O filme pernambucano Ao Sabor das Cinzas é um drama familiar de realismo fantástico sobre o colapso da comunicação e o luto transmitido em tempo real. A trama acompanha duas irmãs distantes que se reencontram após a morte do pai. Há, porém, um agravante, o corpo dele desaparece do necrotério, o que as leva a uma jornada pelas estradas do agreste pernambucano em sua busca. Ainda que a premissa seja instigante, a proposta na prática decepciona em quase todos os aspectos.
Dirigido por Taciano Valério e rodado no agreste de Pernambuco, o longa traz dinâmicas familiares cheias de boas intenções que simplesmente não funcionam com o espectador. Em vários momentos, a sensação é de que os maneirismos em tela tomam o lugar de uma narrativa consistente, sem nunca empolgar. O ritmo lento, a edição confusa e o roteiro mal trabalhado esbarram na fórmula batida de um certo cinema nacional que tenta contar uma história sem fluxo, quase em câmera lenta, com atuações frias e uma chocante coleção de momentos sem emoção.
Acompanhamos uma família dividida cujos integrantes se distanciam de todas as formas possíveis ao longo do ano, mas que, nas festas de fim de ano, fingem união apenas para a tradicional "foto de família". De um lado, uma irmã conservadora, da "moral e dos bons costumes", que não consegue disfarçar o desprezo pela irmã que se relaciona com outra mulher. O que elas não esperavam é que a morte do patriarca — aparentemente o único elo entre elas — traria tantas verdades à tona.
Mesmo considerando o contexto de um filme independente, existem pilares narrativos fundamentais para que a experiência funcione. Embora toda forma de arte tenha seu valor, o filme parece um laboratório de ideias perdidas na execução, algumas sequer interessantes para quem busca ver uma boa obra cinematográfica. A sensação de uma história que "pesa na mão" deixa tudo excessivamente chato e sem qualquer salvação para Ao Sabor das Cinzas, que se mostra ousado mas desprovida de afeto.
Meu Hype: ⭐️ FRACO
#aosabordascinzas #cinemabrasileiro #filmenacional #cinema #filme

Nenhum comentário:
Postar um comentário