O documentário Tudo é Tempo, dirigido por Marcos Guttmann, foi exibido na Mostra Competitiva Nacional de Longas-Metragens da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Rodado ao longo de 20 anos (entre 2002 e 2022), o filme acompanha a trajetória e a evolução de quatro eleitores comuns de uma mesma seção eleitoral no Rio de Janeiro.
O ponto de partida foi o clima de esperança na primeira eleição do presidente Lula, em 2002, registrando como a passagem do tempo transformou as convicções políticas, afetos e visões de mundo dessas pessoas ao longo de duas décadas.
A produção acompanha essas transformações tendo as três eleições de Lula à Presidência do Brasil como pano de fundo. Segundo Guttmann, o projeto começou com a intenção de observar as mudanças políticas do país, mas a proposta se expandiu com o passar dos anos.
O que sobressai no longa é um ensaio sobre o impacto do tempo em nós, transformando, silenciosamente, opiniões de outrora em contradições comportamentais complexas. Chega a ser hilário acompanhar os depoimentos desses personagens da vida real, é um retrato muito válido do cenário caótico do Brasil, tanto nos acontecimentos recentes quanto no modo como eles refletem na mente das pessoas.
Tudo é Tempo tem seu mérito: passa longe de ser um documentário maçante e traz pessoas comuns que, embora divertidas, surgem confusas com as próprias convicções políticas. No entanto, há um ruído na compreensão do espectador sobre o que motivou essas mudanças comportamentais, a falta dessa profundidade deixa uma lacuna no estudo de caso. O tempo realmente muda as pessoas? Tudo é Tempo mostra que sim, mas faz isso sem se envolver, observando o caos sem necessariamente analisar todas as vertentes apresentadas.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️ BOM
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