sobre ele: a importância das mulheres (especialmente sua mãe), a nostalgia desavergonhada, a acidez nas questões religiosas, o consumo excessivo de drogas e a celebração da sexualidade, tudo exposto a sua maneira sem cortes ou qualquer tipo de pudor, nesse aspecto ele acerta em cheio para tirar a sensação de exaltação de si mesmo. Evidente que quem possui laços mais amarrados com ele observe com carinho sua intenção ao expor relatos bastante pessoais sobre sua vivência humilde e cheia de obstáculos principalmente com sua saúde, isso é explicado de maneira extremamente didática logo no início do filme. No fim das contas ele busca em seu alter-ego encontrar algo novo a dizer. Antonio Banderas vive o ator de 60 anos Salvador Mallo, um autor que enfrenta problemas de criatividade causados ​​por problemas de saúde. O filme começa com uma sequência arrebatadora  elegante e abstrata já nos créditos exibindo cores marmorizadas que sugerem como passado e presente, fato e ficção fluirão um para o outro, vemos Salvador simbolicamente suspenso debaixo d'água, isolado do mundo, uma imagem inicial apropriada para uma figura admirada porém problemática. Um dos filmes de Salvador, um item do final dos anos 1980 chamado "Sabor" está prestes a receber uma homenagem da Cinemateca Espanhola. Para registro, Sabor remonta à época  em que o diretor idealiza uma trilogia pessoal que começou com A Lei do Desejo (1987) e continuou com Má Educação (2004) e termina nesse longa. Para celebrar a homenagem ele aciona sua assistente de sofrimento Mercedes (Nora Navas) e contata o ator rebelde Alberto Crespo (Asier Etxeandia), com quem não fala há 30 anos. Pensativo, Alberto não perde tempo em introduzir Salvador aos prazeres de fumar heroína. Isso vem como um alívio para Salvador, um escravo de remédios cujo o corpo é atormentado por uma assustadora gama de problemas físicos e após uma operação atrasada, se comporta como alguém 10 anos mais velho que ele é. Ao descobrir um texto que Salvador escreveu sobre seu passado, Alberto insiste em realizá-lo como monólogo em um pequeno teatro de Madri. Assim, os dois homens são capazes de reviver um ao outro seus impulsos criativos falhos. Sentado de olhos lacrimejantes no público está o argentino Federico (Leonardo Sbaraglia), que teve um caso com Salvador muitos anos antes e que agora aparece na porta de Salvador para ajudar a entregar a cena mais sublime do longa e lindamente escrita. A cena é um beijo entre dois homens de meia idade que só agora, anos depois, se sentem capazes de confessar o desejo que permaneceu enterrado dentro deles. Na intensidade de sua humanidade, isso é completamente diferente de qualquer outra coisa no filme, é um ponto chave. A cena termina com Salvador sorrindo pela primeira e última vez. Essa cena talvez seja o ápice do filme que praticamente realiza uma colagem da vida de Almodóvar. O diretor usa os pensamentos de Salvador e todas as suas memórias como guia para o direcionamento de seus filmes com dois exemplos claros. Quando mais jovem interpretado por Asier Flores, de 9 anos, era jovem, o dinheiro era apertado, e sua mãe, Jacinta (Penélope Cruz, reprisando um papel similar ao que desempenhou em Volver) é obrigada a criá-lo em uma casa chamada de caverna e quando Salvador se destaca em um coral, (o tema, tratado extensivamente em Má Educação, se desenrola nos problemas da garganta), dentre outros momentos integrados que talvez só um cinéfilo ou fã do diretor realiza o link com sua intenção. Nesse flashback ele aproveita para mostrar seus primeiros lampejos de seu despertar sexual quando, de olhos arregalados e culpados, vê o pintor Eduardo (César Vicente, estreante) se secar, nesse quesito usando ferramentas muito mais eficientes que em Má Educação. Detalhe para a fotografia do filme, excepcional e o elenco com performances excelentes, com a sempre enérgica Penélope Cruz, com Antônio Bandeiras se entregando ao papel ( ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes) e os estreantes e carismáticos Asier Etxeandia e Leonardo Sbaraglia que também se destacam. A visão de Almodovar nesse filme é quase um almanaque para seu trabalho deixando pouco espaço para ir além do que temos curiosidade de saber em uma construção perigosamente confortável e apresentada como um exercício estranhamente imparcial e impessoal mesmo que de certa forma brilhante e atrapalhada por uma narração meio desnecessária e de um excesso de complexo de gênio torturado. OLHANDO PARA DENTRO.



O filme está em cartaz nos Cinemas pela Universal Pictures!

Hype: BOM




sexta-feira, 14 de junho de 2019

MADONNA - "Madame X" (2019)


O 14º lançamento de estúdio da cantora Madonna é uma explosão musical de uma pluralidade impressionante que funciona nas mais variadas sub-camadas de ritmos que melhoram a cada audição e o fazem ser uma aventura musical bastante atual e bem composta dentro de cada canção. 

Imagine viajar vários países e culturas em um breve espaço de tempo com toda qualidade de sua produção assim como todo trabalho estético-musical que Madonna tem em cada canção. As aparições de Anitta, Maluma, Quavo e Swae Lee encaixam em suas devidas composições que buscam essa integração universal realizada de forma experimental pela cantora seja no Fado Português, no Batuque Cabo-Verdiano, no Reggaeton ou até mesmo no Funk com Samba de "Faz Gostoso". As faixas funcionam cada uma em seu devido lugar demonstrando espontaneidade principalmente com o pop latino aonde Madonna leva quase como carro chefe do trabalho. A música da cantora sempre teve um poder íntimo e oculto que transcende seus anseios e envolve a cultura pop com sua mensagem, seu caráter vanguardista volta levemente nesse disco e atinge sua maturidade em sua visão de raiva sobre líderes mundiais como Donald Trump e a inclusão de outros ritmos. Seu papel sempre foi confrontar em seus trabalhos e seu atrevimento foi sumindo com o passar do tempo. Madonna foi ícone na decáda de 80 com uma série de discos bem-sucedidos que trouxeram a popularidade, quebrando as barreiras do conteúdo lírico de sua música e sua identidade visual de cada trabalho. Ao longo de sua carreira, várias de suas canções se tornaram bastante lembradas e executadas, dentre elas "Holiday", "Like a Virgin", "Material Girl", "Into The Groove", "Crazy For You", "Papa Don't Preach", "Open Your Heart", "La Isla Bonita", "Like a Prayer", "Express Yourself", "Vogue" e outras. Quatro anos atrás, em seu álbum “Rebel Heart”, ela apostava em produtores cobiçados do pop, colaborando com nomes como Diplo e Avicii e se aproximando do Hip-Hop com a ajuda de Mike Dean (produtor de Kanye West, que também atua no novo disco). O trabalho não decolou e ela estacionou. Ficou claro e necessário uma renovação. Suas principais influências desse trabalho são os pintores surrealistas, em especial Frida Kahlo, de quem coleciona quadros em sua casa. A mexicana é referência para toda a estética de “Madame X”, mas sua influência também pode ser vista na arte da capa do álbum. Confira nossa opinião faixa a faixa. "Medellin" abre o álbum em parceria com o cantor colombiano Maluma, a faixa já havia sido divulgada e inclusive ganhou apresentação milionária na premiação Billboard Music Awards, a cantora gastou 5 milhões com os dois artistas e contou com efeitos especiais de computação gráfica que incluíram vários hologramas de Madonna no palco. A música injeta algo diferente na música latina praticada atualmente e cresce a cada audição. "Dark Ballet" tem proposta interessante e já havia chamado atenção belo belo clipe lançado a semanas atrás e sua letra que afronta o sistema: “Porque o seu mundo é uma vergonha”, solta ela, em livre tradução. Como ela mostra no clipe, tem muito a ver com o tema religioso. “Deus está do meu lado e eu vou ficar bem / Eu não tenho medo porque eu tenho fé em mim / Você pode cortar meu cabelo e me dizer que sou uma bastarda / Diga que sou uma bruxa e queime-me na fogueira”, continua ela, encarnando as diversas personagens que representam a Madame X. "God Control" começa com um coro e depois contagia em uma música dançante que se enquadra perfeitamente em sua fase "Disco". Uma canção deliciosa. Em seguida temos "Future" parceria com Quavo, integrante do Migos que pratica um rap com uma pegada trap com voz doce da cantora. Por sinal a voz de Madonna nesse álbum está encantadora e nessa música mais ainda. "Batuka" tem uma musicalidade rica inspirada nas experiências que a cantora teve em Lisboa, aonde morou por um tempo e teve contato com variados sons incrementados nessa canção que ainda possui um coral. Exótica. A cantora volta a experimentar em "Killers Who Are Partying" que é uma mistura de fado português com batida africana e Trap. Ficou digno. "Crave" tem participação do rapper "Swae Lee" integrante do 'Rae Sremmurd" e traz batidas de rap e melodia melancólica. "Crazy" Começa com acordeon e tem versos em português ("você me põe tão louca..."), mas ainda está no momento anglo-saxônico de "Madame X" e tem uma pegada de soul. "Come Alive" mistura batuque africano com eletrônica e soa estranhamente agradável. "Extreme occident" é a música que aproveita para expor sua posição política e se inspira no Oriente Médio e tem versos em português! Uma mistura que pode soar destoante dependendo do ouvinte. "Faz Gostoso" tem participação da brasileira Anitta. A canção só demonstra o carinho que a cantora tem com o Brasil, inclusive ela sempre demonstrou está atenta ao ritmo brasileiro e aqui ela reproduz um sucesso de Portugal da cantora luso-brasileira Blaya, co-autora da música com a cantora brasileira mais conhecida atualmente no mundo. "Faz gostoso" tem sido elogiada nas críticas do disco em veículos estrangeiros, tem uma ótima frase com mistura de línguas mas erra no batuque de samba. Cara de HIT. "Bitch I'm Loca" tem participação de Maluma e é um Reggaeton sem qualquer novidade. "I Don't Search I Find" é uma faixa dançante e elegante com pegada eletrônica. "Looking for Mercy" é uma balada mais íntima da cantora aonde na letra ela confessa que ainda antes de fechar os olhos toda noite, perde perdão. Sincera. "I rise" traz seu pop tradicional e político. Tem um sample de um discurso marcante da ativista pelo controle de armas Emma Gonzáles, sobrevivente do massacre da Stoneman Douglas High School. Madonna parte deste discurso para fazer um final apoteótico exaltando o poder dos jovens seja de idade ou de alma. É um trabalho ousado e fora da curva. Além de deter o título de "Rainha do Pop", Madonna também é conhecida por estar constantemente reinventando sua música e imagem, esse trabalho é a prova que ela está vivíssima. CORAJOSO.

MÚSICA FAVORITA DO ÁLBUM: "God Control"

                       


São 15 faixas (na versão DELUXE) disponíveis nas principais plataformas de streaming pela Interscope Records.

Hype: ÓTIMO

quinta-feira, 13 de junho de 2019

FORA DE SÉRIE (2019) "Booksmart" de "Olivia Wilde"


Estréia de Olivia Wilde (Atriz) na direção de um longa é uma das surpresas do ano. 

Em uma época onde comédias adolescentes horrorosas produzidas pela Netflix permeiam a paz dos jovens, há também boas surpresas com o suspiro de filmes independentes como Quase 18, Lady Bird, Oitava Série e esse Fora de Série. O filme chamou bastante atenção no festival de Sundance, acostumado a ser um celeiro de produções inovadoras e ousadas. Diante aos burburinhos da produção, o pequeno estúdio Annapurna Pictures conseguiu distribuir o longa em variados países e conseguiu também uma força da Netflix que se interessou no filme e deve distribui-lo em alguns países. Nos EUA o longa já arrecadou mais de 17 milhões nos cinemas e já é considerado um sucesso pelo seu baixo custo de produção. O sucesso do filme é justamente em se desapegar dos tradicionais rótulos, não é um filme sobre duas garotas nerds que querem se vestir como as populares e fazer de tudo para conquistar o carinha descolado, é uma história sobre a amizade entre duas garotas que querem além de estudar aproveitarem a adolescência pois só acontece uma vez na vida. Esta é uma comédia original, moderna e sem filtros, uma história sobre amadurecimento, descobertas e as dificuldades do ensino médio. Afinal, a adolescência é uma fase de altos e baixos. O filme entende uma dinâmica bastante importante na atualidade entre os jovens, eles são multidimensionais e podem ser muitas coisas ao mesmo tempo. Aquele padrão jovem da década de 80 e 90 já não se enquadram mais a essa geração Y também chamada geração do milênio, geração da internet ou Millennials. Olivia Wilde analisa a conclusão da experiência colegial através dos olhos de duas garotas “inteligentes”, todas de uma só vez mostrando um lado diferente de um gênero frequentemente explorado mas quase nunca com a naturalidade dos próprios jovens. Na trama, melhores amigas e alunas fora de série, Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein) sempre focaram em tirar as melhores notas e se destacar dos demais alunos. O que nenhuma delas esperava era que seus colegas que só queriam curtir, fossem aprovados nas mesmas universidades que elas. Ao perceber que poderiam ter se divertido entre uma prova e outra, elas decidem correr atrás do prejuízo e recuperar os anos perdidos de diversão em uma única noite. A tarefa dessa vez é um pouco diferente: aproveitar ao máximo os últimos momentos do ensino médio e provar que podem ser as melhores em tudo, até mesmo quando o assunto é diversão. Os roteiristas apresentam um dos filmes adolescentes mais contagiantes e otimistas que podem ser vistos atualmente, tanto para o público alvo como para quem já viveu essa fase e consegue se enxergar dentro da história. Na medida que tudo desenrola percebemos as várias camadas de personagens e estilos que fogem dos estereótipos tradicionais dessas produções, quando passa perto de apresentar um padrão transparece sensação de humanidade no roteiro, permitindo que o filme transborde de otimismo mesmo quando a situação não colabora. Talvez esse filme seja o Curtindo a Vida Adoidado (1986) dessa geração. Em sua concepção, a dinâmica entre Molly e Amy, traz uma visão diferente das garotas, de certa forma até atrevidas e empoderadas. Por muito tempo as jovens americanas ficavam reféns de serem ou líderes de torcida, integrantes de irmandades, interesses amorosos pouco desenvolvidos e muito raramente se fugia dessa equação. Até hoje muitos filmes ainda agem assim com garotas, sem perceber  que elas podem também apenas possuir desejo sexual, sem necessidade de ser a pessoa carismática da escola, que seja ela mesma e como quiser. O filme cresce ainda mais quando percebemos a enorme distância de protagonismo das mulheres de filmes populares entre os jovens há 20 anos atrás como Ela é demais (1999), 10 coisas que eu odeio em você (1999) e American Pie (1999), sempre com garotas em função de rapazes. Fora de Série dá um passo adiante e injeta energia a um gênero que não sai da zona de conforto. De repente, o público está vendo uma representação de personagens profundos com histórias que  vão além da "norma" e demonstrando a pluralidade das pessoas. Destaque também para a maravilhosa trilha sonora! IMPERDÍVEL.


O filme estréia hoje (13/06) nos Cinemas pela IMAGEM FILMES.

Hype: ÓTIMO

OBSESSÃO (2019) "Greta" de "Neil Jordan"


Novo filme do interessante porém datado, Neil Jordan ("Traídos pelo Desejo" e "Entrevista com o Vampiro") acredita que por ter Isabelle Huppert no elenco, maior atriz francesa da atualidade, seja suficiente para sustentar sua colagem de filmes de suspense clichê da década de 90.

Em resumo, Isabelle Huppert é sensacional no papel mais é pouco para sustentar o filme. O resultado é uma atuação curiosa da atriz que mata, dança, toca piano e enlouquece em um suspense que se torna um enorme "blefe" sem ir a lugar nenhum. O que chama mais atenção é justamente a presença de Isabelle Huppert que já fez mais de 120 filmes, ganhou Cannes, Globo de Ouro e foi indicada ao Oscar em 2017 no papel de uma executiva estuprada que busca vingança em “Elle”, sua presença em Obsessão muda a perspectiva da atriz ao viver o oposto de seu consagrado papel, desta vez sendo o abusador, isso só confirma suas entrevistas, aonde diz não escolher papéis pensando em premiações. Talvez a atriz só quisesse se divertir torturado a personagem de Chloe Grace Moretz e faz isso muito bem. Ela se entrega ao papel de uma viúva graciosa que se converte em uma psicopata cínica em uma produção até charmosa com cara de filme B possuindo um leve desvio em sua concepção, segue o fluxo de qualquer filme do gênero sem surpresas, nada fora da curva. Greta, a personagem de "Huppert" que dá nome à versão original do filme, tem bons momentos, seja na tensão de segurar graciosamente uma arma desafiando uma autoridade ou enquanto orquestra maldades após ser rejeitada ou quando costura um dedo decepado com a graça de uma senhora fazendo tricô. É um papel que navega entre o terror e a comédia, é quase um "Giallo" americano. O que ressaltar de uma produção onde todas as qualidades estão concentradas em Isabelle e nada mais! Talvez esse seja o "pecado" do diretor que raramente erra a mão. O filme passa longe de ser ruim mas faltou coragem em ir além. A trama retrata uma situação que pode ser comum em grandes cidade, a jovem Frances (Chloe Moretz) acha uma bolsa num assento do metrô na volta do trabalho e por questões pessoais de caráter, ela quer devolver o objeto ao dono, o que ela não imaginava é que isso era só o começo de algo que se tornaria uma tormenta. A tal mulher que "perdeu" a bolsa é Greta (Huppert) uma mulher sozinha. Perdeu marido, perdeu filha. E por diversas vezes evoca a tristeza da solidão para pedir piedade a garota, pedindo uma conversa e uma xícara de chá. A garçonete Frances, ainda sofrendo a perda da mãe se sensibiliza com a senhora sem saber aonde estava se metendo. O filme tenta construir sua história focando nas fraquezas de Frances, a graciosa atriz Chloe Grace Moretz segue seu bom padrão de atuação, esses elementos são usados para embasar a relação de obsessão de Greta, já que as duas lidam com situações de perdas e problemas familiares. Esse motim não é tão crível, não se sustenta por muito tempo e muito do que acontece no desvio de personalidade de Greta é a principal problemática da história. A perseguição e o assédio entre as duas mulheres em Nova York poderia render uma obra prima psicológica mas infelizmente o roteiro simplista de Ray Wright desperdiça uma boa oportunidade com duas atrizes de peso em uma trama razoavelmente envolvente e bastante comum de qualquer outro thriller de suspense. FLOPOU


O filme estréia hoje (13/06) nos Cinemas pela GALERIA DISTRIBUIDORA.

Hype: REGULAR

quarta-feira, 12 de junho de 2019

MIB: HOMENS DE PRETO - INTERNACIONAL (2019) - "Men in Black: International" de "F. Gary Gray"


Novo exemplar de MIB - Homens de Preto tem bom elenco desperdiçado em trama pouco memorável com atributos levemente descontraídos. 

Não espere nada diferente dos filmes anteriores, agradando somente quem espera revisitar o divertido universo já abordado na trilogia irregular apresentada entre 1997 e 2012 com Will Smith e Tommy Lee Jones. A produção tem dedo de Steven Spielberg e sua produtora Amblin contribuindo para os efeitos especiais corretos. O principal defeito é a falta de elementos surpresas ou até mesmo a falta de rumo de um roteiro pobre. Ocasionalmente envolvente, o início da trama vai bem, apresentando os novos agentes de forma positiva e estabelecendo o motim deste filme.  Tessa Thompson tem carisma e reforça o elenco feminino que ainda conta com Rebecca Ferguson e Emma Thompson. No primeiro ato conhecemos a "Agente M" (Tessa) e seus motivos de integrar a organização MIB "Homens de Preto" (Sem dúvidas a piada perdeu a graça na década de 90), mesmo assim a inclusão de uma agente feminina é uma boa sacada e acrescenta frescor. Outro fato interessante é colocar todo universo de forma global, mesmo sem qualquer tipo de novidade e sem ir a fundo em como a agência lida em cada parte do mundo, perdendo a oportunidade de incrementar a franquia. Tudo começa a desandar com a necessidade forçada de criar uma ação sem se preocupar com o conteúdo e sua problemática. Um exemplo bizarro é a mudança constante dos interesses dos personagens, algo sem total credibilidade. Na trama por décadas a agência Homens de Preto protegeu a Terra da escória do universo, mas agora precisa lidar com a maior das ameaças: um traidor, justo quando a agência torna-se internacional. É neste contexto que Em (Tessa Thompson) tenta se tornar agente, já que teve uma experiência extraterrestre quando jovem e não teve sua memória apagada. Quem irá auxiliá-la nesta jornada é o atrapalhado agente H (Chris Hemsworth). O tom quase infantil da trama tem um direcionamento pouco elegante mesmo com todo elenco carregando o sotaque britânico. Outro ponto negativo é sem dúvidas os vilões e os batidos clichês da trama. Chris Hemsworth tem carisma como "Agente H" mas seu personagem é vazio. Liam Neeson é outra problemática do roteiro, sem qualquer brilho em seu papel. No fim das contas quase nada funciona, nem o irritante personagem de Pawny, um alien que substitui o cachorro Pug que era um grande charme dos outros filmes. A Sony Pictures ainda incluiu ações regionais com personagens caricatos de vários países para participar de um trecho do filme e temos a insignificante participação de Sérgio Mallandro, se piscar perdeu, escolhido para representar o Brasil. As soluções fáceis reinam sem inspirar qualquer tipo de empolgação e MIB - Internacional é aquele tipico filme que cumpre tabela para quem realmente não se importa com um "blockbuster" repleto de furos e esquecível. ASSISTA POR SUA CONTA E RISCO.


O filme estréia nos Cinemas nesta Quinta-Feira (13/06) pela SONY PICTURES.

Filme visto na Sessão de Imprensa Realizada em Brasília!

Hype: RUIM

terça-feira, 11 de junho de 2019

CASAL IMPROVÁVEL (2019) "Long Shot" de "Jonathan Levine"


Comédia romântica estrelada por Charlize Theron e Seth Rogen tem carisma, inteligência e humor na medida certa em uma surpreendente e divertida sátira que transforma o quase impossível amor de duas pessoas, de vidas diferentes, em uma lição sobre princípios e honestidade nas relações pessoais. 

O charme humorístico de "Seth Rogen" conhecido por boas comédias indecorosas que deram um gás ao gênero como "Ligeralmente Grávidos" e "Superbad" ganha neste filme uma forma interessante de lidar com os principais assuntos que permeiam os personagens e também a atualidade com uma esperteza louvável. Em "Casal Improvável" o  ator vive o mesmo papel de sempre e ganha uma co-estrela que pode igualar ao charme do comediante. Charlize Theron impressiona pelo charme e elegância além do seu poder em fazer graça de forma espontânea e agradável. A intimidade dos dois em tela é algo apaixonante e bastante natural mesmo explorando clichês já utilizados  em filmes como "Um Lugar Chamado Notting Hill" e "Dave", a química é subvertida em sinceridade e não a uma submissão de status ou posição social. Seth Rogen consegue um patamar acima do praticado em seus últimos sucessos de 2013, "É o Fim" e "Vizinhos". O ator complementa muito bem o trabalho de Charlize Theron, que se mostra corajosa em apostar no humor e ainda esbanjar traços interessantes de sua personagem sem cair na mesmice. Dirigido por Jonathan Levine (50% e outros filmes regulares), o diretor consegue um equilíbrio até surpreendente ao abordar um entrave complicado e encontrar sensatez, ele só escorrega em algumas situações forçadas que poderiam ter prejudicado o filme e no geral suas imperfeições falam de um jeito cativante para a bagunça dos tempos modernos, principalmente no quesito do amor. A verdadeira raiz da trama envolve seu roteiro que deriva de uma história original do roteirista de “A Entrevista”, Dan Sterling, e foi cantada pela co-roteirista Liz Hannah, uma veterana de intrigas políticas com “The Post”. Desta vez, essa experiência fornece o enquadramento para um estimulante e entusiasta relacionamento de observações convincentes. Os dilemas enfrentados pela política de Charlotte Field (Theron) ao longo de um mundo "machista" em sua missão de assumir a Casa Branca e depois se envolvendo em uma paixão improvável, fornece ao filme um núcleo autêntico. É uma comédia romântica com alma e coração. A trama acompanha reencontro de Fred Flarsky (Rogen) com sua babá, Charlotte Field (Theron), vinte anos depois dos tempos de escola. Porém, agora, ele é um jornalista desempregado, enquanto ela é a Secretaria de Estado dos Estados Unidos. Ao ser contratado para ajudá-la na sua campanha presidencial, ele volta a ter sentimentos pela sua paixonite da infância. Será que nessa difícil equação os opostos se atraem mesmo? O filme trabalha essa relação e usa perfeitamente seu tempo de tela, sua longa duração (2h10) nem é sentida pelo expectador, tornando esse tempo suficiente para se apegar ao casal de protagonistas. Destaque para os coadjuvantes bem postados na história, o humor sagaz ao tratar o jornalismo e a política, a trilha sonora divertida além de boas surpresas quanto as piadas ou "gags" para quem gosta de humor. Dificilmente o filme deixará o posto de melhor comédia do ano pelo seu conjunto carismático e por fazer milagre em uma problemática bastante utilizada no cinema romântico e conseguir se tornar efetivo na execução e original na condução. IMPERDÍVEL


O Filme tem Pré- Estréia especial essa semana por conta do Dia Dos Namorados em alguns cinemas. Consulte a programação! Sua estréia está marcada para 20/06 nos cinemas pela Paris Filmes

Filme visto na Sessão de Imprensa realizada em Brasília! 

Hype: ÓTIMO




segunda-feira, 10 de junho de 2019

X-MEN - FÊNIX NEGRA (2019) "Dark Phoenix" de "Simon Kinberg"


Novo filme da bagunçada franquia de X-Men nos cinemas é o reflexo da ambição de seu estúdio, a FOX, em busca de explorar o último momento antes de passar a bola para a Marvel Studios da Disney. 

A produção apagada deve agradar somente aos fãs e quem realmente se esforçar para encarar uma história sonolenta e sem propósitos maiores em um momento aonde a saga provavelmente será totalmente reformulada para sobreviver. Historicamente os X-Men nos cinemas fazem parte do grupo de personagens que mobilizou o público a acompanhar produções em live-action adaptadas dos quadrinhos, isso lá nos anos 2000. A primeira trilogia foi marcada pelo tom promissor e inovador incorporado pelo inspirado diretor Bryan Singer que dirigiu os dois primeiros filmes e viu seu trabalho todo ser todo desconfigurado no banal X-Men - O Confronto final (2006). Três anos depois foi a vez do personagem principal Wolverine ganhar as telas em seu filme solo com total objetivo de entretenimento assim como sua sequência. Nesse meio tempo os personagens de X-Men ganharam uma nova e excitante chance nas telonas ao abordar o passado em X-Men - Primeira Classe (2011) e Dias de Um Futuro Esquecido (2014). Sem qualquer planejamento, o público se acostumou a dois grupos distintos de personagens, seja da primeira trilogia ou da nova revisitação, o roteiro quase sempre se engasgava ao misturar ciclos dos HQs com as adaptações além de um elenco inflado de celebridades. Em 2016, Apocalypse praticamente esgotou essa energia restabelecida e tudo que havia sido realizado nos filmes anteriores. No ano seguinte a franquia ganhou sobrevida com o ótimo filme Logan que deu fim ao principal personagem da saga. Quando se imaginou que poderia surgir um novo ciclo o acordo FOX-DISNEY já estava quase pronto e não haveria tempo hábil para planejar algo maior. Toda essa história ainda que resumida já é bastante cansativa, sem contar as séries de TV inspiradas ou não nos personagens e o Deadpool, até a chegada deste Fênix Negra. Vários arcos, histórias confusas e direcionamentos equivocados. Difícil imaginar como isso daria certo. O questionamento que fica é qual a necessidade de realizar um novo filme sendo que a franquia vai mudar de mãos e terá que começar do zero pela Marvel Studios? Enfim, todo esse peso caiu em cima desse pobre filme que mesmo mediano não chega a ser tão ruim quanto O Confronto Final, Wolverine Origens ou Apocalipse. Na trama, nos anos 90 os X-Men são considerados heróis nacionais e o professor Charles Xavier (James McAvoy) agora dispõe de contato direto com o presidente dos Estados Unidos. Quando uma missão espacial enfrenta problemas, o governo convoca a equipe mutante para ajudá-lo. Liderado por Mística (Jennifer Lawrence), os X-Men partem rumo ao espaço em uma equipe composta por Fera (Nicholas Hoult), Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp), Mercúrio (Evan Peters) e Noturno (Kodi Smit-McPhee). Ao tentar resgatar o comandante da missão, Jean Grey fica presa no ônibus espacial e é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extra-terrestres. Fênix Negra tem várias coisas positivas, seja pelo bom elenco ou pelo tom cafona e muitas vezes melancólico. Destaque também para as interessantes cenas de ação que buscam um tom diferenciado, no geral o filme pode ser um bom entretenimento mesmo vindo logo após a despedida épica dos Vingadores, sendo totalmente ofuscado e com aquela sensação de falta de propósito. O objetivo aqui seria somente um fan-service final a esses personagens e é realizado com dignidade mesmo que não supere as expectativas. O FIM NÃO TEM FIM


O filme está em cartaz nos Cinemas pela Fox.

Hype: REGULAR

domingo, 9 de junho de 2019

FESTIVAL COMA 2019 (Brasília-DF)



CoMA – Convenção de Música e Arte é um evento que une Festival e Conferência. Lançado em 2017, veio para marcar o calendário da cidade e reforçar Brasília como grande produtor cultural. Em 2019, com mais de 50 shows divididos entre Planetário, Clube de Choro e pelo gramado da FUNARTE, além de uma conferência, com debates, pitches e outras atividades em torno do mercado da música, produção cultural, artes, games e outros temas adjacentes. Após dois anos da sua estreia, o Festival chega à sua terceira edição como um dos eventos mais aguardados do Centro-Oeste, além de ter se estabelecido no circuito de relevantes festivais do país. Agendado para o dia 2 a 4 de agosto de 2019, o CoMA – Convenção de Música e Arte arma a sua estrutura no Eixo Monumental. O primeiro dia do festival, 2 de agosto, sexta-feira, é marcado pela já tradicional festa de abertura. 

CONFIRA O LINE UP:



CoMA – Convenção de Música e Arte
Data: 2 a 4 de agosto

Complexo CoMA:
Gramado da FUNARTE
– Clube do Choro
– Planetário

MAIORES INFORMAÇÕES:
festivalcoma.com.br

– Planetário


sexta-feira, 7 de junho de 2019

DEAD FISH - "Ponto Cego" (2019)


Novo álbum da banda de punk rock traz a urgência do cenário político e social do Brasil com letras diretas, contestadoras e com bastante peso num momento em que o rock tem perdido o papel crítico de suas origens de atitude e protesto. 


"Ponto Cego" chega no momento certo com a mensagem que precisamos ouvir. O Dead Fish é uma banda brasileira de punk rock e hardcore que se formou em Vitória, Espírito Santo, no ano de 1991. O grupo lançou quatro discos e inúmeras demos antes de romper a barreira independente. Composto, atualmente, por Rodrigo Lima (vocal), Marcos Melloni (bateria) e Ricardo Mastria (guitarra e baixo). O grupo conquistou projeção no âmbito nacional através do disco "Zero e Um" lançado pela Deckdisc em 2004, com produção de Rafael Ramos e mixado por Ryan Greene, responsável por faixas-símbolo do hardcore mundial. Ponto cego marca  retorno da banda tanto a gravadora que deu projeção a banda quanto a produção de Rafael Ramos. O resultado é bastante satisfatório e afasta uma onda de álbuns apagados após "Zero e Um". Acompanhe o que achamos Faixa a Faixa. "A Inevitável Mudança" inicia o trabalho já com todo peso das letras urgentes e pronto para chegar muito próximo aos trabalhos memoráveis da banda, abordando temas atuais com bastante sagacidade. "Sangue nas Mãos" o grupo segue com impulso em letras fortes e sobre o atual momento do brasil, trecho como "O lado certo da história não tem sangue nas mãos" já trazem caráter de hino a canção que cita os protestos de 2013, o impeachment de Dilma e até nosso atual presidente. "Pobres Cachorros" é uma música sobre submissão com a analogia sobre cães de "marca" e liberdade limitada. "Não Termina Assim" é uma música que fala sobre a falta de empatia na atual circunstância e funciona bem, destaque para o trecho: "Preso em seu umbigo mundo". "Sombras da Caverna" tem melodia e letra simples aliviando o peso do trabalho."O Melhor em Um" toca discretamente no assunto da meritocracia. "Doutrina do Choque" é uma canção importante sobre o domínio de quem comanda o mundo sobre os pobres. Entre os trechos interessantes da letra está  "Destruir para lucrar com a construção"."Etiqueta Social" é uma intro ou grito sobre a desigualdade. "Suv's (Stupids Utility Vehicle)" é uma interessante analogia  a estupidez humana. "Apagão" é uma canção sobre a alienação e os absurdos que vivemos. "Janelas" é aquela música que contagia  pela simplicidade da letra e fala sobre ambição. "Janelas abertas, mentes fechadas, cortinas bonitas, ideias erradas" é a frase de impacto da música. "Messias" é um hino sobre "fake news" e "salvadores da pátria". "Receita pro Fracasso" fala de desigualdades e o culto ao ódio. "Descendo as escadas" é o fim do trabalho sem aliviar e muitos menos demostrar otimismo quanto ao atual momento do país. O Nono álbum da banda tem letras que refletem o som pesado e clássico do hardcore e também melodias mais calmas com protagonismo da voz do vocalista. Um dedo diretamente na ferida e um trabalho imperdível para quem curte Rock. A ESSÊNCIA DO ROCK

MÚSICA FAVORITA DO ÁLBUM: Sangue nas Mãos



São 15 músicas disponíveis nas principais plataformas digitais pela DECK.

Hype: ÓTIMO 

quinta-feira, 6 de junho de 2019

BLACK MIRROR - "Quinta Temporada" (2019)



Quinta Temporada de "Black Mirror" dá uma leve deslizada no aspecto principal da série. 

Desde seu início, em 2011, a série soube captar as nossas ansiedades com a tecnologia e o futuro e transformá-las em histórias complexas que fazem provocações perturbadoras a respeito da condição humana em meio a esses acontecimentos. O leve salto no patamar da série ocorreu quando o canal britânico Channel 4 cedeu  a Netflix os direitos da série e resolveu dar andamento a partir da terceira temporada, mesmo seguindo a qualidade apresentada e também com o desafio de inovar sem a pressão por índices de audiência, a série caiu no gosto popular com o ápice ocorrido em dezembro com um episódio interativo (Bandersnatch) em que o público pôde decidir os rumos do enredo e a sorte do protagonista, uma sacada sensacional que deu um gás após uma Quarta Temporada apagada. Esse aspecto inovador e atormentador que traz a Black Mirror uma certa relevância em seu material está quase ausente na quinta temporada da série. Seus três episódios entretêm com qualidade e conseguem  envolver o espectador mas soam até ingênuos frente a tudo o que nos foi apresentado anteriormente pelos criadores Charlie Brooker e Annabel Jones. A temporada começa com "Striking Vipers", episódio gravado em São Paulo e talvez um dos menos sombrios da série. As questões abordadas no episódios são interessantes, principalmente retratando dúvidas sobre gênero de forma orgânica, também por não ter medo de trazer as consequências da vida digital na vida real. Mas, justamente, por Black Mirror ter abordado essa questão tantas vezes (e de formas mais criativas), falta a sensação de algo inédito. Alguns dos melhores episódios da série abordam a presença da tecnologia em relacionamentos amorosos. 'Be Right Back' (Temporada 02 - Episódio 01), 'Hang the DJ' (Temporada 04 Episódio 04) e, obviamente, o sensacional e premiado 'San Junipero' (Temporada 03 Episódio 04). Logo, não é surpresa ver Brooker investindo novamente nesse estilo. Não que o episódio não agrade, mas a busca por satisfação digital já foi abordada antes, a trama não parece ser inspirada e sua resolução é simplista. Destaque para a atuação do ator "Anthony Mackie". No fim das contas pode ser classificado como BOM. O Segundo Episódio "Smithereens" alerta sobre armadilhas das redes sociais, soa clichê porém é o mais próximo do ambiente da série. Destaque para o irlandês "Andrew Scott" (Sherlock e Fleabag) que carrega o episódio nas costas no  papel do taxista que acredita ser refém das redes sociais em um thriller impactante e sem dúvidas o melhor episódio dessa temporada. Se você é daqueles que tem ansiedade ao andar no carro dos outros ao usar um aplicativo de transporte, a situação se torna ainda mais sufocante ao perceber que o roteiro de Brooker poderia ser facilmente ambientado nos dias atuais. O "thread" de 'Smithereens' lembra bastante o Twitter. E não é difícil imaginar o controle que os poderosos das redes sociais possuem sobre nossas informações, ainda mais quando não lemos o termo de compromisso. Acompanhar os  absurdos que o efeito dominó tecnológico traz ao longo dos acontecimentos é uma pura representação da realidade. As redes sociais são apenas o pontapé de uma tragédia emocional que culminam no intenso final. Episódio classificado como ÓTIMO.  Por fim, o episódio "Rachel, Jack and Ashley Too",  Miley Cyrus brilha em um episódio "light" para os padrões Black Mirror. De um lado, Ashley é uma cantora de sucesso isolada pela fama e pelos ambiciosos empresários. Do outro, a jovem Rachel encontra sua única amiga numa boneca tecnológica da grande ídola pop. O episódio será certamente o mais comentado da atual temporada, não somente por ter Miley Cyrus no elenco. O motivo surge na inusitada conexão entre os dois mundos de sua premissa porém é o mais decepcionante dos três. Se a história de Rachel caminha por um lado meio clichê desde o início, existe um grande potencial no retrato do universo artístico, onde uma ícone esbanjando mensagens positivas e empoderadas é presa diante do controle de contratos e negócios sem conseguir expor suas vontades próprias. Com situações forçadas, superficiais e exageradas toda tensão do episódio vai para o ralo devido a uma condução mal executada. Infelizmente. Classificado como REGULAR. Charlie Brooker, criador da série percorre o lado mais sombrio da era digital e nossa dependência de uma multiplicidade de dispositivos dos quais nos tornamos reféns. Seu incansável trânsito por gêneros e formatos nos falam de alienação humana aliado a perda da humanidade. A série sem continuidade do enredo entre os capítulos e, portanto, sem desfechos em suspenso que levem o público a voltar a se envolver com o próximo episódio continua sendo a capacidade que a série tem de provocar debate sobre as incertezas da sociedade tecnológica e criar uma certa expectativa do que vem adiante. BREVE DESESPERO.




A temporada possui apenas 3 episódios disponíveis na NETFLIX.

Hype: BOM

quarta-feira, 5 de junho de 2019

JUNTOS PARA SEMPRE (2019) "A Dog's Journey" de "Gail Mancuso"


Continuação de Quatro vidas de um Cachorro é o segundo filme adaptado dos romances  de W. Bruce Cameron e praticamente repete a saga do cachorro Bailey que passeia entre vidas para proporcionar uma linda história de amor e amizade. 

Quem se agradou com o primeiro longa receberá novas doses de fofura, porém essa continuação direta do primeiro filme traz poucas novidades repetindo a fórmula de sucesso do filme anterior sem qualquer frescor. Toda a surpresa filosófica se repete, nela supõe a teoria de que o mesmo espírito canino foi reencarnado várias vezes em diferentes formas caninas ao longo da vida de seu dono, sempre tentando voltar para casa ou alcançar seu propósito. É uma ideia fantástica porém já utilizada no primeiro filme. O destaque desta continuação é que além do cachorro Bailey e sua missão também tem a história e o trauma de uma família. É sobre como os cães podem preencher o vazio em seu coração e aliviar a dor. Na trama "Bailey", o St. Bernard de Quatro Vidas de Um Cachorro, reaparece como um cão gentilmente mais velho, o amado animal de estimação de Ethan (Dennis Quaid) e Hannah (Marg Helgenberger). Bailey se une à neta de Ethan e Hannah, CJ (Emma Volk), enquanto sua nora Gloria (Betty Gilpin) sofre a morte do pai de CJ em um acidente de carro. Uma mulher egoísta e vaidosa, ela impulsivamente deixa a fazenda da família com sua filha, negando aos avós qualquer chance de vê-la novamente enquanto joga fora vagas acusações sobre a apólice de seguro de vida do pai de CJ. Nesse meio tempo Ethan diz adeus a seu amigo Bailey pela última vez, ele implora ao cão para encontrar e proteger CJ em suas próximas vidas, porque ela vai precisar dele. Bailey segue sua jornada para encontrar CJ, seja como um "beagle" chamado "Molly", um "mastim" chamado "BigDog" e finalmente, um "yorkie" chamado "Max", que tem a maior influência sobre a vida de CJ e ajuda-a a acreditar na magia do espírito do animal. O filme mesmo com doses otimistas  e com frases de efeito não chega a ser memorável e se enquadra naquele gênero "Sessão da Tarde" e deve agradar principalmente quem se simpatiza com filme de cachorro, afinal, eles podem oferecer às pessoas um amor incondicional quando elas mais precisam. MAIS DO MESMO.  


O filme estréia nos Cinemas nesta Quinta-Feira (06/06) pela Universal Pictures.

Hype: REGULAR

terça-feira, 4 de junho de 2019

ROCKETMAN (2019) de “Dexter Fletcher”


 Rocketman pega carona no sucesso de filmes musicais da melhor maneira possível e consegue êxito tanto na parte musical como biográfica. 

A superprodução que custou mais de 40 milhões de dólares traz nas canções de Elton John muito mais que seu processo criativo ou do homem por trás das músicas, o expectador embarca em uma viagem na imaginação do cantor e flutua em como os traços de sua personalidade inspiraram o cantor. O drama vivido por ele incluem dúvidas quanto a sua sexualidade, sua personalidade reprimida, problemas com a família, vício em drogas além do efeito corrosivo de ser uma celebridade, parte da história do filme é a superação desses obstáculos em sua vida. A exuberante homenagem do diretor Dexter Fletcher (Que produziu Bohemian Rhapsody) é em sua maioria uma embarcação colorida para as 20 canções de maiores sucessos de "John" construídas em torno de momentos-chave de sua vida, apresentando o modelo de um musical da Broadway em uma elaborada combinação de conflito melodramáticos e números exuberantes com grande chance de agradar seus fãs. A trama traça uma biografia musical de Elton John em uma fantasia épica sobre a incrível história da carreira do cantor além de mostrar a fantástica jornada de transformação do tímido garoto e pianista prodígio Reginald Dwight no superstar internacional Elton John, uma das figuras mais icônicas da Cultura Pop. O filme é delicioso do início ao fim com uma atuação fiel e empolgante de Taron Egerton no papel do cantor, o elenco ainda conta com Jamie Bell, interpretando o compositor parceiro de longa data de Elton, "Bernie Taupin". Richard Madden, como o primeiro empresário, "John Reid" e Bryce Dallas Howard, como a mãe do cantor. O grande mérito da produção é usar as músicas como uma autobiografia. São cenas simples porém eficazes onde “Egerton” brilha emYour Song” entregando uma imitação digna e exuberanteEm Crocodile Rock” no "Troubadour" com uma multidão que inclui membros do Beach Boys. Mais tarde, ele perambula em uma festa cantando “Tiny Dancer” enquanto olha para a câmera, se joga em uma piscina e canta a música-título sob as ondas. Vistos como sequências discretas, elas ilustram as qualidades vibrantes da música. Sua cena de sexo apaixonado ganha a letra de "Take Me to the Pilot" e uma melancolia escondida. O filme termina com o ensolarado com “I'm Still Standing”, mais uma vez permitindo que a letra conte a história. O filme fornece espaço suficiente para permitir que a arte de John fale por si mesma e no fim encontrar um pouco de paz e relevância no meio musical. EMPOLGANTE.


O filme está em cartaz nos cinemas pela “Paramount Pictures

Hype: ÓTIMO