quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

O MACACO (The Monkey) de "Osgood Perkins"


Cruelmente ácido no humor e absolutamente sangrento nas cenas de terror, o conto de Stephen King diverte no pavor psicológico e muitas vezes doentio.

O novo filme de terror do estúdio independente indie Neon chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira (06/03) com sessões antecipadas no Carnaval, o filme é distribuído no Brasil pela Paris Filmes. O Meu Hype assistiu ao filme na Cabine de Imprensa e nossa recepção foi favorável, as decisões aleatórias e malucas da direção no fim das contas compensam nas piadas insanas, na ironia desenfreada e decisões interessantes para fugir do habitual.

Tudo tem início quando os irmãos gêmeos Bill e Hal (Theo James) encontram um misterioso macaco de corda. Após a descoberta, uma série de mortes absurdas destroça a família. Muitos anos depois, o macaco inicia uma nova onda de assassinatos, forçando os irmãos a enfrentar o brinquedo amaldiçoado.

Dentro dessa sinopse relativamente comum de qualquer filme médio de terror, o diferencial desse filme é o interessante diretor "Osgood Perkins"conhecido principalmente pelo sucesso independente "Longless", um dos filmes de terror sensação de 2024. A sua mão pesada traz um reflexo torto nessa história, que por sinal, é um conto do famoso escritor de terror Stephen King, por final, James Wan, famoso pela franquia Invocação do Mal também assina a produção do longa. Resumindo, até quando o filme ameaça derrapar algo segura a onda, seja o humor estranho ou as geniosas mortes causadas pelo macaco.

O filme é o deboche perfeito para o nosso tempo, nos quais nossa perda quase completa de humanidade diante de um ataque implacável de abominações sem consequências é canalizada para um macaco de brinquedo pelo qual dois idiotas lutam pelo direito de assassinar multidões anônimas de estranhos inocentes e satisfazer suas queixas pessoais. Quanto ao porquê de todo mundo morrer e isso ser uma merda, essa resposta o filme entrega claramente.

BOM ⭐️⭐️⭐️

    Onde ver: 👀 Cinema 🎥

                                                                     

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O HOMEM CÃO (Dog Man) de "Peter Hastings"

                                      


Uma comédia familiar simples, adoravelmente absurda e sentimental.

Chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (27) a nova animação dos estúdios Dreamworksbaseado na história de Dav Pilkey, também criador das séries “Capitão Cueca” e “Bebê Fraldinha”, o longa animado surge como uma aventura de um herói, leal como um cachorro e forte como um ser humano.

Quando um cão policial fiel e seu dono um policial humano são feridos juntos no trabalho, é necessário uma cirurgia maluca para salvar suas vidas, a união dos dois corpos surgindo assim o Homem Cão.

Após o ocorrido, Homem-Cão faz um  juramento de proteger e servir os cidadãos, sendo a ameaça mais recente as tramas malignas de um super vilão felino, Petey. O plano mais recente dele é clonar a si mesmo, criando o gatinho Lil Petey, para dobrar sua capacidade de fazer coisas criminosas. As coisas se complicam, no entanto, quando Lil Petey cria um vínculo inesperado com o Homem-Cão.

No processo, eles descobrem o poder da família (e dos gatinhos!) para unir até os inimigos mais hostis. O Homem-Cão aprende sobre o mundo humano sem perder sua essência animal. Por isso, ele continua capaz de combater o crime ao mesmo tempo que ama perseguir esquilos. A produção tem uma sinopse um tanto peculiar, mas é uma ótima pedida para a criançada. Homem-Cão é rápido e objetivo, tem uma animação bastante rústica e a partir da transformação do personagem a trama engrena e começa a construir sua narrativa eletrizante. BOM ⭐️⭐️⭐️


                                                                          

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

UM COMPLETO DESCONHECIDO (A Complete Unknown) de "James Mangold"

                                            


Um retrato de parte da história de um ícone brilhante e misterioso que abre mão da pessoa e se transforma num show "cover" do cantor.

Chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (27) a nova biografia sobre o astro Bob Dylan, um dos longas que, ao lado de Ainda Estou Aqui, concorre ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Além disso, ele também é um forte concorrente à estatueta na categoria Melhor Ator, onde Timothée Chlamet concorre ao prêmio por sua atuação acima da média de Bob Dylan.

A cinebiografia retrata o início da carreira do Bob Dylan, passando por momentos fundamentais que mudaram a história da música. Em Nova York, 1961, contra o pano de fundo de uma cena musical vibrante e uma convulsão cultural tumultuada, um enigmático jovem de 19 anos de Minnesota chega com sua guitarra e talento revolucionário, destinado a mudar o curso da música americana. Ele cria relacionamentos íntimos com ícones musicais do momento em sua ascensão meteórica, culminando em uma performance inovadora e controversa que reverbera em todo o mundo.

Como já dizia Todd Haynesque dirigiu o cativante e quase definitivo  "I'm Not There" (Não Estou Lá) de 2007, uma fábula não linear que explora as muitas identidades de Dylan como um ícone cultural por meio de seis atores diferentes, certamente já se sabia um pouco sobre o quão desafiador é definir o músico. “Existem muitos Bob Dylans, sempre há espaço para mais”, disse ele.

Portanto, não é nenhuma surpresa que James Mangold, que nos trouxe o famoso filme biográfico de Johnny Cash de 2005 "Walk the Line" (Jonnhy & June) , estaria interessado em abordar outro aspecto da persona complicada de Bob DylanUm Completo Desconhecido é a visão de Mangold sobre o início de Dylan na década de 1960, que culminou em uma controvérsia mudança musical de instrumentos acústicos para elétricos, é uma história interessante, embora um tanto abafada, desse homem aparentemente desconhecido.

Um dos acertos do filme está na escolha de focar nas pecularidades de Bob Dylan sem se inclinar para sua mente e pensamento. Revive nostalgicamente uma Nova York de vagabundos e boêmios, nos lembrando dos muitos jovens idealistas que se levantaram contra a opressão sistêmica por meio da arte. Os números musicais são cativantes e a performance de Chlamet encanta, seu Dylan é afiado como uma navalha, distante e zeloso, as vezes descontraído e terrivelmente carente como ser humano.

Como um filme biográfico e um olhar para a psique de um sujeito, "Um Completo Desconhecido" deixa muito a desejar, não nos aproximando do "grande" Bob Dylan. Como entretenimento funciona bem celebrando o significado cultural de seu protagonista. BOM ⭐️⭐️⭐️


                                                                          

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

FLOW 🐱 de "Gints Zilbalodis"

                                       


Muito mais que uma história sobre um gato solitário, uma mensagem sobre união e esperança em meio as adversidades. 

Chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (20) a animação Flow, que, ao lado de Ainda Estou Aqui, concorre ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Além disso, ele também é um forte concorrente à estatueta na categoria Melhor Animação

Muito além de uma animação fofa sobre um gato solitário, Flow mostra que pequenos estúdios também podem fazer grandes histórias, mesmo com softwares gratuitos e baixo orçamento. "Flow" virou um fenômeno, é o primeiro longa da Letônia a ser indicado ao Oscar. O filme venceu o Globo de Ouro e o troféu virou patrimônio nacional, sendo exposto no Museu Nacional de Arte da Letônia, o governo local ergueu uma estátua do gatinho em Riga, a capital do país. Além disso, artistas passaram a espalhar a arte pelas ruas com desenhos do personagem. 

Não há voz humana no longa apenas sons de animais proporcionando uma imersão ainda maior a história, sobre um gato que ao ter seu lar é devastado por uma grande inundação encontra refúgio em um barco povoado por várias espécies, e tem que se unir a elas apesar de suas diferenças. Um dos grandes acertos do filme está na escolha de não humanizar os animais protagonistas. Além disso, a animação se esforça para ser fiel ao comportamento real dos animais, como o gato que derruba objetos de propósito quando está irritado. Esses detalhes tornam a experiência mais autêntica e envolvente. 

Flow representa plenamente o fluir, no começo, quando o gato tem muito medo dos outros animais, a água parece muito assustadora e agressiva. Mais tarde, quando o gato e os outros animais aprendem a trabalhar juntos, a água se torna mais tranquila e pacífica, uma simples e bela metáfora sobre a vida e sobre escolher a empatia na luta pela sobrevivência. ÓTIMO ⭐️⭐️⭐️⭐️