terça-feira, 29 de agosto de 2023

RETRATOS FANTASMAS (2023) de Kleber Mendonça Filho

 

  O TEMPO ALTERA OS LUGARES! 

Essa frase carrega a história em primeira pessoa do docu-ensaio de Kleber Mendonça Filho, um recorte bastante individual e sentimental de memórias suas que se cruzam com os caminhos traçados pela cultura cinematográfica tradicional do Recife e do Brasil. A história age como um ponto de ligação para muitas coisas além do mundo cinematográfico, é um estudo quase urbanista, de luta política que deixou suas marcas. Os Retratos Fantasmas são lugares que só existem agora na memória, ou foram alterados pelo tempo e possuem simbologia pessoal interligada como uma raiz que toda cidade tem para existir de fato. Seu recorte de arquivos e imagens de época é um paradoxo a transformação de uma metrópole urbana bastante massacrada com o tempo, transbordando um romantismo e valorizando a sua vivência e história. O diretor mostra seu talento como documentarista transportando o expectador a cidade de Recife, te faz ser parte do lugar e das histórias, seja em detalhes que transitam em suas obras cinematográficas ou mesmo em como o cinema tentou resistir aos obstáculos mais diversos, do fechamento das salas de cinema, a desvalorização do cinema de rua. Um contraste que não deixa de exemplificar também os  novos costumes de consumo. Em uma interessante sequência ele praticamente mapeia a tendência mercadológica atual, onde o cinema deixa de ser o prioritário do espaço urbano, se escondendo ao redor de lojas, onde o cinema sozinho não consegue mais ter força para se manter, é necessário um agregado. Isso nem é claramente dito mas fica óbvio na exibição quando ele mostra um cinema sendo invadido por lojas. Praticamente o caminho do cinema dentro de shopping. O filme nos mostra que até mesmo seus letreiros faziam parte da paisagem natural da cidade, da história de momentos vividos ao ser visto fotos de pessoas comuns com o títulos dos filmes exibidos na época. A força maior e emocionante do filme é sentir toda verdade bucólica de alguém que realmente respira e se preocupa com cinema como uma arte que constrói caráter.

Uma obra prima que deve ser descoberta por quem ama cinema. 🎞 

ÓTIMO ⭐️⭐️⭐️⭐️ 

Em cartaz nos cinemas!





quarta-feira, 31 de maio de 2023

O ÚLTIMO ÔNIBUS (2021) - "The Last Bus" de "Gillies MacKinnon"


     Uma jornada de gentileza e ternura, é como podemos simplificar o "road movie" inglês que mostra o diário de viagem de Tom Haper (Timothy Spall) que passou 90 anos num círculo de 1400km de distância e decide mesmo com uma saúde delicada percorrer o trajeto feito por ele e seu amor Mary (Phyllis Logan), de forma inversa para concluir sua história de vida. Ainda que não seja algo extraordinário por olhares mais modernos, a delicadeza de como esse choque cultural é exposto ao personagem encontrar uma sociedade corrompida e tóxica de todas as formas possíveis, faz Tom Haper mesmo dentro de sua bolha conectar-se com um mundo moderno que ele nunca experimentou e ainda dar uma lição de humanidade que só pessoas com bagagem podem proporcionar.


  O personagem carrega sua vida em uma pequena maleta e sem ajuda das tecnologias disponíveis, utilizando lembranças e um mapa. O diretor Gillies MacKinnon realiza uma obra simples que entende as limitações de não enxergar a gentileza ou a melhor idade com uma profundidade de valor, de história e de aprendizado. Afinal, cada qual vive uma batalha sua e particular que pode ou não ser expansiva e nem por isso deve ser desvalorizada. O filme nos mostra a vida que passa num piscar de olhos, no respeito mútuo, nas perdas e nas vitórias também. Em como as vezes um simples ato de pegar um ônibus coletivo e fazer diferença na vida de outra pessoa também é importante, seja na proteção de valores, seja em um conselho sobre guerra ou mesmo num simples conforto de um abraço em um momento de choro.

     Para cumprir com uma promessa feita à sua mulher, antes de ela morrer, Tom deixa sua casa de 50 anos em um vilarejo no norte da Escócia e atravessa o país rumo ao sul, ao lugar onde nasceu, próximo à fronteira com a Inglaterra. As paisagens são belas e junto as camadas emocionais dessa jornada deixa tudo bem confortável ao expectador. O longa foi filmado em Glasgow e os seus arredores e boa parte da trama se passa no Glasgow Vintage Vehicle Trust, um museu dedicado a meios de transportes escoceses. O exterior foi usado para a construção de diversos pontos de ônibus, enquanto o interior serviu de estúdio para a arquitetura de cenários. Spall, de 66 anos, que interpreta Tom, de 90, com uma maquiagem que o envelhece, consegue um tom equilibrado e minimalista no drama do personagem. Um filme triste, mas determinante para quem ama de verdade alguém até o limite e nao há obstáculos pra isso. Imperdível.


O drama com toques agridoces estreia nesta quinta-feira, 1º de junho, nos cinemas do Brasil. Consulte a programação. A distribuição é da Pandora Filmes.








quarta-feira, 17 de maio de 2023

O CONVENTO - "Consecration" de "Christopher Smith"

 

            

        A volta do diretor Christopher Smith após pequenas pérolas do gênero como Triângulo do Medo consegue novamente abrir questionamentos sobre como enxergamos o cinema de terror atualmente, algo que se tornou particular em suas obras. A busca incessante ao entretenimento de horror pode anular o mesmo e dificultar a experiência quando ela pode ser uma contemplação de arte. O Convento apresenta algo bem interessante nesse sentido, não que seja uma obra-prima ou não tenha falhas, não é sobre isso, e sim em como o terror também pode ser enxergado com beleza mesmo entregando dor, medo e sangue em sua própria essência.

          Os filmes sobre freiras e seitas religiosas são realizados constantemente e já são um subgênero à parte com poucas produções que realmente trazem representação artística. O grande ponto alto deste longa está na entrega de Jena Malone que realmente apresenta uma atuação convincente até mesmo quando nem o próprio roteiro ajuda. Suas alucinações são poéticas e assustadoras na mesma medida, ela vive Grace, uma oftalmologista britânica que viaja para um convento à beira-mar na Escócia, após receber a notícia de que seu irmão, um padre, morreu lá sob circunstâncias misteriosas. Não foge do que o público desse tipo de filme espera mas também a atreve a desafia-lo. 

Em última instância, quando as peças se encaixam e a ameaça é finalmente revelada, o diretor vira o jogo ao próprio espectador, no que realmente ele acredita e espera de uma história de terror. Obviamente os fãs do gênero vão lembrar de um grande clássico bem semelhante, Os Demônios (1971) de Ken Russel, tão interessante como esse O Convento, que ainda tem tempo de trazer uma linda fotografia (mesmo com baixo orçamento e efeitos especiais simples) e a quebra de expectativas de maneira crua trabalhando mais o cinema em si que a indústria que ele pertence.

🌟🌟🌟 BOM






quinta-feira, 4 de maio de 2023

GUARDIÕES DAS GALÁXIAS - Vol.03 - "Guardians of the Galaxy Vol.03" de "James Gunn"


        Não tem sido fácil acompanhar filmes de heróis, o que antigamente era um evento cinematográfico divertido e surpreendente se tornou quase um martírio, principalmente pela repetição de temas e o pouco caso na produção dos efeitos especiais e roteiro. Se faltava um filme para recuperar a "auto-estima" da  Marvel Studios e de quem gosta desse gênero de filme ele chegou com Guardiões das Galáxias Vol. 03, uma despedida emocionante do grupo de heróis. 

      O ponto alto do filme é justamente não haver necessidade de ter acompanhado os filmes anteriores do MCU, o espectador se desprende da obrigação de ver tudo sobre todas as fases e curte a experiência da obra por si só. O mérito principal é do diretor James Gunn que consegue entregar um equilíbrio nos arcos onde cada personagem tem seu protagonismo com um grau de precisão cômica muito alinhado ao misto de sentimentos. Na real, ninguém quer o fim do grupo só que isso é inevitável.

      Em Vários aspectos da equipe e de cada membro individual sobreviveram à evolução da equipe, mas outras características fazem os atuais guardiões parecerem um grupo completamente diferente do que eram antes de seu salto de popularidade. Essa maturidade é perceptível durante cada ato da história. 

        O alto evolucionário, que dá a Rocket Raccoon e seus amigos animais suas habilidades, é um processo muito doloroso tanto fisicamente e psicologicamente e esse norte dado a história cresce a cada detalhe do experimento surgindo o vilão da ocasião. No geral, tudo está em seu lugar e da melhor forma possível, o aspecto de Sci-Fi vintage, as lutas divertidas, a trilha sonora impecável além do elenco afiadíssimo como sempre. Um filme que emociona e diverte na mesma medida. Imperdível!

⚠️ Leve um lenço, momentos emocionantes não faltam. Assista na maior tela possível e em 3D! São duas cenas pós créditos não saia antes do final. 

⭐️⭐️⭐️⭐️ Muito Bom  




sexta-feira, 28 de abril de 2023

Cavaleiros do Zodíaco- Saint Seiya - O Começo - 2023 - "Knights of the Zodiac" de "Tomasz Baginsky"

 


Essa hora chegou, live action americano do clássico anime dos Cavaleiros do Zodíaco, sucesso da década de 90 no Brasil e uma das galinhas de ouro da toei animation. O resultado é um dos filmes mais toscos desde Dragon Ball Evolution (2009), uma aberração bastante constrangedora. Seria correto dizer que tudo é errado nessa adaptação dos Cavaleiros do Zodíaco, a concepção de um estúdio de cinema americano se apropriar de uma saga oriental tão querida e complexa já indica o caminho que esse filme poderia ter, e tem, o fundo do poço. Elenco ruim, efeitos especiais improvisados, fotografia horrorosa e acaba sendo um elogio dizer que tudo é de muito mal gosto e genérico. Toda mitologia de Cavaleiros do Zodíaco é resumido a um tutorial de tik tok e frases de efeito, é deprimente imaginar essa concepção até mesmo se fosse como piloto de um seriado ou um filme feito diretamente para streaming. As lutas são tão preguiçosas que o tédio reina até mesmo quando o #cosmos aparece. Os vínculos sentimentais dessa jornada são tão rasos e clichês que seriamente, ainda é difícil acreditar na coragem dessa entrega. Os personagens e seus interesses são tão banais que não convencem nem uma criança pequena que tudo isso é realmente possível. No mais, um filme que não honra a história, o carinho dos fãs, a nostalgia e tudo que essa saga e personagens possuem, isso nem é romantismo, existem releituras dignas mas essa ficará no limbo certamente. Quanto mais falar do filme mais erros vai encontrar. 🤣 Uma piada. 

⚠️ Risada tensa em cada aparição de uma nave no filme! Faltou orçamento certamente! 

💣 BOMBA



segunda-feira, 24 de abril de 2023

Beau Tem Medo (2023) - "Beau is Afraid" de "Ari Aster"


O visionário diretor Ari Aster (Hereditário e Midsommar), retorna as telas de cinema em mais um filme controverso que divide opiniões e isso sinceramente pouco importa. A experiência cinematográfica é bastante pessoal e esse filme mostra o talento do diretor em entregar algo único ao expectador, o drama familiar do personagem é lento e com momentos tão estranhos que se tornam cômicos em sua primeira metade, gradualmente o filme se transforma em um terror psicológico aterrorizante sobre ansiedade e comportamentos abusivos. A jornada de um homem gentil e atormentado pela sua ansiedade tentando enfrentar seus medos mais obscuros é recheado de arte e brilho graças a atuação acima da média de Joaquin Phoenix. O surrealismo rege uma jornada épica e Kafkaesca alucinante logo em seu primeiro ato, sem dúvidas o ponto alto do filme. O segundo ato na casa de pessoas que acolhem o personagem após um grave acidente ganha em suspense e aumenta o arco de personagens. O terceiro ato na floresta mesmo sendo o mais fraco não deixa de ser interessante com cenários de teatro de aparência intencionalmente artificial que lembram os filmes mais experimentais de Lars Von Trier até a maquiagem misteriosa, além dos flashbacks com trabalho de efeitos digitais colocados em personagens envelhecidos e rejuvenescidos. Uma pena que Ari Aster não sabe parar sua mente criativa e cansa um pouco. É um filme complexo e indicado para quem gosta justamente de obras mais abertas com reflexões que beiram o sobrenatural e com performances amplas e caricaturais, personagens improváveis como dos atores Nathan Lane e Richard Kind são acertos. Embora fugindo do padrão com um enredo nada enxuto, visualmente o filme é impecável justificando o alto investimento do estúdio A24 acostumado a entregar filmes independentes. A visão de mundo de Beau, um homem extremamente ansioso e problemático é uma história difícil e perturbadora de se acompanhar, faz filmes como Forrest Gump e Peixe Grande serem brincadeira de criança. 


⚠️ Filmes do diretor podem causar gatilhos, não assista se estiver em momento sensível! 


🖤🖤🖤 BOM



terça-feira, 18 de abril de 2023

A Morte do Demônio - A Ascensão (2023) - Evil Dead Rise

 

Nesta semana chega aos cinemas brasileiros mais um filme da franquia Evil Dead, no Brasil, A Morte do Demônio. Com o subtítulo "Rise" ou "A Ascensão" essa leitura apresenta pela primeira vez como cenário o ambiente urbano. Ainda que seja insano imaginar a quantidade de loucuras que podem acontecer com os demônios sangrentos saidos do livro dos mortos na cidade grande, o cenário é praticamente o mesmo durante toda produção, um prédio quase abandonado e escuro onde mora a família que passa pela tortura sobrenatural dessa vez. O pano de fundo em uma cidade pouco acrescenta e a climática inclusive lembra o clássico italiano Demons de Lamberto Bava, obviamente com mais técnica e recursos. Tudo se encaixa bem e agrada quem já acompanha a franquia gore de terror. Espere muito sangue, mutilações e possessões malucas. O drama familiar é bobo e só serve de desculpa para a catástrofe. Funciona sem precisar dos filmes anteriores e não se priva em entregar algo bastante tenso, arquitetado e até pesado como entretenimento pipoca. Se Terrifier fez o público de "cinema de shopping" ter coragem de enfrentar o Gore, Evil Dead continua entregando um "arroz com feijão" saboroso até mesmo com um grande estúdio produzindo. 

⚠️ Trauma da vez: Ralador 

🖤🖤🖤 BOM



quinta-feira, 13 de outubro de 2022

FÉ E FÚRIA (2019) de "Marcos Pimentel"

 

            Infelizmente a intolerância sobre a religião de matriz africana ainda é absurdamente grande, muito pela falta de conhecimento e ainda maior pela aversão a outro tipo de fé. Isso muito se deve por não ter um livro histórico dividido em vários capítulos que conte como ela surgiu e se desenvolveu com o passar do tempo além de não haver o hábito de reproduzir os costumes e sua história de geração para geração rompendo barreiras mais tradicionais. Quando o assunto é Candomblé ou Umbanda a falta de informação geralmente causa espanto e situações preconceituosas, outras religiões que pregam o cristianismo tratam seus adeptos como satanistas sem ao menos saberem como são as práticas e suas vivências, a dura realidade é que não existe respeito e empatia, apenas perseguição.
 
  Conhecido por seus documentários contemplativos e marcados pelo silêncio, em FÉ E FÚRIA, o mineiro Marcos Pimentel faz um longa pautado pela urgência do tema em favelas e subúrbios do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte. Ciente de que não poderia aplicar uma linguagem que não cabia aos seus entrevistados e entrevistas – pessoas que sofrem com a intolerância –, Pimentel procurou aquilo a que chama de a linguagem mais sincera para que seus personagens se abrissem diante de sua câmera. Houve uma pesquisa com as vítimas desse tipo de intolerância divulgados pela mídia, casos que se tornaram notícia como o a da menina Kayllane, que levou uma pedrada no meio da rua por estar vestida com trajes de candomblé, tem evidência no documentário.
 
     No geral, os vários depoimentos se desencontram e nenhum leva a um senso comum. Os "cristãos" com a velha mania de satanizar a fé alheia, já os de matriz africana acusam os cristãos por limitarem seus cultos (com razão). Mas não há um denominador comum no assunto religiosidade. É revoltante, é uma guerra santa, sempre com perseguições, militarismo, é uma questão longe de haver uma paz. O filme/documentário é fraco para quem faz parte desse meio, o início já traz revolta quando começa com uma passagem bíblica e isso já faz todo o restante não valer a pena. O filme mostra que os cristãos de hoje são os inquisidores do passado e não busca aprofundar isso. Para quem não faz parte desse universo serve como laboratório para o entendimento e empatia dessa vivência e ainda assim será uma experiência um tanto confusa por buscar sempre a "razão" de um dos lados. 

( Texto com colaboração de Silas Hohenstauffen  )






 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Between Two Dawns (2021) de "Selman Nacar"

 


ENTRE DOIS CREPÚSCULOS... o drama turco que chegou no Mubi Brasil é bastante coeso na dor pessoal de Kadir (Mücahit Koçak), filho do dono de uma fábrica têxtil que terá sua vida afetada em virtude de um acidente de trabalho que acontece na fábrica de sua família e que vai impactar sua vida e de todos ao seu redor. A ética do rapaz que não quer que o mal aconteça a ninguém entra em ebulição na luta para conciliar a empatia por seu funcionário gravemente ferido com as pressões de sua família e seu par amoroso. O confronto moral se encontra com o drama do proletariado, o diretor turco Selman Nacar entrega uma estreia promissora que lembra boas referências como o estilo realista do diretor iraniano Asghar Farhadi ou mesmo quase transitar na trilogia do proletariado de Aki Kaurismäki. O tom sombrio e angustiante tem condução sucinta, o dilema de explorar as deficiências da burocracia trabalhista com a busca de assumir as responsabilidades se transforma em um dilema bastante real e de impacto sustentado sem qualquer apelo fácil, todas as questões são importantes e não possuem alívio na história. Em nenhum momento o filme é maçante e sua curta duração apresenta uma agilidade sem atropelar os belos momentos de contemplação. Uma cena bastante poderosa é quando Kadir tem um jantar desconfortável com seus futuros sogros e é convencido a tocar saz (uma espécie de alaúde) para eles, enquanto interiormente agoniza sobre os segredos e mentiras de sua família. O filme ganhou os holofortes no último festival de San Sebastian onde uma nova voz empolgante no cinema mundial conseguiu merecido reconhecimento. Uma reflexão calibrada, sobre o empregado e o patrão, onde o final é quase sempre o mesmo, está em sua própria luta! Imperdível!


Assista no streaming Mubi

quinta-feira, 2 de junho de 2022

JURASSIC WORLD - DOMÍNIO de "Colin Trevorrow"

                                 

A FANTASIA DO SAUDOSISMO 🦖 Há quase 3 décadas Steven Spielberg tirou os dinossauros da extinção no clássico instantâneo Jurassic Park de 1993, que deu início a trilogia dos dinos no cinema. Entretanto, o fiasco do irregular Jurassic Park 3, levou a extinção dos dinossauros em 2001. 😕 Eis que em 2015 os dinossauros foram tirados da geladeira com Jurassic World,  a aposta certeira do estúdio Universal Pictures, que rendeu mais de 1 bilhão de dólares no mundo e virou Hit. Uma nova trilogia dos dinos (re)nascia ali, trazendo uma premissa que já vimos antes, mas uma nova dupla carismática: Chris Pratt e Bryce Dallas Howard. Agora em 2022 essa trilogia chega ao fim com Jurassic World Domínio. Há algo de novo acrescentado? Na verdade não. Porém, vira uma aposta nostálgica quando o saudoso trio do primeiro filme  encontra a dupla da nova geração. E é nisso que o filme aposta: memória afetiva.🦕 Nesse aspecto o filme dá muito certo! Temos aqui todos os elementos do check-list jurássico: corporação inescrupulosa, ameaças geneticamente modificadas, perseguição, correria, aquele lendário dinossauro que cospe veneno paralisante (sim, aquele que você lembra!). Como não tem muita coisa para se contar de novo, vamos relembrar o filme antigo e dar aquela aquecida no coração dos fãs que não viam o trio original reunido desde 1993. É um longo encerramento, mais de 2h20, com cenas que homenageiam ao clássico, esse não tão novo enredo faz um divertido tributo aos dinos e ao legado deles para o cinema. Jurassic World Domínio pode divertir quem não espera muito mais que uma viagem saudosista ao mundo de Jurassic Park! DIVERTIDO! 😉 Visto por Thiago Resende, nosso colaborador! 

Hype: BOM (⭐⭐⭐)
 
Em cartaz nos Cinemas! 🎬 🎬

terça-feira, 24 de maio de 2022

TUDO EM TODO O LUGAR AO MESMO TEMPO - "Everything Everywhere All At Once" de "Daniels"

LOUCURA MULTIVERSAL - O espetáculo caótico de "Everything Everywhere All At Once" ou no título nacional "Tudo, em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" entrega um dos filmes mais legais da temporada atual, reúne uma ampla gama de elementos em torno de um poderoso núcleo emocional, proporcionando pouco mais de duas horas hilárias e profundamente comoventes. O filme explora a temática do “multiverso” e o número infinito de dimensões paralelas criadas por cada decisão da vida dos personagens e as colisões aleatórias de algo quando os mundos se chocam. Daniel Kwan e Daniel Scheinert (os diretores do filme, conhecidos coletivamente como “Daniels”) brincam com conceitos como viagem no tempo, realidades separadas correndo em paralelo e diferentes versões de personagens vivendo em universos diferentes. A escolha artística dos produtores passam longe de qualquer imposição comercial disfarçada (esqueça o multiverso da Marvel) e quando a explosão dos mundos ocorrem é o verdadeiro "Multiverso da Loucura" que explode na tela. A trama diz respeito a Evelyn Wang (Michelle Yeoh, Perfeita!), dona de uma lavanderia falida, que tem uma filha lésbica que se ressente dela (Stephanie Hsu), um marido que está cansado de ser ignorado (Ke Huy Quan) e um pai doente com uma série de expectativas esmagadoras (James Hong). Então, um dia, uma versão de seu marido que não é realmente seu marido aparece para explicar que há uma perturbação no tecido do espaço-tempo ou algo assim, e que Evelyn pode ser a chave para tudo. Logo em seguida Evelyn conhece outras Evelyn de diferentes dimensões em uma corrida contra diferentes filhas, de diferentes dimensões com a ajuda de diferentes maridos e avós. Seu adversário geralmente assume a forma de Dierdre, uma funcionária do IRS interpretado por Jamie Lee Curtis. Os paralelos com milhares de outros universos desafia qualquer senso comum, são tomadas que vão do cinema convencional a intervenções enigmáticas, a produção oferece momentos de meta-comédia estranhamente divertida além de encontrar um interessante propósito para sua insanidade, embora sua frenética mudança maníaca entre diferentes universos podem ser um pouco enervante. INSANAMENTE DIVERTIDO.

Hype: IMPERDÍVEL

Breve nos Cinemas!


quarta-feira, 18 de maio de 2022

ARCADE FIRE - "We" (2022)


NÓS - O sexto álbum da banda canadense é o reflexo dos caminhos incertos de uma sociedade que ainda retrocede enquanto junta os cacos pós-pandemia, onde se restabelece, mas se rende ao conformismo de uma impiedosa nova guerra que devasta um país inteiro e por fim, da decisão de Win Butler, líder do Arcade Fire, de encerrar sua contribuição com o grupo. Os ciclos se fecham sempre e ainda que há sinais pessimistas de novos tempos, "WE" não se rende ao conformismo, foge de mensagens otimistas sem deixar de entregar doçura, um pouco de dor e reflexão. A parte inicial, resumida nas três primeiras faixas lida bastante com resultados da pandemia, solidão e isolamento, são temas centrais. A segunda metade, com as últimas quatro músicas, aborda reencontro e celebração sem se esquecer que lições devem ser colhidas de momentos difíceis para novo ciclos acontecerem. Um álbum que lembra bastante o início promissor da carreira da banda. "Age of Anxiety I" é o hino essencial desse álbum e clama ser a era da dúvida e da ansiedade, a melhor abertura possível, transita no som do início da carreira da banda e conversa com os trabalhos mais recentes. A parte II é aquela balada eletrônica que eles fazem muito bem, e clama sobre a nossa "toca do coelho", uma reflexão que conversa muito com o isolamento que vivemos recentemente e que algumas pessoas vivem internamente. "End of The Empire I-III" é uma trilogia que chega como uma flecha, que machuca ou alivia mas não esconde que é uma canção sobre despedida, perdas e necessidade de reconstrução. A parte IV fecha de maneira devastadora e carregada de simbologia para entregar algum tipo de alerta aos tempos atuais. Seria uma mensagem  muito dura se logo adiante não viesse "The Lightning I e II" como um sopro de luz em meio as trevas. Uma construção impecável. "Unconditional I e II" entregam leveza para fomentar, "confie em você mesmo e siga em frente". O cantor Peter Gabriel participa da parte II. "We" entrega o empurrão necessário para a coragem de se reinventar em tempos sombrios. Valeu a pena esperar cinco anos para esse retorno triunfal!  IMPERDÍVEL.

Hype: ÓTIMO





quinta-feira, 12 de maio de 2022

O HOMEM DO NORTE - "The Northman" de "Robert Eggers"


O RITUAL VIKING DE ROBERT EGGERS! O novo thriller do aclamado diretor de “A Bruxa” e “O Farol” é um típico filme sobre vingança em tempos passados e recria meticulosamente cenários remotos de uma outra época que refletem o estado de espírito de seus personagens. O filme se apresenta principalmente no rústico e no espiritual, essa extravagância e liberdade existencial é o ponto alto do filme, a experiência é quase um ritual viking que atravessa vastos terrenos ainda que limitados a contar a mesma história de sempre, quase "programática" sobre vingança, traição, família, amor e uma dura jornada de sofrimento. O frescor maior sem dúvidas é entregar esse projeto a um diretor inventivo que expande suas capacidades mesmo dentro de padrões de uma indústria cinematográfica. Mesmo com um elenco interessante nenhuma atuação chega a ser brilhante, todo potencial e foco estão em Alexander Skarsgard e Anya Taylor-Joy, Nicole Kidman fora de tom espanta pela mesmice, Ethan Hawke se esforça no pouco tempo de tela, Willem Dafoe e Björk fazem breve participação. Um ponto bastante positivo é o trabalho minucioso de toda produção que torna tudo em cena muito autêntico e com uma estética verdadeiramente Viking. O príncipe Amleth (inicialmente visto como um menino de 10 anos interpretado por Oscar Novak), nasceu em um mundo onde Valhalla é um lugar real e vive um processo de crescimento como guerreiro. Ele escapa vivo de uma emboscada no reino que vivia e após 20 anos, crescerá para vasculhar a terra em busca de vingança. A história é até um caminho bastante seguro e o mérito de "O Homem do Norte" ainda ser algo atrativo vai todo vai para Eggers que faz essa jornada ser difícil para o expectador e busca labirintos ou caminhos alternativos para torná-la transgressora, fugindo de inúmeras outras produções do gênero. Diluir um diretor criativo em um "blockbuster" é uma ambição arriscada porém notável, qualquer coisa um pouco menos óbvia é motivo de empolgação. O filme é um ótimo entretenimento ainda que sem as camadas intelectuais necessárias para ir além.

O filme estreia hoje (12/05) nos cinemas!

Hype: ÓTIMO


quinta-feira, 5 de maio de 2022

DOUTOR ESTRANHO E O MULTIVERSO DA LOUCURA (2022) - "Doctor Strange in The Multiverse of Sadness" de "Sam Raimi"



O EVIL DEAD DA MARVEL! Nada como entregar um herói nas mãos de quem é especialista em filmes "fora da caixinha" para organizar (ou bagunçar) um universo que caminhava no automático e sem surpresas. Os últimos filmes Shang Chi e Eternos (medianos) foram só o início dessa metamorfose, que agora encontra um caminho bem mais interessante. O diretor Sam Raimi busca suas raízes em A Morte do Demônio (Evil Dead), filme de 1981 para construir o primeiro filme de "terror" da Marvel, são efeitos especiais malucos e aterrorizantes que pulam na tela somados a criações tão horripilantes quanto a do clássico citado. Acredite, Bruce Campbell, nosso eterno Ash está no filme! Os sustos são reais e a coragem de se desprender das amarras impostas do padrão "Disney" e "Marvel" tornam Multiverso da Loucura em um dos filmes mais inventivos e insanos do estúdio. A geração acostumada ao "padrão" certamente vai questionar os rumos do filme e as escolhas totalmente em linha curva oferecidas pelo diretor. Olha que o preparo todo foi feito na série What If e em Wandavision e o resultado é espetacular. Esquecendo as falhas básicas principalmente em tentar conectar suas histórias, hoje em dia isso mais atrapalha do ajuda, o restante é muito satisfatório até pra quem cansou da "prisão" de acompanhar o universo Marvel. Se pérolas como Pantera Negra e Guardiões da Galáxias um dia encantou por romper padrões, sem dúvidas Multiverso da Loucura abre caminho para novas criações que saiam desse círculo vicioso de filmes de heróis e tragam algo diferente. Uma menção honrosa a Wanda (Feiticeira Escarlate) ganhando protagonismo e entregando tudo. Se a empolgação do público com o último Homem Aranha trabalhando o multiverso foi grande, esse filme faz algo ainda maior, abre janelas, literalmente, para o estúdio finalmente expandir os heróis e deixar para trás quem já cumpriu seu papel. Doutor Estranho segue como uma salvação, um personagem fundamental para enriquecer esse universo e fugir da mesmice. 

(DICAS: Assista em 3D e na maior TELA possível). Assista a Morte do Demônio (Evil Dead) 

O filme possui cenas PÓS-CRÉDITOS! 

Estreia nos cinemas HOJE! 

Hype: IMPERDÍVEL 


quarta-feira, 27 de abril de 2022

PRIMAVERA SOUND SÃO PAULO 2022 (Line up)


Os organizadores do festival espanhol Primavera Sound anunciaram nesta quarta-feira, 27, a lista completa com todas as atrações que irão se apresentar na edição brasileira. O Primavera Sound de São Paulo acontecerá entre 31 de outubro até o dia 6 de novembro, e promete ocupar várias partes da cidade ao longo da semana - focando sua programação no Distrito Anhembi nos dias principais.



segunda-feira, 25 de abril de 2022

X de "Ti West"


LASCIVO E SANGRENTO 😈 O texano slasher X de Ti West, um prolífico diretor de televisão que retorna ao cinema, explora o charme dos anos 70 através de uma abordagem autêntica e sem pressa nenhuma de ver o circo pegar fogo. X evoca slashers dos anos 70 e anos 80, de sangue encharcando a tela, exalando sexualidade e com artimanhas técnicas intimistas que se resumem a escolhas de como usar equipamentos mais antigos, a experiência de imersão é tão satisfatória que em muitos momentos é como se o filme tivesse sido lançado na época do clássico Massacre da Serra Elétrica, tamanho talento dos realizadores. Acompanhamos Wayne (Martin Henderson) que deixa seu clube de strip em Houston em 1979, "Bayou Burlesque" para apostar em Maxine (Mia Goth) uma garota que sonha com o estrelato, na estrela Bobby-Lynne (Brittany Snow) e no seu parceiro de trabalho Jackson (Scott Mescudi, também conhecido como Kid Cudi). A equipe de Wayne vai para o meio do nada para filmar um filme adulto chamado "As Filhas do Fazendeiro" no galpão do seu proprietário Howard (Stephen Ure) que mora com sua esposa (chocantemente também interpretada pela atriz Mia Goth), atrás de linhas de território conservador onde os "televangelistas" se enfurecem com o flagelo do sexo pecaminoso e com as drogas. Obviamente a viagem se transforma em um palco de terror para os personagens e isso acontece de forma brutal. A beleza por trás de X na visão de West é meticulosamente rica em arte, graças também ao ótimo diretor de fotografia Eliot Rockett, fluente em narrativa visual e implementando tomadas minimalistas e aéreas com uma visão panorâmica que interrompe a serenidade com perigos envolventes e simétricos. O que poderia se tornar bastante cafona ou datado se reverte em um dos filmes mais charmosos e horripilantes da temporada, uma vez que os horrores de X se acendem, recompensa seu público paciente com um slasher com todas as emoções e arrepios prometidos. Mais um joia do estúdio A24 que infelizmente não tem distribuição própria no Brasil e na maioria das vezes seus filmes demoram meses para seu lançamento. 💀

🏅 Hype: ÓTIMO 👌

SEM PREVISÃO DE ESTREIA NO BRASIL

quarta-feira, 20 de abril de 2022

BONECA RUSSA (Segunda Temporada) de "Amy Poehler e "Natasha Lyonne"


A SEGUNDA AVENTURA DE NADIA - Um loop temporal consecutivo, uma personagem excêntrica e fora da caixinha além de uma trilha sonora cool e piadas certeiras, tais elementos fizeram de Boneca Russa (Russian Doll) um sucesso improvável no catálogo da Netflix e obviamente acaba de ganhar continuidade com uma nova fórmula e preservando os elementos que funcionaram bem aliado a novas regras. A experiência de ambas as temporadas um e dois de Boneca Russa não poderia ser a mesma sem a estrela da série e co-criadora Natasha Lyonne. A maneira como Nadia reagiu à morte repetidas vezes era divertida o suficiente por si só. A segunda temporada é sobre ela lutando para entender sua existência. Ao embarcar no trem 6, ela se assusta ao encontrar as portas abertas em 1982 no East Village, onde tem a chance de conhecer sua mãe (Chloë Sevigny). Alan (Charlie Barnett), que passou por uma experiência semelhante de loop temporal na primeira temporada, também é transportado para sua própria história a cada viagem de metrô. A diferença crucial aqui é que, toda vez que eles voltam ao trem, eles podem voltar para casa e fazer a escolha de voltar ao trem novamente. Visitar o passado não seria interessante o suficiente por si só, e então, naturalmente, esses personagens são compelidos a agir para tentar influenciar eventos que antecederam seus próprios nascimentos. Assistir a esse processo se torna fascinante, especialmente porque a compreensão de como esse poder inexplicável funciona é baseada principalmente nos filmes que eles viram. Há amplo espaço para a loucura e o drama sincero, que são bem equilibrados, assim como a sensação de fatalidade que é gradualmente introduzida à medida que o sarcasmo incessante de Nadia se mostra insuficiente para enfrentar todas as situações e torná-lo vividamente interessante e envolvente com as pessoas certas no centro da história. É um passeio deliciosamente selvagem cujo os obstáculos dramáticos valem tanto quanto seus segmentos mais suaves. FORA DA CAIXINHA 🗯

👉 Temporada 2 (Season 2)

📺 Disponível na Netflix 

👀 São 7 episódios de 30 min.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

MEDIDA PROVISÓRIA (2022) de "LAZÁRO RAMOS"

 


ORDEM EXECUTIVA, FUTURO SOMBRIO - Às vezes, nuances e subtextos são os métodos mais fortes para atingir um público, permitindo que eles descubram organicamente o significado por trás de temas e atributos específicos de um filme. Outras vezes, usar uma marreta proverbial para golpear o espectador sobre a cúpula é a melhor maneira de passar sua mensagem, e é exatamente isso que Lázaro Ramos faz em seu primeiro filme solo como diretor. Medida Provisória é situado em um futuro não muito distante, o filme centra-se em uma série de eventos antes e depois que o governo brasileiro passa por uma série de mudanças radicais nas quais o governo reverte seus padrões de igualdade mais progressistas e tenta empurrar cidadãos “melanizados” para a África, numa espécie de "limpeza". Esse “incentivo” obviamente incomoda os brasileiros de cor e, embora alguns sigam o plano, a maioria protesta contra esse programa opressivo e abertamente racista. Muito rapidamente, no entanto, depois que apenas um pequeno número de pessoas concorda em sair voluntariamente, o governo, sem surpresa, promulga uma lei que força qualquer indivíduo de pele mais escura a deixar o país. Isso transforma o Brasil em uma zona de guerra distópica da noite para o dia, explodindo as cidades e favelas em turbulência e violência. O filme que contém algumas boas ideias, performances sólidas e alguns bons momentos, esbarra na natureza desarticulada do roteiro e faz com que a experiência no geral não seja tão provocadora como deveria, ainda que seja um bom filme. Alfred Enoch, Taís Araújo e Seu Jorge são algumas peças importantes do elenco. A maior parte do tempo de execução é gasto com Antônio e André presos em seu apartamento e Capitu tentando manter a si mesma e as pessoas que ela está escondendo com calma e sensatez. Isso faz com que o ritmo perca uma quantidade significativa de intensidade, levando muito mais a algumas revelações de enredo do que à narrativa no geral. O elenco complementar ainda conta com Emicida, Adriana Esteves, Renata Sorrah, Mariana Xavier e Rincon Sapiência em participações especiais. No geral, os temas abertos do racismo sistêmico, produz um nível superficial fascinante, ainda que um pouco demais para parecer que está realmente tentando dizer algo profundo. Uma sátira sombria de um evento ficcional devastador que deixa claro os caminhos perigosos do Brasil e do mundo em não refletir a história de opressão do seu povo, o coletivo e a diversidade. LUTA ETERNA POR IGUALDADE!


Em cartaz nos Cinemas!

Hype: BOM

quarta-feira, 13 de abril de 2022

ANITTA - VERSIONS OF ME (2022)

 

AS MÚLTIPLAS VERSÕES DE ANITTA 💃 Em momento de auge em sua carreira, a cantora brasileira foca no mercado global e apresenta álbum com coragem de transitar nas batidas do funk, na vibração do reggaeton, nos riffs eletrônicos, no rap e até na bossa nova, esse multiverso de quem é a Anitta mostra uma artista que entrega para o mundo e não só para o Brasil. A cantora canta com desenvoltura em três línguas diferentes e se aprofunda em detalhes que fazem bastante diferença quando se analisa a produção musical junto com Ryan Tedder, o produtor executivo escolhido pela cantora para conseguir rebuscar seu trabalho musical, no geral ela consegue êxito não só musicalmente, como consegue uma estética sempre atraente em seus vídeos assim como seu posicionamento sobre temas atuais e marketing sempre bem conduzido de suas conquistas. O próximo feito da cantora será nesta próxima sexta-feira, dia 15 onde se apresenta no festival mais importante do mundo, o Coachella 2022 nos EUA. Anitta esbanja sensualidade, poder feminino e tem uma versatilidade invejável. O trunfo de Versions Of Me é seu apelo popular que dialoga com públicos variados. Algumas canções já haviam sido lançados e não são novidades, Girl from Rio usa sample de "Garota de Ipanema" de Tom Jobin para mostrar ao mundo outra versão da garota que pode ser de Ipanema ou até mesmo de Honório Gurgel, subúrbio do Rio de Janeiro onde residia a cantora antes da fama. Me Gusta mescla o rap com batidas de funk e contagia com colaboração de Cardi B, a inofensiva Faking Love parceria com Saweetie aos poucos cativa. O hit global Envolver mostra seu poder sensual além da divertida Boys Don't Cry. Das canções mais novas destaque para a maluca Gata, feat. com Chencho Corleone, a dançante I'd Rather Have Sex, a "good vibes" Ur Baby com Khalid e o funk  Que Rabão feat. com Mr. Catra e Papatinho. Maria Elegante com feat. de Afro B também cresce com as audições. Em tempos tão pesados, onde artistas do pop focam bastante na melancolia, Anitta envolve com todas as versões de quem ela pode ser e entrega bastante. DIVERTE! 🕺💃

🎧 OUÇA: "I"d Rather Have Sex" e "Versions of Me"
 
🏅
Hype: MUITO BOM



quinta-feira, 7 de abril de 2022

SONIC 2 - O FILME (2022) de "Jeff Fowler"


DIVERSÃO GARANTIDA 💍 Sonic, live-action lançado em 2020, foi uma das últimas grandes estreias nos cinemas, no período pré-pandemia, em março daquele ano, antes que as salas fossem fechadas por meses. Saudosistas do divertido jogo do porco espinho azul  sabiam que mais aventuras e personagens clássicos poderiam ser explorados em novas continuações, caso o primeiro filme obtivesse sucesso. E foi o que aconteceu: Sonic 2 estreia nessa quinta-feira, 07/04. O Meu Hype conferiu e afirma: a diversão leve e despretensiosa continua presente! O maligno Dr. Robotnik (um cartunesco Jim Carrey, agora aposentado da carreira 😔) está num planeta distante, planejando sua vingança após ser derrotado por Sonic no primeiro filme. Para esse plano ele recebe ajuda de Knuckles: uma espécie de Sonic turbinado, vermelho e com grandes punhos (já conhecida pelos gamers). Essa improvável dupla dirige-se à terra atrás de Sonic. Por sua vez o solitário porco espinho Sonic, está reflexivo em casa, após seus "pais" humanos viajarem. Eis que junto dessa ameaça, surge também a simpática raposinha de duas caudas: Tails, antigo aliado de Sonic no game clássico. É nesse momento que o jogo, digo o filme, se desenvolve em um agradável ritmo, com boas piadas do universo pop: as referências vão desde personagens da Marvel aos atores da infinita franquia Velozes e Furiosos (ponto positivo pra Paramount, que não teme citar obras de outros estúdios). Sem desperdiçar potencial, conta ainda com pequenos easter-eggs que homenageiam a dinâmica de jogo no mega drive. Se você gostou do filme original, pegue a pipoca e divirta-se. (Thiago Resende)


🎬 NOS CINEMAS! 🍿🍿🍿🍿