terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A HISTÓRIA DO SOM (2025) - "The History of Sound" de "Oliver Hermanus"


 O doce som da memória. 🎶🎶


    ​A História do Som é um romance de época que aposta na contenção quase ao ponto da abnegação. Ambientado no início do século XX nos Estados Unidos, o filme acompanha dois homens que se encontram através da música e se perdem com o passar do tempo, das circunstâncias e da própria reticência. O diretor Oliver Hermanus encena a obra como um artefato cuidadosamente preservado: polido, reverente e ligeiramente distante. É um filme de inegável talento, elevado por atuações marcantes e uma trilha sonora envolvente, mas mantido à margem por sua própria delicadeza. Ele escuta atentamente o passado, mas raramente se manifesta no presente. O hype da história é justamente sua quietude que encanta e frustra simultaneamente.
   O longa visualmente é impecável. Paletas de cores suaves, composições pictóricas e uma sensação tátil de cenário criam um mundo de beleza serena. Por vezes, porém, essa perfeição estética torna-se uma limitação; tudo parece demasiado composto, como se as dificuldades e os desejos tivessem sido higienizados. A narrativa se desenrola com uma calma deliberada, traçando encontros e desencontros ao longo de anos e paisagens. Há beleza nessa serenidade, mas também a sensação incômoda de que o conflito chega de forma muito suave, como uma batida que nunca se transforma em estrondo. O peso emocional parece amenizado, mesmo quando a história, a guerra e as restrições sociais deveriam impor um impacto maior. O filme aspira ser sobre saudade, mas frequentemente assemelha-se mais a um catálogo de momentos do que a uma explosão de sentimentos.
  Paul Mescal e Josh O’Connor trazem sinceridade e inteligência aos seus papéis, sustentando o filme sempre que este corre o risco de se tornar meramente contemplativo. Mescal retrata Lionel como introspectivo e passivo, um homem cujo extraordinário talento musical contrasta com sua reserva emocional. O David de O’Connor é mais animado e inquieto, e a obra ganha vida sempre que ele está em cena. Juntos, eles compartilham uma química natural e genuína, longe do tom teatral. Embora o ritmo arrastado e a trajetória familiar comprometam o potencial de surpreender, A História do Som oferece uma jornada visualmente deslumbrante através de sua melancólica exploração da conexão humana.
   Apesar de sua maestria técnica, sente-se a falta de um pouco mais de liberdade criativa. Assim como os sons que o filme lamenta terem sido perdidos, suas emoções mais profundas por vezes parecem fora de alcance, dissipando-se antes de poderem ressoar plenamente, ainda assim, é um belo filme.

​⭐️⭐️⭐️ BOM



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