quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

(DES)CONTROLE (2026) de "Rosana Svartman" e "Carol Minêm"


 Entre o riso e o desespero!

  ​O longa, encabeçado por uma atuação visceral de Carolina Dieckmann, mergulha no delicado tema do alcoolismo e em suas nuances — das mais discretas às mais extremas. Se a sutileza marca o início da jornada, as diretoras Rosana Svartman (Pluft, o Fantasminha) e Carol Minêm enfrentam com maestria o desafio de equilibrar a comédia com um tema sério, prestando um serviço social relevante. O roteiro, assinado por Felipe Sholl (Minha Mãe é uma Peça) e Iafa Britz, entrega emoções fortes sem cair no melodrama barato, apoiado por um elenco que foge da caricatura. O filme se destaca como um exemplar de comédia brasileira carismática, profunda e, com certeza, "hype".

​  “(Des)controle” acompanha a história de Kátia Klein (Dieckmann), uma escritora bem-sucedida e mãe dedicada que vê seu mundo ruir diante de um bloqueio criativo e um casamento em crise. Enquanto tenta administrar as demandas dos dois filhos e dos pais, Kátia busca alívio no álcool. O que começa com uma simples taça de vinho evolui para o descontrole total, reativando sua dependência. O longa retrata com crueza o impacto da doença na dinâmica familiar e a importância vital de uma rede de apoio enquanto o indivíduo tenta, desesperadamente, preservar seus afetos e conquistas.

  ​Além de Dieckmann, o elenco reúne nomes de peso: Irene Ravache e Daniel Filho interpretam os pais da protagonista; Caco Ciocler vive o ex-marido; e Júlia Rabello encarna a melhor amiga e agente. Stefano Agostini e Rafael Fuchs Müller completam o núcleo como os filhos de Kátia. Todos ganham espaço narrativo, reforçando o papel crucial de quem cerca o dependente.

​  Inspirado em histórias reais, o filme deixa um alerta claro: o alívio rápido e aparentemente inofensivo do álcool pode ser o início de uma queda livre. Mesmo após anos de sobriedade, uma única taça pode colocar tudo a perder. A humanidade da protagonista, revelada em camadas de profundidade e dramas interpessoais, é o ponto alto da obra — uma narrativa regada a pitadas de humor que discute o alcoolismo mostrando a vida exatamente como ela é.  

⭐️⭐️⭐️ BOM


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O SOM DA MORTE (2026) "Whistle" de Corin Hardy


 Simples, eficaz, assustador e divertido. 

​  O Som da Morte é um ótimo exemplar de terror colegial que expande os limites do gênero sem perder sua essência. Há algo reconfortante nesse subgênero, tradicionalmente repleto de clichês que se prestam à autoparódia. O diretor inglês Corin Hardy (A Freira) consegue elevar o tema já batido com estilo próprio, tratando o material com seriedade e um toque único de direção. O cenário estudantil foi levemente atualizado para o público atual com uma excelente trilha sonora, mas ainda mantém um ar atemporal, remetendo a uma era anterior do terror. Talvez seja por isso que o filme seja hype, é quase uma viagem no tempo à "era de ouro" do terror teen, que nos deu franquias icônicas como Pânico. 
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  A história gira em torno de um grupo de estudantes desajustados que, sem saber do perigo, encontra um objeto amaldiçoado: um antigo apito da morte asteca. Eles descobrem que soprar o instrumento invoca o som aterrorizante de suas mortes futuras, que passam a persegui-los. Em qualquer terror colegial, é imprescindível que o elenco jovem seja cativante e convincente, especialmente quando seus dias se transformam em pesadelos. Felizmente, as atuações são um dos pontos fortes aqui. Dafne Keen (Logan) e Sophie Nélisse (Yellowjackets), ambas estrelas em ascensão, formam uma dupla adorável, lidando com naturalidade tanto com o romance queer em desenvolvimento quanto com a maldição implacável. 
 O grupo é lançado em sequências sangrentas, cada uma mais emocionante que a anterior, enquanto tenta quebrar o feitiço por todos os meios possíveis. As mortes únicas e grotescas são o destaque, com cada uma recebendo (merecidamente) sua própria homenagem nos créditos finais. Inclusive, a cena pós-créditos é importante — fiquem até o fim. 
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  O Som da Morte é bem filmado, bem editado e genuinamente assustador. Mas talvez o aspecto mais perturbador seja a lógica do roteiro: o apito não tem senso de justiça ou moralidade. Simplesmente, se você ouvir seu grito estridente, você morre. A construção da mitologia nunca se quebra, permitindo que a experiência seja envolvente e catártica. Nasce uma franquia? Tomara! 

⭐️⭐️⭐️ BOM


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