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domingo, 1 de dezembro de 2019

52° FESTIVAL DE BRASILIA DO CINEMA BRASILEIRO


Conheça os ganhadores do Troféu Candango no 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Foram 792 filmes inscritos e 111 selecionados para as 13 mostras que compõem o 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Na noite deste sábado (30), depois de nove dias de exibições nas telas do Cine Brasília e de outras três Regiões Administrativas, chegou o momento mais esperado: a entrega do prestigiado Troféu Candango. A Febre (RJ), dirigido por Maya Da-Rin, foi o grande vencedor da noite, com cinco estatuetas: melhor longa-metragem (júri técnico), direção, ator (Régis Myrupu), fotografia (Bárbara Alvarez) e som (Felippe Schultz Mussel, Breno Furtado, Emmanuel Croset). Entre os espectadores, a opinião foi diferente. De acordo com o júri popular, o brasiliense O tempo que resta, de Thaís Borges, foi eleito pelo público o melhor longa da Mostra Competitiva.



A Febre narra a história de Justino (Régis Myrupu), um indígena do povo Desana que trabalha como vigilante em um porto de cargas de Manaus. Desde a morte da esposa, sua principal companhia é a filha Vanessa, que se prepara para estudar Medicina em Brasília. Justino, então, é tomado por uma febre misteriosa. Durante a noite, uma criatura misteriosa segue seus passos. De o dia, ele luta para se manter acordado no trabalho.


Dirigido por Gil BaroniAlice Júnior (PR) foi o segundo maior ganhador desta edição do Festival de Brasília, com quatro Candangos: melhor atriz (Anne Celestino), atriz coadjuvante (Thais Schier), trilha sonora (Vinicius Nisi) e montagem (Pedro Giongo). O filme segue a vida de Alice Júnior (Anne Celestino), uma youtuber trans cercada de liberdades e mimos. Depois de se mudar com o pai para uma pequena cidade onde a escola parece ter parado no tempo, a jovem precisa sobreviver ao ensino médio e ao preconceito para conquistar seu maior desejo: dar o primeiro beijo. Piedade de Cláudio de Assis também ganha prêmios incluindo melhor ator para a ótima atuação de Cauã Reymond.


Na categoria curta-metragem, o merecedor do Troféu Candango de melhor filme, segundo o júri técnico, foi  (SP), dirigido por Ana Flávia Cavalcanti e Julia Zakia. Já a animação Carne (SP), de Camila Kater, foi o preferido do público. Alfazema (RJ), de Sabrina Fidalgo, levou o prêmio de melhor direção.


Mostra Brasília BRB

Exclusiva para filmes feitos no Distrito Federal, a Mostra Brasília BRB também revelou seus vencedores na noite deste sábado, no Cine Brasília. E o longa Dulcina, de Glória Teixeira, foi o melhor longa-metragem tanto para o júri técnico quanto para o popular. O mesmo ocorreu entre os curtas, com Escola sem sentido, de Thiago Foresti, conquistando a preferência de público e especialistas.

Dulcina é um documentário que retrata vida e obra da atriz e diretora de teatro Dulcina de Moraes por meio de depoimentos, imagens de arquivo e reconstituições. O longa também conquistou os prêmios de melhor atriz (Bido Galvão, Carmem Moretzsohn, Iara Pietricovsky, Theresa Amayo, Glória Teixeira e Françoise Fourton) e direção de arte (Úrsula Ramos e Demétrius Pina).

Conheça todos os vencedores:

(Mostra Competitiva – Longa-metragem)

MELHOR SOM
A Febre, filme de Maya Da-Rin
Equipe de Som: Felippe Schultz Mussel, Breno Furtado, Emmanuel Croset

MELHOR TRILHA SONORA
Alice Júnior, filme de Gil Baroni,
Trilha Sonora de Vinicius Nisi

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Piedade, de Claudio Assis
Direção de Arte: Carla Sarmento

MELHOR MONTAGEM
Alice Júnior, filme de Gil Baroni
Montagem: Pedro Giongo

MELHOR FOTOGRAFIA
A Febre, filme de Maya Da-Rin
Direção de Fotografia: Bárbara Alvarez

MELHOR ROTEIRO
O tempo que resta, filme de Thaís Borges
Roteiro: Thaís Borges

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Piedade, de Claudio Assis
Ator coadjuvante: Cauã Reymond

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alice Júnior, filme de Gil Baroni
Atriz coadjuvante: Thais Schier

MELHOR ATOR
A febre, direção de Maya Da-Rin
Melhor ator: Régis Myrupu

MELHOR ATRIZ
Alice Júnior, direção de Gil Baroni
Melhor Atriz: Anne Celestino

MELHOR DIREÇÃO LONGA METRAGEM
A febre, direçao de Maya Da-Rin

MELHOR LONGA METRAGEM JÚRI POPULAR
O tempo que resta, filme de Thaís Borges

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI - LONGA-METRAGEM
Claudio Assis, pelo filme Piedade

MELHOR LONGA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA (PRÊMIO TÉCNICO DOT CINE)
A febre, filme de Maya Da-Rin

PRÊMIO SARUÊ – CORREIO BRAZILIENSE
Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

PRÊMIO ABRACCINE – MELHOR FILME LONGA METRAGEM COMPETITIVA
O tempo que resta, filme de Thaís Borges

MENÇÃO HONROSA
Ary y yo, de Adriana de Farias
Boca de ouro, de Daniel Filho
Um filme de verão, de Jo Serfaty
 

(Mostra Competitiva – Curta-metragem)


MELHOR SOM
A nave de Mané Socó, filme Severino Dadá
Som: Guma Farias e Bernardo Gebara

MELHOR TRILHA SONORA
Alfazema, filme de Sabrina Fidalgo
Trilha Sonora: Vivian Caccuri

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Parabéns a você, filme de Andreia Kaláboa
Direção de arte: Isabelle Bittencourt

MELHOR MONTAGEM
A nave de Mané Socó, filme Severino Dadá
Montagem: André Sampaio

MELHOR FOTOGRAFIA
Parabéns a você, filme de Andreia Kaláboa
Direção de Fotografia: João Castelo Branco

MELHOR ROTEIRO
Carne, de Camila Kater
Roteiro: Camila Kater e Ana Julia Carvalheiro

MELHOR ATOR
A nave de Mané Socó, filme Severino Dadá
Melhor ator: Severino Dadá

MELHOR ATRIZ
Angela, filme de Marilia Nogueira
Melhor atriz: Teuda Bara

MELHOR CURTA METRAGEM JÚRI POPULAR – MOSTRA COMPETITIVA (PRÊMIO TÉCNICO EDINA FUJII CIARIO)
A Carne, filme de Camila Kater

MELHOR CURTA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA (PRÊMIO TÉCNICO DOT CINE E CINEMATICA)
, de Júlia Zakia e Ana Flavia Cavalcanti

PRÊMIO MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES
Chico Mendes, um Legado a Defender, de João Inácio

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS - MELHOR FILME CURTA METRAGEM COMPETITIVA
Sangro, de Tiago Minamisawa e Bruno H. Castro

PRÊMIO ABRACCINE – MELHOR FILME CURTA METRAGEM COMPETITIVA
A Carne, de Camila Kater

(Mostra Brasília BRB)

MELHOR DIREÇÃO
Mãe, filme de Adriana Vasconcelos

MELHOR CURTA METRAGEM JÚRI POPULAR
Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

MELHOR LONGA METRAGEM JURI POPULAR
Dulcina, filme de Glória Teixeira

MELHOR CURTA METRAGEM – MOSTRA BRASÍLIA (PRÊMIO TECNICO EDINA FUJII CIARIO)
Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti

MELHOR LONGA METRAGEM– MOSTRA BRASÍLIA (PRÊMIO TECNICO EDINA FUJII CIARIO)
Dulcina, filme de Glória Teixeira

MELHOR DIREÇÃO CURTA METRAGEM – MOSTRA COMPETITIVA
Alfazema, filme e direção de Sabrina Fidalgo

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Mito e música a mensagem de Fernando Pessoa, filme de André Luiz Oliveira e Rama Oliveira
Edição de Som: Laurent Mis

MELHOR TRILHA SONORA
Mito e música a mensagem de Fernando Pessoa, filme de André Luiz Oliveira e Rama Oliveira
Trilha de: André Luiz Oliveira

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Dulcina, filme de Glória Teixeira
Direção de arte: Ursula Ramos e Demétrios Pina

MELHOR MONTAGEM
Ainda temos a imensidão da noite, filme de Gustavo Galvão
Montagem: Marcius Barbieri

MELHOR FOTOGRAFIA
Ainda temos a imensidão da noite, filme de Gustavo Galvão
Direção de Fotografia: André Carvalheira

MELHOR ROTEIRO
Mito e música - a mensagem de Fernando Pessoa, filme de André Luiz Oliveira e Rama de Oliveira
Roteiro: Rama de Oliveira

MELHOR ATOR
Escola sem sentido, filme de Thiago Foresti
Ator: Wellington Abreu

MELHOR ATRIZ
Dulcina, filme de Glória Teixeira
Atrizes: Bido Galvão, Carmem Moretzsohn, Iara Pietricovsky, Theresa Amayo, Glória Teixeira e Françoise Fourton


Todas as informações sobre o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro estão em: festivaldebrasilia.com.br


sábado, 30 de novembro de 2019

VOLUME MORTO (2019) de “Kauê Telloli”


Thriller tem atmosfera tensa em um exercício psicológico como um quebra-cabeça.

Filme foi exibido na Mostra Competitiva do Festival de Brasília após sua premier mundial na seleção oficial do Festival Internacional de Tallin na Estônia. Dirigido por Kauê Telloli, que chamou atenção em sua estréia com o longa "Eu Nunca" de 2016 (segunda melhor nota dos filmes paulistas em lista da Spcine em 2016) e também roteirista das séries Rio Heroes (Fox) e No escuro (Globo), ele demostra certa segurança em um filme praticamente em plano sequência que se passa num único cenário: uma sala de aula vazia. A tarefa árdua de manter o expectador interessado no filme mesmo com poucos elementos acontece em um jogo psicológico se tornando um filme nervoso, com boa condução, segurando cada reviravolta até seu clímax misterioso. O filme não entrega o que se espera de maneira fácil. O empenho da professora Thamara (Fernanda Vasconcellos) ao tentar solucionar o estranho caso de Gustavo, um menino que passa por um processo de bullying na escola, em muitos momentos deixa em dúvida o seu real objetivo e isso é o diferencial da produção. Gustavo é um protagonista de sete anos que não está presente nas cenas do filme mas é o foco da história. Os pais dele são Roberto (Daniel Infantini), o pai desestruturado por eventos que envolvem a vida do filho, expõe o quão tóxico pode ser às relações, principalmente a exibida no filme, conseguindo seu objetivo de criar repulsa a cada atitude do personagem. A mãe Luíza (Júlia Rabello) bastante submissa ao marido mas bastante misteriosa. No geral, é um longa sobre a dificuldade de saber a verdade dos fatos. Nada é absoluto e cada versão da história possui dúvidas que terminam como um reflexo de concepções. Ficamos o tempo inteiro tentando juntar as peças do quebra cabeça, o grau de confiança nos envolvidos da trama muda a cada atitude sem a chance protocolar de entregar o que se espera de um filme comum. O longa metragem é quase um teatro filmado onde se observa as intenções. Com uma duração de 75 minutos, bem compensados em ritmo acelerado, que mesmo em um roteiro limitado consegue êxito em incomodar o expectador, em deixar mais dúvidas do que respostas. O filme é como uma bomba relógio prestes a explodir, para o bem ou para o mal. TENSO!



O filme não tem previsão de lançamento nos Cinemas! Distribuição pela O2 Play!


O Meu Hype assistiu ao filme em sua exibição no 52° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.



Hype: BOM – Nota do Crítico: 7,0

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

O TEMPO QUE RESTA (2019) de “Thaís Borges”



Documetário expõe a violência na amazônia brasileira em forma de humanidade em um relato comovente e bem filmado.

Thaís Borges diretora do longa é formada em Comunicação Social pela Universidade de Brasília e jornalista independente. Estudou Documentário, Roteiro e Montagem na Escola Internacional de Cinema e TV, em Cuba. Em seu primeiro longa, ela documenta o sofrimento de duas histórias de vida representadas por mulheres. A primeira rompeu com as relações de dependência impostas pelas milícias madeireiras. A outra levantou a voz contra o agronegócio e a mineração que se expandem floresta adentro. O tema forte e muito importante serve como alerta no momento atual aonde o governo vigente demonstra total descaso com a amazônia em quase todos os sentidos, o sofrimento dessa gente reflete a ganância e a exploração de recursos naturais de forma violenta. O filme não se atreve a mostrar acontecimentos ou mesmo a violência em si, tudo é reflexo do que vive as pessoas analisadas no documentário, se revelando uma história de simplicidade e amor ao natural. Na trama, Maria Ivete Bastos e Osvalinda Marcelino Pereira estão marcadas para morrer. Seus cotidianos são um retrato da resistência de outros tantos trabalhadores rurais e ribeirinhos amazônicos, gente que precisa da floresta em pé para sobreviver. Contra a fragilidade de seus corpos adoecidos e contra as ameaças que lhes roubam a liberdade, Ivete e Osvalinda reagem no tempo que resta e convivem com o medo. Conhecer a intimidade dessas familias é um exercício emocionante principalmente quando o real motivo do filme existir é exposto nos sentimentos dos personagens. A curta duração do longa demostra que o expectador precisava de mais dados e informações do que representa esse extrativismo de recursos retirados da floresta, o mal que ela causa a natureza e toda a guerra que acontece de um lado do país que precisa de muita atenção. Talvez isso seja a única ausência do filme ou talvez a escolha de sua realizadora. O drama dessas pessoas reais que convivem com o peso da violência o tempo todo se mostra necessário e urgente, inclusive as personagens do filme encontram-se exiladas, longe de casa em um acampamento provisório em Brasília devido as ameaças de morte. Em um país continental como o Brasil, grande parte da população desconhece essa vivência e o documetário trata tudo de forma simples sem ser panfletário, trazendo uma reflexão de empatia bem construída por sua diretora que em nenhum momento sobrecarrega o filme. EMOCIONANTE.


O filme não tem previsão de lançamento nos Cinemas!

O Meu Hype assistiu ao filme em sua exibição no 52° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Hype: ÓTIMO – Nota do Crítico: 8,0

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

LOOP (2019) de “Bruno Bini”


Primeiro filme a representar o estado do Mato Grosso na Mostra Competitiva do Festival de Brasília é uma aventura de sci-fi dramática sobre viagem no tempo muito bem produzida.
O filme que tem supervisão artística de Fernando Meirelles é o primeiro longa- metragem de Bruno Bini, que realizou cinco curta-metragens e recebeu mais de 40 prêmios em festivais em todo o mundo. Para um primeiro longa, o diretor se atreve a brincar com clichês, com ousadia para criar uma história que mesmo absurda se torna crível pela sua abordagem realista e bem cuidada. Loop foi todo gravado em Cuiabá com locações em lugares simbólicos da cidade como a Praça da Mandioca, a UFMT, além de ruas características. A trama começa em 2012 e se desenvolve até os dias atuais, com voltas no tempo. A narrativa, no entanto, não se restringe ao mundo da ficção científica transitando no suspense, com espaço para drama e algo de humor. Na trama, após a morte de sua namorada, Daniel (Bruno Gagliasso) se torna obcecado com a ideia de voltar no tempo para evitar a tragédia. Ele se deixa consumir pela própria obsessão e mergulha em seu isolamento até encontrar a solução. Assim, Daniel abre mão de seu futuro e retorna ao passado. No entanto, ele não é mais o mesmo homem. Para compor a teoria de deslocamento temporal no filme, Bruno Gagliasso contou com a consultoria de doutores em Física que leram o roteiro e trouxeram suas sugestões. No entanto, o diretor não transforma o filme em uma aula de Física. As teorias estão lá, mas o foco do filme é a jornada pela qual o personagem passa. É um homem que busca evitar uma tragédia. Nesse processo, ele acaba revisitando sua própria história e isso causa um impacto forte nele. Loop tem uma trama cheia de reviravoltas com charme próprio mesmo com vários outros filmes com temática parecida, talvez ele seja o Efeito Borboleta (2004) brasileiro. Com trama que flutua bem em vários gêneros, com um elenco conectado na história, boa fotografia e boa trilha sonora, repleta de ótimos artistas nacionais da nova geração, o filme desponta como um bom entretenimento com uma pegada alternativa. Vale a pena conferir. VIAGEM NO TEMPO.


O filme estreia nos Cinemas em 2020 com distribuição pela Elo Company!



O Meu Hype assistiu ao filme em sua exibição no 52° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Hype: BOM – Nota do Crítico: 7,0

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O MÊS QUE NÃO TERMINOU (2019) de “Francisco Bosco” e “Raul Mourão”


Documentário polarizou o Festival de Brasília com vaias e aplausos ao fazer análise política do Brasil dos últimos anos com depoimentos, filosofia e vídeos de artistas plásticos para compor sua narrativa polêmica por si só.
O documentário é mais um exemplar que analisa o processo institucional e social do país desde junho de 2013 até a eleição de Bolsonaro, investigando a crise do Lulismo, a Lava-Jato, o impeachment de Dilma Rousseff e a ascensão das direitas liberal e conservadora. O assunto é tão complexo que cada produção que usou o tema possui suas particularidades. O premiado O Processo (2018) focou em Dilma Rousseff e no PT. Excelentíssimos (2018) focou nas articulações da redemocratização. Já Democracia em Vertigem (2019) traz uma reflexão mais pessoal de sua realizadora, a documentarista Petra Costa. O Mês que não Terminou é quase um filme experimental que tenta não tomar partido analisando os fatos com imagens e depoimentos intelectuais para entender como o brasileiro se tornou tão militante nos últimos anos, seja para o bem ou para o mal. Ao longo do filme, narrado de forma exemplar por Fernanda Torres, surgem os depoimentos de Laura Barbosa de Carvalho, Pablo Ortellado, Maria Rita Kehl, Marcos Nobre, Tales Ab’saber, Camila Rocha, Pablo Capillé, Pedro Guilherme Freire, Carla Rodrigues, Áurea Carolina, Reinaldo Azevedo, Joel Pinheiro da Fonseca, Samuel Pessoa e Marcos Lisboa, intelectuais de diversas áreas de atuação, que exprimem suas visões sobre o caldeirão que deu origem aos protestos e seus desdobramentos, culminando no cenário político atual. O filme tem a direção compartilhada de Francisco Bosco, doutor em Teoria da Literatura e ex-presidente da Funarte e de Raul Mourão, artista plástico. Essa perspectiva de tema em junção com a arte é o diferencial do documentário que consegue despertar o interesse do público com uma narração quase ininterrupta em tom de urgência dos fatos apresentados mesmo que no fim das contas termine como um resumo de 104 minutos dessa confusão que virou o país. Essa investigação proposta pelos idealizadores, mesmo corajosa, parece fria e distante de uma resposta aos próprios questionamentos apresentados. Os depoimentos parecem polidos e sem sentimentos, no fim das contas busca uma visão menos popular e mais elitizada dos acontecimentos e falha na falta emoção mesmo com um tema tão forte e que mexe com o emocional do expectador. No geral, é visualmente atrativo, com proposta interessante e confuso na mensagem que busca passar. POLÍTICA + ARTE.


O filme não tem previsão de lançamento nos Cinemas, distribuição pelo canal Curta! e Kromaki


O Meu Hype assistiu ao filme em sua exibição no 52° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Hype: BOM – Nota do Crítico: 6,5

terça-feira, 26 de novembro de 2019

ALICE JÚNIOR (2019) de "Gil Baroni"


Comédia juvenil sobre uma adolescente trans e seus dilemas se revela uma das surpresas mais divertidas do ano, merecidamente, muito bem recebida no Festival de Brasília em sua trajetória de festivais pelo Brasil.

Alice Júnior é um filme que traz uma trama LGBTQI+ onde a personagem possui angústias como qualquer outro jovem da sua idade sem necessidade de sobrecarregar o expectador sobre o descobrimento ou processo de aceitação da personagem, algo que quase sempre acontece em filmes com essa temática.  O diretor Gil Baroni (O Amor de Catarina, 2016) e o escritor Luiz Bertazzo, criam um produto que pulsa em tela, com interações digitais nas cenas, trilha sonora descolada, elenco gracioso e história que mesmo seguindo alguns clichês básicos desse tipo de trama surpreende, afinal, Alice interpretada por Anne Celestino, trans na vida real, é uma garota como qualquer outra, com intensas vivências durante sua adolescência com a diferença que, por ser trans, esses problemas que já são graves por si só, se tornam ainda mais intensos. Tudo se conecta graças a uma interação muito despojada entre a protagonista e seu pai Jean, que aceita completamente a condição da filha. É uma forma bastante honesta de mostrar o quanto a criação pode ser o diferencial de acolhimento de uma pessoa LGBTQI+ . O fato dele enaltecer a diversidade da filha acontece com bastante naturalidade em uma relação pura, familiar e sobretudo, com bastante amor. Outro grande acerto do filme é buscar um elenco qualificado de caras novas, todos com características bem trabalhadas e envolventes. A riqueza da personalidade dos personagens também cria perspectivas para o filme desenvolver bem seus conflitos. Na trama Alice (Anne Celestino) é uma adolescente trans cheia de carisma que investe seu tempo fazendo vídeos para o Youtube. Um dia, seu pai Jean (Emmanuel Rosset) é transferido pela sua empresa no Recife para Araucárias do Sul, e eles precisam se mudar. Na nova escola, Alice enfrenta preconceitos ao se deparar com uma sociedade mais retrógrada do que estava acostumada. O desejo da menina é dar seu primeiro beijo mas, antes de tudo, quer o direito de ser quem ela é.  Alice Júnior representa um novo caminho para o empoderamento dos artistas transgêneros no cinema brasileiro de forma positiva e alto astral. É uma comédia romântica leve e otimista onde  tudo flui de uma forma bem humorada, com abordagem madura mesmo que jovial e de sensibilidade apurada.  POP, ATUAL E DO BABADO.


O Meu Hype assistiu ao filme no 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Hype: ÓTIMO - Nota do Crítico: 8,5

A FEBRE (2019) de Maya Da-Rin


Impulsionado pela carreira internacional bem sucedida, segundo trabalho da diretora Maya Da Rin chega ao Brasil aclamado no Festival de Brasília e ressaltando as questões indígenas.

Nascida no Rio de Janeiro em 1979, Maya Da-Rin é uma cineasta e artista visual brasileira que desponta como uma grande promessa do cinema nacional, filha dos cineastas Sandra Werneck e Sílvio Da-Rin, O seu documentário Terras, lançado em 2010, participou em mais de 40 festivais de cinema e o seu primeiro projeto de longa-metragem, A Febre, segue chamando bastante atenção por onde passa, com participação na competição internacional no Locarno Film Festival de 2019 na Suíça e sendo inclusive convidado para a residência da Ciné Fondation, La Fabrique des Cinémas du Monde e Torino Film Lab. O filme também é a primeira experiência do indígena Regis Myrupu como ator, sua participação no filme expõe toda melancolia e desconforto do índio ao tentar se integrar a uma sociedade, muitas vezes despreparada para tal acolhimento, sua atuação é emocionante e bastante carismática.  A trama se passa em Manaus, uma cidade industrial cercada pela floresta amazônica, onde Justino, um indígena Desana de 45 anos, trabalha como vigia no porto de cargas. Desde a morte de sua esposa, sua principal companhia é sua filha mais nova com quem vive em uma casa modesta na periferia. Enfermeira em um posto de saúde, Vanessa é aceita para estudar medicina em Brasília e terá que viajar em breve. Confrontado com a opressão da cidade e a distância de sua aldeia de onde partiu há mais de vinte anos, Justino se vê condenado a uma existência sem lugar. O filme é uma oportunidade de observar com empatia como nossa sociedade não possuem ferramentas para a integração dos povos, a opressão de quem é diferente e muitas vezes sem motivo algum, é a representação do desmonte de politicas públicas que apoiam as minorias e dão a oportunidade de igualdade ao povo indígena que é a raiz do nosso país. A simplicidade da vida de Justino é tocante mesmo que por alguns momentos o ritmo do filme seja mais contemplativo, é uma ficção que funciona quase de forma documental e transita em um tema bastante importante a ser discutido em nossa sociedade, seja da inclusão social dos indígenas como o respeito as suas escolhas de vida. Uma oportunidade de observar a complexidade de sua cultura em paralelo a nossa vivência. A VIDA DOS OUTROS.


O filme chegará nos cinemas do Brasil em 2020 pela VITRINE FILMES.

O Meu Hype assistiu ao filme no 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Hype: ÓTIMO - Nota do crítico: 8,0