segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Critica: SABES DE MIM, AGORA ESQUEÇA (2026) de "Denise Vieira"


 Não é putaria, é terapia. ♨️♨️♨️ 

​     Sabes de Mim, Agora Esqueça é sobre a jornada de Rúbia (Pietra Sousa). Logo no início do longa, ela foge de um regime opressor controlado por homens com lanternas que exterminam o que não agrada ao sistema. O seu trem de fuga quebra e Rúbia é resgatada por Margô (Cida Souza), que comanda um cabaré em Ceilândia, Distrito Federal. O local resiste à repressão usando o afeto da convivência entre essas mulheres em um mundo distópico no qual elas encontram no transitório a família que o mundo se recusa a proporcionar. 

     ​A obra da diretora Denise Vieira, em seu primeiro filme, é bem-sucedida ao não se escorar na ideia de futuro para esconder lacunas na história, que, por sinal, é simples, mas profunda. Algo interessante de observar é que o filme se inspira muito em elementos clássicos do cinema brasileiro, como a narrativa contada por meio de um ritmo lento de montagem, diálogos arrastados e cheios de pausas, além de uma forte ênfase no texto falado. No entanto, foge totalmente dessas normativas ao trazer uma certa fluidez, utilizando o sexo e as metáforas disponíveis de maneira criativa. 

​    O filme não depende da realidade para retratá-la e discuti-la, pelo contrário, encontra em elementos de fantasia a sensibilidade poética que a simples retratação fiel do mundo não possibilitaria. A melancolia da falta de perspectiva dá lugar à alegria de se sentir vivo e seguro em um mundo hostil. Essa aposta na experimentação e na força do corpo feminino como eixo narrativo promove um mergulho sensorial em temas importantes, como desejo e violência, ao articular imagem, som e performance de maneira radical e inquieta. 

    Sabes de Mim, Agora Esqueça tem uma ternura bonita de se apreciar, ainda que sua dramaturgia possua ruídos importantes, nem sempre o filme demonstra um fôlego compatível com seu potencial, e o tema já foi explorado em outras produções. A carga dramática das atuações nem sempre é satisfatória, mas sua representação da importância social de um cabaré e a criatividade de usar tudo isso com um baixo orçamento são admiráveis. Como diz uma personagem emblemática do filme: não é putaria, é terapia. 

​Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ MUITO BOM




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