sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Crítica: SE EU FOSSE VIVO... VIVIA (2026) de "André Novais Oliveira"

 

Uma bela história de amor! ❣️❣️❣️

    O longa "Se Eu Fosse Vivo... Vivia" teve sua estreia mundial na mostra Panorama do Festival de Berlim (Berlinale) em fevereiro de 2026 e foi exibido pela primeira vez no Brasil na Mostra Competitiva do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme  é um recorte muito sensível sobre o amor que supera o desgaste do tempo e se concentra nas coisas simples. 

​   O início promissor dessa jornada é empolgante, vamos até Contagem (MG) durante os anos 1970 para conhecer Gilberto, interpretado na versão mais jovem pelo ator Jean Paulo Campos. A atmosfera da época conta com um granulado charmoso, além de uma leve passagem por um momento marcado pelo movimento Black Power, com figurinos da época e um som contagiante. É nesse cenário que conhecemos o casal de protagonistas e iniciamos a jornada do filme. 

​    Uma grande passagem de tempo nos leva 50 anos depois aos dias atuais. O casal, já velho, vive uma rotina carinhosa e simples, colecionando momentos de afeto: o ato de descascar uma laranja sem machucar, o cochilo vendo TV, a ida ao médico juntos e a vontade de comer pão sovado com café. São momentos tão admiráveis e bonitos que tornam Norberto Novais e Conceição Evaristo um casal excelente, cheio de química e brilho em tela. 

    ​Ao chegar à metade da projeção, essa linda história de amor passa a sentir o peso do tempo. Na segunda metade, o filme adota uma linha mais fantástica, explorando a solidão e a esperança de uma vida sem fronteiras. Essa mudança abrupta de tom, do drama para a fantasia, causa uma quebra não muito satisfatória.

​    André Novais Oliveira é, sem dúvidas, um dos realizadores mais interessantes do cinema brasileiro atual. É admirável a coragem de unir os sentimentos mais puros de um casal idoso a uma fantasia de ficção científica com extraterrestres. No entanto, embora os efeitos práticos sejam muito bem executados, a junção dos dois temas não se interligam bem em tela, parecendo dois filmes distintos. Fiquei apaixonado pela primeira metada do filme e bem desconectado com a segunda parte lúdica.

Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM


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