Exibido pela primeira vez no país na Mostra Competitiva do 59° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Ana, en Passant é um longa-metragem em animação que combina múltiplas técnicas, como stop-motion, rotoscopia e colagens. A obra se destaca pela habilidade de mesclar realismo com uma forte atmosfera de sonho, utilizando texturas e materiais diversificados para gerar "pequenas inquietações visuais" no trajeto de luto da protagonista Ana.
Na trama, a francesa Ana (Jéssica Pierina) recebe uma chave e a indicação de um apartamento cuja existência ignorava, deixados em uma carta por sua falecida avó. Ao viajar até o imóvel em Belo Horizonte, ela descobre que outra mulher está morando ali. Apesar do estranhamento inicial, Ana decide passar alguns dias com a nova moradora e, nessa convivência, as duas passam a compartilhar suas dores e inseguranças.
Ana, en Passant mostra uma enorme liberdade criativa. A direção e sua equipe exploram diversos formatos e linguagens com destaque para a animação desenvolvida a partir de captação em live-action. A experiência de acompanhar essa jornada se torna vívida e intensa graças a momentos extremamente criativos repletos de recortes, pinturas e um rico trabalho artesanal. É uma animação potente, que flerta com o tradicional e o inovador para transmitir sua mensagem de forma poética.
A poesia do filme é vívida, sensível e doce, caminhando contra qualquer pressa. A história flui como a água, elemento central da narrativa, culminando em cenas marcantes, como o momento em que o corpo de uma personagem se funde ao rio. A calmaria da obra reflete com delicadeza a angústia da protagonista em uma Belo Horizonte encantadora, vibrante e repleta de originalidade. Um filme feito para ser apreciado.
Meu Hype: ⭐️⭐️⭐️⭐️ (MUITO BOM)
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