Um retrato de parte da história de um ícone brilhante e misterioso que abre mão da pessoa e se transforma num show "cover" do cantor.
Chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (27) a nova biografia sobre o astro Bob Dylan, um dos longas que, ao lado de Ainda Estou Aqui, concorre ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Além disso, ele também é um forte concorrente à estatueta na categoria Melhor Ator, onde Timothée Chlamet concorre ao prêmio por sua atuação acima da média de Bob Dylan.
A cinebiografia retrata o início da carreira do Bob Dylan, passando por momentos fundamentais que mudaram a história da música. Em Nova York, 1961, contra o pano de fundo de uma cena musical vibrante e uma convulsão cultural tumultuada, um enigmático jovem de 19 anos de Minnesota chega com sua guitarra e talento revolucionário, destinado a mudar o curso da música americana. Ele cria relacionamentos íntimos com ícones musicais do momento em sua ascensão meteórica, culminando em uma performance inovadora e controversa que reverbera em todo o mundo.
Como já dizia Todd Haynes, que dirigiu o cativante e quase definitivo "I'm Not There" (Não Estou Lá) de 2007, uma fábula não linear que explora as muitas identidades de Dylan como um ícone cultural por meio de seis atores diferentes, certamente já se sabia um pouco sobre o quão desafiador é definir o músico. “Existem muitos Bob Dylans, sempre há espaço para mais”, disse ele.
Portanto, não é nenhuma surpresa que James Mangold, que nos trouxe o famoso filme biográfico de Johnny Cash de 2005 "Walk the Line" (Jonnhy & June) , estaria interessado em abordar outro aspecto da persona complicada de Bob Dylan. Um Completo Desconhecido é a visão de Mangold sobre o início de Dylan na década de 1960, que culminou em uma controvérsia mudança musical de instrumentos acústicos para elétricos, é uma história interessante, embora um tanto abafada, desse homem aparentemente desconhecido.
Um dos acertos do filme está na escolha de focar nas pecularidades de Bob Dylan sem se inclinar para sua mente e pensamento. Revive nostalgicamente uma Nova York de vagabundos e boêmios, nos lembrando dos muitos jovens idealistas que se levantaram contra a opressão sistêmica por meio da arte. Os números musicais são cativantes e a performance de Chlamet encanta, seu Dylan é afiado como uma navalha, distante e zeloso, as vezes descontraído e terrivelmente carente como ser humano.
Como um filme biográfico e um olhar para a psique de um sujeito, "Um Completo Desconhecido" deixa muito a desejar, não nos aproximando do "grande" Bob Dylan. Como entretenimento funciona bem celebrando o significado cultural de seu protagonista. BOM ⭐️⭐️⭐️
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