quinta-feira, 4 de julho de 2024

ENTREVISTA COM O DEMÔNIO (2024) de "Colin Cairnes" e "Cameron Cairnes"


Uma combinação interessante de documentário e filme, o gênero do terror "found footage" ganha um exemplar que desafia as convenções com uma boa camada de originalidade e elementos de reflexão sobre a comunicação social e o sensacionalismo, uma experiência assustadora.


Dirigido e escrito pelos irmãos Colin e Cameron Cairnes, a premissa até pode não ser inovadora mas a atmosfera criada pelos diretores se torna bastante instigante analisando o cenário da época retratada, os personagens bem elaborados e o clima caótico de um programa televisivo.


O flerte com o psicológico do espectador é aguçado quando o espetáculo apresentado diante das câmeras é misterioso e tenso, as dúvidas acabam sendo o triunfo apresentado, quem já acompanhou esse tipo de programa na tv sabe dos imprevistos e também que existem bastidores recheados de interesses sórdidos que podem surgir em busca do sucesso e da audiência.


O filme me conquistou principalmente pela a atmosfera, o terror apresentado se torna bastante intimista e em alguns momentos gráficos, toda concepção do fime me deixou bastante próximo da história, como se realmente eu estivesse assistindo ao programa de Jack Delroy (David Dastmalchian) e chocado com os acontecimentos.  


⭐️⭐️⭐️ Gostei


Em cartaz nos cinemas! 👀🎥

quarta-feira, 3 de julho de 2024

MAXXXINE (2024) de Ti West


Mia Goth entrega talento e estilo como a personagem-título em MaXXXine, terceira parte da trilogia de terror de sucesso da A24. O slasher é uma boa homenagem ao terror dos anos 80 e debocha livremente de Hollywood com momentos icônicos.


Seguindo os passos de X (2022) e do intenso Pearl (2023), terror e sangue não faltam, o filme faz interessantes referências para clássicos do gênero, de Alfred Hitchcock ao cinema Giallo. É possível notar também uma certa referência ao gênero de terror SNUFF, que durante um período foi uma lenda urbana nas video-locadoras de fitas VHS onde nesses possíveis filmes se mostravam cenas reais de mortes ou assassinatos de uma ou mais pessoas, sem o auxilio ou o uso de quaisquer efeitos especiais, para o propósito de distribuição e entretenimento.


O filme se passa em 1985, mas West se inspira em todo o século XX, seja seu personagem detetive particular no estilo Chinatown, o enquadramento ao estilo do clássico Goodfellas no primeiro ato, ou mesmo a protagonista homônima usando maquiagem tirada diretamente de Blade Runner durante uma cena de clube. Há uma paixão expressa pelo meio onde cada sequência combina maravilhosamente com o design de produção de época, figurinos, maquiagem e muito mais que transportam o público de volta a um tempo anterior à revolução digital da indústria. É uma experiência que encanta e empolga quem ama cinema.


MaXXXine é um filme feito com um amor tremendo e palpável ao gênero e isso ajuda a compensar parte da falta na narrativa e uma edição que pode ser lenta em alguns momentos. A personagem Maxine Minx tem sua grande chance quando a diretora Elizabeth Bender (Elizabeth Debicki, perfeita!) a escala como a protagonista do terror, The Puritan II. Ela se vê assombrada por seus demônios e também por um Serial killer. Toda essa jornada lembra muito outras obras, como o terceiro filme da franquia Pânico, nada que atrapalhe. 


MaXXXine é coerente com a trilogia que pertence, ainda que abaixo dos anteriores, mas certamente é o meu favorito pelo amor que entrega ao cinema de terror.



⭐️⭐️⭐️ Gostei 

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